quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

POR SE A VIDA SE APOTRAR

Ao Gabriel



É lindo ser querido e decente,
ter palavra, honra e fundamento,

que o caráter de todo vivente
é sempre seu melhor documento...

Melhor do que saber patacoadas,
é saber cosas úteis e buenas,
como os melhores pastos e aguadas,
vaus e atalhos, sendas mais amenas...


Mas, às vezes, a cosa tá feia

e temos qu’ estar de olhos abertos,

se a vida se apotra e velhaqueia,

volteia até ginetes espertos...


Se acaso uma caída sofreres,

te levanta e bate a polvadera,

recorda que Deus nos dá poderes

p’ agüentar a vida cabortera...


Não hai que ter vergonha de rodar,

nem de pedir auxílio aos amigos,

feio é fugir, afloxar, se achicar,

é se acadelar ante os perigos...


Mesmo quando a cosa fica preta

e os recursos parecem escassos,

devemos ir tocando a carreta,

‘inda que a los gritos e ponchaços...


Confio que sempre irás te fiar

na grande força do teu coração,

pode que a vida te faça rodar,
mas cairás parado, rédeas na mão!



Brasília/DF, segunda 29/XI/2010

El Chango Duarte.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jaguarão no Almanaque Brasil da TAM

Reproduzimos matéria publicada no Almanaque Brasil da companhia aérea TAM


JAGUARÃO

Meio pra cá e um tanto lá
A síntese do heroísmo nacional e a arquitetura singular de Jaguarão unem-se nessa cidade gaúcha localizada na fronteira entre Brasil e Uruguai.
Prepare-se para entrar no “país” de horizontes a perder de vista. Os 390 quilômetros que separam Porto Alegre de Jaguarão cortam uma paisagem de domínio das pradarias pampeanas. Nesses campos, destacam-se lagunas e colinas arredondadas, as coxilhas. Ali, à mercê das condições da natureza, com chuvas ciclônicas, granizo e muito vento – “vento que vem ventando”, como disse o poeta gaúcho Mario Quintana –, surgem arrozais e estâncias com cata-ventos enlouquecidos, cercadas de arbustos, compondo verdadeiros mosaicos. Bosques de eucaliptos abrigam o gado contra o frio e o vento. Beneficiada por esses cenários, a natureza foi a primeira herança de Jaguarão.Querer encontrar hoje essa cidade com o mesmo visual do século 19, quando era uma das mais importantes do Sul do País, poderia ser ilusão. Mas não é. Seus habitantes conseguiram preservar a essência em cada detalhe, e ela continua uma das mais belas do Rio Grande do Sul. Exagero? Veremos que não.A começar pela arquitetura, resumo de sua história. Jaguarão foi alvo de disputas sem trégua entre castelhanos e portugueses, brasileiros e uruguaios. Em algumas edificações, como as das ruas 15 de Novembro e 27 de Janeiro, a mescla de culturas atinge o nível máximo. E é por lá mesmo que se pode dar os primeiros passos para desvendar a cidade.As fachadas da rua 15 preservam a arquitetura eclética, com suas altas portas entalhadas, platibandas e bandeiras que fizeram dela a rua das mais belas portas do Brasil. Um inventário elenca 800 construções nos mais variados estilos – colonial português, art déco, neoclássico, eclético, moderno. Não é à toa que, no início de 2011, a cidade deverá ser declarada patrimônio nacional pelo Iphan.Outro charme de Jaguarão é o fato de ser uma cidade de fronteira: em um instante, muda-se de mundo. Basta atravessar uma ponte. E que travessia! A Ponte Internacional Mauá, cujos nove arcos se duplicam no reflexo do rio, foi construída em 1930. Deixe para vê-la no fim do dia, quando o pôr do sol será o coadjuvante de sua arquitetura. Mas o que é uma cidade de fronteira? Composta de duas meias cidades, seus habitantes “vão ao exterior sem sair do interior”, segundo o escritor Aldyr Garcia Schlee. Ou ainda, como define o prefeito e historiador Cláudio Martins: “Estamos meio pra cá e um tanto lá”.

Lugar heroico

Uma cidade não é feita só de tijolos, mas de personagens e acontecimentos do passado. A saga do povoamento do extremo sul brasileiro desdobrou-se por vários caminhos: pelo expansionismo dos portugueses e depois pelos bandeirantes. No alvorecer do século 19, a rixa estava feia nessa faixa territorial do rio Jaguarão. Nascia assim, em 1802, a guarnição militar do Cerrito, a fim de proteger nossas fronteiras. Dez anos mais tarde, ela se tornaria Vila de Espírito Santo do Cerrito de Jaguarão.Em 1865, a coisa piorou. Os uruguaios voltaram à carga, invadindo a vila. Com uma força militar inferior, mas com a ajuda da população, os jaguarenses reagiram e colocaram os invasores para escanteio. No mesmo ano, dom Pedro 2° outorgaria a Jaguarão o título de “Cidade Heroica”. Mas o bafafá na área só terminaria mesmo em 1909, pelas mãos do Barão do Rio Branco – sempre ele –, que intermediou o conflito e demarcou definitivamente as fronteiras. Não por menos, a cidade do outro lado do rio, em sua homenagem, mudou de nome: de General Artigas, tornou-se Rio Branco.


Portas encantadas

Não se pode deixar Jaguarão sem conhecer seu envolvimento com a música. Você já ouviu falar de Eduardo Nadruz? Não? Que pena! Mais conhecido como Edu da Gaita, era obstinado e doce com seu instrumento musical. De todas as suas interpretações, a mais célebre foi Moto Perpétuo, de Niccolò Paganini. Na década de 1940, Edu foi o primeiro do mundo a interpretar a magnífica obra desse violinista italiano em outro instrumento. São 150 compassos representados por 2.400 notas musicais, sem pausa, em quatro minutos. Apesar de tudo, Edu morreu esquecido.Para conhecer essas e outras histórias, só mesmo flanando pelas ruas desse finzinho de Brasil. A senha é bater em uma das portas encantadas da rua 15, pedir licença e entrar em alguma outra história.



Preste Atenção

Apure os ouvidos para palavras da região: tirãozinho, guaiaca, guaipeva, chinoca, caturrita, butiá, guaiba, charrua… Em Jaguarão, elas se traduzem respectivamente por: pequena distância, cinto, cão, garota, papagaio, palmeira, pântano e indígenas que habitavam os pampas.

Não deixe de assistir

Antes de visitar Jaguarão, uma boa mostra para se compreender os habitantes de fronteira está no filme O Banheiro do Papa, dos diretores uruguaios César Charlotte e Enrique Fernández. Eleito o melhor filme do Festival de Gramado de 2007 e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2007, a história baseia-se num conto do escritor jaguarense Aldyr Garcia Schlee.

O Jaguarão tem mais
Estâncias
As estâncias fazem parte da história dos pampas e revelam a razão do orgulho de ser gaúcho. Agende uma visita nas fazendas centenárias Bandeira e São João do Juncal, que contam com criações de cavalos crioulos, ovelhas e gado.


Museu Dr. Carlos Barbosa

Só a casa de estilo eclético, construída em 1886, já vale a visita. Mas ela abriga rica coleção de móveis, obras de arte e louças do início do século passado. Chamam a atenção as lâmpadas com filamento de carbono, de 1900, ainda em funcionamento.

Museu do Pampa

As ruínas da antiga enfermaria militar, construída em 1883, serão parte de uma das obras culturais mais importantes do Sul do País. O conjunto será concluído em 2011 e deverá abrigar material interativo e explicativo, remetendo-se à época da ocupação dessa região, à sua gente e à importância do bioma pampa.

Heitor e Silvia Reali
Clique aqui para ver que o presente trabalho jornalístico foi custeado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, conforme registrado no Blog da Secretaria de Cultura e Turismo de Jaguarão.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Aprender a aprender

Foto J. Passos

Há tanto nos conhecemos,
Quanta coisa te ensinei!


Te ensinei a ver o lado oculto da lua,
Ensinei a sentir o gosto do vento
Ensinei a brincar com a areia,
a olhar pra frente e
seguir adiante o momento
Movimento.


Te ensinei a ser corpuscular
Na relatividade à luz dos fatos
Ensinei a ser dodecaedro,
Quintessência que permeia o universo.


Mas como bom observador
Mediu em ondas de probabilidades,
Assumindo o estado previsto.


E foi assim, na evidente contradição
Que aprendi sob a luz de teus olhos a ver
O princípio do fogo.


Aprendi que a atração entre os corpos é propriedade
Do espaço/tempo:
Quando um escorrega em direção
Ao outro por causa das curvaturas!

É filho! Não é fácil estudar física!



Analva Passos

domingo, 5 de dezembro de 2010

Compartiendo Caminos

Foto Digoals


...traigo sangre de la tarde herida
en la mano
y una vela de mi corazón
para invitarte
y darte
este alma
que viene para compartir contigo
tu bello blog
con un ramillete de oro
y claveles dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ

COMPARTIENDO ILUSIÓN

CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE

Jose Ramon Santana Vazquez

sábado, 4 de dezembro de 2010

Música e poesia à beira da Lagoa dos Patos.


“Canções de A(r)mar e Desa(r)mar”

No encerramento da 31 Feiro do Livro de São Lourenço do Sul, neste domingo, as 20horas, show com Ricardo Fragoso, Ro Bjerk, Nando Barcellos, Paulo Timm e Martim César .

Imperdível! Compareça!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Hélio Ramirez - Fortins de Jaguarão - II Feira Binacional do Livro - Jaguarão



FORTINS DE JAGUARÃO

Letra & música: Hélio Ramirez

AS ALMAS AINDA ESTÃO LÁ
ENTRE AS MANGUEIRAS DE PEDRAS
NOS BOSQUES DE CORONILHAS
NO SILÊNCIO DOS GALPÕES

HISTÓRIAS DE BENTO GONÇALVES,
APARÍCIO, ARTIGAS... CARLOS BARBOSA
SENZALAS DE AMORES FURTIVOS
SOBRE A LUZ DE LAMPIÕES

DE PEOES E CHINAS SEM NOME
SEM PASSADO... SEM MEMÓRIA
TERRA CONQUISTADA A EITO
ESPADA, BACAMARTE E CANHÃO!

ESTÂNCIA VELHA, SÃO JOÃO...
LÁ NA COSTA DA LAGOA...
SANTA ISABEL, MANGUEIRAS
TELHO, CURRAL DE PEDRAS...

FORTINS. FORTINS, FORTINS
DO MEU JAGUARÃO
SÃO ESTÂNCIAS FORTINS
DO MEU JAGUARÃO..

LÁ NA CURVA DA ESTRADA
ENTRE AS COXILHAS DO MEU PAMPA
HÁ UMA HISTÓRIA – MEMÓRIA –
BUSCANDO SER RESGATADA!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia del cine uruguayo no cineclube Jaguarão

El Rápido - Foto J. Passos

Encerrando as atividades de 2010, o Cineclube Jaguarão exibiu cinco curtas metragens que estão na amostra em comemoração do dia del Cine Uruguayo que ocorre 5 de dezembro no país hermano. Os filmes serão exibidos em todos os cineclubes do Uruguay simultaneamente e a distribuição foi feita pelo You tube.

Para 2011 está previsto um programa cheio de novidades para quem gosta de cinema alternativo. As sessões são sempre às quintas feiras as 19 horas na Casa de Cultura.



Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...