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domingo, 7 de agosto de 2022

UM DIA EN RIO BRANCO -URUGUAY ( Século XX)

Amanheceu. Da quinta vem o ruído da enxada limpando o pasto na volta dos morangos. São poucos, mas bem cuidados. O terreiro das galinhas já foi varrido e os ovos das poedeiras colhido. Ouço o trotezito do carro de la panaderia Los Claveles entregando o pão recém saído do forno. Rio Branco vai acordando. Tomo café para ir ao colégio das Freiras e o pai me avisa que a Rural não pegou. "Sobe lá na aduana e vê se não tem algum marinero, o Medina ou o Borges pra me ajudar a dar uma empurrada. "

Subo pelas escadinhas da ponte onde já se ve a correria com o carromotor chegando. Passou pela estação Presidente Getulio Vargas, Poblao de Vargas como se dice por acá. Vem apinhado.

No meio da ponte já está se aninhando na calçada o nego Véio vendedor de bananas. Ele larga as bananas ali no chão e os passantes, com suas maletas de garupa sobre os braços que vão comprar açúcar, yerba, rapadura y otras cositas más no Armazém Oscar Amaro em Jaguarão, ja vão adquirindo una penca que vai ser derrubada de uma sentada ali na sombra dos arcos da ponte.

Do outro lado, também de um trem, este, um Maria Fumaça que veio de Rio Grande e passou pela estação Basílio, vai descendo o pessoal cruzando a Mauá destino à Casa Azpiroz, Tienda Machado, Casa de las Lanas, Casa Simon, Casa Martinez, el almacen del basco don Amado e outros comercios chicos que vendem de tudo que é bom do Uruguay, lanas, cobertores, telas balmoral, casacos de burma, quesos, dulce de leche, aceite y galletas Maestro Cubano, aquelas que vem nuns latões grandes que depois é bom de guardar os mantimentos em casa. Algum desses viajantes até pensa em passar uns dias na fronteira hospedado ali no hotel italiano, comer una buena parrilla no Oásis acompanhado por una Norteña e quem sabe dar un paseo de bolanta por la cuchilla, visitar os parentes que aqui ficaram e curtir la sesion de sabado nel cine Rio Branco que en la cartelera anuncia la pelicula de guerra "Los Cañones de Navarone". Imperdible.

O velho, depois de me dar uma carona na rural até o colégio, já está na loja. As vezes, quando tem muito movimento, como parece ser hoje, até almoça por lá. De tarde, depois dos temas feitos, também vou pra loja, ajudo com algum pacote, cevo o mate, mesmo pra algum cliente que puxa conversa, e me entretenho, por entre o burburinho das mulheres , que essas são mais falantes, experimentando roupas, o recrecrec das tesouras cortando telas, as negaceadas murmuradas da balconista Muñeca dizendo pra minha mãe: "esa, baja todo y no compra nada."

Volta e meia, uma vez por mês, no começo da temporada, aparece algum viajante de Montevideo com sua mala cheia de novidades que vai abrindo e mostrando pro Velho. "Ney, eso se va a vender mucho este año" dizia o vendedor, enquanto eu e minha irmã menor ficávamos encantados ali na volta, só mirando porque não se podia falar, admirando aquele mascate fumando cachimbo com relogio de corrente de ouro e mostrando as mais lindas mercadorias da capital del país y que a los brasileños les iba a gustar mucho.

Depois, já à tardinha, sentado num dos degraus da loja, ficava só observando tranquilo aquele mundo de gente percorrendo a rua central do Rio Branco, num ir e vir, no fervor de consumo, a esperar a passagem das gurias que saem do liceo. 

Jorge Passos

Antigo Liceo- hoje Restaurante Batuva




sábado, 6 de agosto de 2022

Memória das Ondas - III Onda por Thadeu Gomes

 

Mestre Vado e Leitão


Vou resumir: o Tio Leitão, foi centroavante do Jaguarão; professor Pino, Eduardo Gatinha, o influencer dos anos 60, Sputinik, Cavalo Velho, Chico Canha, Ademir, Peninha e Monteiro. Tá bom para vocês? 

Não?! Hélio, Martin, Carlão, Jorge, Paulo, Fernanda, Pardal, Javali e Aldyr. Isso diz algo? Então, estou feliz. Ainda respiro Jaguarão. Sou guri, ali, abaixo dos trilhos, Rua do Cordão, mas no meu coração não há uma Jaguarão com divisórias, porteiras e aramados. Eu a respiro toda! Essa é a onda!

Mestre Vado, Monteiro e Gocha.



sábado, 23 de julho de 2022

Memória das Ondas - II Onda

 


Por Thadeu Gomes

Volte sempre! Será que ainda vai dar tempo? 

Preciso encontrar rapidamente o Gilnei Ocacia; tomar um chimarrão no banco da praça, me estabilizar, pois estou perdendo as referências... 

Não, não tenho granja no Uruguai, nem fazenda no Cerrito. Estou de passagem. Fiquei sabendo que o Cléber tem um recado para me dar. Hoje, no Cine Regente, vai passar o filme dos Beatles, e eu quero estar lá. Help! O Zé Paulo, da Rádio Cultura, me chamou para cantar Certo da Pólvora, ao vivo, no seu programa. Não. Não sou artista e ainda sou tímido, fica para depois... Mas a pergunta roda e a consciência me inquere: o que você está procurando aí, cara? O seu passado, o seu presente ou seu futuro? Lembro da canção do Vinícius: Onde anda você? 

Pois é, uma coisa eu digo: viva o Black Mouse, viva a professora Edna, viva o Curuca e o Bacana! Desde sempre!

terça-feira, 19 de julho de 2022

Memória das Ondas - I Onda

 

Fisco
Por Thadeu Gomes

Distraído que estava, naquele banco de praça, das mãos de um desconhecido passante, recebi o tal bilhete que dizia: "vá atrás, siga os rastros e encontrarás..." Não sei se era um uruguaio ou um desses andantes que acabam em nossas terras por problemas complexos em seu País. Era ligeiro, e desapareceu, ali na quebrada da Rua XV. 

Subi a Barbosa Neto, passando pelo Calão e pelo Zica. Dei no Asilo das Freiras, onde lembrei do campinho de pelada. Parece que lá tem uma Universidade... Acabei dando de frente com o Colégio Espírito Santo, mas o seu Leonel não estava mais lá; no campo do Navegantes me vi guri tentando dar o meu melhor para o técnico Marçal. Na porta da Estação de trem havia uma estrela, um compasso, uma régua. Um sujeito de terno preto me disse: os desígnios celestes estão te observando... Parece que ali, aquele Olho incandesceu. 

Fui para a Vila, atrás do grande Guru. Ele já havia partido... Para as estrelas ou para a Luz... Um cara numa bike insinuou: você está longe, mas não desista! Eu pensei: dê uma chance à paz! Acreditem vocês ou não, eu sou um cara de boa! Estou com o Tomate, com o Lica e com o Oscarito! Na Avenida Beira- Rio, estive com o Rei, que disse que o quaco era bom pro peito. Onde vou encontro um, mas ninguém sabe o que procuro...! Pensei no professor Cléo, na professora Silvia e no Nilo Jorge, mas eles também, não se encontram mais aqui. Então desisti e fui pescar no Fisco. Lá tem uma santa das águas. Escutei ela dizer baixinho: volte sempre, filho! 

Eu e o amigo Too Mutch


segunda-feira, 30 de maio de 2022

Jaguarão e Lago Merín - Refúgios de Belchior na Fronteira Sul

 

Programa Café da Manhã do DCM recordou a passagem
 de Belchior por Jaguarão e Lagoa Mirim- Aqui sendo recebido na Casa de Cultura


Montevideo - Rapaz Latinoamericano

O ano era 2010 e estávamos em Montevidéu, no famoso café Tribunales, à espera de um rapaz latino-americano que, em 1976, tinha 25 anos de sonho, de sangue e de América do Sul. Nada podia ser mais surpreendente para as nossas vidas provincianas do que estar ali, à espera dele, ainda que suas canções falassem de uma América que era muito próxima ao nosso cotidiano. Éramos fronteiriços, nascidos e criados entre um país-continente de língua portuguesa (a do Camões que ele tanto conhecia: Mas ando mesmo descontente/desesperadamente eu grito em português) e um continente de língua espanhola (a que ele por diversas vezes aludia em suas músicas inesquecíveis: El condor passa sobre os Andes/e abre as asas sobre nós/Na fúria das cidades grandes/Eu quero abrir a minha voz...).

Meses antes havíamos sido contactados por um amigo que trabalha na Casa de Cultura de Jaguarão, a nossa cidade. “O Belchior esteve aqui e eu o presenteei com um cd de vocês... ele e a companheira dele disseram que queriam falar com vocês... passei o número de telefone... disseram que vão ligar... acho que voltaram para o Uruguai”.

Belchior e a Edna, assim se chamava sua companheira, tinham estado em Jaguarão, do lado brasileiro da fronteira com o Uruguai, provavelmente para que ele conseguisse receber seus direitos autorais. Isso só descobriríamos bem depois.

Após alguns dias, efetivamente, o meu amigo, parceiro de grupo musical, mandou um recado dizendo que o Belchior, através da Edna, tinha mandado uma mensagem eletrônica onde falava que queria nos encontrar. Um único detalhe: eles estavam em Montevidéu e demorariam para voltar à fronteira. Perguntavam se não era possível irmos até lá, pois tinham algo importante para propor.

Assim começava para nós uma espécie de filme de espionagem, onde tudo sempre seria em meias palavras, ou em revelações impactantes sempre adiadas no último segundo. Porém, era o Belchior e não era só o nome dele que chamava nossa atenção. Sabíamos de cor suas músicas, suas letras de rebeldia jovem e singular e, também, conhecíamos algo que poucos sabiam - ou pensávamos que poucos sabiam: suas ligações com a música do Rio da Prata. Do Uruguai e da Argentina.

Há tempos havíamos descoberto que ele havia gravado com o duo folclórico Larbanois-Carrero e com uma amiga nossa, que cantava em nossos cds, Maria Conceição. Depois outra cantora participaria nesse trabalho, a excelente cantora uruguaia Laura Canoura. Ouvíamos também uma outra ótima cantora e atriz argentina, Sandra Mihanovich, que havia gravado diversas músicas suas. E, justamente, naqueles tempos pós 500 anos da chegada de Colombo, uma das canções que embalava nossas mentes de rebeldes latino-americanos, seguidores de ícones como Mercedes Sosa, Atahualpa Yupanqui, Violeta Parra e Víctor Jara, era um contundente manifesto em defesa da América indígena, escrito por Belchior, e musicado pelo uruguaio Mario Carrero (do duo Larbanois): En America la nuestra/de açúcar, cobre y café,/ no hay motivo para fiesta,/ 500 años de qué?

Essa ligação belchiorana com o cone Sul da América talvez explique um pouco a razão de ter escolhido viver seu autoexílio no Uruguai. Lembro sempre que na minha parede de universitário, na república estudantil da cidade de Rio Grande, eu tinha a frase que marcou indelevelmente o que eu queria dizer nas músicas que eu um dia, por ventura, escreveria: O tango argentino me vai bem melhor que o blues. Eu sempre soube que não era algo contra a maravilhosa música afro-americana, claro que não. Era algo que dizia de forma genial que éramos latino-americanos, como Neruda, como García-Márquez, como Benedetti, como Guimarães Rosa. Belchior, para mim, havia dito tudo isso em uma simples frase. A dimensão disso é difícil de conceber. Muitos já disseram que o difícil é fazer o simples. E o que ele escreveu e cantou, em várias de suas obras é simples e simplesmente genial.

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Assim, voltando ao fio da meada, lá estávamos, minha esposa, meu amigo e eu, no Café Tribunales, na plaza Independência, centro de Montevidéu, esperando há algo em torno de meia hora, quando entrou o casal. Ela, pequena e falante, ele, quase indistinguível, escondido em uma gabardina pesada, que parecia um pouco fora de contexto, pois o frio não era tanto naquele dia. A gola alta deixava ver pouco seu rosto, porém a voz, nos raros momentos em que falou, tinha o sotaque e a tonalidade nasal dos discos que ouvíamos. Essas eram características inconfundíveis. Edna falou e falou, por duas horas ao menos, dizendo que estavam sendo perseguidos, principalmente por uma emissora de televisão que os havia encontrado no centro do Uruguai. E dizia enfaticamente que não poderíamos tirar fotografias pois mostrariam onde estavam e isso seria muito perigoso para eles. E assim, colocando um clima sombrio no ambiente, seguiu falando e falando. De tudo, além de umas poucas palavras do Belchior (ele sempre chamava seus interlocutores de “professor”), eu só recordo que notamos que não tinham como pagar o que pediram. Estavam com fome e isso podíamos perceber claramente. Pagamos de bom grado o que consumiram e, ao nos despedirmos, perguntaram se não podíamos nos encontrar no outro dia, na hora do almoço. Lembrei-me que esse era o título de outra de suas canções. Ela frisou então que o Belchior só comia peixes e frutos do mar. Lembramo-nos de um restaurante na orla de Montevidéu. Ártico, isso, Ártico, no bairro de Punta Carretas. Combinamos o encontro.

No outro dia - um desses em que o céu de Montevidéu não se decide entre uma chuva fina, a famosa llovizna, e um sol de inverno - chegamos ao restaurante. Eles já estavam lá, ao fundo, em um lugar em que se podia enxergar os campos onde havia alguns uruguaios jogando futebol, fazendo pouco caso do chuvisqueiro. Era sábado, dia ideal para exercício naquela orla magnífica.

Edna novamente conversou por todos, mas de vez em quando se ouvia o Belchior falando. Ao pronunciarmos esse nome, ela pediu que mudássemos para “Antônio”. O mistério aumentava. Respeitamos seu pedido e esse passou a ser o nome usado por nós desde então. Perguntamos se comia paella, assentiu. Creio que pedimos dois pratos grandes. Passou o tempo, conversas e conversas, sem a revelação do que eles realmente queriam de nós. Chegou a hora de fechar o restaurante. Edna perguntou se podiam sair conosco à noite para algum outro restaurante. Concordamos. Afinal, era para isso que tínhamos vindo a Montevidéu. Combinamos o encontro.

À noite nos encontramos na frente da parrillada El fogón, aonde sempre íamos em nossas estadias anuais na capital uruguaia. Essa parrillada, uma das melhores de Montevidéu, fica na calle San José, atrás da principal, 18 de Julio, bem no centro da cidade. Nessa noite aconteceu, embora poucos ali percebessem, um dos maiores encontros de músicos latino-americanos da região, pois, ao lado da nossa mesa sentou uma família em que um de seus membros era Daniel Viglietti, o compositor de A desalambrar, Milonga de andar lejos, Canción para mi América, e de outras pérolas do cancioneiro latino-americano. Tínhamos o seu disco A dos voces, com o poeta Mario Benedetti. Um dos trabalhos artísticos fundamentais para quem quer conhecer algo da cultura e da música uruguaia. Belchior, ao vê-lo ali tão perto, em um gesto marcante, fez questão de se levantar e ir falar com seu colega uruguaio. Conversaram um pouco, não mais que 5 minutos, e ouvi que ele dava um “bom proveito” para os que estavam em volta da mesa do Viglietti, despedindo-se. Sobre o que falaram não sabemos. Achei que não me cabia perguntar. Gosto de pensar que falaram de alguma música, de alguma parceria possível, de outros artistas de sua geração, de amigos comuns, ou de encontros que tiveram em festivais pelo mundo.

Daniel Viglietti ao centro
Show no Theatro Esperança de Jaguarão 1998

Na saída do El Fogón, Edna pediu para que os deixássemos onde estavam hospedados. Era um pequeno e velho hotel na rua logo abaixo da San José, mais próxima à rambla (orla). Uma zona menos iluminada e um pouco menos segura. Até os dias de hoje, sempre que vou a Montevidéu, passo em frente ao lugar e relembro a cena. O hotel fica na calle Soriano, já próximo ao seu final (ou seu início), umas três ou quatro quadras do Teatro Solís e do mágico bar Fun Fun (aquele que tem a assinatura do Carlos Gardel no balcão). Antes de deixarmos o casal no hotel, que não recordo o nome, combinamos pegá-los no dia posterior para irmos até a feira de Tristán-Narvaja, no bairro Cordón, evento que sempre ocorre aos domingos sobre as ruas desse mesmo nome.

Ali, sentaram-se em um banco um pouco longe da feira, pois não quiseram percorrê-la conosco. Certamente para ele não ser reconhecido. Sem dar espaço a contra-argumentos, a Edna disse que nos esperariam para a despedida. Quando voltamos estavam ali, no mesmo lugar. Edna então pediu para que arranjássemos um lugar para eles do lado uruguaio da nossa fronteira. Foi com essa proposta na mente que nos despedimos. E partimos rumo ao Brasil, para Jaguarão, com 420 km de estrada plana, tendo a verde e bucólica campanha uruguaia em nossa visão. Essa paisagem é sempre um bálsamo para quem gosta de viajar.

Jaguarão - Lago Merín – Divina comédia humana

Lago Merín - UY - O paraíso ecológico que acolheu Belchior

Mais de dez anos já se passaram, velozes, fugazes como aqueles momentos de Montevidéu e do novo encontro, e cá estou eu, tentando juntar cacos de memórias de imagens que não deveriam ser definitivas, mas que, infelizmente, foram. Sempre pensei que encontraria o Belchior outra vez – e reviveríamos tudo outra vez (outro título de uma de suas canções) - em um show, ou em algum restaurante, talvez em Porto Alegre ou em outro local, onde ele, cercado de fãs, dando autógrafos e sorrindo por baixo do imenso bigode, reconheceria em nós os guris de Jaguarão que foram a Montevidéu encontrá-lo. Diria certamente: “Como vai, professor?”.

Creio que era julho, mas poderia ser agosto, quando fomos encontrá-los novamente. Desta vez em Rio Branco, a cidadezinha uruguaia que fica do outro lado do rio Jaguarão. O combinado por mensagem era que eles desceriam antes do terminal de ônibus, no lugar em que se fazem os documentos de entrada e saída do Uruguai, os vistos, no chamado Passo de Fronteira. Eu havia trabalhado ali e conhecia cada recanto dessa construção. Mas jamais esperava que estivessem sentados, sem malas, no banco que fica do outro lado em relação àquele que chegávamos, ou seja, do lado que aponta para Montevidéu, de onde eles tinham vindo. Por isso passamos diretamente da primeira vez, sem vê-los, e só quando empreendemos a meia-volta com o veículo, já achando que não tinham vindo no ônibus da Expreso Rio Branco, é que nos deparamos com a cena. Os dois sentados, sem nem fazer menção de estarem preocupados com uma não vinda nossa e com apenas uma única maleta como bagagem. Ainda hoje é essa a imagem que mais nos marcou de seus encontros. Ambos ali imóveis, num banco de estação, olhando para o Sul da América, para a imensa planura uruguaia. Esse quadro da memória sempre me lembra a música Carito do argentino León Gieco (para mim um Belchior, em sua versão platina): Sentado solo em um banco en la ciudad/con tu mirada recordando el litoral...

Havíamos conseguido uma casa com uma amiga de Rio Branco, Helen Noble. Seu marido havia morrido faz pouco. Ambos eram os grandes amigos que tínhamos do outro lado do rio. Estavam sempre envolvidos com questões artísticas e de integração. Pouco antes da partida do Carlitos - o marido, que era cantor de murga (maravilhoso teatro cantado uruguaio) e edil (vereador) local – o casal tinha levado o nosso grupo ao Fórum Social Binacional realizado no Chuí. Sensível, solidária, ativista cultural, ela era a pessoa indicada para emprestar uma casa para um artista como o Belchior. E assim foi, de muito bom grado, sempre magnânima, entregou-nos a chave. O lugar onde os hospedamos, Lago Merín, é um balneário tranquilo que fica a uns 20 km de Jaguarão, do lado uruguaio, como eles haviam pedido que fosse. É uma praia de água doce que só tem um movimento considerável nos meses de janeiro e fevereiro. Nos outros, ficam ali só umas duas ou três dezenas de moradores, quando muito. Assim, era certo que não teriam muito com que se preocupar sobre possíveis encontros não desejados. Quanto à alimentação, traríamos tudo o que precisassem uma ou duas vezes por semana. E podiam sempre contar com os peixes que eram pescados na noite anterior, de um ribeirinho que morava a uma quadra da casa da nossa amiga.

La casa de Helem, refúgio de Belchior no Lago Merín

Tudo correria bem, não fossem alguns senões. Mas, porém tem um porém... A casa era de praia e a Edna logo fez questão de mostrar que não estava à altura do que esperava de nós. Sempre que íamos, ela falava de uma casa melhor, mais nova. Quanto ao Belchior, posso afirmar que jamais reclamou de nada. Há que se dizer também que essa casa segue sendo alugada e que ainda nos parece muito propícia para um veraneio em um paraíso natural como é o balneário Lago Merín. Tempos depois foi a mesma casa em que viveu por 6 meses o filho do Atahualpa Yupanqui, para quem conseguimos hospedagem da mesma forma. Até hoje, O Roberto Chavero, conhecido por Coya Yupanqui, que mora na província argentina de Córdoba, fala em retornar e veranear na mesma casa.

Voltando ao Belchior. Nesses meses de convivência na fronteira, tivemos uma dúzia de encontros. Pouco mais ou pouco menos, não recordo todos. Lembro-me de alguns deles. Uma janta no restaurante do hotel, vários peixes assados na grelha, diversos passeios com ele sempre escondido no banco de trás do veículo. Tudo fica bastante difuso quando as imagens e os locais se repetem.

Lembro que ele pediu material para pintura. Em seguida conseguimos. E vimos que pintava impressionantemente bem. Anos depois o amigo, jornalista e crítico musical, Juarez Fonseca, uma das maiores autoridades sobre música do Brasil, mostrou-me algumas pinturas e desenhos do cantor, a maioria com imagens do Carlos Drummond de Andrade, os quais recebera como presente e haviam sido publicados anteriormente por uma revista e também publicados em um livro em parceria com o cartunista Mino. Eram estupendos. Aliás, esse termo “estupendo”, era um que ele utilizava bastante. Naquele então, no seu autoexílio no Lago Merín, na casa da Helen, vimos que ele fazia de cavalete uma mesinha, forrada com uma toalha de linho, onde distribuía os pincéis harmonicamente.

As pinturas do Drummond, álbum especial, presente aos leitores da revista Caras. 
 Os desenhos, livro do Belchior em parceria com o cartunista Mino.

Em uma das primeiras tertúlias que fizemos recordo que pedimos para que cantasse algo. Edna interveio dizendo que ele não podia, pois a gravadora não permitia. Em outra vez, o meu irmão, depois de cantar uma música, em um gesto espontâneo, passou o violão para ele. Foi uma expectativa imensa quando vimos que tomou o violão em suas mãos. Ela estava em outra sala, mas percebeu o que ocorria, talvez pelo silêncio expectante do momento, e chegou logo dizendo que ele não podia, repetindo que estava proibido terminantemente pela gravadora. Nunca soubemos a que gravadora se referia. Ele, constrangido, entregou o violão, concordando com ela que não podia cantar, mas completou que recitaria uma poesia do Baudelaire e prontamente nos brindou com um excerto que creio ser de Fleurs du mal, em um francês que para nós, brasiguaios, sem muito conhecimento do idioma de Victor Hugo, pareceu-nos (e devia ser) perfeito. Penso que lembrei logo, sorrindo, que era também contraditório, pois ele havia dito muito antes: Minha fala nordestina/quero esquecer o francês...

Nessas noites de encontro com eles nos fundos da casa da Helen, onde ficava a parrilla para os assados, levávamos um amigo nosso árabe, conhecido por ser bom cozinheiro e, também, por estar sempre disposto para uma festa. Era ele quem assava os peixes para o “Antônio”, descobrindo os gostos culinários do cantor. Sempre recebia em troca palavras elogiosas para o tempero e a textura dos peixes que preparava. “Estupendo”. Em uma dessas vezes, ele, para agradar, resolveu fazer uma torta especialmente preparada segundo as preferências do Belchior. Para sua surpresa, quando, depois da janta, trouxe do carro a iguaria, foi cortado abruptamente pela Edna, que logo atalhou dizendo que ele não poderia comer algo que era nocivo à sua saúde. E que ele não poderia nem mesmo ver a torta, fazendo com que o Said, o amigo árabe (chamado de turco, como todos seus compatriotas da fronteira), com a torta ainda sendo equilibrada perigosamente na mão, voltasse quase instantaneamente com a sua surpresa para o nosso carro. No momento rimos muito da cena. O “turco-árabe-palestino” não gostou nada do que ocorreu e lembra até hoje da afronta.

Por último, recordo que montamos uma estratégia. Enquanto minha esposa conversava com a Edna, eu falaria com o Belchior. Nas poucas palavras que dizia, ele sempre gostava de falar comigo sobre literatura e um pouco de filosofia. Falava que estava trabalhando em umas traduções, creio que do Dante. Como eu tinha diversos livros que poderiam lhe interessar, combinamos que eu levaria alguns para que ele pudesse retomar seu hábito de leitura. Disse-lhes alguns títulos, ele escolheu os que queria, ou que não tinha lido. A memória pode me enganar, mas se não recordo com clareza, ao menos imagino um brilho diferente em seu olhar, ou mesmo um leve sorriso.

No próximo encontro, que foi o último, levei os livros que me pediu. Pedro Páramo, Por quem os sinos dobram, Sobre heróis e tumbas... creio que eram esses. Quero, mas não consigo recordar como foi exatamente a despedida. Havia um certo clima diferente, porém nunca fui dado a percepções mais detalhistas. Tenho para mim que deve ter sido somente um “até mais, professor”, como das outras vezes.

O certo é que, alguns dias depois, recebi uma mensagem eletrônica onde o contato deles dizia:

Prezado. Falei com a Edna e com o Belchior, e eles me pediram para te enviar este recado: Agradecem pelo empréstimo dos livros e DVDs. Os seus pertences estão na casa da sra. Helen. No entanto, outros dois livros seus e um livro e canetas da sra. Helen ficaram no hotel em seu nome, onde eles disseram que jantaram com vocês uma noite. Até. Rafael.

Assim, abruptamente, terminavam os nossos encontros com o Antônio, mais conhecido por Belchior, um dos poetas-músicos-filósofos mais importantes da música brasileira e latino-americana.

Em respeito ao que nos foi pedido, jamais tiramos uma fotografia ao seu lado. Nem em Montevidéu, nem no Lago Merín. Essa não-evidência em imagens é justamente o que nos faz sentir mais próximos a ele. Tenho certeza de que se ele tivesse seguido seu caminho natural e nos encontrasse hoje em dia, certamente diria, com seu maravilhoso sotaque nordestino: “Obrigado, professor!”.

P.S.:

Tempos depois eu soube que o Belchior seguiu vivendo mais um ou dois meses no Lago Merín, hospedado por um conhecido personagem local. A prova inconteste disso era uma série de fotografias. Fotografias... e não eram 3x4. Eis a divina comédia humana. Soube também que houve um dia em que uma das músicas dele, de eterna incompreensão, de alguma forma havia se materializado em Jaguarão. Mas por favor, não saque a arma no saloon, eu sou apenas um cantor....

Nesse dia, a Leci Brandão tinha vindo fazer um show na cidade. Ao saber disso, Belchior conseguiu que o levassem discretamente de carro até a frente da Casa de Cultura, local onde a cantora estava aguardando para a hora do espetáculo que iria se realizar no Largo das Bandeiras, o ponto central de Jaguarão. Então, segundo o que me foi contado, ele pediu para alguém avisar a Leci que “o Belchior queria falar com ela”. A Leci, obviamente, ficaria surpresa com a notícia e, também, obviamente - imensamente solidária como sempre foi, ativista cultural, além de cantora da gema -, iria ao encontro do famoso colega na mesma hora. Mas qual? Um dos promotores do evento, talvez se arvorando de protetor da contratada, simplesmente barrou o mensageiro e, ainda pior, barrou a própria mensagem. Creio que a Leci nunca soube do fato e o Belchior voltou para o balneário como um simples adolescente que fora barrado em um baile. Em cada esquina que eu passava, um guarda me parava, pedia os meus documentos e depois sorria, examinando o três-por-quatro da fotografia....


Sim, Antônio, ou melhor, Belchior, tinhas razão, sempre tiveste razão. O tempo passa, as gerações mudam, mas ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

Martim César - Jaguarão, maio de 2022. 

sábado, 19 de março de 2022

MERCEDES SOSA Y UN FRONTERIZO EN PORTO ALEGRE

 

   El “Gigantinho”, estadio cerrado del club INTERNACIONAL de Porto Alegre, contiguo al “Beira Rìo” perteneciente a la misma institución, estaba abarrotado por mas de quince mil personas, ochenta por ciento de las cuales èramos argentinos y uruguayos en aquel turismo de mil novecientos ochenta. Nos había convocado la presencia allì de la cantora tucumana Mercedes Sosa, quien iba a brindarnos un èpico recital. Meses antes, se había producido la reapertura democrática en Brasil. En cambio, los países del Plata seguían atosigados por feroces dictaduras. Escuchar a un ícono de la lucha de nuestros pueblos contra los dictadores, en vivo y directo no era un espectáculo que se presentara todos los días. Mercedes había padecido en carne propia la política represiva instalada en su país por Videla y los demás genocidas. Amenazada por la organización paramilitar TRIPLE A, debió partir al exilio para salvar su vida, convirtiendo ese destino errante en una trinchera de denuncia a los salvajes atropellos padecidos por quienes vivían en su patria…. 

Yo jamás había estado en la capital de Río Grande del Sur, ese maravilloso estado que linda con nuestro país. Aquel turismo, me decidí a hacerlo. Disponía de unos cuantos pesos, y la economía brasilera era tan accesible que resultaba más barato ir a pasear allá que quedar en Uruguay, aunque fuera en nuestra propia casa. Unos días antes de partir estuve en Melo, con mi pariente Lito Abelar. Lito me dijo que también pasaría la semana en la metrópolis “gauya”."Nos vemos el sábado en la Rùa da Praia", la equivalente a Dieciocho de Julio de Montevideo”, me dijo Lito a modo de despedida…. El primer sábado de ese turismo, tomé un ómnibus en Yaguaròn y seis horas después bajé en la estación terminal de Porto Alegre. Quedé atónito por el movimiento infernal; la enorme cantidad de gente. Nunca había estado en lugar semejante (Montevideo no contaba aún con su terminal). Al rato logré ascender a un taxímetro e indiqué al chofer la dirección de un hotel económico recomendado por un amigo días antes. Mi único equipaje era una mochila donde llevaba lo esencial para pasar la semana. En un bolsillo llevaba la tarjeta del hotel, aportada por quien me lo había recomendado. Se la presenté al amable conserje, manifestándole mi intención de alojarme toda la semana allí. No pude tener peor “bienvenida”. Aquel buen hombre, con cara y palabras de circunstancias, me informó que el hotel estaba reservado para toda la semana. Y lo peor: que me iba a resultar imposible conseguir alojamiento en lugar alguno. “Porto Alegre, por la ventaja del cambio, está repleta de turistas argentinos y uruguayos. Hoy no se consigue un cuarto de hotel ni por una noche”, remató…. 

Eran las seis de la tarde. Con toda la desazón del mundo, mi cabeza comenzó a pensar en la posibilidad de retornar a la estación y tomarme el primer ómnibus que saliera hacia Yaguaròn. Palabra va, palabra viene, el conserje se percató de mi desilusión e indagó si yo tendría problemas en pernoctar, al menos esa noche en una “pensión familiar” de un conocido suyo. Ante mi consentimiento, escribió en una hoja del hotel “Plaza San Gerònimo 116”. “No le garantizo nada, pero ahí puede haber algo”, me expresó al darme la mano… 

Otro taxi, en medio de un mar de “fuscas”, transitando avenidas cuya existencia desconocía, hablando a los gritos con el chofer. Al final del viaje, el 116 de la plaza “San Gerònimo” indicaba la puerta cerrada de un viejo caserón, sin dudas construido muchas décadas antes. En aquella puerta de cinco metros de alto y dos de ancho, di dos o tres golpes con mis nudillos, hasta que la abrió un muchacho de mi edad. Con mi rudimentario portugués le hice saber cómo y a que había llegado hasta allí. El muchacho me franqueó la pesada puerta. Subí tras de él una escalinata de seis o siete escalones y se presentó como el encargado de esa “pensión”… Para consuelo, puso a mi disposición el cuarto donde èl vivía. “Mientras usted esté, yo duermo en ese sofá”, me dijo. Bárbaro!!!!!! Tenía alojamiento, aunque ignoraba por completo que lugar de la ciudad era aquel. El precio era de risa: a valores actuales, debían ser cien pesos el día, con baño compartido pero prolijo. Una vez me bañé para sacarme el cansancio, me dirigí al “dueño de mi hospedaje”. Eran las siete de la tarde. “Voy a dar una vuelta, le expresé. Donde queda Rùa da Praia?”. “Queda acá cerca, pero la pensión cierra a las ocho y luego no se puede entrar”. Se me cayó el mundo encima. Así que a las ocho se terminaba mi noche, para recluirme como un monje en aquel “convento” de principios del siglo veinte!!!! 

Pensión San Jeronimo
Pensión San Jeronimo

Con ese panorama, siete y pico de la tarde, me dirigí hacia “Rùa da Praìa”, que estaba allí, a cuatro cuadras según información de mi casero. Cuando mis pasos llegaron a ese lugar, la visión de la calle fue surrealista. Nunca se irá de mis retinas. Era, como había dicho Lito Abelar, la “Dieciocho de Julio” de Montevideo. Pero sin vehículos, llena de gente. Aquello parecía un acto de cierre de campaña del FRENTE AMPLIO!!!!!! Aparte de no encontrar a nadie, lo más probable era que terminara perdiéndome en medio de aquel gentío. De inmediato me percaté de que estaba siendo víctima de una broma del genial humorista que es Lito… Me sumergí en aquella multitud. Llevaba tres o cuatro cuadras caminando, sin saber aún donde estaba, cuando alguien me toma del brazo. Era “Lito” Abelar!!!!!! Hasta ahora no he logrado saber cómo se dio esa casualidad. Siete y pico de la tarde, ya tenía que volver a mi “alojamiento” antes que cerrara…. Sin poder dar crédito a esa enorme prueba de que el azar existe, le narré a Lito la absurda situación que estaba viviendo. Pronto serían las ocho y yo debía estar en la pensión, de lo contrario no tendría donde dormir. Había decidido que al otro día regresaba a Uruguay…. 

En eso estábamos cuando veo aparecer a Mónico Aguilera, un amigo guitarrista de Melo, radicado desde hacía añares en Brasil. Al gritarle, se arrimó, y luego del abrazo, ofreció acompañarme a mi alojamiento y buscarle alguna solución a aquel problema digno de Kafka… Con su auxilio, logré que el muchacho encargado de la pensión me facilitara una llave de la puerta de calle. Aquella enorme pieza de cerrajería que me entregó, digna de un museo (casi veinte centímetros de largo y un peso aproximado a los cien gramos), me iba a posibilitar la entrada y salida a la hora que quisiera…. Cambió mi ánimo; se transformó la noche; mudaron las perspectivas. 

Estaba instalado en un alojamiento que se ubicaba en pleno centro de Porto Alegre, pagando un precio ridículo por el mismo. Tenía dinero para pasar un año en aquellas condiciones…. Dejé la mochila en el cuarto, le pedí orientación a mi casero sobre donde ir a cenar, y salí a recorrer la noche “portoalegrense”. Como primer paso, al ir a la “Rùa da Praìa”, constaté que ésta seguía igual de llena. De Lito Abelar ni rastro. Por allí encontré una enorme churrasquería, llena de gente. La mayoría hablaban en castellano, por lo tanto no había dudas que se trataban de turistas "platenses". Luego de tomarme dos whiskies, comí un exquisito asado a las brazas, pagando por todo ello algo así como veinte pesos actuales… En un diario que el mozo me alcanzó leí que allí cerca se exhibía la mítica película “Estado de sitio”, filmada por el griego Costa Gavras, y cuya trama narra la lucha de los tupamaros contra el gobierno y ejército uruguayos en 1970. En aquel entonces, se organizaban excursiones de uruguayos a las ciudades brasileras donde era exhibida dado que en nuestro país, si la dictadura seguía gobernando, jamás iban a permitir pasarla…. Esa noche disfruté con la cena “regalada” en aquella churrasquería y luego mirando como los tupamaros hacían justicia con Dan Mitrione, en la magistral obra de Gavras, con música de su compatriota Theodorakis…. 

Próximo a la media noche, regreso a mi “hogar riograndense”. Buen abrigo para la temperatura que el otoño trae a este lugar del mundo en esa época, me acosté a dormir, pletórico de sensaciones, pero más que nada de LIBERTAD SIN DICTADURA!!!! A las seis y pico de la mañana, me despierto al escuchar músicas de acordeones, de guitarras, de cantos propios de la región donde estoy enclavado. Con asombro e incertidumbre me arrimo a una ventana de mi cuarto, que daba a un amplio patio interior de aquel caserón: allí estaban varios “gauyos”, ataviados con sus ropas características, afinando sus instrumentos, cantando, tomando mate y caña brasilera, entre bromas y chanzas. Mi pensión resultó ser un recinto donde se alojaba esa buena gente del interior riograndense, que concurría a la capital a participar de las criollas a realizarse en “Esteìo”, el símil a nuestra semana criolla del Prado montevideano… Una tarde me arrimé al fogón donde se elaboraba un exquisito asado. Al presentarme, me preguntaron si con esa voz, trabajaba en radio o era cantor. "Ninguna de las dos cosas. Aunque a veces, en ruedas como ésta, luego de tomar algún trago y si tengo quien me acompañe, me animo con alguna canción". Ante ello, luego de tres o cuatro copas, comencé a canturrear. No faltó un brasilero que se ofreció a acompañarme con su guitarra, para culminar con "GUITARRERO VIEJO", una de mis preferidas de Zitarrosa, recibiendo un estruendoso aplauso por parte de aquel selecto auditorio.... 

Esa tardecita, voy al hotel “cinco estrellas” donde estaba Lito Abelar, a escasas cinco cuadras de San Gerònimo 116. “Esta noche canta Mercedes Sosa en el “Gigantinho”; ya tengo entrada para vos”, me dice el querido pariente, a modo de saludo… Allí fuimos. De entrada, el clima era alucinante. Miles y miles de uruguayos y argentinos haciendo cola para entrar. Banderas de ambos países del Plata. Y aunque nos pareciera un sueño, banderas de nuestro FRENTE AMPLIO, tantos años escondidas…. Nos sentamos anhelantes de escuchar, de participar de aquel acontecimiento mágico, sabiendo que éramos participes directos también de un hecho inédito. Subió Mercedes con su bombo, sus acompañantes en guitarras, charangos y otros instrumentos. “Queridos hermanos, acá estamos con nuestro canto; con nuestro mensaje de libertad. Sabemos que la mayoría de ustedes son argentinos y uruguayos. Bienvenidos”, palabras más, conceptos menos, así comenzó su concierto…. Cuando ya a los uruguayos nos había hecho llorar a lágrima viva al interpretar “El violìn de Becho” y hacerle un homenaje conmovedor a ALFREDO, sonó el estruendo de una bomba en medio de las tribunas, para de inmediato nuestros ojos comenzar a sentir un escozor brutal. La derecha no dejaba de pasar boleta a semejante expresión popular y atacaba arteramente haciendo explotar gases lacrimógenos para interferir en aquel concierto único… 

Mercedes, con un dominio absoluto del escenario, ordenó encender las luces de todo el estadio. “Claridad, por favor, claridad. Los lobos traicioneros se escudan en la sombra”… 

LALO LARREGUI / SETIEMBRE 2015

domingo, 19 de julho de 2020

JAGUARÃO – LENDAS, MITOS E PROFECIAS (PARTE III)



Amanhã, tomorrow

Táxis, uruguaios e refrigerantes.

Cerveja barata, carros velhos e tijolinho. Nesse universo quântico, a moeda dita os
costumes. É fronteira, transmutação atravessamento. Toda ideologia flerta com o capital
adequado, oportuno.

Naquele antigamente, os excêntricos: T. das Galinhas, terrível pitonisa! Sputnik,
Luminário, Pitrês; Odé, Odé, banana- com seu terrível e temeroso tourette, Locke de
Vara, Locke da Rodoviária, M. Franco, Echevenguá, exalavam um mar de energia e
premonição. Visionários, arrojados, impetuosos profetas, não temiam o futuro!

Talvez possuíssem a fórmula do porvir no seu inconsciente.
Se eram loucos não sei; os outros não tinham visão.

Agora zanzamos a esmo do Brasil para o Uruguai, do Uruguai para o Brasil, numa ponte
sem trem. Silenciosa expectativa!

Precisamos de um futuro!

Precisamos de um tomorrow! De um novo Prometeu para despertar o urro do jaguar!

Thadeu Gomes.

Ao primo Zé Roberto, Jorge, amigo de muita fé e muitos manos e manas, que nos
reconhecemos como de “importância”, em alguns momentos de nossas vidas.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Adem - Ave do Paraiso

Foto cedida por Gilberto "Cabeça"

Hoje  estou  ouvindo  Creedence,  mas  poderia  ser  Nelson  Gonçalves ou  Claudia  Barroso. Aí  eu lembro que escutei  durante  toda  minha  infância  e  adolescência: “me  chama  de  gaveta  e  me  remexe  toda”  ... Uma  tirada  humorística,  com  conotação  sexual. Todo  carnaval  esperávamos  ansiosos  para  saber  das  novidades  dos personagens  tradicionais  da  folia  –  Fedegosa,  o  Índio,  o  Eli  e  os mascarados,  etc. Mas,  na  rua  do  Cordão,  expectávamos  para  ver  a  rainha,  a  diva,  a musa,  a  poderosa,  a  Deusa,  Logum  Edé:  a  Ave  do  Paraíso  –  Adem

Thadeu Gomes-jun 2020

Nota: O popular Adem na verdade tinha como nome artístico Adei, o inverso de Ieda. Sua figura foi tema do Bloco do Janjao no carnaval de Jaguarão ha alguns anos.

sábado, 6 de junho de 2020

JAGUARÃO – LENDAS, MITOS E PROFECIAS (PARTE II)


Ontem, yesterday 

O padre Luis C. disse: Por que não? Só porque ele é ateu? E nós reconhecemos a nossa ignorância naquele dia. 

Lutar contra o preconceito, racismo e outras arrogâncias, era a ordem do dia. Black Panther´s, Luther King, Malcom X, tudo ali, em Jaguarão. 

Não se podia entrar e dançar no Clube Caixeral, Harmonia, Jaguarense, Instrução e Recreio, nem no salão paroquial da Vila Kennedy, sem ter admoestado por um PM- “pessoa de cor (negro), aqui não pode se manifestar”. Ponto e vírgula! 

Eu vivi um Jaguarão racista e atrasado. Você lembra disso? Mas o passado não importa! Tudo continua mais ou menos do mesmo jeito! Voltemos ao tema: estudar, trabalhar e não se avexar.  

Acredite nos seus antepassados; estes sofreram mais do que você! Colégio Pio XII, Alberto Ribas e Espírito Santo- tenho amigos de todas as classes e cores. Autoestima, auto- afirmação. Renascendo desde as aulas da Margarida e da professora Ana Maria, irmã do Lica, filhos da dona Léa. E aí black is beautiful! 

Havia o Louco da Bita, o Jorge Arides, o Reinaldo, o Carlos Everton, o Lineu, o Carrara e outros bambas. Havia respeito. Depois da literatura latino- americana, Pasquins, Cadernos do Terceiro Mundo, Lennon e Jorge Cafrune, era hora de partir. Assim muitos se foram, levando Jaguarão consigo! Isso não é fácil, cara! Mas sempre voltamos como os Beatles e os Rolling Stones! 

Thadeu Gomes. 

Aos amigos- Gerson, sapateiro; professora Verdina, pelos saraus undergrounds, que só os eleitos frequentavam e dona Necha, que benevolente, sempre amava todos como seus filhos.

sábado, 9 de maio de 2020

JAGUARÃO – LENDAS, MITOS E PROFECIAS (PARTE I)




Hoje, today

Hoje não estou aqui, mas tenho a sensação de que o Hélio acabou de me emprestar Cem Anos de Solidão” para ler; que na casa do Luis Carlos estamos ouvindo Cosmos Factory, do Credence, “bolacha” quentinha, comprada naquele sábado de manhã, no Uruguai. À noite, um filme no Cine Rio Branco- Sacco e Vanzetti!

No pé do Cerro da Pólvora, na casa do Xavier estou escutando Carlos Santana arrebentando em Woodstock- “Soul Sacrifice”.

Hoje não estou em Jaguarão, mas chove.

Mais tarde, às 19:00 hrs, o mate será cevado pela Margarida, numa roda de chimarrão: eu, Zé Roberto, Clodoveu, Noca e quem mais chegar.

Estou a querer mais: ouvir ELP- Emerson, Lake & Palmer na garagem do Cebinho e do Nedilande. “Let It Be”, Beatles, cara, num velho disco da coleção do Eduardo Gatinha, com seus óculos fundo de garrafa.

Fiquei sabendo que o Christino ouve Yes e Joelho de Porco, nos bastidores e também
Genesis, mas isso ninguém pode saber...

Eu, Marcelo e o Tomate- too much, falávamos de eventos outros: Clube Suburbanos,
Clube Harmonia, Moody Blues, Ramones e Pink Floyd.

Maria Fernanda apresentou a obra literária do historiador Carlos Cardoso, que sugere
resenhas de Álbuns mitológicos do Rock- coisa de louco, especialista.

Jaguarão, onde tudo começa, onde tudo termina.

Na companhia do Calão, do Gilnei, do Dagoberto, do Airton, do Jader e do Dudu, comi peixes lá do Tango, do Fisco, das Palhinhas, das Figueirinhas da Lagoa, do centro da Esfera. Não importa mais, se você nunca fez o caminho desses templos espirituais.

Na companhia de George Gaiolinha, comendo tiras de costela nas noites encantadoras
da Coxilha, tenho certeza que existo!

Meu cachorro me desperta. Preciso cerrar estas conversas com o meu Eu. Até amanhã!

*Para meu amigo Luis Carlos, da Rua do Cordão, influencer de anos 60/70 e ainda hoje.

Abraço e Saúde.

Thadeu Gomes.



sexta-feira, 12 de maio de 2017

De Bilheteiros e sua sorte “MUI” Grande

Da esquerda para a Direita: Buré, Kayné, Bebeto

Por José alberto de Souza

Don Ramón trabalhava na Aduana uruguaia da Ponte Internacional Mauá (Rio Branco) e, ao que me consta, tinha seus “bicos” como agente do magazine London Paris, de Montevidéu, capital daquele país vizinho.
Como tal, costumava ir até Jaguarão, no lado brasileiro, para repassar o volumoso catálogo daquela conceituada casa comercial a meu tio Cantalício Resem. Para mim, menino ainda, era uma tentação folhear as páginas da esmerada publicação, sem exigir aquisição de qualquer produto ali exposto, cuja encomenda era decidida por quem dispunha dos recursos necessários.
Pois este catálogo e mais as figurinhas do chocolate Águila, então adquirido “allá de la puente”, ainda permanecem fixados nas recordações duma longínqua infância. Lembro ainda que Don Ramón era irmão de cor e sangue de Frederico, que morava e vendia bilhetes de loteria em nossa cidade. Ambos negros elegantes bem vestidos, mas que se distinguiam falando cada qual o idioma da localidade em que residiam, já que seriam “hermanos” apartados por duas pátrias com um mesmo berço de origem – o que bem caracterizava o nosso amálgama fronteiriço.
E assim me esforço para trazer a mente outros bilheteiros como a admirável figura humana do saudoso Buré, deficiente físico com defeito em ambos os pés e dificuldades na fala, mas com uma notável capacidade de superação. Buré morava bem longe, lá pelos subúrbios da capela São Luiz, e se deslocava de pés descalços até a zona central de Jaguarão, sem recursos na época para usar sapatos especiais. Torcedor fanático do Navegante Esporte Clube, insinuava-se pelas mesas do Café do Comércio, sempre bem recebido e generosamente aquinhoado com o troco do cafezinho.
Fui-me da querência e andei por outros rincões, sem que deixasse de chegar inúmeras vezes por lá para rever amigos e parentes. E Buré que ali ficou, quando me enxergava sempre tinha seu bilhete com a saudação cordial, enquanto eu notava uma transformação gradual em sua vestimenta e aspecto físico, alcançando almejado par de sapatos, além de roupas limpas e chapéu que lhe garantiam uma melhor qualidade de vida. Como resultado da profícua e honesta atividade que exercia.
Remexendo no subconsciente, surge-me uma época em que frequentava a casa de meu primo Anysio de Souza Resem, vizinho da residência e oficina mecânica de Cláudio “Sheda” de Freitas, ali fazendo amizade com a turma vizinha que me acolheu na esplanada das figueiras de trás do Mercado Público, onde o pessoal corria atrás de uma bolinha de meia, muito bem tratada por um negrinho franzino, conhecido por Hiria, abusando de dribles desconcertantes. Paulinho e Adão, da família do “Sheda” e mais Ercio Gentil eram outros companheiros inesquecíveis.
O “campinho” se situava entre a Usina Elétrica e o Mercado, no início da Rua 27 de Janeiro e, na outra rua paralela, XV de Novembro, havia um amplo largo totalmente desocupado até começarem as obras de construção da Capitania dos Portos. Cercada de tapumes, que a gente dava jeito de invadir para dar vazão às travessuras imaginadas num esconderijo das vistas de qualquer passante na Avenida 20 de Setembro (Beira Rio), propício para assombrar algumas pessoas inadvertidas nas horas mais sossegadas. Para dar o tom de alma penada, eu ainda arranhava na gaitinha de boca.
Numa dessas ocasiões, circulava ali na Beira Rio o bilheteiro castelhano Marrecão, baixote e troncudo, buscando algum cliente para acenar com a sorte grande. Não deu outra – na linha de frente, a artilharia de estilingues se preparou e lançou as bolinhas de cinamomo (paraíso), pegando em cheio o incauto que logo se virou para ver de onde vinha aquela saraivada. Intrigado, aceitou a trégua e seguiu seu caminho. Ai resolvi soprar a gaitinha para assistir os companheiros correndo de um lado para outro, o que me obrigou a seguir atrás até me topar com Marrecão adentrando o recinto. Não chegou agarrar nenhum de nós, mas não deixou de dar queixa ao Sheda e, a partir do dia seguinte, este colocou seus guris no batente da oficina e ponto final em nossa diversão.
Fonte do artigo: Blog Poeta das Águas Doces


sábado, 21 de março de 2015

AS “JUSTIÇAS” BRASILEIRAS


Que o Brasil é um país politicamente singular nenhum brasileiro tem dúvida. O que pode variar é a maneira como cada um argumenta para concordar com a afirmativa. Há justificativas para todos os gostos, desde a extrema esquerda até a extrema direita. Neste último caso estamos procurando quem assuma essa condição, embora se saiba que seus adeptos são numerosos. Ninguém quer ser direitista, no Brasil.

Quis iniciar com a afirmativa acima para justificar que também reconheço a existência de peculiaridades “inexplicáveis” em todos os campos do relacionamento da comunidade com as lideranças responsáveis pela condução do País e, mais importante ainda, daqueles organismos que têm o compromisso de servir de elo de ligação confiável entre governo e sociedade, mais comumente designada como “mídia” (aportuguesando), seja ela falada, escrita ou televisionada e todas demais que tenham a faculdade de lidar, diretamente ou indiretamente, com as questões de opinião pública.

Grosso modo poderia dizer-se que temos “três justiças” no Brasil, todas elas com suas causas e consequências inerentes à responsabilidade com que cada uma é aplicada ou faz produzir seus efeitos. A primeira, lógico, é a “justiça oficial” que, definida pela nossa Constituição é exercida através de seus inúmeros organismos estatais, obedecendo às regras estabelecidas em lei. De um  modo geral funciona razoavelmente bem não fora reconhecidamente lerda. Como toda iniciativa humana, comete suas falhas. Sobre ela, assim se referiu nosso mais ilustre sábio, Ruy Barbosa: “Justiça que tarda não é justiça”. Isso, talvez, tivesse servido para a época em que foi feita a declaração. É uma discussão para outro espaço.

A segunda justiça é a da sociedade. Levados, às vezes, pelos mais estranhos motivos, os cidadãos, geralmente reunidos em um grupo ocasional, tomam a deliberação de decretar que determinada pessoa é culpada de um crime baseados apenas em pequenos indícios mesmo sem qualquer comprovação concreta. É o tipo de justiça que nos transforma em seres incapacitados de pensar racionalmente e pode ocasionar, inclusive, a prática da pena capital – até de forma bárbara -, como ocorreu recentemente (No Estado do Paraná, se não me falha a memória) e ocasionou a morte de uma pessoa por espancamento sob suspeita de um crime que, depois, foi concluído que não havia de fato cometido.

A terceira justiça é a praticada pela mídia. Embora não venha implicar uma pena capital em sua ação, é a mais devastadora delas pelo número de pessoas que pode atingir com uma simples citação. Tão logo um crime é trazido ao conhecimento da opinião pública pelos responsáveis pela investigação, mesmo que ainda não exista qualquer decisão judicial os nossos comunicadores já escolhem a “quem” culpar. A partir daí já podem começar a atribuir uma infinidade de irregularidades que passam a manchetear em caixa alta em jornais ou até em especiais de TV. Se o denunciado é uma personalidade no meio político as suas mazelas passam a dominar o noticiário e os principais âncoras fazem citações quotidianas sob qualquer pretexto, reforçando sua “condenação”. Alguém poderia perguntar: “Mas, e se o denunciado for absolvido em todas as instâncias?”. A resposta vem da forma mais sem compromisso possível: “Bem, ele não é culpado, mas poderia ser, não é? Desculpem a nossa falha...”

Só para não deixar a afirmativa sem ao menos algum exemplo, basta rememorarmos casos que tiveram grande repercussão entre os muitos que já ocorreram nos mais diversos meios de comunicação. Quem não lembra dos episódios “Ministro Alceni Guerra”, e dos professores da “Escola de Base de Brasília”?. Todos “condenados” pela mídia e, depois, inocentados pela justiça oficial. E há, também, um que atingiu diretamente os gaúchos. Quem não sabe que um de nossos deputados federais foi lançado à execração pública e acabou perdendo seu mandato? Uma revista semanal de circulação nacional “confundiu” cem dólares com cem mil dólares e não quis voltar atrás porque as suas revista já haviam sido impressas? Recentemente, a mesma revista teve um de seus diretores envolvido com o doleiro do caso Senador Demóstenes/Carlos Cachoeira, só que a única menção que ela fez sobre o fato foi a de que os duzentos contatos telefônicos feitos, pelo jornalista, com o doleiro eram por motivos “profissionais”.

Na verdade, o objetivo principal deste artigo é lançar um alerta para o que está ocorrendo em relação à divulgação de diversos problemas que o País vem enfrentando, sejam eles econômicos ou políticos. A grande mídia oligopólica, a serviço da direita e da elite brasileira, está cerrando fileiras na busca de um impedimento da Presidenta e, para tanto, qualquer meio é válido para atingir seu objetivo. É necessário que cada brasileiro, antes de tomar qualquer posição, faça uma análise profunda da situação não se deixando levar pela massificação da ideia de que tudo no Brasil se tornou um caos. Não sou defensor incondicional de tudo o que o Governo vem fazendo. Acredito que há muitas falhas, mas não vou incorrer na leviandade de querer contribuir para a instalação de um quadro reacionário, a serviço de interesses que não são os da população menos favorecida, mas, apenas, concorrerá para a manutenção de benesses seculares que uma parcela reduzida de privilegiados continua a desfrutar.
 
Wenceslau Gonçalves
 
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 11/03/2015

 

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...