Um dos mais premiados compositores/intérpretes dos festivais nativistas e o principal letrista gaúcho dos anos 2000 unem novamente suas forças e gerações em um arrojado projeto poético-musical: o álbum Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, que está sendo lançado hoje ( 02/06) no Teatro do Sesc.
Marco Aurélio Vasconcellos e Martim César inauguraram a parceria em 2011 com Já se Vieram!, disco dedicado ao universo das carreiras de cavalos no interior do Estado. Desta vez vão bem mais longe, mas sem sair do lugar. Escritor e pesquisador de grande erudição sobre a história deste pedaço do mundo formado pelo Rio Grande do Sul, o Uruguay e parte da Argentina, Martim teve a ideia de resumir em música a formação cultural dos habitantes da região no que ela tem de mais remoto, as raízes ibéricas.
- Quantos sabem que as receitas de doces que fazem a fama de cidades como Pelotas são açorianas? Que as alpargatas e boinas que muitos gaúchos usam, bem como a tecnologia de construção de mangueiras e pontes de pedra, são de origem basca? Que muitas canções e danças que integram nossa cultura têm origem nos primeiros povoadores? - pergunta Martim.
Depois de mergulhar nos livros e deles extrair lugares, paisagens, personagens, lendas e aventuras da dimensão das grandes navegações, ele imprimiu-os nas letras que Marco Aurélio musicou.
- Nunca fui fã do fado, até que em certo momento, antes deste trabalho, me dei conta de que minhas composições nativas tinham algo de fado - conta Marco. - Como explicar isso? Atavismo, talvez. E, agora, as melodias iam brotando ao natural, também não sei explicar...
Com tudo pronto, em 2014 os parceiros viajaram para Portugal e Espanha em busca da cor local para depurar o que haviam feito. Andaram pelo Alentejo, o Algarve, Coimbra, Lisboa da Mouraria e Alfama, o Porto, os rios Mondego, Tejo e Ebro, a Galícia, Santiago e seus caminhos, Astúrias, Catalunha, o País Basco, Andaluzia, Sonharam com Cabral, Dom Pedro e Inês de Castro, Colombo, El Cid, Cervantes, singraram o imenso mar - o encarte do CD, com 28 páginas recheadas de fotos da viagem, inclui muita informação extra e citações de Camões, Eça, Saramago, Antonio Machado, Florbela Espanca. Mas não se pense que as canções sejam mero registro histórico - o que já seria interessante. Nada disso. Elas têm vida própria, são moldadas com o olhar, a inspiração, a sensibilidade e o amor de hoje. Martim se supera.
O primeiro lançamento foi no Teatro Esperança em Jaguarão - 26/05/2017
MELANCOLIA PORTUGUESA, DRAMATISMO ESPANHOL
A música de abertura do álbum, Sobre os Telhados de Lisboa, termina assim: "A nave-mestra deixa o cais/ Com esse olhar de unca mais/ Que Portugal gravou em mim/ Devo partir, içar as velas/ Rumar ao porto de outras eras/ singrar o azul do mar sem fim". Alguns títulos: Velhas Casas de Coimbra, Onde o Vento faz a Curva, España, Cuando Te Nombro, Céus de Castilla y León, Antes de Ser Marinheiro, O Fado se Faz ao Mar.
Marco Aurélio e Martim: parceria dos músicos chega ao seu momento alto
A melancolia portuguesa e o dramatismo espanhol, unidos no Novo Mundo, fazem a essência do trabalho, que se encerra com o humor de Notícias da Terra Brasílis, gaiata versão da carta de Pero Vaz de Caminha, contando ao rei que permanecerá no Brasil para "dar início à mestiçagem". Aliás, deve ser parente dele o brilhante Marcello Caminha, referência de violonista na música gaúcha, produtor e arranjador do álbum, que chamou para ajudá-lo o não menos Elias Barboza (bandolim) e Marcelo Caminha filho (baixo, percussão).
Uma obra tão significativa, histórica mesmo, merece todos os créditos: produção executiva de Elis Vasconcellos e Martim César, fotos de Elis e Regina Lopes d'Azevedo, projeto gráfico (impecável) da Nativo Design, técnico de gravação Érlon Péricles, masterização do mestre Marcos Abreu. Parabéns!
Em seu livro Jangada de Pedra Saramago escreveu que a península Ibérica teria se largado ao mar. Nós imaginamos que Portugal pensou em vir para o Brasil.
Saramago nos diz: Um dia que já la vai, D. João o Segundo, nosso rei, perfeito de cognome e a meu ver humorista perfeito, deu a certo fidalgo uma ilha imaginária, diga-me você se sabe doutro país onde pudesse ter acontecido uma história como esta. E o fidalgo, que fez o fidalgo, foi-se ao mar à procura dela, gostaria bem que me dissessem como se pode encontrar uma ilha imaginária. A tanto não chega a minha ciência, mas esta outra ilha, a ibérica, que era península e deixou de o ser, vejo-a eu como se, com humor igual, tivesse decidido meter-se ao mar à procura dos homens imaginários.
Texto do CD Doze Cantos Ibéricos & uma canção brasileira
Ocorre na quinta feira as 21hs na biblioteca pública pelotense com entrada franca o lançamento do cd "PAISAGEM INTERIOR" de MARCO AURÉLIO VASCONCELLOS em parceria com os jaguarenses MARTIM CÉSAR, PAULO TIMM e ALESSANDRO GONÇALVES. No show serão apresentadas músicas do novo cd, do trabalho anterior Da mesma raiz e grandes clássicos da música nativista de autoria do intérprete e que foram consagrados nos palcos dos festivais do RS. No palco além dos autores estarão os músicos Cícero Camargo, Carlos De Césaro, Nilton Jr, Mano Jr e Gil Soares com as participações especiais de Maria Conceição e Leonardo Oxley. Após o show os autores estarão a disposição do público para sessão de autógrafos do CD que teve financiamento do PROCULTURA da Secretaria Municipal de Cultura.
"Uma PAISAGEM INTERIOR não corresponde apenas ao panorama que nossos olhos vislumbram diante dos mais lindos e remotos rincões da terra gaúcha, mas, também, o sentimento que está dentro de cada um que a ama, vibra e pulsa como o mapa-coração dentro do peito".(Marco Aurélio Vasconcellos)
Dia 21 nov quinta feira as 21hs na biblioteca pública pelotense lançamento do cd PAISAGEM INTERIOR!!!
Intérpretes, músicos e compositores da Décimas de Raiz Pampeana - Foto Elis Vasconcellos
Décimas
da Raiz Pampeana, música de Martim César, Paulo Timm e
Alessandro Gonçalves , interpretada pelos feras João de Almeida
Neto e Marco Aurélio Vasconcelos conquistou o segundo lugar na 27.ª
Moenda da Canção, festival de Santo Antônio da Patrulha que
encerrou no final da noite de domingo, 18 de agosto . A música de
Jaguarão ainda conquistou o premio ao Melhor visual de Palco e a
composição de Martim César foi agraciada com a premiação de
melhor letra. O 1º Lugar do Festival de dimensão nacional coube ao
mineiro Zebeto Correa com a música Por Onde o Rio Passa.
A
Comissão Julgadora foi formada por Luciano Maia, Adriano Sperandir,
Ana Kruger, Rogério Villagran e Tabajara Ruas. O Festival teve um
grande sucesso de público que delirou com o show de encerramento do
Tremendão Erasmo Carlos.
VENCEDORES DA
27.ª MOENDA
1º Lugar: Por onde
o rio passa - Zebeto Correa - Belo Horizonte / MG – canção
2º Lugar: Décimas
da raiz pampeana - Martim César, Paulo Timm e Alessandro Gonçalves
- Jaguarão / RS – milonga
Melhor música na
opinião do público: A aranha e sua teia - Germano Reis e Caio
Martinez - Santo Antônio da Patrulha e Porto Alegre / RS - xote
estilizado
Melhor visual de
palco: Décimas da raiz pampeana - Martim César, Paulo Timm e
Alessandro Gonçalves - Jaguarão / RS
Melhor
Instrumentista: Pedro Figueiredo – A História de Nós Dois
Melhor Intérprete:
Alana Moraes – Sede
Melhor Letra:
Décimas da raiz pampeana - Martin César
Melhor Arranjo:
Miguel Tejera – música Na Estação Ali na Frente
Resultado da 3ª
Moenda Instrumental:
1º Lugar: Cancela
Preta – Samuca do Acordeon e Luis Carlos Borges - Santo Antônio da
Patrulha e Porto Alegre / RS – vanerão
Melhor
Instrumentista: Jorginho do Trompete – na música Água da Fonte
Apresentação de Marco Aurélio Vasconcellos no programa Sr BRASIL do Rolando Boldrin na TV Cultura, 10 de maio de 2012. Música do CD Já se vieram, Canto a um campeiro do asfalto, de Martim César e Marco A. Vasconcellos.
Músicos acompanhantes, Marcelo Caminha e Marcos Azevedo.
Apresentação
de Marco Aurélio Vasconcellos no programa Sr BRASIL do Rolando
Boldrin na TV Cultura, 10 de maio de 2012. Música do CD Já se
vieram, Em solidão...um cantor, de Martim César e Marco A.
Vasconcellos.
Músicos
acompanhantes, Marcelo Caminha e Marcos Azevedo.
Nos
dias 10 (às 22 horas de quinta) e 13 de maio (reprise: 10 horas da
manhã de domingo), haverá a participação do cantor Marco Aurélio
Vasconcellos no programa Senhor Brasil da TV Cultura. Serão
apresentadas 3 canções do CD Já se vieram! - Torquato Flores,
senhores; Em solidão... um cantor e Canto a um campeiro do asfalto
(premiada no Minuano de Santa Maria). As composições são do
próprio Marco Aurélio e de Martim César Gonçalves, com arranjos
(e acompanhamento no programa) de Marcello Caminha.
O
Senhor Brasil é o mais famoso programa de resistência cultural da
TV Brasileira. Por muitos anos foi apresentado nas manhãs de domingo
da TV Globo, inclusive tendo seu começo dirigido por Lima Duarte.
Nele desfilam causos, poesias e músicas que registram a alma
interiorana brasileira.
Data:
10/05 (quinta - feira) Horário: 22 h Reapresentação: 13/05
(domingo), ás 10h15min.
Lançamento em Jaguarão está previsto para o dia 08 de outubro
ELE SE CHAMA MARTIM CÉSAR, SENHORES"
Escrevo para os que não estavam presentes no lançamento do CD "Já se vieram", com as letras de autoria do jaguarense Martim César Gonçalves, que ocorreu no dia 27 de julho, no Teatro Bruno Kiefer, em Porto Alegre. Os que estiveram pessoalmente naquela noite, por certo, vão concordar que o momento foi de grande emoção.
Não cabe dúvida que a interpretação esmerada do intérprete das "poesias do Martim" - Marco Aurélio Vasconcelos -, assim como o acompanhamento musical coordenado por Marcelo Caminha, ficaram no mesmo nível do talento do letrista. Quero, no entanto, é chamar a atenção para as mensagens que transparecem nas letras apresentadas. Ouvir aquelas composições, para quem conhece a realidade campesina, é reviver, sem retoques românticos, um pouco da rotina quotidiana da vida na campanha. A história desse personagem, sem ser um "mar de rosas", não é apenas de privações. Martim César consegue transferir para a literatura, com especial inspiração, essa composição cultural própria do gáucho. Durante a apresentação, a platéia acompanha o cantor no sentimento que a canção expressa e não regateia aplausos, manifestando sua aprovação. A chamada para esta matéria está relacionada com uma das mais significativas composições do CD. A milonga-candombe "Torquato Flores, senhores", que mais agradou à assistência e, por sua solicitação, foi a que atendeu ao tradicional bis, consagrada pela preferência dos presentes.
Vejam uma provinha da letra:
"Meu nome é Torquato Flores
Guitarra buena e bom pingo
Fui feito para os amores
E pras pencas de domingo"...
""Meu nome é Torquato Flores
Não tenho marca ou sinal
Pois não aceito senhores
Tampouco rédea ou buçal...
Quando, após o espetáculo, fui cumprimentar o autor, com meu abraço, só pude dizer-lhe que ele havia se superado. Não conheço tudo que ele já produziu até hoje, mas do que conheço, palpito que esse é um de seus melhores trabalhos. Quem sabe, ainda um dia tenha que desdizer o que estou afirmando agora? Cumprimentos ao Martim, ao Marco Aurélio e à sua equipe. Sucesso a todos! Jaguarão também está de parabéns!
Canções que registram as imagens desse
povo que ainda vive nos fundos de corredor, ou nos ranchos de beira de estrada.
Tropeiros, alambradores, posteiros, esquiladores, bolicheiros, peões de
estância, domadores. Personagens reais que o tempo insiste em apagar, mas não
consegue. Basta um domingo de carreiras e lá estão eles. Nas margens das
canchas retas, improvisando um jogo de tava
e soltando seus versos onde a balaca de cada paisano é pura poesia
pampeana. 'Não é só butiá que dá em cacho', 'Água que se queima o rancho' e por
aí afora. E – de repente – já está na hora de mais uma penca... ainda hoje
posso divisar nos caminhos da memória um Dom Segundo (já no fim da vida) mal e
mal se segurando em riba do seu pingo e apostando os pilas, que trazia dobrados
na guaiaca, com um 'gaucho' chamado Torquato Flores, mui conhecido por pajador
e calavera. O coimeiro, finalmente dá por terminadas as apostas. O tempo parece
que para nesse momento... os parelheiros aparecem no partidor... e – como
acontece há mais de dois séculos nessas lonjuras da fronteira – ouve-se a frase
famosa, que parece haver nascido com o primeiro campeiro, mescla de índio,
negro e branco, que povoou estas bandas: "Já se vieram!".
Evento homenageia as melhores produções do Rio Grande do Sul, em abril
Na sua 20ª edição, o Prêmio Açorianos de Música, premiará os melhores de 2010 nas categorias Disco, DVD do Ano, Espetáculo do Ano, Melhor Disco Infantil, Revelação, Arranjador, Produtor Musical, Produtor Executivo, Projeto Gráfico, Menção Especial e Homenageado do Ano. A cerimônia de entrega está marcada para 26 de abril no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.
O Prêmio Açorianos de Música existe desde 1990, sempre prestigiando as melhores produções do Rio Grande do Sul.
O Cd Da mesma raiz, com Marco Aurélio Vasconcellos interpretando canções de Martim César, Paulo Timm e Alessandro Gonçalves, recebeu quatro indicações na categoria Regional. Martim César por melhor compositor, Marco Aurélio Vasconcellos por melhor intérprete, Carlitos Magallanes por melhor instrumentista e Da mesma raiz por melhor CD.
REGIONAL
Compositor
Érlon Péricles por "Brinco de Princesa" de Shana Muller
Francisco Luiz por "As Milongas do Chico Y Otras Cositas Más...!"
Gujo Teixeira por "Gauchada" Martin César por "Da Mesma Raiz" de Marco Aurélio Vasconcellos
Robison Boeira por "Alma Chamamecera"
Intérprete
Ernesto Fagundes por "Origens"
Juliana Spanevello por "Pampa e Flor" Marco Aurélio Vasconcellos por "Da Mesma Raiz"
Pedro Ortaça por "De Igual pra Igual"
Shana Muller por "Brinco de Princesa"
Instrumentista Carlitos Magallanes por "Da Mesma Raiz" de Marco Aurélio Vasconcellos
Edilberto Bérgamo por "Cantiga Para O Meu Chão" de César oliveira e Rogério Melo
Gabriel Ortaça por "Herança Missioneira"
Paulinho Fagundes por "Origens" de Ernesto Fagundes
Robison Boeira por "Alma Chamamecera"
Disco
"Brinco de Princesa" de Shana Muller "Da Mesma Raiz" de Marco Aurélio Vasconcellos
"Gauchada" de Gujo Teixeira
"Pampa e Flor" de Juliana Spanevello
"Pé na Estribo" de Cristiano Quevedo
Para ver indicações às outras categoriasclique aqui
Há cantores que estão além de regionalismos, tradições, movimentos, estilos. Vozes que entram em sintonia com a nossa alma. Manifestações de algo que não sabemos o que é, mas reconhecemos. Como o canto dos pássaros. Soam em nossa alma e nos acompanham desde que o tempo é tempo. Marco Aurélio Vasconcellos é um desses pássaros. Mas é claro, há que se deter para escutá-lo. Não é para ouvidos repletos de buzinas ou máquinas de escritório. Ou é. Desde que tenhamos essa sensibilidade interiorana que todos trazemos, mesmo que seja dos nossos pais ou avós. E se – em apenas uma hora das nossas vidas – silenciarmos para ouvi-lo, entenderemos o mundo que está nos livros de Cyro Martins ou de Aldyr Schlee, e que chamamos de campanha real. A do gaúcho a pé. A de Don Sejanes. A dos Quixotes pampeanos que jogam osso com bombacha e alpargata. E a dos que andam de chinelo de dedo rigoreando os frios de inverno em épocas de semeadura, ou aguentando os mormaços de verão em comparsas de esquila, esporeando a pobreza. E a dos joões ninguém de fundo de campo, posteiros de estâncias cujos patrões estão nas capitais: ‘homens sofridos que trabalham o dia inteiro, tão verdadeiros que jamais negam a mão’. E os Don Verídicos do uruguaio Juceca: ‘gauchos’ engraçados que tomam, no final das tardes, as suas puras em algum bolicho de beira-estrada. E foi esse mundo, real e que está logo ali, um pouco além das cidades, que se ouviu na Casa de Cultura Mario Quintana, no teatro Bruno Kieffer, em Porto Alegre. Em uma sala surpreendentemente repleta. E o que não surpreendeu foi ver, após a apresentação, a emoção de muitas pessoas que deram testemunhos do quanto aquelas canções os fizeram viajar no tempo e no espaço. Por tudo isso, a primeira estrofe da primeira canção, explica o que não necessita explicação:
É muito antigo meu canto Bem mais antigo que eu Pois todo verso que planto Veio em mim... mas não é meu!