segunda-feira, 26 de julho de 2010

Parábola do Amor em Variação I



Em uma complexa interação entre o indivíduo e o coletivo, os antigos apelidaram Babilônia com a alcunha de A Grande Prostituta (Clique aqui para ler a Parábola II)



I - A tua nudez molhada era renovo dos campos,
era videira orvalhada.
A tua nudez descoberta se enxugava
e se sossegava sob o manto do Sol.

Eu, passando por ti quase purificada,
entrei em concerto contigo
E te cingi de linho fino, e te cobri de bordaduras da seda enfeitada.
Ornei-te o colo e os punhos,
e te engrandeceste e alcançaste grande formosura,
prosperaste em beleza até chegares a ser rainha.

Depois,
Vieram mancebos, vestidos de azul,
cavaleiros com seus cavalos e tu te enamoraste deles.
E cometeste com eles devassidões e impudícies.
E eles apalparam teus seios
e derramaram sobre ti seus fluxos,
que eram como o fluxo dos jumentos.

Depois, todos eles: mancebos,
capitães, magistrados,
todos vieram sobre ti,
montados em cavalos, com carros, carretas e rodas,
escudos e capacetes.
E te julgaram segundo seus juízos.

Depois, à espada,
fizeram cair-te o nariz, as orelhas e os braços e pés e,
por último,
o que restara de ti lançaram ao fogo.

Contudo,
estabeleci um concerto eterno entre nós...

Já nada podes fazer.


Sérgio Christino

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