domingo, 21 de setembro de 2014

Prende o Grito! Nós Vai!

Xote Carreirinha, um dos momentos inesquecíveis desse show memorável

Decerto deve ter havido em Jaguarão espetáculos tão inesquecíveis como esse, protagonizado pelos amigos do La Mancha, Borghettinho, Chico Saratt, Mário Barbará e seus parceiros, na última terça, 09 de setembro, no espaço do Centro de Tradições Gaúchas do Rincão da Fronteira.

Quem não se lembra daquele Concerto no Largo das Bandeiras numa fria noite de inverno, em que a cidade silenciou para ouvir o piano de Arthur Moreira Lima, considerado uma das mais importantes personalidades da Cultura brasileira? Como esquecer, no mesmo local, em data mais recente, o show de umas das mais importantes intérpretes de samba da MPB, Leci Brandão? Pode-se olvidar a passagem de Jorge Cafrune, o grande folclorista argentino, numa apresentação que fez no Clube Harmonia lá pelos anos 60? E o rock gaúcho dos Engenheiros do Hawaii num show do Projeto Jaguar nas Ruínas da Enfermaria em 1987?  Ouso imaginar como teria sido impressionante ter participado como ouvinte de alguma roda de bar nalguma esquina de nossa cidade, onde o nosso maior instrumentista, Eduardo Nadruz, o Edu da Gaita, executasse seu mágico instrumento na já distante primeira metade do século XX.

Se todos esses eventos que mencionei são perenes na memória cultural de nossa cidade, este show do La Mancha teve alguns fatos marcantes e peculiares que o fazem destacável. A começar pela via de transporte dos músicos, o veleiro Sabiá, que partiu de Porto Alegre singrando a Dos Patos , a Mirim, e o Jaguarão, até chegar a seu destino cinco dias depois. Capitaneou a galera nessa aventura o Kako Pacheco, percussionista que acompanha o Borghetti desde sempre. A bordo do Sabiá, doze cantarolantes paisanos, trazendo muita farra, gaita, bombo e violão. Contaram, durante o show,  que chegando à tardinha nas costas de uma fazenda na Lagoa Mirim, o Kako pediu ao Borghetti para ir postar-se na proa com sua gaita de oito baixos para que o gaúcho  de ronda pudesse lhes identificar. Afinal, quem no Rio Grande não conhece a imagem desse gaiteiro? E deu certo. Além de não levar chumbo, se rebuscaram com uma churrasqueada hospitaleira renovando as forças para a chegada em Jaguarão no dia seguinte. Enquanto essa dúzia vinha por água, alguns vinham por terra. Caso do Barbará e do seu inseparável parceiro Serginho Souza, que confessaram ter vindo meio no escuro, sem saber ao certo pra que era mesmo. E depois, apareceram o Luiz Marenco da Santana da Boa Vista e daqui da Banda Oriental,  cantando a full,  o  Canário Martinez.

Foi uma noite fantástica, sem dúvida. Se o Kako chefiou o Sabiá, pode se dizer que o Chico Saratt foi o capitão do show com suas tiradas sempre geniais. Muy informal e empolgante e que faz o público sentir-se em comunhão com os cantores.  Para mim, um dos momentos mais marcantes, registrado na foto, foi quando o Barbará cantou O “Xote Carreirinha” acompanhado pela gaita do Renato Borghetti e mais o vocal do Saratt e do Rodrigo Munari, ex participante dos  Serranos. Para se ter uma ideia, me pego cantarolando volta e meia o xote, coisa muito minha , muito nossa!

A viagem pelas águas doces do Rio Grande rendeu música, composta pelo trio Borghetti, Saratt e Munari, e que ficará como o registro poético dessa verdadeira saga cultural dos amigos do La Mancha e que foi executada no inicio e no fim do espetáculo:


Parabéns ao Pessoal do La Mancha por mais este momento inesquecível para a música e a Cultura de Jaguarão!

 Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 17/09/2014

A bordo do Sabiá, veleiro com destino de cantor
Rincão ficou pequeno pra tanta gente que prestigiou o espetáculo
Prende o Grito, Nós Vai!
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