sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Festa da Democracia


No sábado, último dia antes do primeiro turno das eleições, eu e minha esposa participávamos de uma carreata que aconteceu pelas ruas da cidade e observamos a verdadeira mobilização que a criançada faz, principalmente nos bairros mais periféricos, correndo atrás dos carros para ver quem conquista mais adesivos, bandeiras, panfletos. E ela me comentou, como achava bonito aquela festa, a possibilidade que essa futura juventude tem de vivenciar a democracia.

Há cinco décadas eu era uma criança de 7 anos de idade. O Golpe de 1964 surrupiou da minha infância essas experiências que tornam mais rica a nossa cidadania. Por longos anos proibiu-se qualquer manifestação política nas ruas. Depois do movimento pelas “Diretas Já” em 1984 com a Emenda Dante de Oliveira, que apesar de toda a pressão popular, foi rejeitada pelo Congresso Nacional, ainda dominado pelas medidas casuísticas de uma ditadura já em estado de decadência , lembro que, somente em 1989, pude exercer meu direito de voto à Presidência da República. Escrevendo este texto, chego a me surpreender com esse fato. O que hoje é desfrutado por todos a partir dos dezesseis anos e que às vezes até é um direito desprezado, só o pude fazer aos 32 anos. Talvez seja por isso que a minha geração, na sua maioria, dá tanta importância ao ato de depositar, ou melhor dizendo, digitar, nossas escolhas na urna eletrônica por quem nos representará no Parlamento e no Executivo.

Mesmo que possamos discutir o processo eleitoral, todas e cada uma das conquistas do país, desde a reimplantação da democracia, devem-se a decisões de natureza Política. Reivindicar a dignidade da Política e defender a representatividade é a única maneira de combater daqueles que pregam a sua criminalização e a desvalorização dos partidos. Claro que, a voz do povo nas ruas exige uma Reforma Política. Esta vontade foi sacramentada na votação expressiva de mais de 6 milhões de pessoas agora em setembro passado, durante a Semana da Pátria, no Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva.

Para finalizar, observando o resultado das Eleições no primeiro turno, podemos constatar no Mapa eleitoral da Metade Sul do nosso Estado, a ampla aprovação do eleitor aos Projetos implementados na região pelos governos Federal e Estadual. O Polo Naval, os Parques de Energia Eólica, fortes recursos investidos na Produção Rural, grandes obras de infraestrutura rodoviária como a duplicação da BR 116 , Porto Alegre - Pelotas, a BR 392 Pelotas - Rio Grande, Programas de inclusão social e saúde, ampliação de acesso à Educação superior e Técnica, dentre outras ações governamentais, sem dúvida influenciaram a escolha do eleitor. É esta verdadeira revolução de progresso e desenvolvimento para a Metade Sul, tão esquecida e relegada no passado, que estará em jogo no próximo dia 26 de outubro.        
Jorge Passos 

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 08/10/2014
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