quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Na corrente

Foto: Analva Passos

"Não sou eu quem me navego
Quem me navega é o mar"


Espero vocês nos mares do sul !

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sugarranha, arranhasuga

O Beijo - Francis Picabia



Um dia antes de nascer um anjo me disse:

Vai loira, vai ser trouxa na vida!


Só que o anjo não sabia,

O que tinha escondido...

O cabelo era tinta,

Mas o terço bizantino.


Assim ela nasceu,

Careca de dar dó,

Teve o couro cabeludo

besuntado de xodó.


Era como a princesinha

De contos de fada e só

Mas o lobo apareceu

E felicidade lhe prometeu.


Não é que o malvado lobo

Só queria sua cestinha?

Comeu todos os biscoitinhos,

Da casa da vovozinha!


Um dia aquela situação

Foi pro espaço com uma revelação.

O anjo reapareceu

E um beijo lhe deu.


Disse que fora louco

De dizer tanta maldição

E que era na verdade

um baita dum bundão.


Ela logo percebeu

Que anjo não cai do céu

Toda aquela saudade

Era pura insolação.


Podia ser o lobo disfarçado de capitão.

Foi aí que ela sentiu,

Seu peito arrebentar,

Doeu tanto, tanto, tanto

Que seu riso fez-se pranto.


Depois de tanto chorar

A bobinha se calou,

Não falou um palavrão

E meteu-se num porão.


Por lá ficou até a raiva passar,

Pode vir anjo, pode vir lobo,

Vais comer do meu passar,

E não mais enganar...


Ainda penalizada

Dela mesma e da passarada

Gritou pro anjo- lobo

Sua tampa ta amassada!!!


Analva Passos (set 2010)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PEDRO MUNHOZ - ENCANTORIA


FRONTEIRA ME VOY - PEDRO MUNHOZ


Quando a noite se aproxima,
Chega a hora da partida
E uma saudade doida,
Toma conta de mim.
Apesar dessa distância,
Coração feito criança,
Ruma junto co’as lembranças,


Fronteira me voy, me voy, me voy,
Me voy, me voy..


Na despedida do dia,
Um ar de melancolia
Invade o Taim com a neblina
E lá se “vâmo” nós.
Pela estrada que margeia,
A vida da gente campeia,
a lua o banhado clareia,


Fronteira me voy, me voy, me voy,
Me voy, me voy..


Coração e peito aberto,
Lá se vai um cantador.
O destino dos incertos
É o rumo deste sonhador.
Coração e peito aberto,
Coragem que se faz canção,
Pouco importa o que é certo
Vida e arte é uma só missão
Sina de viver artista,
Amigos de igual caminho

Cantigas na beira do fogo,
Somos todos iguais.
Olhares perdidos nas chamas,
Na certeza de quem ama,
Caranga nos canta "una zamba”.
Fronteira me voy, me voy, me voy,
Me voy, me voy..
Segue o artista popular
Munido de intuição,
Vai em busca do pão,
Noites e noites, Bar i Bar
Pensa em tudo que se foi
A vida que nasceu de novo.
Ser livre é cantar para o povo,
Fronteira me voy, me voy, me voy,
Me voy, me voy..
Coração e peito aberto,
Lá se vai um cantador.
O destino dos incertos
É o rumo deste sonhador.
Coração e peito aberto,
Coragem que se faz canção,
Pouco importa o que é certo
Vida e arte é uma só missão...


Vai chegando a hora da partida e uma saudade doída...

Esta é a faixa 16 do Encantoria, primeiro CD do amigo e trovador Pedro Munhoz gravado ao vivo em 1998, no Teatro do Círculo Operário Pelotense. Aliás, primeiro CD gravado ao vivo em Pelotas e sul do estado. Verdadeira obra prima da música popular . Música da terra, Planeta Terra!

Visite http://www.pedromunhoz.mus.br/

http://pedromunhoz-ocantardeumtrovador.blogspot.com/

domingo, 26 de setembro de 2010

Sophia de Mello Breyner Andresen



É considerada a maior poetisa Portuguesa do século 20.


Sobre ela diz Alberto Lacerda Távola Redonda, no livro Sophia de Mello Breyner Andresen , " Obra poética I" :

Poeta do mundo exterior e da realidade metafísica, da consubstanciação profunda com o real múltiplo - verdadeiro poeta pagão no que esta palavra possa ter de mais grave, sacral. A sua poesia é de raiz trágica pois tem a lucidez constante e agudíssima das antinomias. A sua fome de absoluto é um desejo de realização e não de fuga.



A Bethânia tem um disco " Mar de Sophia" com poemas da poetisa:


" Quando eu morrer voltarei pra buscar

os instantes que não vivi junto ao mar"


MARINHEIRO REAL


" Vem do mar azul o marinheiro

vem tranqüilo ritmado inteiro

perfeito como deus alheio às ruas"


MAR SONORO


" Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.

A tua beleza aumenta quando estamos sós

E tão fundo intimamente a tua voz

Segue o mais secreto bailar do meu sonho

que momentos há em que eu suponho

Seres um milagre criado só pra mim"


O ironico é que um dia passando por Lisboa rumo ao Brasil vejo estampada na primeira página dos jornais, no aeroporto, a notícia da morte de Shophia. Busco nas duas ou três livrarias do aeroporto os seus livros e nada encontro, só recebo uma expressão generalizada de assombro diante da pergunta que faço: tens algum livro de Shophia de Mello Breyner ? Não, mas o Código Babince está alí. Ou o senhor prefere "A fortaleza"?


Mário Cerqueira (Barcelona)

sábado, 25 de setembro de 2010

Eneida Marta - Guinea Bissau


Eneida Marta apresentou-se em Brasília no Projeto "Nossa Língua, Nossa música" , países lusófonos. Fabuloso!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

PEDRA CAPITAL


PELAS PEDRAS DE PELOTAS

PASSA PAULO DA PENSÃO

PISAM POMBAS PROSTITUTAS

PEDRO-PAULO DA PRISÃO


PELAS PEDRAS DE PELOTAS

PISAM PÉS PERDIDAMENTE

POUSAM PENAS CAPITAIS

PODRES PREÇOS PERTINENTES


PELAS PEDRAS DE PELOTAS

PASSAM POBRES PROCISSÕES

PENETRANDO PELA PEDRA

PELEANDO POR PAIXÕES


Rafael Cabral Cruz - Jorge Passos

(Candómbe do Sant'Ofício composto em meados de 1984, quando as pedras do centro histórico de Pelotas ainda não haviam sido ocultadas pelo asfalto. )

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Depois do frio

Foto: Joseana Silva


Entre uma palavra e outra,

Aquela tarde de inverno chegava ao fim,

O sol vermelho misturava-se,

Às sensações acesas daquele sentimento sobrevivente.


Tudo tinha um sentido, um motivo,

As frases soltas refletiam num rascunho.

Os versos falavam alto no eco das paredes vazias,

Nas fachadas frias daquele dia de Setembro.


Indiferente ao clima e a tudo,

Viajava em pensamentos mudos,

Que a memória trazia, insistia.


Nas entrelinhas uma esperança desbotada,

E um sonho vencido pelos dias frios,

Daquele inverno, que aos poucos deixou de ser.


Daniel Moreira

Jaguarão - uma cidade preservada




Jaguarão, fronteiriça e gaúcha;

o tempo fala nas portas,

o vento chia nas esquinas,

o rio conta histórias,

pulsa a cidade no coração das gentes.


Jorge Passos

Visite: http://turismoemjaguaraors.blogspot.com/

terça-feira, 21 de setembro de 2010

REMINISCÊNCIAS

Foto: J. Passos e Fabio Oliveira



Lampadinhas geniais

Iluminai nossa toada,

Fulgurai seres

Questionadores.


Lampadinhas pungentes

Lampejos frenéticos

Gostos estéticos

Pelas letras refringentes.


Iluminai as letras,

Guiai-as aos olhos

Escorrendo entre

Aventuras e tretas.


Esquivai-nos

Lampadinhas,

De rompantes

De estrelas.


No rumo de ler

Rumo de pensar

Vida de escrever

Talvez ser... lampadinha.


Fábio Oliveira

Quijote e o Monstro das Horas

Foto: J. Passos



No grito ritmado das cigarras
Vai a trotezito lento
Por entre as alamedas pavimentadas.


Segurando o jogo
Na bandeira de escanteio.


Matando o tempo.


Degrau após degrau


Subindo.


Degrau após degrau


Descendo.


Afinal,
O processo é infindo.


Espera consolidação.

Jorge Passos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Los gauchos

arte: sitedepoesias.com



Quién les hubiera dicho que sus mayores vinieron por un mar, quién les hubiera dicho lo que son un mar y sus aguas.
Mestizos de la sangre del hombre blanco, lo tuvieron en poco, mestizos de la sangre del hombre rojo, fueron sus enemigos.
Muchos no habrán oído jamás la palabra gaucho, o la habrán oído como una injuria.
Aprendieron los caminos de las estrellas, los hábitos del aire y del pájaro, las profecías de las nubes del Sur y de la luna con un cerco.
Fueron pastores de la hacienda brava, firmes en el caballo del desierto que habían domado esa mañana, enlazadores, marcadores, troperos, capataces, hombres de la partida policial, alguna vez matreros; alguno, el escuchado, fue el payador.
Cantaba sin premura, porque el alba tarda en clarear, y no alzaba la voz.
Había peones tigreros; amparado en el poncho el brazo izquierdo, el derecho sumía el cuchillo en el vientre del animal, abalanzado y alto.
El diálogo pausado, el mate y el naipe fueron las formas de su tiempo.
A diferencia de otros campesinos, eran capaces de ironía.
Eran sufridos, castos y pobres. La hospitalidad fue su fiesta.
Alguna noche los perdió el pendenciero alcohol de los sábados.
Morían y mataban con inocencia.
No eran devotos, fuera de alguna oscura superstición, pero la dura vida les enseño el culto del coraje.
Hombres de la ciudad les fabricaron un dialecto y una poesía de metáforas rústicas.
Ciertamente no fueron aventureros, pero un arreo los llevaba muy lejos y más lejos las guerras.
No dieron a la historia un sólo caudillo. Fueron hombres de López, de Ramírez, de Artigas, de Quiroga, de Bustos, de Pedro Campbell, de Rosas, de Urquiza, de aquel Ricardo López Jordán que hizo matar a Urquiza, de Peñaloza y de Saravia.
No murieron por esa cosa abstracta, la patria, sino por un patrón casual, una ira o por la invitación de un peligro.
Su ceniza está perdida en remotas regiones del continente, en repúblicas de cuya historia nada supieron, en campos de batalla, hoy famosos.
Hilario Ascasubi los vio cantando y combatiendo.
Vivieron su destino como en un sueño, sin saber quienes eran o qué eran.

Tal vez lo mismo nos ocurre a nosotros.


Jorge Luis Borges

domingo, 19 de setembro de 2010

Sant'Ofício


Da esq. para a dir. : Eduardo, Rafael, Jorge
Ao Amigo Zanoni Garcia



Prosseguindo com as memórias da Confraria, registramos o Grupo Sant'Ofício.


Por que esse nome? Claro que não era uma homenagem à inquisição, pelo contrário, era uma celebração da sagrada arte de trovar, e ser músico popular. "Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão, que muita gente boa pôs o pé na profissão" como diz o Fernando Brandt na música do Milton.


Corria o ano da graça de 1983. Pelotas, por ser um centro regional de maior proximidade como Uruguay e Argentina e também centro estudantil universitário , registrava a formação de diversos grupos de pesquisa e desenvolvimento da música latino-americana. É o caso do Grupo Latino -América, do Americando - que mais tarde se desmembraria em outros dois grupos, o Quatro Cantos, depois Acalanto Latino e o Sant'Ofício.


Portanto, éramos filhos do Americando. E bons filhos, creio.


"Sant'Ofício possui uma rara identificação com as raízes culturais e populares de nossa gente, assim como consciência da influência político-social sobre ela exercidas. Jorge Passos (percussão), Eduardo Silveira (charango e violão) e Rafael Cruz (flautas e violão) são brasileiros, como poderiam ser uruguaios, argentinos, chilenos ou de qualquer outro país deste continente, pois a identificação cultural e o talento músical coloca-os num contexto musical universal"

(Texto de Martim Coplas no folder do show de reedição da Missa da Terra sem males em Lages - SC, trabalho em conjunto com o cantor argentino. )


Muitas andanças do Sant'Ofício, tocávamos nos bares, no Americando, em Pelotas na Avenida com Santa Tecla, na pizzaria do Henrique, em Jaguarão no restaurante Piratinense, fizemos duas temporadas no Cassino em Rio Grande, abrindo show do Labarnois e Carrero na Furg , Santa Vitória do Palmar, Tramandaí. Defendemos a canção "Flor Americana" com Bira Cunha na 2ª Charqueada de Pelotas, conquistando o 3° lugar. Essas e outras tantas aventuras.


Lá íamos pra estrada, no Corcel II do Rafael, eles com violões, flautas, charangos, eu, com o bombo e a minha cruz, uma tal “taquareira” inventada pelo Eduardo que dava uma trabalheira medonha pra carregar e montar. Mas ríamos ... e cantávamos.

Martim Coplas estava empenhado em que continuássemos o trabalho da Missa da Terra sem Males, porém a necessidade e o destino fez com que o Sant'Ofício findasse sua história em 1985.

Hoje, embora distantes, professamos a mesma fé na arte como fator de desenvolvimento e transcendência humana!


FLOR AMERICANA ( Gilnei Lima e Ubirajara Cunha)


Soy pequeña flor americana

ojos negros,piel de havana

olhos negros , pele havana

como frágeis rosas, margaridas

rudes Mercedes. Violetas

rebentos de dores e paixões

fêmea de socialistas e ditadores

jardim dos pampas, centro e sertões


Parda flor, madre americana

de ventre tão largo

de germinar tantos filhos

de seios maduros

de alimentar esses meninos


Flor parda , mãe americana

de colo cansado

de repousar seus guerreiros

de olhos molhados

de chorar os seus enterros


Soy pequeña flor americana

manos fuertes y pasión serena

fortes mãos , paixão serena

como frágeis damas. Meretrizes

rudes operárias, camponesas

uma força ou mulher, simplesmente

que ainda tem amor e paciência

pra receber e germinar tua semente


sábado, 18 de setembro de 2010

Ismael Serrano - Ya llego la primavera



Do cantautor espanhol Ismael Serrano esta canção com "aires" de bossa nova.


Ya llegó la primavera en unos grandes almacenes,

el último neón centellea

mientras media ciudad aún duerme.

Madrid despierta perezosa,

vuelven las putas a sus guaridas.

Unos esperan en casa, otro se ata a su rutina.


Mil prisioneras en sus casas despiden a sus maridos,

falsos retazos en los besos de lo mucho que han perdido.

Amanece lentamente y la guerra de lo cotidiano

derrotará a estas mujeres que se pasan la vida esperando.

Otra vez en el 62 se volverán a encontrar

ella y él medio dormidos camino de la facultad.

Durante más de tres años comparten

ese viaje cada mañana,

el uno en el sueño del otro y nunca se dirán nada.


Ya llegó la primavera en unos grandes almacenes,

el último neón centellea

mientras media ciudad aún duerme.

Madrid despierta perezosa,

vuelven las putas a sus guaridas.

Unos esperan en casa, otro se ata a su rutina.


Un indigente solicita una urgente ayuda

que le pierda

en su soledad adictiva, que le aleje de tanta mierda.

Aunque ninguna droga ya adormezca,

aunque mañana se muera,

en unos grandes almacenes llegará la primavera.

No pudo soportar el estrés aquel eficiente ejecutivo,

aquella mañana la ciudad le convirtió en un asesino

En plena calle sacó un arma

y disparó a discreción matando

a un indigente, dos jóvenes y un marido

que a una mujer dejó esperando.


Ya llegó la primavera en unos grandes almacenes,

el último neón centellea

mientras media ciudad aún duerme.

Madrid despierta perezosa,

vuelven las putas a sus guaridas.

Unos esperan en casa, otro se ata a su rutina.



VEM - PAULO RENATO - PEDRO MUNHOZ

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MAIS SOBRE O PÚCARO BÚLGARO- TEATRO DA CAIXA BRASÍLIA


Foto J. Passos


O primeiro romance-em–cena, o que quer que signifique essa expressão, que provavelmente não foi usada antes (provavelmente , mas não seguramente; nenhuma exclusividade é garantida em mundo tão vasto), é coisa do século passado.


(...) O terceiro romance-em-cena é este o Púcaro Búlgaro. Obra prima da literatura brasileira. ...é uma maluquice dos diabos e, ao mesmo tempo obra de “altas sacações metafísicas “, como diria Glauber Rocha. Nos cercamos de todas as filosofias e de todas as loucuras.


Entre as primeiras, sobretudo, as que procuram definir o que é real, começando pelo siciliano (quando a Sicília era parte da Magna Grécia) Górgias, autor do Tratado do não ser (1. não há nada; 2. se houvesse algo, não se poderia conhecê-lo; 3.se houvesse algo e esse fosse cognoscível, ninguém poderia ser utilmente informado disso).


E entre as loucuras, sobretudo as loucuras Dada e surrealistas.


Do que resultou daí para o progresso da ciência e retrocesso da moral...


Aderbal Freire-Filho (diretor)


AOS 16 ANOS MATEI MEU PROFESSOR DE LÓGICA.

Campos de Carvalho, A lua vem da Ásia, capítulo primeiro.


TENHO VONTADE DE SAIR GRITANDO “ALELUIA” PELO RIO VERMELHO AFORA: UMA DAS OBRAS MAIORES DA LITERATURA BRASILEIRA, POR TANTOS ANOS ESQUECIDA, FORA DAS MONTRAS DAS LIVRARIAS, REENCONTRA O CAMINHO DO PÚBLICO E DO RECONHECIMENTO DA CRÍTICA.

Jorge Amado, no prefácio da Obra Reunida- José Olympio Editora



NO FUNDO, ACHO QUE NÃO HÁ NADA PARECIDO COM O QUE ELE ESCREVE NO BRASIL. REALMENTE A MELHOR COMPARAÇÃO ME PARECE SER COM A LITERATURA SATÍRICA INGLESA DE JONATHAN SWIFT E LAURENCE STERNE.

Carlos Heitor Cony


APESAR DA EXCELENCIA DE A LUA VEM DA ÁSIA, A OBRA-PRIMA DE CAMPOS DE CARVALHO É MESMO O PÚCARO BÚLGARO. TRATA-SE DE UMA PROPOSTA DE MISTURAR FRANZ KAFKA COM OS IRMÃO MARX.

Leo Gilson Ribeiro


(...) PODERIA, SE HOUVESSE ESCRITO E PUBLICADO EM OUTRO TEMPO, FIGURAR NAQUELA LISTA DE ESCRITORES QUE PRECEDERAM O SURREALISMO, APRESENTADA NO PRIMEIRO MANIFESTO DE ANDRÉ BRETON.

Cláudio Willer, citado por Juva Batella em “Quem tem medo de Campos de Carvalho, Editora 7 letras, 2004

Fonte: Folder da peça.


AINDA HÁ TEMPO DE VER ESSE ESPETÁCULO ! NÃO PERCA!

SÁBADO - 18/9 - as 20h e DOMINGO - 19/9 - as 19h.

Teatro da Caixa - SBS Qd. 4, - Asa Sul

Preço inteira: R$ 20
Preço meia: R$ 10 (para estudantes, pessoas com 60 anos ou mais, professores e empregados da Caixa, para portadores do Cartão Petrobras na compra de até 2 ingressos)


A TAQUARA


1 A oca Taquara já fora, um dia, destacada do seu subterrâneo alimentador. Fora verde, amadurecida pelo sofrimento e hoje, madura para o uso dos humanos, descansa, repousando ao lado do galpão abandonado. Seu sacrifício, teria sido em vão, lamentava-se ao recordar-se das suas perfiladas irmandades quando ainda se empertigava apontando para o céu das nuvens das bençãos das águas.


2 Abaixo do seu posicionamento, enquanto descansava, nas suas extremidades, entre dois carcomidos postes de aroeira preta, sentia o pulsar dos vermes amantes das carcaças.


3 Será esse o meu breve fim, assobio sem vida, onde somente sonorizarei a canção da despedida abafada pelos gritos da agonia ?


4 Não estão espreitantes os meus verdugos carcereiros ? Seu olhar de espera não é uma prisão do meu olhar de esperanças ?


5 Não fui caniço de alavanca, na alimentação.

Não fui ripa de casa, na construção.

Não fui látego da criadagem, na educação.

Não fui martírio do servo, na escravidão.

Não fui lança da esperança, na salvação.

Não fui marco da direção , na assinalação.

Não fui baliza da guarida, na arrimação

Não fui marco de indicação, na representação.

Não fui flecha envenenada da morte , na certidão.


6 Não fui utilizada nem para elevar a vida, nem para aprofundar a morte.


7 Para que ou porque nasci? Não serias melhor ter ficado somente como desejo enterrado no no bojo do esterco criador? Por que não abortei no seu interior, tendo abortada minha gema apical ?


8 Assim se lamuriava a oca taquara, bambu abandonado sem lembrada humana utilização.


9 Quase ao encostar-se no chão destruidor, eis que forte ventania do oeste dos seus horizontes, gélida sopratura esgadelha-se os rotos restos de cotos de braços das já muito mortas folhas; pensou mais ou menos assim: esta é a minha agonia derradeira; meu suspiro e minha desolação; morro sem significado.


10 Mas, eis que , em suas furadas vestes da sua oca vestimenta , os orifícios mal arrematados e pior concebidos, pelo toque do assopro da desgraçada ventania, primeiro , desafinadamente e, ao depois, harmoniosamente, entoa a canção chamada, aí sim : a minha ( do bambu ) canção da despedida.


11 Seus acordes eram melodiosos. Os seres das proximidades escutaram aquele mavioso réquiem para alguém morto.


12 Essa, a canção do adeus, foi a única canção da sua inútil, para ela, oca vida.

13 Mas foi, a única vez na história, que alguém cantou para a sua própria morte, o aceno melodioso da própria despedida.



Conto extraído do Livro Pingos D`Alma volumes 2 e 3 de autoria de Antônio Carlos Rodrigues Marques.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NEI LISBOA EM TURNÊ NACIONAL


Nei Lisboa começa Turnê Vapor da Estação


LA DANZA DE SHIVA

Shiva como Nataraja - imagem - Wikipedia



Me gustan del otoño sus dorados,

el aire limpio bajo el cielo añil;

las mañanas pletóricas de aromas

que invitan a vivir.

Me gusta esa tristeza indefinida

que en el alma repuja su buril,

por cada atardecer que se desgrana

de amarillo y carmín.

Me gustan las cadencias sazonales

con su ciclo de eterno devenir,

que en Brahma nace, con Vishnú pervive,

y en Shiva halla su fin.


Dario Garcia (Uruguay)



DANÇA DE SHIVA - GILBERTO GIL