quinta-feira, 15 de maio de 2014

Doutor Eneas e a Bomba


Em 2003 fui a Brasília a serviço do Sindicato dos Analistas para realizar alguns trabalhos no Parlamento em defesa da categoria. No Congresso Nacional tive a oportunidade de assistir um discurso do deputado Eneas Carneiro. Sim, aquele que ficou conhecido pelo bordão: “ Meu nome é Eneas”. Figura caricata e um tanto bizarra, o Dr. Eneas era dotado de grandes virtudes oratórias e seus pronunciamentos eram realmente impactantes. Nessa ocasião em que o vi, defendia que o Brasil devia desenvolver armas nucleares, mais precisamente, deviamos ter bomba, que era uma maneira de não estarmos de joelhos diante dos americanos. Eu sempre fui pacifista, mas dessa vez tive de concordar com o parlamentar. Afinal, não é uma discriminação dos que tem bomba contra os que não tem bomba? O Deputado Eneas veio a falecer poucos anos depois, em 2007.

O que não morreu foi o sistema brasileiro desenvolvido pelo Almirante Othon Silva, atualmente Presidente da Eletronuclear, de enriquecer e beneficiar o urânio. O Brasil é o terceiro maior produtor de urânio do mundo e a energia nuclear é mais barata que a térmica. Devido a esse trabalho do Almirante Othon e de outros engenheiros militares brasileiros, a Marinha construiu em Aramar, SP, uma usina de enriquecimento de urânio que estava praticamente abandonada em 2003, no inicio do governo Lula. Ele esteve lá e viu que toda a tecnologia desenvolvida, todo o conhecimento que os brasileiros acumularam iam se perder. Este processo de esvaziamento de recursos, o que acontecia também em relação à Petrobrás, fazia parte da estratégia do antecessor, FHC, que consistia em enfraquecer para fechar ou vender. Lula chamou seu ministro da Marinha e disse : toca, porque eu vou mandar dinheiro para cá.

Hoje, em Itaguaí , perto de Angra, no litoral do Rio de Janeiro, há 6.000 trabalhadores brasileiros na construção do estaleiro e base naval do PROSUB, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos. Foi realizado um acordo com a França para a construção de submarinos nucleares. Já no primeiro, o Brasil entregará pronto, fechado, lacrado, o compartimento do submarino que conterá o urânio enriquecido, porque é tecnologia própria, intransferível, made in Brazil – a do Almirante Othon Silva.

 P-56 - construída no estaleiro em Angra dos Reis  
Também não morreu a industria naval. Está aliás, muito viva. Assim que assumiu em 2003, um dos primeiros atos do Presidente Lula foi cancelar a compra em Cingapura de uma plataforma continental encomendada por Fernando Henrique por ser 5% mais barata. O Estaleiro em Angra estava às moscas e os trabalhadores brasileiros de braços cruzados. Assim renasceu a indústria da construção naval brasileira que ia fechar. Em pouco tempo essa industria empregará mais brasileiros que a automobilistica. Aqui mesmo em Rio Grande vivencia-se um grande investimento na construção de plataformas e que tem impulsionado fortemente o desenvolvimento da metade Sul. E quem é a maior compradora dessa industria naval? A Petrobrás. Por isso não é de estranhar a campanha contra a empresa realizada pela oposição e suas inclinações entreguistas. Não nos enganemos, por trás disso tudo está o interesse americano no Pré Sal

Jorge Passos

Informações sobre enriquecimento de Uranio,  Base Naval e estaleiro Angra, retiradas do site http://www.conversaafiada.com.br

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 07/05/2014
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