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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A linha imaginária - Jaguarão Making Of


Making of das gravações na cidade de Jaguarão, para o documentário "Uma Terra Só", realização da Moviola Filmes com financiamento do ProCultura RS. As gravações em Jaguarão/Rio Branco ocorreram no dia 06 de setembro de 2013. Mais informações em www.moviolafilmes.com.

Imagens
Cíntia Langie, Felipe Freitas e Alberto Alda

Montagem
Cíntia Langie

Trilha
Eduardo Varela

Realização
Moviola Filmes

Financiamento
ProCultura RS
Secretaria de Estado da Cultura RS

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Aldyr Schlee: Candidato a patrono da 58ª Feira do Livro de Porto Alegre


Schlee (ao centro) foi Patrono da Feira Binacional do Livro de Jaguarão em 2011  


Fronteiriço de Jaguarão, o escritor Aldyr Garcia Schlee (77 anos) é um autor bilíngue, que escreve e publica sua obra tanto em português como em espanhol. É doutor em Ciências Humanas. Foi desenhista profissional (vencedor de Concurso Nacional para a escolha do uniforme da seleção brasileira de futebol), jornalista (Prêmio Esso de Reportagem), e professor da Universidade Católica e da Universidade Federal de Pelotas (até 1992). Depois atuou como professor visitante do Programa de Pós Graduação em Letras da PUCRS, em Porto Alegre. Foi Consultor Jurídico do Ministério das Relações Exteriores (1976-77) para a redação final do Tratado da Lagoa Mirim, firmado entre Brasil e Uruguai.

Como ficcionista, venceu a I Bienal de Literatura Brasileira (com CONTOS DE SEMPRE), a II Bienal (com UMA TERRA SÓ), e foi finalista do Prêmio Casa de las Américas, em Cuba (com LINHA DIVISÓRIA). Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura em 1997, 1998, 2001, 2010 e 2011, primeiro com a tradução de FACUNDO, de Sarmiento; e depois com os livros CONTOS DE FUTEBOL, CONTOS DE VERDADES, OS LIMITES DO IMPOSSÍVEL e DON FRUTOS.

Este romance foi lançado em 2010 e considerado o LIVRO DO ANO, pelo jornal Zero Hora; sendo distinguido o autor como FATO LITERÁRIO DE 2010, em concurso da Rede Brasil Sul de TV.

De Aldyr Garcia Schlee foram publicadas em 2011 as reedições de CONTOS DE VERDADES e de UMA TERRA SÓ (nome este dado a uma rua de Jaguarão, em homenagem ao autor), assim como sua tradução comentada de DON SEGUNDO SOMBRA, de Ricardo Güiraldes.

Aldyr Schlee entre os Patronáveis da Feira de Porto Alegre pela Câmara do Livro 



sábado, 17 de dezembro de 2011

O Sobrado

a vetusta janela emoldura a vista desta solene ruazinha de pedras

N
ós nos sentimos lá dentro, no andar de cima da Casa do Barão.  Com o risco de incorrer num critério meramente saudosista, consideramos que as duas ou três lojas do térreo – onde realmente estivemos – representam uma afrontosa ocupação.
            Então é de se inventar, também, que nos abrira a porta um encarregado, homem encarquilhado, baixo e extrovertido. Tão falante que, já ao pé da escadaria de cedro, gesticulando com as chaves na mão, enaltecia os antigos fidalgos que, por mais de meio século, habitaram o casarão; e que, quando lhes convinha, em vez daquela escada, subiam pelo elevador – uma engenhoca (talvez de pau e ferro), com roldanas e cordas puxadas por escravos.
É de se supor, ainda, que lá dentro do sobrado restara um penumbroso vazio em que o bodum úmido do tempo tresandava das tábuas do assoalho e do teto; da escaiola, surpreendentemente conservada; e dos lustres de bronze que, por sorte, ninguém ousara desmontar.

            A Casa das Sete Torres e a Casa do Barão. Ocorre-nos assim, por cotejo, a decadência da nobreza rural – que Hawthorne, em seus escritos de Boston, tão comovidamente descreveu e que, com bastantes coincidências, representa um fato universal: o loteamento costumeiro das antigas e aristocráticas mansões.
            A cidade é romântica, por si mesma E, no momento, nossa alma é suscetível desta síntese: a beleza triste e melancólica do sobrado.
A observação distraída dessas ruas e dessas casas – algumas do século XIX –, a par do encantamento e da compreensão histórica, atiça a curiosidade. Quem foi o Barão?  Seus traços provavelmente quedaram nas sombras. Aquele ali, o da ponte histórica, chamava-se Mauá.
Quando objetivo, o interesse poderá ser contentado pela sondagem perseverante de um historiador. Mas cabe suspeitar que a expectativa muitas vezes se arrefeça com a correção da pesquisa. Além do que, o tom adequado para simbolizar a história desses casarões descuidados é justamente o mistério de seus personagens.
            O declínio da era rural. Cabe admitir que suas peculiaridades se tornem propulsoras de tantas e assombrosas conjeturas. Que o destino mudara o sítio de transcendência dos senhores que viveram nessas casas. Que muitos de seus descendentes estejam aqui. Que outros cruzaram a ponte velha e escultural, motivados por consórcios, partições, ou novos confortos.
Pois há mais, há sempre mais. Existe este horizonte raso, que parece sublinhar a similitude geográfica e definir linearmente entre os viventes dos dois lados uma afinidade anímica quase segredosa – como a afinidade dos que se gostam e que a distinção dos idiomas só consegue sublimar.
Ocorre-nos, lembrando o relato histórico e romanceado de Aldyr Garcia Schlee, que o castelhano Fructuoso Rivera – o Don Frutos – nos meados do século dezenove, sentiu-se em casa aqui em Jaguarão, enquanto se revigorava para reassumir o poder na banda oriental desta terra sem limites.

            Pois lá dentro do sobrado – onde pensamos estar –, ao escancarar-se na imaginação do abandono, a vetusta janela emoldura a vista desta solene ruazinha de pedras, deste antigo mercado, deste posto de saúde e deste céu fraternal que açambarca ainda um trecho do rio – que percorre o tempo celebrando a unicidade do pampa – e acaba naquela tira de campo arborizado que já é do Uruguai.
            E então, um de nós três visitantes, que somos cúmplices dessas esparsas especulações da realidade e de tantas fantasias – que são razoáveis, considerando-se o pertinente desfecho de certas tradições – imaginou o parecer de outro forasteiro, que estaria perto de nós:
            – O escritor jaguarense tem sortidas razões. Essas fronteiras demarcadas por alambrados e rios são convenções carentes de sentido. E a paisagem que ora se descortina é realmente – na nitidez dos sentimentos – a paisagem de uma terra só.
Uma terra só. O livro denomina, agora, esta rua curta que pode ser plenamente avistada pelos fantasmas do casarão. Não se trata de mera homenagem de reconhecimento, senão que um anelante propósito de alcançar todos os significados que transcendem este nome: Uma terra só.
Nada mais caberia dizer. Mas a curiosidade é impaciente e teimosa: que será da Casa do Barão? Admite-se, por hora, prescindir da resposta, porque o foco é o batismo da rua. Mas, amanhã ou depois – como se deu hoje com o fim do anonimato deste estreito e solene caminho de pedras –, aquele sobrado gris haverá de celebrar algo também importante: o desfecho de seu abandono.

João Félix Soares Neto


O arroio-grandense João Félix Soares Neto nasceu em 1936, numa manhã de natal. Vive desde os 12 anos em Pelotas, onde estudou no Colégio Gonzaga, dedicou-se ao jornalismo, trabalhou no BB e chegou a cursar Letras na UCPel. Foi parceiro musical-letrista- de Harry Rosa,Gélson Domingues e Alfredo Allgayer Osório. Depois de 70 anos, três filhos e cinco netos publicou em 2007, seu primeiro livro, “O cigarro ensangüentado”, que são as reminiscências de um guri repartido entre o bulício de uma pequena cidade e o ludismo rudimentar do campo. Lançou este ano em Pelotas,  sua segunda obra, “Na palma da mão – uns contos no sul”, ficção de prevalência realista.   


sábado, 20 de agosto de 2011

A homenagem de Jaguarão a Aldyr Garcia Schlee



Ilmo. Sr. Claudio Martins
MD. Prefeito de Jaguarão

Caro amigo,

A data de hoje reveste-se de especial significado para todos nós.

Jaguarenses ou não, familiares do homenageado ou não, estamos sinceramente agradecidos por tudo. No meu caso particular, convivo com Jaguarão e com Schlee há 48 anos. Cresci guri nas casas desta cidade, despertei para o patrimônio nas ruas de Jaguarão. Em Pelotas, me formei e acompanhei a feitura dos livros de meu pai. Saiba que eles não são escritos, mas exaustivamente pensados, detalhadamente construídos, cuidadosamente desenhados e, finalmente registrados. Contos que nascem de um universo literário particular, com limites culturais e espaciais definidos e que abrange os homens que viveram ou que vivem por aqui. Deste lado, ou do lado de lá da ponte. Personagens de histórias reais, travestidas da mais pura e humana ficção. Histórias que, por isso mesmo, são universais. De Jaguarão para o resto do mundo!

A Jaguarão que sempre viveu em minha memória e no meu coração, agora é patrimônio de todo o povo brasileiro. Representa, portanto, parte do legado que o Brasil de hoje deixará para as gerações futuras. E é nesta mesma cidade histórica que, a partir de hoje, existirá uma rua denominada de “Uma Terra Só”. A nossa Jaguarão e a de meu pai. Preservada como Aldyr Garcia Schlee sempre desejou. Não deixa de ser significativo, tratar-se de uma simples via, que nasce em Jaguarão, que mergulha no rio, que emerge em Rio Branco e que tem como horizonte o Uruguai. Sendo ela mesma, uma bela peça de ficção!

Uma terra só e uma rua, curiosamente, sem portas! Como que sugerindo um mundo sem fronteiras e sem propriedades. Também como Aldyr Garcia Schlee sempre sonhou e lutou.

Caro Prefeito, parabéns pelo conjunto de iniciativas!

(dê um forte abraço em meu pai!)

Andrey Rosenthal Schlee*
Brasília, 20 de agosto de 2011

* ...também diretor de Departamento de Patrimonio Material e Fiscalização do Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)  

Maestro Juan Schellemberg e Banda de Jovens abriram com música

Enfrentou-se o frio com disposição galharda
A literatura tomando posse desta rua  
regozijo dos familiares, leitores e amigos
sessão de autógrafos com muito bate papo entre leitores e escritor

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ruas que são Livros - Uma Terra Só


No sábado, 20 de agosto, a rua ao lado do Mercado Público será batizada com o nome de "Uma Terra Só" em homenagem ao escritor Aldyr Garcia Schlee.
O evento tem inicio na Casa de Cultura as 15 horas com sessão de autógrafos das obras Contos de Verdades e Uma Terra Só do escritor jaguarense, seguido da Solenidade de denominação da rua.




quinta-feira, 19 de maio de 2011

UMA TERRA SÓ. RUAS QUE SÃO LIVROS


E nem é rua, é travessa.

Contudo está de festa este empedrado que fica do lado do Mercado. Parece até dia de inauguração da ponte. Onde vieram os trilhos de um lado se juntando com os trilhos do outro lado e, por cima dessa enorme ponte como de um quarto de légua, ligou-se finalmente o Brasil e o Uruguay. 

Já vejo por aqui o pessoal de fatiota, fraque, até um foguista da AFE. Anda por aqui o ensimesmado da Estação Rio Branco, dizendo calado as histórias de todos os trens que não andou. As mulheres vieram,vieram os turcos. A irmã que vivia quase solita no campo e dormia com a terneira no galpão e dividia o que não tinha com o irmão contrabandista. O anão de circo, com gana e medo do pai e do circo. E foram se vindo. O Domingos Nanico com luto no braço pela falecida e a falecida.

Como se tivesse vindo pelos dormentes enterrados onde já não andam mais os carromotores, apareceu o José Jacinto, o Pochocha, carregando a Marita pelo braço e ainda com dinheiro na bota. Até o Pardito, se veio de bote, bote em que o pai trabalhou passando gente pra lá e pra cá antes da obra da ponte. E morreu de desgosto porque o que faria depois da ponte?

No costado do Mercado, vejo o Pichón, filho de uma puta. Está de ressaca ainda. Espero que não faça o mesmo fiasco daquele jogo na granja do Uruguay. E mais prum lado, vejo as camisas tricolores do Mauá vindas da Casa London Paris de Montevidéu. Estão aqui com seus donos.

Era junção. Reencontro. Regozijo.

Ciriaco casando com Joana.
Foto Gilberto Perin

Girando, no descontrole, girando, andando, como uma tora podre, um casacão meio afundado, vinha pelo rio o corpo do Paco, um Paco qualquer. Enroscado no redemoinho das águas crescidas do Jaguarão. Ninguém quis ou se importou saber dele, mas ele veio assim mesmo.

Presentes, o  Gaguinho da ferragem e o Alarcón. Protagonistas da primeira e única verdadeira luta de box em Jaguarão. O ringue ficava nos fundos de uma alfaiataria perto da praça. 
E o Ravenal, o peão de estância,  também anda por aqui, como se tivesse no cine Apollo, assombrado vendo seu primeiro filme.E o guri que ia se arranchar no quartel e foi enfeitiçado pela china e dele nunca mais se soube.

Todos vieram. Compareceram . Inclusive outros que não eram deste livro. Don Frutos, Verdina, Don Sejanes, o zagueiro uruguaio que nunca perdeu pênalti. Todos. 
 
Se houve dificuldade para pôr esse nome na Travessa? Houve. Como é regra , o desiderato de toda oposição é ser do contra. E foram. Pediram vistas e revistas ao projeto. Pesaram, sopesaram. Mediram, olharam , por dentro , por fora, por cima, por baixo. Examinaram, tiraram febre, auscultaram. Era coisa de cultura. de Letras. Com essa universidade que tem por aqui agora o assunto é esse. Parece coisa nova, nunca antes vista. Também faça-se justiça, é gente ocupada. Não tem tempo para essas iluminuras. Porém, como são gente muy conscienciosa, muy zeladora de seu ofício, depois de tudo avaliado, calibrado e repesado, aprovaram. Mas, que se cuidasse dos buracos e orifícios da cidade também, exigiram.

Eu? Quem sou eu? 
Eu sou o chato que traduzia e não sabia dançar boleros. Quem sabe, me aparece por aqui a Maria Helena.   

Jorge Passos
Texto da coluna Gente Fronteiriça
Publicado no Jornal Fronteira Meridional - 12/05/2011


Ocorreu nesta segunda-feira (16.05.2011), na Câmara dos Vereadores de Jaguarão, a aprovação do projeto que intitula a rua ao lado do Mercado Público de Jaguarão - Uma terra só. Merecida homenagem ao escritor Aldyr Garcia Schlee e sua obra.

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...