quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Mercosul a Perigo!

Bloco tem posição estratégica, estendendo-se  do Caribe
 ao extremo sul do continente. Aécio propõe dar-lhe fim. 

Conforme noticia do Jornal Valor Econômico publicado em abril deste ano, em Palestra proferida durante o Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em Porto Alegre, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, encerrou a agenda propondo o fim do Mercosul. Ele classificou o Bloco Econômico como “coisa anacrônica” que “não está servindo a nenhum interesse dos brasileiros”.

No mesmo tom de desprezo ao Bloco, o ex-embaixador Rubens Barbosa, coordenador do programa de governo tucano para a política externa afirmou ao jornal Sul21, que, num eventual governo de Aécio, este daria início a uma revisão profunda do Mercosul e uma revisão do seu tratado, para permitir ao Brasil negociar, sozinho, acordos de livre-comércio.

Parodiando o Chico Buarque, dessas declarações tucanas, deduzo que “eles falam grosso com nossos vizinhos e falam fino com os Estados Unidos”.

Esta coluna, até pelo título que ostenta, Gente Fronteiriça, não poderia furtar-se a abordar essas pretensões do candidato Aécio. Em primeiro lugar, para informar as pessoas , que muitas vezes votam em candidatos apenas por parecer bons moços, ou por simpatia, ou por ser bonitinho, sem saber das intenções que têm e a quem representam. Em segundo lugar, esses projetos afetam diretamente as comunidades vizinhas em cidades de fronteira. O Mercosul já faz farte de nossas vidas.

A começar pelo setor de Comércio Internacional que emprega grande número de trabalhadores, tanto em Jaguarão quanto em Rio Branco. Para quem circula pela BR 116 é visível a construção de galpões de novas transportadoras que aqui se instalaram, e que têm experimentado um forte incremento em suas demandas. Pessoas que eram apenas entregadores de documentos , com as oportunidades que se apresentaram nestes últimos dez anos , hoje são empresários florescentes. Há todo um ramo de serviços, despachantes, depositários, funcionários, serviços públicos de órgãos intervenientes, que estão envolvidos nessa área de atendimento ao Comércio Exterior. O Fim do Mercosul, certamente trará apreensão a esses segmentos. Quem garante que não haverá declínio do fluxo de transações entre os países do Mercosul?

E o Tratado do Mercosul não se restringe apenas ao setor de trocas comerciais. Conforme expressou a presidenta Dilma, “o Mercosul nunca se propôs a ser apenas uma área de livre comércio. A união aduaneira e a livre circulação de pessoas, elementos vitais de um verdadeiro mercado comum, são partes orgânicas desse projeto de integração(...) Sempre insistimos em que, para que ela seja consolidada, é fundamental que haja uma integração entre os povos, inclusive com a criação de uma cidadania comum, como se deu no caso da União Europeia.” E nós temos vivenciado isto. Aqui na nossa fronteira é crescente a cooperação entre as duas cidades. Escola Binacional, legislação ao fronteiriço, intercâmbio cultural. Este desejo tucano de acabar com o Mercosul, traduz outra consequência desastrosa para nossa região. A centralização dos recursos federais no eixo- Rio São Paulo. Não foi por acaso que a votação aqui na Metade Sul foi amplamente favorável ao governo federal. Os municípios menores nunca tiveram tantos investimentos federais. É a descentralização que teve inicio no governo do presidente Lula e teve continuidade com Dilma.

Dar as costas ao Mercosul seria um tremendo erro e um grande atraso para o nosso país.

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 21/10/2014  

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