quinta-feira, 6 de novembro de 2014

República Bolivariana do Brasil


Galera! Pensem pelo lado positivo, se o Brasil virar uma Venezuela, poderemos emplacar mais Misses Universo. (risos)

Dedico esse 'textículo', principalmente, aos mais jovens, àqueles que votaram pela primeira vez nessas eleições, e aos que o farão nas próximas. Juro que eu tentei condensar em 140 caracteres, mas o que tenho pra dizer, não é possível. Leiam-no, por favor, com carinho.

Nunca ouvi tanta besteira, quanto nessas eleições. Jovens de 16 anos que acabaram de tirar o título, não sabem nem quem foi Simón Bolivar, repetindo que nem papagaios, frases fascistas de quinta categoria. "Não quero que o Brasil se torne uma República Bolivariana!" Aí você pergunta: por quê? E eles destilam um ódio contra o PT, o Chávez, o Kiko e até contra o Sr. Madruga. Um festival de imbecilidades. Eu também não morro de amores pelo partido, mas consigo reconhecer tudo de bom que foi feito.

Hugo Chávez nunca pagou pau para os Estados Unidos e veja se eles não respeitam a Venezuela. Eles não a engolem, mas respeitam. Ele eliminou o analfabetismo. Aumentou o salário mínimo. Que era de R$ 47 dólares. Hoje o salário mínimo lá, equivale a 675 dólares. É por isso que o o povo mantém a esquerda no poder lá. Não é uma ditadura como a direita tenta incutir em suas mentes. Tem eleições e os candidatos recebem voto direto. Se estivesse ruim o povo, não votaria na esquerda. Esse é o grande medo da elite brasileira e de uma parte da nossa classe média, metida a besta, que não quer lavar as próprias cuecas e calcinhas. Que nos tornemos uma Venezuela e eles tenham que pagar salários dignos para que os pobres trabalhem. E Armínio Fraga, que seria o ministro da fazenda do Aécio, falou que o nosso salário mínimo está muito alto. Pode uma coisa dessas?
Para quem fica acusando a Dilma e o Lula
de fazer acordos com Cuba e Venezuela

Tá, eles irão alegar: mas na Venezuela eles têm uma inflação muito alta. No governo do FHC a inflação era pior que a da Venezuela, 20%, 30% ao mês. Talvez seria bom o Maduro vir fazer a lição de casa com a Dilma. Assim como aprendemos a fazer politica social com eles.

O Brasil vivia com o pires na mão, rolando a dívida externa, (até o FHC)pagando juros altíssimos. Após o governo Lula, agora emprestamos dinheiro ao FMI, para ajudar o países em crise. E as grandes potências querem aprender conosco, como enfrentamos uma grande crise mundial e ainda crescemos. Pouco, mas crescemos. Diminuímos a miséria, enquanto as grandes potências caíram.

Nos EUA, que a direita tanto exaltam, várias cidades foram a Bancarrota. Detroit era a Capital do Automóvel, puxem imagens de Detroit no google, para vocês verem o que ela se tornou.

A receita foi a mais simples de todas, politica social bem feita, aliada ao controle da inflação, através dos juros baixos. Isso só foi possível com o controle total, pelo governo, do Banco Central e dos dois maiores bancos do País, que são estatais. E também nos momentos mais críticos o governo retirou o IPI de vários produtos, para manter os empregos nas indústrias e no comércio, isso aqueceu as vendas, muita gente comprou mais barato e todos se beneficiaram. Inclusive os grandes investidores e multinacionais que passaram a apostar muito mais no Brasil.

Outra coisa que deixa a elite roxa de raiva, é que até o porteiro do prédio deles, hoje em dia, pode passar férias em Paris. Perdeu a graça ir para Paris, deixou de ser ‘exclusivo’. Eu adoro viajar e já conheço 12 países, para desespero da Casa Grande.

Não sou um analista político, falo com cidadão. Minha origem é humilde, fui muito pobre, cresci em meio a uma ditadura militar sanguinária. Não se podia falar, tudo era escondido, cochichado, escamoteado. No primário fui ameaçado de expulsão, se eu voltasse a repetir uma piadinha inocente que eu fiz na aula de história - eu estava lendo em voz alta para classe e, ao invés de falar Palácio do Planalto, eu falei ‘palhaço do planalto’. - Pra quê? Minha Nossa senhora! Ali eu comecei a entender onde eu estava metido. Sou lá da fronteira com o Uruguay, Jaguarão é a minha cidade natal, um ponto muito estratégico e extremamente vigiado pelo exército na época. Queria entender porque as pessoas tinham tanto medo. Eu achava lindo aquele arsenal todo, aqueles urutus (carros anfíbios para transporte de tropas militares) que andavam na terra e na água, os helicópteros, as fardas verde oliva, os desfiles, tudo me fascinava. Quando eu falava que queria ser soldado, o meu pai só resmungava, tesc, tesc. Arghhh!

Além de ser soldado, eu também queria ser artista de circo, pois todos os circos que circulavam entre Brasil e Uruguay aportavam em Jaguarão, nos fundos de minha casa. Era uma briga com meus pais, porque eu não saía do circo, adorava os ver montando a lona, ensaiando. Sempre fazia amizade, para poder assistir, as sessões, de graça e quando eu não conseguia dessa forma eu tinha outra tática, minha casa era em frente ao Presídio Municipal e como conhecia todos os policiais militares, eu pedia para eles me levarem até lá dentro do circo, enquanto eu tinha cara de criança ninguém dava bola, todos me sorriam. Quando o carteiraço não colou mais, comecei a vender pipoca, maça-do-amor, algodão doce, o que eu queria era estar lá, no meio daquela magia toda. E ainda ganhava um dinheirinho. É claro que eu repetia tudo em casa, trapézio, malabares, mágico, palhaço e daí, nasceu minha paixão pelo teatro. Pois também chegavam na cidade aqueles teatros de pavilhão. Que maravilha!

Vejam só, comecei a falar de politica e cá estou divagando sobre minha infância. Então veio minha paixão pela música, nessa época da foto, ganhei um violão, aprendi a tocar sozinho, até compus algumas músicas. Não preciso falar da minha formação musical né? Todos os subversivos! A primeira música que eu aprendi a tocar foi “Para não dizer que não falei das flores” do Geraldo Vandré, facilzinha, somente dois acordes.

Sempre gostei muito de ler, lia de tudo, gibi, bula de remédio, fotonovela, revista antiga, a Cruzeiro era uma das minhas favoritas, minha primeira leitura arrebatadora, foi aos dezessete anos: As Veias Abertas da América Latina do Eduardo Galeano. É óbvio, dei um jeito de dizer um pouco daquilo no teatro, numa peça que eu fiz no ensino médio, nessa época eu já engatinhava no teatro estudantil, e participei, juntamente com os meus amigos da Sociedade Independente Cultural de Jaguarão, da fundação do meu primeiro grupo de teatro, o Contranestesia.

Desde muito cedo aprendi a dar valor à liberdade! E respeito também é bom, viu!

Portanto meninos, antes de sair destilando esse ódio, sem sentido, pelos irmãos nordestinos, pelos mais pobres, deem uma olhada na história recente do País, quando vocês ainda estavam nas fraldas e descubram, enquanto é cedo, de que lado, de fato, vocês estão.

Não acreditem nessa falácia de alternância de poder, isso é balela, depois que a direita se aboletar novamente no Planalto, vamos levar um bom tempo para tirá-la de lá. Ou seja, quando o Brasil estiver quebrado novamente. Se for para mudar que seja por uma esquerda mais sólida. Mudar, por mudar e para pior, é melhor ficar como está. Preparem-se porque o terrorismo será grande.

A maior arma deles é a mídia fascista. Nós não somos uma Venezuela, somos um País rico, que está crescendo e precisamos dividir as riquezas entre todos! Para não deixar-se enganar... Não falar e não fazer bobagem... Estudem rapazes!

Arnaldo D'Ávila

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 05/11/2014 

Arnaldo D'Ávila, jaguarense radicado em São Paulo, é ator e diretor de teatro
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