sábado, 23 de outubro de 2010

A Poesia

Pintura: "A vitória comanda o povo" - Delacroix

Para Luna

Até que enfim uma atitude!
Silencio!
A poesia se levanta entre os escombros.
Em atentados contra o pudor
Por entre as placas de outdoor
Inserida nos reclames
Ela ressurge,

Nas praças, nos prostíbulos,
No murmúrio das tavernas
Nas lápides dos jazigos
Em disritmia, em convulsões,
Como um salto no abismo
Até que enfim ela acontece!

Temerosa, grito paralisado,
Removendo pedras, cortando campos,
Ela caminha.
Nos coletivos, na multidão, no gemer dos trilhos,
Transita.
Em filas, adoentada, espera.

Em andrajos ou de jóias revestida, desfila.
Em escalas sincopadas, nos tambores primitivos,
Na periferia, remixada, ela dança.

Lavando roupa, varrendo as ruas, vendendo o corpo,
Sobrevive.

Diante das faces mal dormidas, frente a esfinges desgrenhadas,
Em papéis amarelados, em garrafas no mar,
Nos monitores, em telas de cristal,
Ela pergunta.

Debaixo das saias, detrás das blusas, sob os véus,
Se esconde.
Em todo o teu corpo, em tua fala, em ti,
Ela se expressa.



Jorge Passos (14/03/2003 - Dia mundial da poesia)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Bibliotheca Pública Pelotense - 135 anos

Música, literatura e a linguagem do traço

Eventos com entrada franca na programação especial da Bibliotheca Pública Pelotense

Os grandes compositores da MPB - de Vinicius a Chico Buarque, de Lupicínio Rodrigues a Tom Jobim - são os nomes destacados neste sábado (23), na programação especial que comemora os 135 anos da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP). O passeio pela obra destes e de outros autores é conduzido, a partir das 20 hs, no salão nobre da BPP, pelo VOCAL SEM BATUTA , grupo (de Caxias do Sul) com sete vozes femininas acompanhadas por quatro instrumentistas. O espetáculo integra o programa ARTESESC e representa uma contribuição do SESC-RS à programação de aniversário da Bibliotheca, aberta no último dia 15 e com atividades até 14 de novembro.

Aldyr Schlee

Às vésperas de lançar mais uma obra - Dom Frutos , pela editora ARdoTEmpo , dia 03 de novembro, em Porto Alegre - o jaguarense-pelotense Aldyr Garcia Schlee é o convidado especial do segundoevento da série Leituras Brancas , às 19:30 horas da próxima terça (26), no salão térreo da BPP. Como leitor-convidado, Schlee apresenta trechos do romance histórico que será lançado na Feira do Livro da capital. Leituras Brancas tem a coordenação e condução dos professores ( da UFPel) Luis Rubira e Renata Requião. Neste segunda edição será feita a leitura pública de trechos de três obras de Schlee: Uma terra só , Linha divisória e Contos de sempre. Com quatro edições ( sempre às terças) dentro da programação geral BPP 135 ANOS/LETRAS E VERSOS DE FRONTEIRA , o projeto destaca a produção literária de Aldyr Schlee e Cyro Martins ( 1908-1995), pela ligação com o universo de fronteira.
Humor gráfico e a arte do traço

Na programação de aniversário da BPP a noite de quinta (28) está reservada para autores que passam suas mensagens com raras palavras - ou mesmo sem palavras. Dentro do espaço Conversa sobre Livros - às 19:30 horas, no salão térreo - profissionais do traço ( humor gráfico, quadrinhos, charges) reúnem-se em torno do convidado especial, Renato Canini. Nascido em Paraí - RS, em 1936 e residindo em Pelotas já há alguns anos, Canini é uma das referências nacionais na arte do traço. Criador de vários personagens, ilustrador de mais de 50 livros infantis , participou das principais publicações dedicadas ou com espaço para o humor gráfico , inclusive do PASQUIM , criado por Ziraldo, Millor, Jaguar e outros no final dos anos 60. Formador de uma geração de cartunistas, o semanário carioca teve ainda uma segunda fase, no início desta década, sob o título Pasquim 21. André Macedo ( Pelotas) e Wagner Passos ( Rio Grande) estão entre os convidados para a conversa com Renato Canini. Conversa sobre Livros tem entrada franca, como todos eventos da BPP.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Porque eso es la vida

Nei Lisboa, Martim César, José Carbajal, Yo (Canto do Jaguar, 2010)


Borracho pero con flores , vengo.

Y vino, vino a Jaguarão, El Sabalero se hizo presente no Canto do Jaguar em março de 2010, num show que ficará na história, pois pela primeira e, por fatalidade do destino, última vez, fez uma apresentação no Brasil. Emocionante, sencilla, cativante quando desceu do palco e caminhou no meio do público cantando la Chiquillada.

Um poeta e cronista do cotidiano, das coisas simples. Simples, como era ele. Recordo quando a banda chegou na pousada onde reservamos a estadia...o pessoal foi escolhendo os quartos e quando ele chegou, o produtor perguntou se ele queria ficar na suite principal e ele, muy tranquilo disse, no, me quedo acá mismo, num colchonete que havia no chão.
Depois do show, no jantar de confraternização, chegou na mesa onde estava concentrado o seu pessoal e foi dizendo , nada de quedarnos charlando entre nosotros, mezclense con la gente, tenemos de integrarnos!

Fez questão de tirar essa foto com Nei Lisboa, tinha intenções de conhecer mais o Brasil. E nós de mostrá-lo ao Brasil. Sua obra o fará.


LA MUERTE - JOSE CARBAJAL


"Me enrosco en tus ancas fuertes
y en tus ternuras mi negra
me gusta vivir la vida
entregándome a la suerte
pa' no tener tanto miedo
cuando me abrace la muerte".

"La muerte andaba rondando
quién sabe dónde andará
no me dejes alegría
no te vayas vida mía
que esta puta vieja y fría
nos tumba sin avisar". (La muerte) José Carbajal



Jorge Passos


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

UM OUTRO TIPO DE DOR


Há, os poetas que cantam o amor

Se soubessem que há outro tipo de dor

Jamais mudariam

Lágrimas, lágrimas, lágrimas

Para todo o sempre amariam


Para quem sente a falta de um perfume

Rogo a Deus que permita

Permaneça a busca

Livrai do pesadelo que, enfim, ofusca

O peito de uma alma aflita


Jamais desista, alma penada

Jamais desvie, animal faminto

Nunca sinta o que eu sinto

Viva o luto, que pra mim é nada.


Edson Martins (março de 2003)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

NEVER MORE



O ESTORVO


Estava eu nascendo,

Quando a grave voz do profeta

Se fez ouvir, dizendo:

- Mau poeta, mau poeta


Mesmo assim fui insistindo,

com a pena penando, me iludindo,

Me achando o Rei da Cocada Preta

Até que meu amigo George "Never" Passos

Discorrendo sobre rimas e compassos

No Masini, sentando o braço,

Apresentou-me o belo Corvo.


E lendo o belo Corvo,

E relendo o belo Corvo,

Vi que até hoje prás letras

Não fui mais que um estorvo.


Um enganador, um pateta.

Resolvi virar anacoreta

Ou ciscar em outros quintais.


E se um dia me perguntarem,

Se realmente perguntarem,

-E escrever novamente

Quando vais?

Como já passei da conta

Já terei resposta pronta:

-Nunca mais, nunca mais...

Jorge Missagia



Leia aqui o poema "O Corvo" de Edgar Allan Poe em tradução de Machado de Assis:

http://pt.wikisource.org/wiki/O_Corvo_(tradu%C3%A7%C3%A3o_de_Machado_de_Assis)


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

NA TONGA DA MIRONGA DO CABULETÊ

1970. Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino.

Encontram o Brasil em pleno “milagre econômico”. A censura em alta, a Bossa em baixa.

Opositores ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais.

O poeta é visto como comunista pela cegueira militar e ultrapassado pela intelectualidade militante, que pejorativa e injustamente classifica sua música de easy music.

No teatro Castro Alves, em Salvador, é apresentada ao Brasil a nova parceria.
Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy, uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à Mãe Menininha do Gantois.
Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do cabuletê”, que significa “o pêlo do cu da mãe”. O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o poeta.

Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves.
Era a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa.
E o poeta ainda se divertia com tudo isso: - “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”.
Fonte: Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
Tonga da Mironga do Cabuletê (Toquinho e Vinicius de Moraes)

Eu caio de bossa eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa xingando em nagô
Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender

A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê
A tonga da mironga do cabuletê

Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe
Você vai ter que viver

Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê
Na tonga da mironga do cabuletê

Você que fuma e não traga
E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga
Eu vou é mandar você

Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê
Pra tonga da mironga do cabuletê

sábado, 16 de outubro de 2010

Restauração da Esperança.wmv



A inclusão de Jaguarão no PAC das cidades históricas

possibilitou a restauração do Teatro Esperança,

da cultura como fator de desenvolvimento.

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...