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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Revolution Araçá Blues

foto A. Steps

Revolução estética é
Revólver à massa

   É galgar degraus descendo à matéria
   Bruta da composição inexata

          É a Não vida se contrapondo à Não morte
          que são contrárias sendo tão iguais

É escrever lixo no luxo
É Araça Blues!

          Revolução estética é
          Revolver a massa!

                      George Steps


domingo, 10 de abril de 2011

Caso Realengo. Em defesa da Educação, da Escola e dos Professores

Publicamos a seguir, carta da Professora de Letras da Unieuro de Brasília,  Ruth Ester Poitevin, sobre o caso Realengo e as repercussões na mídia.

Será mesmo que tudo é culpa da Educação, da Escola e dos Professores?
Qual é a minha parte como mãe, como pai,  como família no comportamento da criança, do adolescente, do jovem?
Será mesmo que os professores e as escolas deverão tomar para si uma responsabilidade que é dos pais - a de criar um filho emocionalmente saudável, preparado para viver em sociedade, que tenha respeito e dignidade?
Estou cansada de ouvir frases como estas que ouvi da imprensa nesta semana: "A educação, no Brasil, está falida" ; "As escolas, no Brasil estão atrasadas, são obsoletas!"; "Os professores brasileiros são despreparados; não sabem lidar com crianças, com os jovens muito menos".
Realmente, ninguém que seja professor está preparado para assumir responsabilidades que não são suas, muito menos criar e educar filhos de outros.; ser agredido, verbal ou fisicamente por crianças e jovens emocionalmente perturbados!
É fácil  responsabilizar os outros pelo nosso fracasso como pais, pela nossa omissão perante os atos de nossos filhos. É conveniente passar para os outros uma responsabilidade que é nossa, porque jamais seremos cobrados!
Professor, colega! Chega de sermos  chamados de irresponsáves, despreparados, atrasados, obsoletos, etc.
Está na hora de pensar e agir em relação a isso. Está na hora de cada instituição da sociedade assumir a sua função e com muita responsabilidade!

Professora  Ruth Ester Poitevin

Considerações sobre Realengo

Publicamos a seguir,  carta do leitor Arnaldo D'Ávila sobre tragédia de Realengo.


Temos que refletir... por que isso aconteceu? O que você está ensinando para o seu filho? Quais valores você está passando para ele? Você ensina ele a respeitar as diferenças?

Ah! aquele dali é estranho... ah! aquela ali é maçaneta... ah! aquele ali é gordo... ah! aquele outro dali é preto, amarelo, azul, aquele outro é mulherzinha, bicha, viado... ah,  a mãe dele é puta... dizem que o pai dele é maconheiro e por aí vai... O que estamos fazendo com as nossas crianças heim? Quem está criando esses monstros? Revejam seus conceitos, pois isso pode ser apenas o começo.
Nos Estados Unidos já passam de 20 chacinas como essa. Tomara que essa fatalidade faça as pessoas refletirem sobre suas passagens na terra e sobre o que elas estão fazendo para que se tenha uma sociedade verdadeiramente humana e igualitária. Agora, se as pessoas contiuarem pensando somente nos seus umbigos, nos seus bolsos, suas casas, seus carros, seus mundinhos particulares e de futilidades, não se espante se você ou alguém de sua família ou círculo de amizades for a próxima vítima, no cinema, na escola, no parque.
Não quero causar pânico em ninguém, apenas suplico que as pessoas reavaliem seus conceitos, porque a maior culpa é da sociedade e a sociedade somos nós.
Atenção! Eu falo de fazer alguma coisa verdadeiramente! Não é mudando seu status no ORKUT ou no Facebook, trocando sua foto por um símbolo de luto ou entrando na comunidade A, B ou C relacionadas à tragédia que as coisas vão mudar, É hora de nos abraçarmos e sentirmos o amor verdadeiro e incondicional e respeitarmos uns aos outros, termos compaixão, praticarmos a caridade, quem pratica a verdadeira caridade não sai divulgando, isso é outra coisa,  é marketing pessoal. E não leva a lugar nenhum. Respeito, amor, solidariedade, amizade, inclusão... é disso que precisamos, não exclua o outro por ele ser diferente, por pensar diferente, por ser calado, etc. etc. etc.
No fundo o que todos querem é serem amados, portanto ame para ser amado também e lute contra as injustiças.
Agora,  só nos resta orar pelas crianças mortas nessa tragédia, por suas famílias e por todos que estão traumatizados por sobreviver e presenciar esse horror.
                                                                          Arnaldo D'Ávila

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Inquietações - Caso Helder Santos

INQUIETAÇÕES

As violações de nossos direitos básicos, onde as desigualdades, marginalização e exclusões, em muitos momentos, parecem ser encaradas com naturalidade, precisam ser enfrentadas. Não podemos esquecer que vivemos numa democracia, ainda que recente, e precisamos lutar por ela, no sentido de direitos humanos e cidadania. Nós, jaguarenses, não gostaríamos de passar por essa situação falsamente estereotipada em nosso município. O fato ocorreu e, todavia, além de lutarmos para garantia dos Direitos Humanos, precisamos também labutar contra programas sensacionalistas, de audiência e promoção pessoal, que não levam em consideração o outro, desabonando, portanto, a dignidade da pessoa humana, que não é respeitada. Contudo, nesse momento temos que abolir preconceitos já estabelecidos, e nos permitirmos aguardar as averiguações que estão sendo feitas no presente caso, para que a dignidade da pessoa humana seja entendida e respeitada em sua plenitude.

Nós, jaguarenses, não somos racistas, mas a mídia, em muitos momentos, se acha no direito de fazer seus pronunciamentos, de dar suas notícias de forma a criar factóides impactantes no mundo societário, e justamente é contra esse tipo de procedimentos que precisamos labutar, para que seja respeitada a dignidade da pessoa humana.

No presente contexto, penso que cabe uma reflexão: o povo jaguarense, na última eleição, elegeu, na condição de cargo máximo do município, um professor de História negro, identificado com as discussões inerentes às suas raízes. Este fato deve ser levado em consideração, nos momentos em que mídia larga uma notícia bombástica, determinando que a cidade de Jaguarão seja racista, e outra ainda, de que o estudante Helder teve de sair às pressas da cidade. Ora, vivemos em democracia, e as relações não mais se estabelecem com a ponta de um fuzil, e mesmo que essa democracia ainda seja jovem, esse tipo de prática já ficou para trás, desde há muito tempo. Precisamos lembrar que, para gozarmos deste estado democrático e de direitos, muitos desapareceram, outros tantos sucumbiram, por isso, o que mais me espanta é ver jovens comparando o que vivemos hoje com o vivenciado à época da ditadura militar.

Espanta-me também um jovem dizer que está exilado na capital do estado do Rio Grande do Sul, pois esta época não mais nos pertence. Não esqueçamos que vivemos num estado democrático e de direito, e, mesmo que nem todos os direitos sejam garantidos, não podemos e não devemos ser saudosistas à ditadura. Vivemos em democracia e acreditamos na busca contínua da dignidade da pessoa humana, onde cada ser humano deve ser reconhecido como membro inerentemente valioso da comunidade humana e como uma expressão única de vida, como um corpo integrado do convívio com o outro e com o diferente.

A tentativa de comparar Jaguarão a uma cidade do faroeste estadunidense, não é de todo mau, em verdade, me agrada, pois as cidades do faroeste norte americano, no Séc. XIX, eram locais de aventuras dos desbravadores. O que me inquieta neste momento é o fato da mídia divulgar que nós, jaguarenses, somos racistas. Consiste em inverdade por vários motivos, mas me atenho, no presente momento, ao fato de termos um governo de base popular e democrático em todas as suas ações, onde a participação popular é o sangue que move todo o funcionamento governamental.

Sabemos que existe racismo camuflado em nossa sociedade, assim como o abuso de poder, mas essas atrocidades são pautadas de forma contundente em um governo onde o acesso popular é permitido. Disso, nós jaguarenses não podemos esquecer. As averiguações no caso do estudante da UNIPAMPA estão sendo realizadas, e espero que seja colocado a público pela grande mídia da mesma forma, mas com atenção a não descriminalização de ninguém, levando em conta o principio constitucional da dignidade da pessoa humana, tanto para corporação da Brigada Militar, quanto para o estudante. É sabido que em alguns momentos os policiais estão tensos, considerando cada cidadão um suspeito, um sujeito perigoso, além do fato de que esse cidadão deve obedecer às ordens, simplesmente, sem questionar, só que esse modus operandi tem que se tornar apodrecido, pois nós, cidadãos, elegemos, com a democracia, uma polícia cidadã, e essas práticas não cabem mais.

A penalização é algo que levamos muito em conta, mas já paramos para pensar que a linha é tênue entre sermos ou não penalizados? O poder de polícia sobre nossas vidas, neste momento e no caso em tela, encontra-se, a meu ver, tanto no fardado quanto no civil, e fortalece uma austeridade e um autoritarismo escancarados no cotidiano de nossa sociabilidade. Quando sentimos a necessidade de punir muito maior do que o aguardo pelas averiguações, é esse sentimento que demonstramos. Se a penalização fosse a garantia de vivermos em paz, sem violência e atrocidades, tudo seria maravilhoso, mas o que nos é revelado é que as penalizações não reabilitam a ninguém.

Todavia, o que me parece sensato é trabalharmos com uma concepção de respostas percursos, que provem da problematização, da ultrapassagem dos modelos propostos às situações problema. Nessa concepção, não se comporta começo nem fim, ela é deliberadamente inacabada. É um meio possível para o encontro de outras respostas, sem a pretensão da universalização como comporta o conceito de modelo, mas sim buscando elementos que possam contribuir para um processo contínuo. Sou uma apreciadora da liberdade e as palavras intencionadas de um discurso não me convencem. Precisamos das respostas percursos, na idéia de termos ações mais humanísticas e amorosas.

Raquel Couto Moreira 
Jaguarense, Pedagoga, Psicopedagoga, 
Acadêmica 10º sem/ Direito, Mestre em Política Social.

Reflexões - Caso Helder Santos


O  fato em si já é  conhecido por todos que acompanharam as entrevistas e notícias.  Com a proporção do caso, e considerando o velho ditado  que diz  “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, resolvi discorrer sobre o assunto.


A princípio, baseado nos fatos relatados, tivemos uma atuação lamentável de  alguns policiais (que inclusive seriam  de fora da cidade e que estão lotados aqui), quando foi demonstrado um sentimento racista, além de mostrar quanto ainda é falha a formação destes profissionais.   O fato é lastimável  e o amigo Helder deve levar adiante suas denúncias. Agora,   outro fato,  é o que saiu através de entrevistas com a vítima (Helder), onde o estudante cita o fato de existir um Comando  ou Milícia a serviço de um grupo social aqui em Jaguarão.     Bom, se isso é verdade, tem que ser investigado até a raiz (a partir de fatos), porém nada tem a ver com o primeiro caso (abordagem truculenta e racista).    A citação deste caso acabou desviando a atenção do foco principal, embora também seja  uma denúncia grave, que precisa de provas.

Outro aspecto que não pode ficar para trás, foi que nas reportagens que assisti,  Jaguarão aparece como uma cidade perseguidora e racista. Com certeza, e infelizmente,  aqui também tem  pessoas racistas como em qualquer lugar do país, e problemas similares aos de  outras cidades.      Assim, assistindo as entrevistas,  percebi que o Helder, na raiva pelo que aconteceu, imagino,  acabou esquecendo de fazer uma retrospectiva de sua estadia em Jaguarão desde sua chegada em 2010.   Conheço o Helder e sei que é uma pessoa de bem, e tenho certeza que ele irá corrigir este lapso.   Aqui me resta dizer que  foi bem recebido, teve amparo na Unipampa para uma monitoria (se não estou enganado), conseguiu um estágio na Prefeitura Municipal e sempre foi parceiro em várias atividades, em especial ao Movimento Negro.  Não é à toa que muitos jaguarenses se somaram na tentativa de fazer com que  aqui permanecesse, inclusive criando uma comunidade no Orkut. 

Fui Secretário de Cultura e Turismo e  presenciei  isto, bem como o recebi várias vezes em minha casa juntamente com uma galera de estudantes, todos de fora, nessas ocasiões nos brindamos com comidas típicas da Bahia e do Sul, de forma descontraída como nas repúblicas estudantis.   Por tudo isso o  Helder teria fortes e bons motivos para ficar aqui, mas infelizmente, este aspecto não tem aparecido nas reportagens, o que gerou algum constrangimento por várias pessoas que estão juntos com ele na luta contra a discriminação  que sofreu.  Tenho certeza que o estudante baiano conseguirá corrigir estes equívocos gerados pelas reportagens e quero em seguida brindar com sua presença, mesmo que seja em visita, em minha cidade, a qual  nos últimos anos tem feito um resgate intenso da história do negro em Jaguarão, inclusive identificando uma Comunidade Quilombola na Zona Rural.

Por fim, entendo e respeito a decisão pessoal do Helder de retornar para a Bahia, uma vez que não posso julgar seus atos movidos pelo receio  de uma possível vingança,  em função das  cartas que recebeu.      Desejo-lhe toda a sorte do mundo,  e aos meios  de comunicação que deram esta cobertura,  uma retificação em relação à cidade,  separando a ação individual de pessoas desqualificadas com o resto das instituições e da comunidade.


                                                                                                            02/04/2011

              Carlos José de Azevedo Machado (Maninho)

                        Professor e Ativista Cultural

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"Leituras do novo século: o e-book"

Foto J. Passos

O segundo dia do Ciclo de Palestras da Unipampa, nesta terça feira, teve início com o Professor e sociólogo Jeferson Selbach que fez uma explanação sobre a nova ferramenta da literatura: o e-book ou livro eletrônico.
Sabemos os altos custos que os novos escritores têm para poder editar suas obras. Numa tiragem de mil exemplares, afora a dificuldade de distribuição, o desperdício com erros de impressão e outros fatores é de 25%. Na maioria das vezes, fica o pobre e esforçado literato, com mais da metade dos seus livros encalhados e amontoados num canto da casa.
O Ebook veio pois, para acabar com esses problemas! Com custo bem inferior ao tradicional, o autor tem à disposição a rede como propagadora, o acompanhamento dos acessos dos leitores e, portanto, da repercussão obtida.
Numa projeção para um futuro bem próximo, pretende o Google, segundo o palestrante, disponibilizar máquinas espalhadas por todo o mundo em pontos estratégicos, nas quais o leitor poderá escolher o livro de sua preferência e mandar imprimi-lo na hora. O autor recebe direto na sua conta, automaticamente, a parcela de participação.
Muito resumidamente, sobre um assunto tão instigante, foram algumas das considerações do Prof. Selbach.

A Confraria andava discutindo a questão do e-book exatamente nesse dia, e aproveito para enriquecer esta postagem com, digamos, a série "Debates da Confraria"!

A uma sugestão levantada pelo Fábio:
"Quanto aos livros, acho que a Confraria nasceu antenada com o devir, e pode buscar caminhos para o futuro da poesia: livros impressos, embora sejam uma visão romântica que eu gosto muito, estão com os dias contados. Talvez seja uma boa ideia o lançamento de um livro digitalizado para os i-Pad, o que gerará custos de diagramação, arte final, revisão e composição, mas não da impressão, o que tornará o custo muito mais barato. A virtualização será a marca da Confraria, na sua linguagem do futuro. Acho que a pior fronteira é a que não conseguimos ultrapassar dentro de nós mesmos, nos limites impostos pelo nosso processo sócio-histórico."

Uma primeira resposta :
"Acho ótima ideia, mas discordo com o Fábio de o impresso estar com os dias contados. Os i-Pads são uma nova realidade, mas ainda longe de ser para todos, o mais acessível ainda é o impresso. Tem havido um retorno, inclusive a venda de desktops, ao inverso dos laptops, aumentou em 15%. Pierry Levy tem sido contestado... " ( Analva)

Ao que acrescentou o Confrade Missagia:
"Ainda falta muito para se falar que o livro impresso está com os dias contados. Não só livros, mas jornais, revistas, o que seja. É como o fósforo. Uma ideia simples e, na minha opinião, eterna. Além do que, existe todo uma cultuação em torno de livros, livrarias, sebos, empréstimo de livros e por aí afora. Não sou um ermitão, contrário à tecnologia, mas ela vai ter que se aperfeiçoar muito (e se romantizar e humanizar, até) para criar algo que substitua o livro impresso e toda mística que ele envolve."

E o aporte do Edson:
"Gurizada, beleza a sugestão do Fábio, mas eu não quero morrer sem publicar um livro nos moldes em que publicados quando nasci. É um desejo , tipo desejo de grávida. Acho que devemos aproveitar enquando ainda há árvores. Bites e bytes não faltarão tão cedo."

E o parto anunciado:

Interessante sugestão a do Fábio, porém acredito que o livro impresso ainda é necessário na forma tradicional, aos moldes "papai e mamãe", para marcarmos presença . Essa gravidez não pode esperar muito ... Estamos planejando uma cesárea pro ano que vem...Vamos tirar nem que seja a fórceps...pois o tal rebento da Confraria ta crescido e pedindo cancha! (Jorge)


E você caro leitor , qual sua opinião?

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...