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sábado, 5 de julho de 2014

E assim criamos o Mito “Obdúlio Varela”

É tempo de Copa do Mundo e me ponho a reflexionar em cima de minhas lembranças sobre esse evento. Sinceramente, para mim esse certame já acabou em 1970 com a conquista definitiva pelo Brasil da Taça Jules Rimet, aquela mesma que foi roubada da sede da CBF e sumariamente derretida pelos larápios. Embora discutível, era minha opinião que nosso país passasse a ocupar uma posição de “hors concours”, dando oportunidade a que outros também chegassem ao tricampeonato e se habilitassem a uma disputa com nossa seleção canarinho. Mas reconheço que, se assim fosse, estaria se privando às novas gerações o gostinho de levantar mais um caneco.

Apesar dessa minha divergência, nunca deixei de acompanhar o desempenho de nossos atletas nas competições de futebol. E o que tenho visto nas últimas Copas não chega a me entusiasmar face o acentuado declínio técnico dos participantes em geral, a maioria dependendo da genialidade do principal jogador de sua equipe. Isso que são regiamente remunerados para exercer uma honrosa função. Nosso selecionado está ai todo enxertado de jogadores que atuam no Exterior, à exceção de alguns poucos oriundos de quadros nacionais, classificando-se a duras penas (e até com ajuda da arbitragem) numa das chaves mais fáceis da atual Copa do Mundo. Haja tremedeira...

Até algum tempo atrás, ainda guardava como relíquia uma edição extra de “A Noite Ilustrada” que circulou na véspera da decisão de 1950 entre Brasil e Uruguai, tendo estampada na capa em letras garrafais a manchete “BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO” em flagrante desrespeito ao adversário. Favas contadas, vivia-se um clima de oba-oba, todo mundo querendo tirar casquinha em cima de nossos craques, que assim viam aumentar sua ansiedade em relação ao jogo. Preservação da equipe, nem pensar, até tiveram que aguentar, por imposição do técnico Flávio Costa, uma missa de mais de uma hora de duração, rezando em pé. A politicagem imperava sobre o grupo.

No lado uruguaio, alguns dirigentes só queriam não perder de goleada, o empate já estava de bom tamanho, com o que se rebelou “El Capitán” Obdulio Varela, comandando a reação sobre nossa vantagem de empate de 0x0 do primeiro tempo, já no intervalo da partida, dentro dos vestiários. Um “maracanazo” que calou as vozes daquelas inoportunas provocações, sepultando as esperanças de milhões de brasileiros. Porém, esses “futurólogos” ufanistas não foram capazes de assumir seu equívoco perante a opinião pública e descarregaram toda sua irresponsabilidade ao buscar algum “bode expiatório” pelo ocorrido, crucificando de forma desumana Barbosa e Bigode.

Recém tinha nascido para o futebol e comecei adorar aqueles ídolos fantásticos como Barbosa(V), Augusto(V), Juvenal(Fa), Bauer(SP), Danilo(V), Bigode(Fa), Friaça(SP), Zizinho(Ba), Ademir(V), Jair(P) e Chico(V), além daqueles grandes coadjuvantes Castilho(Fu), Nilton Santos(Bo), Nena(I), Eli(V), Rui(SP), Noronha(SP), Alfredo II(V), Maneca(V), Baltazar(C), Adãozinho(I) e Rodrigues(P). Quer dizer, dois craques em cada posição para dar e vender, não tinha erro. Mas faltou humildade para os líderes das classes dirigentes do país, que contaminaram com a sua imprevidência toda estrutura montada para aquele desfecho mais favorável, coroando a melhor campanha da nossa seleção em toda a Copa de 1950.

Parecia um jogo jogado, ninguém se dava conta que os uruguaios entravam em campo de sangue doce, era nossa a obrigação de vencer. Uma tremenda sobrecarga emocional pairava sobre o elenco brasileiro. Mesmo assim, já aos 2 minutos, Friaça abria o placar com nosso tento de honra. Esta foi a gota d’água que transbordou o copo do orgulho “celeste”. Anunciava-se uma enfiada, jamais admitida por “Dom” Obdulio que correu rápido para apanhar a bola no fundo das redes, voltando logo ao meio de campo para repô-la em jogo, e aos berros incitando seus companheiros “vamos a ganar, a ganar ese partido!”

José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em  02/07/2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

La Celeste entrará mordida

La Casa Embrujada



El Uruguay tiene un fantasma: 1950. El Uruguay tiene un zombi: Álvaro Pereira, desmayado, despertado y reenganchado contra Inglaterra. El Uruguay tiene un vampiro: Luis Suárez, mordedor en serie, de caninos vivos contra Itália. El Uruguai es, además de un conjunto brillante de improbabilidades, una Casa Embrujada.

No lean en esta exaltación al Uruguay-Levanta-te-y-Anda un elogio a lo que hizo Suárez, no: Suárez debe ser punido. Si una mordida, filmada y captada con precisión odonto y criminologica, no representa conduta antideportiva, nada más significará – e inversores se apresurarán a inaugurar un buffet de fêmures.


Aún así, y por eso mismo, que absurdo es este Uruguay. En las orígenes de este equipo, en su fortalecimiento, repito, improbable deste Uruguay, hay algo que desafia cualquier cartelera estatistica. En la proyección de un frío analista de imperios y civilizaciones, el Uruguay talvez ni existiera más, quizás tendría una seleción fuerte. Y con todo ahí está: el Uruguay de 2014 es un poema de Benedetti con banda sonora de death metal.

Pisa los campos Uruguay para vencer? A morir – pero, para mi, hay algo más allá : ningun cuadro recuerda más del porque a mi me gusta el futbol. La tragedia y la vuelta de tuerca, la gloria chueca de los héroes que erran y de los que se sacrificam errando, el reconocimiento de los límites y el manejo de las parcas fuerzas: el Uruguay monta su tablado sobre el abismo – y no hay nada más humano.

Un país vazio. Campos abiertos al viento que susurra. Un equipo de muertos e vivos. El Uruguay tendría que ser esta Casa Embrujada.


Y cuanto a Suárez? Que Lars Von Trier dirija su cinebiografia.

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Tradução ao Espanhol : Confraria dos Poetas de Jaguarão

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Televecinos na Copa de 70

A Copa de 1970 foi a primeira a ser televisionada para o mundo inteiro. E Jaguarão fazia pouco tempo que estava incluída nesse “mundo inteiro”. Parece que foi na Radio Luz que vendeu-se o primeiro aparelho “Admiral”, uns dois anos antes. Mas o sinal era precário. Conta-se que o  comprador ligava indignado ao balconista quando tentava olhar sem sucesso a então mais falada novela “ Véu de Noiva”, com o galã Cláudio Marzo e a novíssima atriz Regina Duarte, que viria a ser depois a namoradinha do Brasil e , mais recentemente,  a que fez fiasco com medo do Lula em 2002. Dizia o nosso infeliz primeiro televidente de Jaguarão: “ Tchê, esse troço que tu me vendeu não dá! Quando tem voz , não tem semblante! E quando tem semblante , não tem voz!”

Nós morávamos no Rio Branco, meu pai ainda não tinha comprado TV. “Quando as coisas melhorarem”, dizia ele. E ia nos cozinhando. Nós torcendo pra se vender mais cobertor Aurora, mais poncho de lana, mais blusões Burma, mais chocolates Águila. Mas por mais que se vendesse, não sobrava grana pra investir na nossa TV tão sonhada. E vinha chegando a Copa.  Para nossa alegria, vimos  desembarcando na nossa vecina, Doña Mercedes, uma flamante Philco, 20 polegadas. Preto e Branco, que cores não tinha mesmo. Quando queria dar-se  um colorido na imagem,  apelava-se para um papel celofane em três tons: verde , azul e vermelho. Era uma belleza!

Não lembro ao certo se foi a doña Mercedes que nos convidou ou se foi nós mesmos que sutilmente sugerimos que ela nos convidasse para assistirmos à estreia do Brasil na Copa do México contra a fortíssima seleção da Tchecoslováquia, numa quarta-feira à noite. Como fica na memória tanto tempo depois! Eu tinha 12 anos e minha irmã, companheira de futebol, e que nas peladas no campinho dos Cardoso quebrava o galho jogando de goleira, tinha 10. Pois bem, depois de um inicio apavorante, quando saímos perdendo, viramos o jogo e ganhamos por 3 a 1, com espetacular atuação daquele que seria chamado o “Furacão da Copa” , Jairzinho.

E a Celeste também tinha um timaço. E chegou o dia fatídico da semifinal  em que nos tocou enfrentar o Uruguay. E agora, desde este longínquo 2014, elogio o espirito esportivo da doña Mercedes. Nos acolheu para ver o jogo. A condição era ficarmos quietos e torcer pro Brasil de maneira discreta. Nos pareceu justo. Na janela, bandeira Azul e Branca. No campo, a celeste melhor. Saiu ganhando com gol do atacante Cubillas. A coisa tava feia, quando o Clodoaldo empatou. Apertei a mão da minha irmã e vibramos por dentro. Doña Mercedes já nos olhava de cara feia, quando a Canarinho fez o segundo com Jairzinho e depois selou o resultado com uma bomba do Rivelino vencendo o goleiraço Ladislau Mazurkiewicz. Estávamos na Final!

Bueno mijos, por acá se acabó la farra”, sentenciou com uma certa animosidade, doña Mercedes.  Respeitando a dor da nossa Televizinha e também para participar da festa, viemos ver o jogo contra a Itália em Jaguarão. Não lembro como, me vi com mais de vinte pessoas na Casa do seu Erni Pólvora,  onde hoje é a Loteria Federal, na 27. Depois, o que me lembro é do povo todo na rua fazendo algazarra. Encostado na Casa Ao Paraguaio, atual Confeitaria São José, via a multidão quando uma bombinha estourou ao meu lado me deixando atordoado. Mas valeu a emoção! Causos de Copa!


Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 18/06/2014


sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Incrível Odisseia de um cão uruguaio rumo à Copa do Mundo no Brasil

O  "cachorro da Copa" é uruguaio. Chegou ao Brasil faz poucos dias e a historia de sua travessia é incrível. No balneário Solís, Uruguai, juntou-se a um grupo de torcedores ingleses e os acompanhou  no trajeto de 600 quilômetros a pé até Porto Alegre.

Os ingleses com carrinhos de golfe e "Jefferson" ao lado, pelas estradas do Uruguai e Brasil
EDUARDO DELGADOjun 5 2014 - El País Digital - UY

Quatro "mochileiros" ingleses que viajaram para Mendoza, Argentina, em março, com o propósito de continuar a pé a travessia para assistir ao Mundial de futebol no Brasil, percorreram o território uruguaio caminhando, e na sua passagem pelo balneário Solís lhes saiu ao encontro um cachorro.
Assim conheceram o "Negro", uma cruza de Labrador, que começou a seguir os torcedores.
Os ingleses, ao notar que o cão não lhes perdia a pisada, deixaram de dar-lhe comida. Porém, o "Negro", que talvez somente buscasse um pouco de carinho, os seguiu até o Chuy e atravessou com eles a fronteira para o Rio Grande do Sul, até chegar a Porto Alegre.
No caminho, os torcedores se afeiçoaram ao animal, incorporaram-no à viajem, batizaram-no com o nome de "Jefferson" e o vestiram com uma camiseta da seleção inglesa.
Enquanto isso acontecia, Ignacio Etchetchury, proprietário do cão, começou a preocupar-se ao ver que o "Negro" havia desaparecido. O jovem, que estuda agronomia em Montevidéu e que estava acostumado aos desaparecimentos esporádicos de seu cão (seguindo às fêmeas no cio), estranhou que passassem os dias sem que o " Negro" voltasse. O havia criado desde filhote, desde que o ganhou de presente na Escola Agrária de Rocha onde estudou por um tempo.
Alguns dias depois, um amigo avisou-o que lhe parecia "ter visto o cachorro" numa matéria que um canal de TV de Maldonado fez com os ingleses em sua passagem pelo departamento. O "Negro" é muito chamativo já que, por seu cruzamento, nasceu e conserva o pelo meio grisalho.Etchetchury viu logo depois uma foto num jornal de Piriápolis, na qual identificou o "Negro" junto com os ingleses.
Assim, soube onde e com quem estava seu cachorro de estimação. contactou-os pelo Facebook -onde os ingleses criaram a página Walk to the World Cup- ( Caminhando para a Copa) e a meia noite de ontem (04 de junho) partiu com destino a Porto Alegre para reencontrar-se com o animal e trazê-lo de volta à casa. O jovem tomou um ônibus no Terminal das Tres Cruces para chegar a Jaguarão, na fronteira, e dali seguir caminho até Porto Alegre, onde deverá chegar antes da segunda -feira. Até esse dia estarão na capital gaúcha os quatro torcedores ingleses: Adam Burns (27), David Bewick, (32), Pete Johnston (30) e o jornalista Ben Olsen (31), o qual, em Buenos Aires se somou a essa travessia a pé.
Em Porto Alegre,os ingleses procuravam uma família para alojar o cão, quando o dono legítimo os contactou pelo Facebook, intercambiando mensagens. Agradeceu-lhes que tivessem cuidado do animal e combinou que iria buscá-lo. A historia do cão e sua incrível travessia foram recolhidas nos últimos dias pela imprensa de fala inglesa.
Os quatro ingleses levam suas bagagens em carrinhos de golfe, para evitar o peso demasiado nas mochilas, e em sua jornada procuram arrecadar 20.000 libras para a Fundação J de V Arts Care Trust (que segue os ideais da escultora Josefina de Vasconcellos), indica a página desta organização beneficente e a dos próprios viajantes. Pretendem que esse dinheiro seja destinado a construir um poço d'água numa zona da Bahia " que está sofrendo a pior seca em 50 anos", dizem eles.
"Somos fanáticos torcedores ingleses, desesperados por ver a Inglaterra na Copa do Mundo do Brasil , mas também ver o Mundial 2014 como uma oportunidade para ajudar uma mui digna causa, como a de J de V Arte Care Trust, uma organização beneficente que está muito perto de nossos corações", disse David Bewick à página da FA (Associação Inglesa de Futebol).
"A seca no nordeste do Brasil já afetou 10 milhões de pessoas e na Bahia, um milhão de cabeças de gado vacum, o equivalente à metade do rebanho do norte, morreu", acrescentou Adam Burns.
Os ingleses, na sua longa travessia para o Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai, caminharam três dias pelo deserto de San Juan, dormiram em duas estacões de trem abandonadas, foram detidos pela policia em três ocasiões e jogaram cinco partidas de futebol em diferentes lugares (perderam duas e ganharam três).
"Os dias no deserto (de San Luis, Argentina) foram os mais difíceis até agora. Não havia sombra, tivemos que lidar com serpentes, tarântulas, mosquitos gigantes e dormir em estações de trem abandonadas ", escreveu Adam Burns no seu diário de viajem no FaceBook. A travessia dos ingleses se fez mais amena quando chegaram ao território uruguaio, onde recorreram a costa a pé, de Colonia a Rocha, e terminaram encontrando no caminho o seu mascote que os acompanha fielmente.
Chamaram-no de "Jefferson", depois de ter discutido outros nomes possíveis para o cão, como "Bobby Charlton" e "Wayne Rooney".
Mas o cachorro celeste, na realidade, chama-se "Negro", como Andrade, como Obdulio Varela, o "Negro Jefe", capitão da esquadra que calou o Maracanã em 1950.

Fonte: http://www.elpais.com.uy
Tradução: Confraria dos Poetas de Jaguarão

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...