quarta-feira, 30 de julho de 2014

TORNEIO SESQUICENTENÁRIO DA CIDADE DE CAMAQUÃ E 58 ANOS DE FUNDAÇÃO DO CLUBE CAMAQUENSE DE XADREZ

Premiados do Aberto de Camaquã - 2013


Em nome do Clube Camaquense de Xadrez, convido a todos para o TORNEIO ABERTO em comemoração aos 150 anos de fundação da cidade de Camaquã e 58º aniversário do CCX, que conta agora com uma reestruturada e moderna sede, que oferece aos jogadores todo conforto e estrutura ideais para a prática do Xadrez, como ar-condicionado, telão, cadeiras estofadas, elegantes mesas com tabuleiros e lancheria com ótimo serviço.

A premiação total será de R$ 1470,00, além de troféus e medalhas.

As inscrições são antecipadas e limitadas somente aos 40 PRIMEIROS que as confirmarem através dos respectivos depósitos bancários, na sede social ou diretamente com Sr. Thalis Brum pelo f. 3671-2331. Como também Srs. C.L Drose e João C. Orguim. O participante terá seu nome oficializado na lista de inscritos somente após o pagamento da sua respectiva taxa de inscrição. Enviar e-mail para ccxadrez@terra.com.br  informando:NOME, E-MAIL, TELEFONE E CIDADE.

Contamos com a sua presença e apoio na promoção desta iniciativa para o seu sucesso!
Felipe K. Menna Barreto



DATA - 30 de agosto de 2014.
LOCAL – Clube Camaquense de Xadrez – Rua General Zeca Netto 785 – Bairro Centro – Camaquã/RS.
OBJETIVO - Celebrar o sesquicentenário da cidade e 58 anos do CCX através de um grande evento.
INSCRIÇÕES - Serão LIMITADAS AOS 40 PRIMEIROS que as confirmarem através dos respectivos depósitos bancários, na sede social ou diretamente com Sr. Thalis Brum pelo f. 3671-2331. Como também Srs. C.L Drose e João C. Orguim. O participante terá seu nome oficializado na lista de inscritos somente após o pagamento da sua respectiva taxa de inscrição. Enviar e-mail para ccxadrez@terra.com.br informando: NOME, E-MAIL, TELEFONE E CIDADE.

GMs e MIs isentos. ABSOLUTO E SÊNIOR: R$ 50,00 FEMININO, SUB-14 E SUB-18 ANOS: R$ 25,00 No dia 30/08: R$ 60,00 e R$ 30,00;

Todos os e-mails de inscrição serão respondidos informando o valor EXATO da taxa de inscrição a ser depositada, no intuito de identificarmos perfeitamente seu depósito pelos centavos e garantirmos a sua vaga (os valores depositados NÃO serão devolvidos em NENHUMA hipótese).
DADOS PARA DEPÓSITO: Banco Banrisul – Agência 0160 – Conta Corrente 068549790-6
Em nome de: Clube Camaquense de Xadrez – CNPJ: 02295132/0001-13.

SISTEMA DE COMPETIÇÃO - Suíço em 7 (sete) rodadas com o ritmo de 20 min. x 20 min. KO nos relógios analógicos e 15 min. com 5 seg. de acréscimo para os relógios digitais que terão preferência de uso.

CRITÉRIOS DE DESEMPATE - 1º Milésimos Medianos, 2º Milésimos Totais, 3º Berger, 4º Progressivo, 5º Nº de vitórias e 6º sorteio;
ARBITRAGEM - AR João Carlos Orguim.
PREMIAÇÃO - O evento distribuirá um total de R$ 1.470,00 de forma não cumulativa conforme abaixo:

ABSOLUTO
Campeão: 400,00 + T
Vice Campeão: 200,00 + T
3º Lugar: 150,00 + T
4º Lugar: 120,00 + M
5º Lugar: 100,00 + M
6º Lugar: 90,00 + M
7º Lugar: 80,00 + M
8º Lugar: 70,00 + M
9º Lugar: 60,00 + M
10º Lugar: 50,00 + M
11º ao 15º lugar: Medalhas

SÊNIOR (+60 anos)
Campeão: 100,00 + T
Vice Campeão: 50,00 + M

FEMININO, SUB-14, SUB-18 ANOS:
Campeão: T 2º e 3º Lugar: M
  • IMPORTANTE: (MENOS QUE 25 JOGADORES, VALOR DA PREMIAÇÃO SERÁ DE 50%)
  • MATERIAL - Os participantes devem trazer relógio e peça.
PROGRAMAÇÃO - 09:00 – Recepção aos jogadores;
09:30 – Encerramento das inscrições;
09:45 – Congresso Técnico;
10:00 – 1º Rodada; – 11:00 - 2º Rodada - 12:00 – Intervalo de almoço;
13:30 -3º Rodada; 14:30 – 4º Rodada; 15:30 – 5º Rodada; 16:30 – 6º Rodada; 17:30 – 7º Rodada;
19:00 – Cerimônia de Premiação e NIVER 58 ANOS.
PATROCINIO E APOIO – PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMAQUÃ, SECRETARIAS DE ESPORTE E TURISMO.
REALIZAÇÃO - CLUBE CAMAQUENSE DE XADREZ Fone: (51) 3671 – 2331 


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Memórias de o que já não será

Novo livro de contos de Aldyr Schlee tem lançamento na BPP


Em parceria com a editora ARDOTEMPO , a Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) está convidando para o lançamento do novo livro de contos de Aldyr Garcia Schlee, no próximo dia 31. MEMÓRIAS DE O QUE JÁ NÃO SERÁ é a décima obra de ficção  - nove de contos e um romance - do autor nascido em Jaguarão e radicado em Pelotas. A partir das 18 horas, no salão nobre da BPP, Schlee participa de uma conversa com os leitores e, na sequência, de sessão de autógrafos. Com vários prêmios nacionais e estaduais de literatura , o autor publicou seu primeiro livro ( Contos de Sempre) em 1983. Aldyr Schlee atua ainda como tradutor, em especial de autores argentinos e uruguaios. Também versou para o espanhol  obras de João Simões Lopes Neto e Cyro Martins.
 
Confira a programação:
 
O QUE - Edição especial do Conversa Sobre Livros, com Aldyr Garcia Schlee. Lançamento do livro de contos MEMÓRIAS DE O QUE JÁ NÃO SERÁ , conversa com os leitores , sessão de autógrafos e coquetel.
 
QUANDO E ONDE -  31 de julho de 2014, 18 horas,  no salão nobre da Bibliotheca Pública Pelotense - Praça Cel Pedro Osório, 103 , Centro , Pelotas RS.
 
QUEM - Editora ARDOTEMPO e Bibliotheca Pública Pelotense. Apoio Livraria Mundial


Aldyr Schlee - Desenho: Alfredo Aquino
O QUE FOI E JÁ NÃO SERÁ

Debruço-me sobre o que foi: aquilo que foi e já não é. 

O que foi (e já não é) pode ser apenas passado: é aquilo que simplesmente deixou de ser; mas, o que me interessa neste livro é o que foi e já não será, que é mais que passado: é aquilo que não pode mais ser, que perdeu a razão de ser, a finalidade de ser, e que não adianta ser – porque está definitivamente perdido por falta de serventia ou de utilidade (condenado como objeto ao mofo dos antiquários ou à catalogação dos museus; esquecido, como fato, pela necessidade de olvido; e abandonado, como ocupação, pela perda de propósito e de sentido).

Aldyr Garcia Schlee
Capão do Leão
Primavera de 2013
 
TEXTO CONTRACAPA "MEMÓRIAS DE O QUE JÁ NÃO SERÁ"
Aldyr Schlee ( trecho)
 
No dia em que ele atravessou a Ponte sozinho só por atravessar, sem ter nada que fazer aqui, ele quase que pensou uma porção de coisas. Chegou a parar bem no meio, no meio do rio – com um pé no Brasil, outro no Uruguai; chegou a se debruçar na balaustrada. Olhou bem em frente, vendo o rio que se perdia na curva ali adiante; voltou-se para lá, de onde vinha; virou-se para cá, para onde ia. Estava sem ter o que fazer, sozinho. Quando parou, debruçado na balaustrada, foi como se achasse graça de estar ali, olhando o rio correr; foi como se pudesse entender que tudo fazia diferença, mas nada era importante.
                                                                                                                 
Sorriu ao ver a sombra da Ponte como que passando, também, como o rio – e nela a própria sombra presa à Ponte, passando como a Ponte e como o rio. Era como se o rio se refizesse ali na sombra da Ponte, como se a sombra se fosse mas já não fosse, como se ela nem passasse e ficasse, sem ter ido, porque sombra; mas indo, porque rio.

Ele sentiu algo esquisito por dentro – nem arrepio nem enjôo nem sufocação nem tonteira, mas diria que um pouco disso tudo junto, como se ali tivesse deixado de viver por um instante; melhor: como se nesse mesmo instante ali tivesse vivido demais, tivesse vivido demais para um vivente.

 
Sobre o autor:

ALDYR GARCIA SCHLEE

Fronteiriço de Jaguarão, o escritor Aldyr Garcia Schlee é um autor bilíngue, que escreve e publica sua obra tanto em português como em espanhol. Como ficcionista, venceu a I Bienal de Literatura Brasileira (Contos de sempre), a II Bienal (Uma terra só), e foi finalista do Prêmio Casa de las Américas, em Cuba (Linha Divisória). Recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura em 1997, 1998, 2001, 2010 e 2011, primeiro com a tradução de Facundo, de Sarmiento; e depois com os livros Contos de futebol, Contos de verdades, Os limites do impossível e Don Frutos. Este, um romance lançado pela edições ardotempo, em 2010, foi considerado o Livro do Ano, pelo jornal Zero Hora; sendo o autor distinguido como Fato Literário de 2010, em concurso da Rede Brasil Sul de TV - RBS TV

De Aldyr Garcia Schlee a edições ardotempo publicou, em 2011, as reedições de Contos de futebol, Contos de verdades e Uma terra só (nome este dado a uma rua de Jaguarão, em homenagem ao autor). Ainda em 2011, a ardotempo editou a tradução comentada de Schlee do Dom Segundo Sombra, de Ricardo Güiraldes; e em 2012, a 2ª edição em português de O dia em que o Papa foi a Melo (El dia en que el Papa fue a Melo fora editado originalmente em espanhol pela Banda Oriental, Montevidéu, assim como Cuentos de Fútbol). Antes desta edição de Memórias de o que já não será, da reedição de Linha divisória e da edição comemorativa de Contos de Sempre, em 2013 foi editado o inédito livro de contos de Schlee Contos da vida difícil.

Schlee é doutor em Ciências Humanas. Foi dese-nhista profissional (vencedor de Concurso Nacional para a escolha do uniforme da seleção brasileira de futebol), jornalista (Prêmio Esso de Reportagem), e professor da Universidade Católica e da Universidade Federal de Pelotas (até 1992). Depois atuou como professor visitante do Programa de Pós Graduação em Letras da PUCRS, em Porto Alegre. Foi Consultor Jurídico do Ministério das Relações Exteriores (1976-77) para a redação final do Tratado da Lagoa Mirim, firmado entre Brasil e Uruguai.

(Editora ardotempo)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O varejão evangélico e a sessentona sexy



Vi no centro de Porto Alegre a placa de uma loja: Varejão Evangélico. Vi o anúncio de uma massagista nos classificados do Correio do Povo: Sessentona de Cachoeirinha. O que será que o Varejão Evangélico vende que outros não vendem? Se a moda pega, logo teremos produtos orgânicos evangélicos, refrigerantes zero açúcar e zero tentação, tudo benzido ainda por cima. Isso me lembra de uma campanha bolada por um amigo meu, a Coleção Nosferatu Infantil, com brinquedos para a Romênia. Mas um caderno em forma de ataúde e um lápis que também serve de estaca, ou pasta de dente com sabor de sangue, não dão pra saída, convenhamos.

Quanto à Sessentona de Cachoeirinha, ela diz que faz o diabo a quatro, até inversão. Eu, o sessentão da Vila Nova, não tenho ideia do que seja essa tal de inversão, mas temo que a coisa acabe em torcicolo ou numa crise de ciático ou mesmo numa bacia deslocada. Depois talvez dê para brincar de adeus às armas, quer dizer, de paciente e enfermeira, seu ignorante. De qualquer forma incluí a dita inversão na minha lista de alegrias da melhor idade.

Senti, de um modo obscuro, que há uma ligação entre o Varejão Evangélico e a Sessentona de Cachoeirinha. Mas qual, além da óbvia promessa de uma realização intangível? Será que a Sessentona é tia do dono do Varejão? Não sei. São misteriosos os caminhos do Senhor.

Inteligências e burrices múltiplas
O conceito das inteligências múltiplas pegou, me parece que com razão. Eu, pelo menos, sou bem espertinho para umas coisas, mas até hoje tenho problemas com a tabuada do sete pra cima, por exemplo. Agora, o que há de reconfortante nesse conceito tem também de amedrontador, basta olhar para ele de trás pra frente: as burrices múltiplas. Se fizermos direito as contas, é possível descobrir que somos estúpidos em muito mais coisas do que somos inteligentes. Vou mais longe. Não só não somos inteligentes em tudo, como nem sempre somos inteligentes no que somos comprovadamente inteligentes. Qualquer coisinha do dia a dia pode nos desafinar, uma noite mal dormida, um desencontro, uma chuva, um esquecimento, uma broxada. Quantas vezes uma amizade ou inimizade nos obscureceu o raciocínio? Os famosos testes de QI são ótimos, quando aplicados em máquinas.

QBS
Sempre desejei ver um teste que medisse nosso quociente de bom senso. Acho bom senso mais importante que inteligência. Ou bom senso é um tipo de inteligência? Leva jeito de ser. Mas o diabo é que o bom senso sofre da mesma precariedade. Vi mais de uma vez pessoa de comprovado bom senso cometendo desatinos como qualquer papalvo ou doidivanas.
Em literatura, por exemplo, o bom senso não recomenda usar palavras como papalvo e doidivanas. Por falar nisso, em literatura o bom senso é um bom guia em matéria estilística, uma ferramenta pra hora de passar a limpo, mas pouco mais. Os melhores livros nasceram de apostas loucas, de aventuras extravagantes, de delírios, de pesadelos.

Anúncios fúnebres
Notei que os anúncios de falecimento ou convite para missa de sétimo dia costumam sair no rodapé da seção de polícia dos jornais. Por quê? O mistério é metafísico ou essas páginas são mais baratas apenas? Notei outra coisa também: nomes como Carlinda, Estranzulina, Herculano ou Libânio são vistos apenas nesses anúncios. Jamais se viu uma Estranzulina viva e atuante. Essa gente parece sair do nada direto pro cemitério. O pior é que as fotos que ilustram os anúncios são típicas. Mesmo fora de contexto, sabemos: trata-se de defunto.

Paternalismo
Vi muitos empresários dizerem que o povão não deve ver no Estado um pai, mas, sim, botar o pé na rua e se virar em nome da livre concorrência. Mas vi esses mesmos empresários mamando nas tetas do Estado a vida toda. Oquei, oquei. É preciso ver uma mãe no Estado, não um pai. Que cabeça a minha.

Choros
Quem não chora não mama, como dizia o bebê de Rosemary.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

E houve Copa


Por Jorge Passos
Volta e meia sinto que aquilo que poderia escrever, já foi escrito antes. E muito melhor. É o que acontece esta semana. Nada mais apropriado então, do que reproduzir o texto do Fernando Brito, do Blog Tijolaço, “ O Brasil, que bom, não é selvagem como suas elites”, sobre a Copa do Mundo no Brasil.

Os compromissos do Governo para a realização do torneio foram cobrados, questionados, atacados, duvidou-se de seu sucesso até o último instante e o último detalhe. A mídia brasileira vibrou com o “chute no traseiro” que Jerôme Valcke, da Fifa, recomendava fosse dado no governo brasileiro, a mesma Fifa que, pelos seus “padrões” elegia Luís Felipe Scolari como o terceiro melhor técnico de seleções e anunciado até como um possível treinador do Barcelona no pós-Copa. A Veja garantia: “Felipão, que costuma ser classificado como um conservador do futebol, promoveu sua revolução na seleção no mês de junho, injetando juventude e ousadia na equipe e fazendo apostas certeiras. Ninguém mais teme um vexame histórico em casa em 2014″.

Agora, comemoram sadicamente o “vexame histórico”.Os “sabidos” sabiam tudo e, quando ocorre o inverso do que previam, nem sequer a dignidade de sofrer junto com o povo brasileiro conseguem ter. Tudo, agora, é tentar tirar pelo fracasso futebolístico o que tentaram (e em parte conseguiram)  pelo suposto e imaginário fracasso organizativo da Copa. A capa de ontem de O Globo, substituindo o “não vai ter Copa” pelo “não vai ter Olimpíada”, daqui a dois anos, é a mais perfeita tradução do pensamento mesquinho dessa elite.

Louvam a Alemanha por um projeto de dez, 15 anos para reerguer seu futebol, com vários insucessos pelo caminho, mas gritam histericamente com um resultado mensal de inflação ou contra um lucro mais modesto da Petrobras no trimestre, mesmo sabendo que isso é para alcançar a fartura do pré-sal.

O Brasil não é apenas melhor do que sua seleção foi na Copa. O Brasil fez a mais encantadora – para o mundo, embora tão sofrida para nós – Copa do Mundo da história e a fez contra sua mídia e contra a sua elite. Recebeu gente do mundo inteiro com alegria, carinho e civilidade. Aliás, recebeu também a derrota esportiva avassaladora com profunda tristeza, mas não com ódio.

Tirando os mal-humorados crônicos, estamos todos orgulhosos.

As minorias coxinhas, babacas, que tinham “bala” para estar no Maracanã – agora um estádio “padrão Fifa”, onde pobre não entra – soltaram seu recalque nos xingamentos grosseiros, outra vez.

Porque o campo de guerra, no futebol, é o campo, não o estádio, nem as ruas, nem a cidade, nem os países. A Copa do Mundo é uma festa, muito mais do que uma guerra; um congraçamento, muito mais do que a disputa que se dá nos 90 minutos, ou na prorrogação, ou nos pênaltis. Não temos a taça, não ficamos com a moça mais bonita na festa que realizamos. E a festa, na vida humana, já disse Leonardo Boff, é o tempo mais forte da vida. Festejamos como ninguém, com direito a um domingo em que o céu amanheceu azul e branco e que deixou a noite chegar em tons amarelos, vermelhos e negros. E, com todas as cores do mundo, mais profundamente brasileiros.  

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 16/07/2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

Bibliotheca Pública Pelotense inaugura Setor de Literatura Uruguaia



Juntamente com os parceiros institucionais e apoiadores, a Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) convida para a inauguração do SETOR DE LITERATURA URUGUAIA, no próximo dia 18 DE JULHO, conforme programação abaixo detalhada.

O QUE- Abertura ao público do Setor de Literatura Uruguaia da Bibliotheca Pública Pelotense.

QUANDO E ONDE - 18 de julho de 2014, no espaço térreo da Bibliotheca Pública Pelotense - Praça Cel Pedro Osório, 103 , Centro , Pelotas RS. .

QUEM - Bibliotheca Pública Pelotense, com apoio institucional do Departamento 20 / Conselho Consultivo Pelotas e Região e AURPAGRA - Associação dos Uruguaios Residentes na Pátria Grande.

PROGRAMAÇÃO
11 horas: Ato formal de abertura do novo espaço
18 horas:Conversa Sobre Literatura Uruguaia- com Aldyr Garcia Schlee.

SOBRE A INSTITUIÇÃO- Sociedade civil criada em 14.11.1875 por um grupo de republicanos , a Bibliotheca Pública Pelotense oferece acesso público e gratuito a um acervo de cerca de 200 mil livros e a uma coleção de mais 30 mil períódicos de especial interesse para pesquisadores por abarcar, de forma continua, 140 anos de história de Pelotas e região. Ocupa, no centro histórico da cidade, um prédio próprio de 1340 metros quadrados, construído em etapas entre 1878 e 1915. A criação do Setor de Literatura Uruguaia da BPP representa sequência da linha de atuação adotada em 2003, com a criação doProjeto Cultural América & Pampa, direcionado à interação cultural com a América da fala espanhola e, em particular, com o vizinho Uruguai.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Relembranças

Sempre que venho a Jaguarão e tenho tempo disponível, dou uma caminhada sem rumo pela cidade. Transito de preferência pelas ruas menos movimentadas, só ou bem acompanhado. Aproveito, nessas relembranças, para desafiar a saudade que, no túnel do tempo, me joga ao passado - e lá vão algumas décadas. Com isso retorno a alguns caminhos que pisei com os mesmo pés que tenho hoje, mas olhei com outros olhos: os de quem apenas começava a pensar em trilhar outras sendas deste mundão danado de grande para a cabeça do guri de cidadezinha. Neste transitar pelo passado, vou recordando coisas que me trazem alegria ou mexem em cinzas do que não gostaria de lembrar.

Mas não tinha intenção de falar de mim. Quero falar da cidade. Confesso que uso um truque contextual - digamos assim - para criar um clima de Jaguarão do passado. Em uma conversa, quando me refiro a algum local, falo como se tivesse voltado no tempo. Quando explico alguma coisa, digo "Ali no centro, defronte à Farmácia Graciliano". Ou, "Perto da Miscelânea". Ou, "bem pertinho da Confeitaria São José". Desse jeito vou trazendo um pouco da história da cidade para a rememoração daquilo que foi uma referência que todos conheciam.

Em matéria de saudosismo e competência para transferir para a escrita a história do quotidiano da cidade, meu amigo José Alberto de Souza é a lembrança perfeita. Quem já leu qualquer de seus livros sabe do que estou falando. Quase a totalidade de sua obra conhecida, refere-se a sua vivência na Jaguarão que sempre leva no peito, embora permaneça distante dela. Já disse no meu blogue que ele é "meu saudosista predileto" e meu parceiro de papos e reminiscências jaguarenses em longas tardes porto-alegrenses em torno de xícaras de cafezinho já vazias ou taças de bom vinho tinto.

Há poucos dias, em um destes meus passeios, chamei a atenção de minha companheira para o fato de que Jaguarão é uma bela cidade com muitas coisas para mostrar aos visitantes, mas é uma cidade melancólica (De momento não acho outro termo apropriado). Chegamos à conclusão de que "a cidade das belas portas não abre suas janelas", como se as casas não fossem habitadas.

Nessas minhas relembranças e fantasias gosto de imaginar que, um dia, nossa cidade vai apresentar-se também cheia de cores, adornada das mais variadas flores e, então, nós e os nossos visitantes vão ser cativados pela beleza natural que lhe estaremos proporcionando. Falei desse meu sentimento com o Cléber Carvalho (também um companheiro de muitas digressões em meus dias jaguarenses) mas ele não me acompanha nessa ideia. Entendo que a cidade serrana tem um pensamento coletivo mais aperfeiçoado do que o nosso, porém, também tenho a esperança - quase uma convicção - de que essa fase de integração ao mundo cultural porquê passa Jaguarão (por motivos vários) deve conduzir-nos a uma mudança de comportamento. Isso nos há de trazer uma nova mentalidade que terá preocupações com a estética como forma de transmitir uma melhor acolhida aos que chegam aqui procurando nossas características próprias.


Eu passarei. Nós passaremos. Jaguarão permanecerá, acompanhando o tempo, mas guardando a nostalgia de uma antiga povoação com seus traços coloniais cheios de mensagens dos que aqui estiveram antes de nós. Nosso compromisso deve ser conservá-las para aqueles que vierem depois de nós.

Wenceslau Gonçalves

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 09/07/2014


quinta-feira, 10 de julho de 2014

"De como o Fórum do Patrimônio Histórico e Cultural de Jaguarão (2009) levou ao que chamo Renascer Jaguarense"


Prof. Carlos José de Azevedo Machado (Maninho)
Mestrando em Memória Social e Patrimônio Cultural/ICH/UFPEL


Em abril de 2009, quarto mês da gestão da Secretaria de Cultura, onde tive o privilégio de estar no comando de uma excelente equipe por 19 meses, organizou-se o Fórum do Patrimônio Histórico e Cultural de Jaguarão que aconteceu de 01 a 04 de abril daquele ano. A ideia surgiu nos primeiros dias de janeiro, quando nos fizemos a seguinte pergunta: E agora "cara pálidas"? pergunta feita em relação ao quê fazer com o Patrimônio histórico cultural desta cidade, o qual tem um significado enorme, e encontrava-se em processo de deteriorização e/ou um aparente esquecimento de sua importância. Antes, levantávamos as bandeiras como ativistas ou professores, mas não havia um sinal firme e afirmativo por parte dos poderes públicos da cidade em partir para uma prática mais consistente. Mas agora a coisa era conosco. Então, fomos à obra. Em contato com o Iphan1, através da presidente da regional Sul, Arquiteta Ana Lúcia Meira, fizemos as primeiras conversas. Sentimos a vontade e o desejo por parte daquele órgão, e em especial da Ana Meira, em trabalhar com esta cidade. Então construímos este Fórum com participação de gestores da região e integrantes do Iphan de Brasília e da região sul. Até chegarmos ao evento, já havíamos construído uma parceria com a Unipampa-campus Jaguarão, através da então diretora Profª Maria de Fátima Bento Ribeiro, a qual teve uma grande importância nesta caminhada.

Construído esta etapa, descobrimos de antemão da necessidade do Iphan em escolher um local para sediar o chamado Centro de Interpretação do Pampa. Assim o Fórum, além de colocar Jaguarão no mapa deste órgão, serviu para consolidar a cidade, em especial, as ruínas da Enfermaria Militar, no alto do cerro da Pólvora, como o local ideal para o Centro. Além disto, garantiu a vontade política do Iphan de abraçar a primeira fase do Teatro Esperança, hoje já no processo final da segunda fase.

Fórum
O Fórum consistiu em vários painéis com experiências de outras cidades como Bagé e Rio Grande. Apresentou-se o projeto de Restauro do Teatro Esperança, através do Arquiteto William Pavão além de vários painéis com professores e especialistas da área2. A mim foi solicitado a apresentação dos Projetos Jaguar (inicio da década de 80) e Jaguararte (Projeto da SIC3, colocado em prática no início dos anos 90). 

Com presença de alunos de uma escola municipal além das autoridades e convidados, aproveitei para colocar o desafio de envolver toda a comunidade com este tema, uma vez que sem isto, não haverá compromisso nem paixão para proteger seu patrimônio histórico e cultural, até porque muitos não o enxergarão como seu.
Dos resultados do encontro, talvez um dos mais visíveis, aconteceu em uma reunião fora da programação, numa pequena sala do histórico prédio da Casa de Cultura. Nele estavam presentes além de mim e o prof. Alan de Mello4, (pela Secult5), Maria de Fátima B. Ribeiro (diretora da Unipampa), Profª Maria Beatriz Luce (então reitora da Unipampa), Ana Lucia Meira (Iphan) e, se a memória não me falha, Beatriz Muniz Freire (historiadora do Minc). Na ocasião selamos a ideia do Centro de Interpretação do Pampa no local onde se encontravam as ruínas da Enfermaria Militar de Jaguarão. Mais do que isto, garantimos que a gestão seria feita pela Unipampa. Esta ideia já vinha sendo amadurecida, partindo de uma premissa básica: As Administrações Municipais tem uma rotina de mudanças mais rápidas, onde muitos projetos não gozam de continuidade por falta de vontade política entre uma gestão e outra. Já nas universidades, apesar de possibilidades de mudanças políticas no governo central, elas gozam de uma estabilidade muito maior. Isto garantiria que o CIP6 seguisse seus passos independente do "humor" das gestões do município. Além do próprio custo de manutenção que seria quase impossível para um município com pouco mais de 30 mil habitantes.

Este pequeno artigo tem dois intuitos: Um é ajudar a entender um pouco de como se chegou a escolha do local do CIP na cidade de Jaguarão, haja vista que poderia ser em qualquer outra cidade do pampa. E outro é o de ajudar a entender o como é importante pensar e planejar o lugar onde queremos chegar, buscando parcerias positivas para que as coisas aconteçam. Este Fórum é um bom exemplo, mas obviamente que foi um processo que não se resumiu aos 4 dias que ele ocorreu. Por fim, o Seminário Internacional do Bioma Pampa em setembro de 2009, também discutido no Fórum, a criação da Associação das Cidades Histórica do Rio Grande do Sul (2009), o tombamento nacional do Centro Histórico em 2011, a escolha de 11 projetos de restauro no PAC das Cidades Históricas em 2013, possibilitando 40 milhões para estas obras, são exemplos de que quando pessoas interessadas na formação de uma amanhã melhor, se encontram nos lugares certos, com certeza vão pensar e elaborar projetos que abrirão novos horizontes, no caso do município de Jaguarão, talvez a abertura de um processo maior o qual chamo de Renascer Jaguarense.

1 Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
2 Entre outros podemos citar: Professores Fábio Vergara Cerqueira, Ester Judite Bendjouva Gutierrez e Ana Lucia Costa de Oliveira (UFPEL), Roséli Safons (então Secretária de Cultura de Bagé), Robsom Almeida (na época, pelo Projeto Monumenta), Aldyr Garcia Schlee (escritor) e Prof. Andrey Rosenthal Schelle (Universidade de Brasília).
3 Sociedade Independente Cultural, fundada em 16 de fevereiro de 1987.
Mestre em Memória Social e Patrimônio Cultural (UFPel), na época Diretor do Patrimônio Histórico, e parceiro fundamental na idealização deste evento. Atualmente é Professor da Unipampa.
5 Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Jaguarão.
6  Centro de Interpretação do Pampa
 





sábado, 5 de julho de 2014

E assim criamos o Mito “Obdúlio Varela”

É tempo de Copa do Mundo e me ponho a reflexionar em cima de minhas lembranças sobre esse evento. Sinceramente, para mim esse certame já acabou em 1970 com a conquista definitiva pelo Brasil da Taça Jules Rimet, aquela mesma que foi roubada da sede da CBF e sumariamente derretida pelos larápios. Embora discutível, era minha opinião que nosso país passasse a ocupar uma posição de “hors concours”, dando oportunidade a que outros também chegassem ao tricampeonato e se habilitassem a uma disputa com nossa seleção canarinho. Mas reconheço que, se assim fosse, estaria se privando às novas gerações o gostinho de levantar mais um caneco.

Apesar dessa minha divergência, nunca deixei de acompanhar o desempenho de nossos atletas nas competições de futebol. E o que tenho visto nas últimas Copas não chega a me entusiasmar face o acentuado declínio técnico dos participantes em geral, a maioria dependendo da genialidade do principal jogador de sua equipe. Isso que são regiamente remunerados para exercer uma honrosa função. Nosso selecionado está ai todo enxertado de jogadores que atuam no Exterior, à exceção de alguns poucos oriundos de quadros nacionais, classificando-se a duras penas (e até com ajuda da arbitragem) numa das chaves mais fáceis da atual Copa do Mundo. Haja tremedeira...

Até algum tempo atrás, ainda guardava como relíquia uma edição extra de “A Noite Ilustrada” que circulou na véspera da decisão de 1950 entre Brasil e Uruguai, tendo estampada na capa em letras garrafais a manchete “BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO” em flagrante desrespeito ao adversário. Favas contadas, vivia-se um clima de oba-oba, todo mundo querendo tirar casquinha em cima de nossos craques, que assim viam aumentar sua ansiedade em relação ao jogo. Preservação da equipe, nem pensar, até tiveram que aguentar, por imposição do técnico Flávio Costa, uma missa de mais de uma hora de duração, rezando em pé. A politicagem imperava sobre o grupo.

No lado uruguaio, alguns dirigentes só queriam não perder de goleada, o empate já estava de bom tamanho, com o que se rebelou “El Capitán” Obdulio Varela, comandando a reação sobre nossa vantagem de empate de 0x0 do primeiro tempo, já no intervalo da partida, dentro dos vestiários. Um “maracanazo” que calou as vozes daquelas inoportunas provocações, sepultando as esperanças de milhões de brasileiros. Porém, esses “futurólogos” ufanistas não foram capazes de assumir seu equívoco perante a opinião pública e descarregaram toda sua irresponsabilidade ao buscar algum “bode expiatório” pelo ocorrido, crucificando de forma desumana Barbosa e Bigode.

Recém tinha nascido para o futebol e comecei adorar aqueles ídolos fantásticos como Barbosa(V), Augusto(V), Juvenal(Fa), Bauer(SP), Danilo(V), Bigode(Fa), Friaça(SP), Zizinho(Ba), Ademir(V), Jair(P) e Chico(V), além daqueles grandes coadjuvantes Castilho(Fu), Nilton Santos(Bo), Nena(I), Eli(V), Rui(SP), Noronha(SP), Alfredo II(V), Maneca(V), Baltazar(C), Adãozinho(I) e Rodrigues(P). Quer dizer, dois craques em cada posição para dar e vender, não tinha erro. Mas faltou humildade para os líderes das classes dirigentes do país, que contaminaram com a sua imprevidência toda estrutura montada para aquele desfecho mais favorável, coroando a melhor campanha da nossa seleção em toda a Copa de 1950.

Parecia um jogo jogado, ninguém se dava conta que os uruguaios entravam em campo de sangue doce, era nossa a obrigação de vencer. Uma tremenda sobrecarga emocional pairava sobre o elenco brasileiro. Mesmo assim, já aos 2 minutos, Friaça abria o placar com nosso tento de honra. Esta foi a gota d’água que transbordou o copo do orgulho “celeste”. Anunciava-se uma enfiada, jamais admitida por “Dom” Obdulio que correu rápido para apanhar a bola no fundo das redes, voltando logo ao meio de campo para repô-la em jogo, e aos berros incitando seus companheiros “vamos a ganar, a ganar ese partido!”

José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em  02/07/2014