segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O dia em que Cacimbinhas saiu do mapa

Autor de A GUERRA DE CACIMBINHAS , obra que trata de tema com forte vínculo com a memória da região , o jornalista Luiz Antônio Nikão Duarte é o convidado especial da próxima edição de CONVERSAS SOBRE LIVROS , realização da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP). No dia 1º de setembro, a partir das 19 horas, Duarte faz a apresentação  do livro em Pelotas e conversa com o público sobre suas pesquisas em torno do episódio  que, em 1915, retirou do mapa a sua Cacimbinhas, rebatizada como Pinheiro Machado. A mudança teve relação direta com  um assassinato ( do senador José Gomes Pinheiro Machado) e gerou uma crise politica em que, bem ao estilo da época, logo apareceram as armas e a ameaça do que o autor chama de "guerra municipal". Evento com entrada franca , como é regra em todas realizações da BPP.
 
CONFIRA
 
O QUE - Conversas sobre Livros . Mesa redonda com autor e convidados.
QUANDO - 01 de setembro , 19 horas.
ONDE - Salão Nobre da Bibliotheca Publica Pelotense ( Praça Cel Pedro Osório, 103)
QUEM - Convidado especial: Nikão Duarte, autor de A Guerra de Cacimbinhas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

RÉQUIEM PELA DEMOCRACIA BRASILEIRA



RÉQUIEM
PELA DEMOCRACIA BRASILEIRA


Olhai esse
congresso acovardado
que se ajoelhou
perante os poderosos,
como um clube
servil de homens rançosos
para quem nosso
povo é simples gado!

Quanto custa
comprar um deputado?
Quanto vale vender
sua dignidade?
Por cobiça nos
nega a liberdade
procurando o futuro
no passado!
Mas, se o país
amanheceu mais triste,
se a corrupção
feliz, hoje festeja,
há em cada justo o
brio de dar peleja
pela razão que sob
o céu lhe assiste!

Somos a história
em carne e osso e vemos
o pêndulo da
história regredir!
Se a traição é o
discurso dos blasfemos,
comprados como
Judas para agir,
será nossa a
alvorada que queremos


de um país para
todos que há de vir!

(Poema de Dario Garcia)


quarta-feira, 9 de março de 2016

V Marcha das Mulheres de Fronteira - Jaguarão


Imagens da V Marcha das Mulheres de Jaguarão fazendo parte da programação da II Semana Binacional da Muher. Registramos a palavra de Mangela Bitos, de Rio Branco, da presidenta da Câmara de Vereadores, Roseli Calvetti e o uso da TRibuna Popular em nome das meulheres , pela SEcretária de Cultura de Jaguarão, Maria Fernanda Passos das Neves.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Náufragos Urbanos - Deve ser o rio. Só pode

Na Coluna Magis, publicada no Diário Popular nesta segunda-feira, 21 de dezembro, ,  o jornalista Pablo Rodrigues dedica o espaço ao espetáculo Náufragos urbanos, no Teatro Esperança.

Em Jaguarão, todos são devedores do rio. Por lá, quem não conhece o rio, desconhece o homem. O rio - a travessia - o homem. Em Jaguarão, a poesia de Martim César é hoje rosiana e reveladora canoa: “rio abaixo, rio a fora, rio a dentro”. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça: Náufragos urbanos - Cartas de marear, de Martim César, Ro Bjerk e Ricardo Fragoso. Poesia pura, em canções.
O leitor duvida, crê que exagero? Veja um breve trecho do samba Faca de ponta (Carta 2):
“Às vezes o mundo nos pega de ponta
Nos leva por conta sem nos consultar
E somos tão frágeis pra vencer a corrente
Que nos leva, inclemente, pros perigos do mar
Mas nem por isso, amigo, eu descreio do mundo
Pois já sei, lá no fundo, que viver é lutar
Para aqueles que querem que eu lamente os espinhos
Planto flor nos caminhos e convido a sonhar”

No recital de apresentação de Náufragos urbanos, na última sexta-feira à noite, o público do Teatro Esperança viu-se remoçado. E - “A vida nos pede bem mais!” - despertou, como quem de repente se lembrasse que, postas à parte todas as míseras tristezas cotidianas, teve, tem e sempre terá vocação à alegria. E à beleza. Porque há, sim, o direito à alegria. E à beleza. Sei que não falo só por mim. Definitivamente, não falo só por mim. Falo por quem nem sei. Tanta gente à minha volta.
Tudo em Náufragos urbanos é talento e delicadeza. Em Casa vazia (Carta 4), canção digna de um Lupicínio Rodrigues, o diálogo entre a voz de Ro Bjerk e a flauta de Gil Soares encanta, abre portas e escancara janelas: leva o ouvinte, não sem doçura, à casa da melancolia. Herdeiro de Neruda, Martim César é capaz de falar - com igual engenho - sobre lutas e amores. Ouso dizer que, atualmente, na poesia do Rio Grande do Sul, não há quem dele se aproxime, tamanha versatilidade em compor.
As parcerias do álbum são todas acertadíssimas. O time de músicos foi escolhido a dedo. Além dos excelentes Ricardo Fragoso (que assina quase todas as músicas com Martim), Ro Bjerk e Gil Soares, também transitam pelas canções Paulo Timm, Aluisio Rockemback, Renato Popó, Fabrício Moura (Pardal), Jucá de Leon, Daniel Zanotelli, Lyber Bermudez, Eduardo Varella, Davi Mesquita Batuka, Jortan Lima e Hélio Mandeco.
Ainda na noite da última sexta, o público do Teatro Esperança pôde arrepiar-se, antes da apresentação de Náufragos urbanos, com a voz firme e doce de Laura Correa, cantora uruguaia de apenas 16 anos inacreditavelmente pronta para os palcos. Vê-la, em Jaguarão, misturada a Martim e a tantos outros, é reafirmar que, sim, Schlee esteve sempre certo: na fronteira, tudo é “uma terra só”.
Uma cidade vale pelo tanto que acrescentou de patrimônio cultural ao mundo. A Jaguarão, bastaria ter parido Aldyr Garcia Schlee e sua literatura. Há quem trocaria reinos por O dia em que o papa foi a Melo ou Contos gardelianos. Contudo, esta pequenina terra jaguarense - maravilhoso mundo - não se cansa de parir artistas, de espalhar encantamento e luta. Deve ser o rio. Só pode.
Gracias, Martim! Gracias, Jaguarão!


Time de músicos do Náufragos Urbanos no Teatro Esperança