quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sensação de alívio na América Latina

Líderes da América Latina saúdam vitória de Dilma
Como costumo fazer em dias de eleição, saí cedo pela manhã.  Depois de votar fui dar um passeio pelas ruas da cidade para ver o movimento. Eram 9 horas. Tudo estava calmo, nem parecíamos estar decidindo o futuro do país. Resolvi alargar o trajeto e dei um pulo do lado uruguaio. Fazia tempos que não tínhamos essa festa da democracia simultaneamente aqui e allá. Encontrei a Virrey Arredondo em alvoroço. Carros embandeirados, comitês dos tres partidos, Nacional, Colorado e Frente, cheios de militantes entusiasmados. E foi um dia histórico para a fronteira. Pela primeira vez o partido FrenteAmplista conquistou vitória em Cerro Largo. Parabéns aos amigos del Frente.

Do lado brasileiro, o candidato Sartori confirmou o favoritismo no RS, mais calcado na feroz e raivosa campanha antipetista que por suas qualidades ou projetos. É daqueles políticos mansos, que dizem ser sua maior virtude não ter partido, como se não tivesse. Não por acaso, a mídia tem desvalorizado os partidos e a política. Ouvi de várias pessoas a mesma cantilena: “sei que o Tarso é melhor, mas voto no outro porque sou anti-PT.”  Resultado de anos de  uma cruzada sórdida de difamações, calúnias e desinformação da poderosa grande mídia e seus tentáculos. Aqui mesmo em Jaguarão, há um gerente de uma cadeia de lojas, que sob o codinome Apanhado da Silva, escondendo-se sob o manto do anonimato,  presta-se a comprar uma página inteira de jornal para divulgar textos e blogs antipetistas, com acusações e ataques infundados e mentirosos. São os mesmos que falam em ditadura e radicalismo do PT. Pelo menos em nível nacional, com vitória decisiva em MG e RJ, apoio incondicional do Nordeste e votações expreessivas em todos os estados da federação, livramos os eleitores Aecistas de se arrependerem e repetir o fenômeno Collor. Seis meses depois não se encontrava ninguém que admitisse ter votado no playboy das Alagoas. Era o voto envergonhado.  

Mas deixemos os cães latirem, porque a caravana passa. E passa para transportar a maior revolução  transformadora do Brasil e de sua gente. E de forma pacífica! Milhões e milhões de pessoas que saíram da miséria e ascenderam socialmente. A continuidade de um governo que sabe defender os interesses populares, mesmo em meio à recessão mundial, à sabotagem do grande empresariado, foi uma gigantesca vitória.


Em referencia ao título desta coluna, o analista político Martim Granovski do Diário Página 12 da Argentina, expressou que Dilma e Lula conseguiram a vitoria eleitoral mais importante dos Projetos de reforma com inclusão na América do Sul. O triunfo no Brasil,  foi recebido como se fosse um próprio triunfo na Argentina, Uruguay, Venezuela, Bolívia, Equador e Chile, e com satisfação pelo presidente colombiano Juan Manuel Santos, que pelo Twitter felicitou Dilma dizendo que espera “seguir trabalhando pelo bem de nossos dois países e da região”. A derrota de Aécio Neves, que apregoava uma mudança nas relações exteriores do Brasil, consolida a chance de fortalecer o Mercosul, de afirmar  a Unasur como intercâmbio de  políticas diversificadas e de integração energética e de infraestrutura e estender a aliança com a Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribeños, a Celac. Na noite de domingo  foi palpável que as forças  afins ao PT na América do Sul sentiram o mesmo que os eleitores de Dilma. Não só alegria. Também um enorme e prazenteiro alívio.     

Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 29/10/2014
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