sexta-feira, 30 de maio de 2014

Paixões Unidas no Brasil


Encerrado no sábado, 24 de maio, o Festival de Cannes 2014, premiou o Documentário “O Sal da Terra” sobre a vida do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. O filme tem direção conjunta do famoso Wim Wenders e de Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião. Outra das atrações do Festival, foi o lançamento do filme “United Passions” sobre a história da FIFA, com Gerard Depardieu, o ator francês que encarna o primeiro presidente, Jules Rimet, aliás , nome da Copa que foi definitivamente ganha pelo Brasil em 1970 e que depois seria misteriosamente roubada da CBF.

Depardieu declarou em Cannes que gostaria de ver reeditada na Copa de 2014 uma final entre Brasil e Uruguai, e que torceria para que a seleção canarinho fosse a campeã desta vez. Certamente seria uma final fantástica. E não de todo impossível, afinal, a Celeste jogou muito bem a Copa das Confederações quando enfrentou o Brasil de igual para igual. A esperança de nosso escrete, desta vez, é o comando do Felipão, um técnico motivador.

Falando na Celeste, os paisanos estão muito confiantes em sua seleção. No último domingo, saiu de Montevidéu com destino a Fortaleza, num trajeto de 5.000 Kilometros, o minibus Ramirez, transformado num motorhome, reciclado por um grupo de amigos que pretendem acompanhar todos os jogos do Uruguai na Copa. O Ramirez, minibus Mercedez Benz, 1979, foi totalmente reformado pelos aventureiros numa Chácara próxima à capital uruguaia, com trabalhos de ferragem e carpintaria, motor novo e pneus flamantes. 

Dentro do Ramirez podem dormir oito pessoas, ainda que para travessias por locais de altas temperaturas como as que suportarão em Fortaleza e Natal, na lateral direita, o minibus tem instalado um toldo desenrolável sob o qual já pernoitaram os dezesseis amigos sobre colchonetes, “ con una mantita e chau”, diz a matéria do El País. O atual design do minibus permite que viajem sentados oito passageiros em assentos colocados numa espécie de ferradura. A um costado tem um sofá para mais quatro, e além do chofer, há lugar para mais dois acompanhante ou copilotos na parte da frente. Você pode acompanhar as aventuras dos torcedores uruguaios pelo twitter @ramirezmundial

Outro grupo de amigos, contadores e economistas, de 29 a 32 anos de idade, que se conhecem faz 15 anos, também irão ao Brasil, mas numa Kombi que compraram em Colonia. Sua primeira parada será aqui em Rio Branco e estarão em Porto Alegre quando Uruguai estreia em Fortaleza, no dia 14 de junho. Na capital gaúcha convidarão a todos os uruguaios que queiram reunir-se num salão para 200 pessoas que lhes ofereceu um amigo, dono de um restaurante . A ideia é ver a partida ante Costa Rica compartilhando um bom assado de tira.

Fui a Rio Branco comprar um remédio na Farmácia da Cuchilla e fui agraciado com uma tabela para acompanhar os jogos da Copa. O comércio uruguaio e o mundo inteiro vibrando e vendendo seus produtos aproveitando esse evento mundial, que muitos de nós só vivenciaremos uma vez em nosso país, e ainda vemos essa verdadeira burrice de alguns sabotarem a Copa, por motivos declaradamente eleitoreiros.

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 28/05/2014


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Rubem Dantas, o percussionista que inventou o cajón flamenco


O músico brasileiro, que chegou a tocar com Dolores, Camarón de la Isla e Chick Corea,  adotou o instrumento durante uma tournée de Paco de Lucía no Perú


Entre los ayes rasgados de Camarón de la Isla se colaba el eco primitivo de la madera de Rubem Dantas (Salvador de Bahía, 1954), gregario de lujo del jazz y del flamenco. El brasileño comparecía ante el mazo de los puristas sentado en un cajón, al que con el tiempo culparían del exterminio de los palmeros, de silenciar el rumor del baile y de maquillar al mal cantaor. Pero aquel instrumento de ultramar pronto adquiriría la condición de hijo adoptivo del género, hasta el punto de enriquecer el compás y modificar el curso de su propia historia.

Paco de Lucía, durante una visita a Lima en 1980, asiste a una fiesta donde la cantautora criolla Chabuca Granda, compositora de La flor de la canela, se hace acompañar por Caitro Soto. Su caja de madera, que el peruano cabalgaba a horcajadas, no escondía mayor misterio que un agujero en la parte posterior, pero el legendario guitarrista, cautivado por su sonido, se empeñó en comprarlo por unos pocos miles de pesetas.

Dantas, fiel escudero que se había sumado a la gira suramericano del algecireño, desveló en tiempo récord sus secretos y se presentó en Chile con el repertorio adaptado a la criatura. "Fue impresionante, aquel día cambió mi vida", recuerda el bahiano, quien todavía hoy sigue manteniendo relación con la familia del cajonero de San Luis, fallecido hace una década.

Nacía el cajón flamenco, un instrumento espurio cuyo parto fue asistido por los esclavos a su llegada a Perú. Los había espoleado la Iglesia católica, enemiga de los tambores paganos. Ante la necesidad, reforzada por la prohibición del virrey, los afroperuanos encontraron una válvula de escape clandestina bien en una calabaza hueca, bien en una caja para el transporte de mercancías. Pasarían un par de siglos hasta que Paco de Lucía tropezase con aquel objeto libre de sospechas para los censores, Dantas lo frotase con sus yemas y Antonio Carmona y tantos otros lo adoptasen como propio.

Rubem grabaría dos discos fundamentales del género: Solo quiero caminar, de Paco de Lucía, y Como el agua, de Camarón. El cajón se sacudió así su nacionalidad primigenia y, a través del flamenco, se hizo universal. Lo habían intentado antes las congas y los bongós, pero ninguno cuajaría en su compás como aquel taconeo vertical que supuraban las tablas traídas de Perú por un percusionista que, a su vez, había llegado a Madrid en 1976 procedente del nordeste de Brasil, previa escala en París. "La gente, al principio, desconfiaba de mí", rememora. "Pensaban que estaba loco por meterme en camisa de once varas sin haber tenido un espejo".

Dantas, cuyo maestro había sido Vadinho do Gantois, fue un autodidacta que aprendió tocando junto a los grandes del flamenco, cuya complejidad se asemejaba a "un tratado de física nuclear". Primero, con Dolores, una banda con enjundia fundada por Pedro Ruy Blas y Jorge Pardo que secundaría a Camarón en La leyenda del tiempo. Luego, como miembro del sexteto de Paco de Lucía y de la banda de Chick Corea, hasta que lo embargó el deseo de concebir un proyecto personal y fundó una big band.

El círculo lo cerró con la publicación de Festejo, un disco con canciones suyas en el que se vio arropado por un cegador all stars formado por Carles Benavent, Edith Salazar, Chano Domínguez y los citados Pardo, Corea y De Lucía. "Dejé de ser músico para otros porque quería vivir un poco para mí", reconoce el percusionista bahiano. "Pero más que un líder soy un empleado, porque también me encargo de organizar los ensayos, de buscar los conciertos y hasta de comprar los bocadillos".

La próxima cita es en La Cochera Cabaret de Málaga, donde este viernes homenajeará al padre de la bossa nova Vinícius de Moraes, pues Dantas también ha prestado su virtuosismo en la percusión a otros artefactos sonoros que lindan con el tango, la samba o el candomblé. "Salvador de Bahía es uno de los epicentros mundiales de la música junto a Haití, Cuba y Nueva Orleans. He tenido mucha suerte de nacer en el lugar donde se fundieron Europa y África", afirma con orgullo Rubem, que terminó dejando Madrid por Granada. "Vivir aquí era mi sueño desde niño. Siempre quise venirme, pero me quedé muchos años en la capital porque me convencieron Enrique Morente, Pepe Habichuela y Paco de Lucía". No dejó aquella tierra frecuentada por flamencos hasta que decidió volar por sí solo, como un pelícano, en dirección sur.

Madrid - 28/05/2014


terça-feira, 27 de maio de 2014

Guerrilha Urbana

A batalha estava por iniciar. A ordem era limpar o terreno a qualquer custo. Primeiro chegaram os sapadores para observar a área. Repararam em tudo com olho clínico de quem tem longa experiência no assunto. Não eram muitos. Dois ou três que quase se confundiam com a sombra que projetavam alguns edifícios próximos. Vagaram por alguns minutos entre o pouco que restava a ser destruído e se foram. A conclusão era a de que não necessitariam de um efetivo militar muito grande. Por certo, já confabulavam entre si, arquitetando um infalível plano de ataque.

No dia seguinte, chegaram os monstros de aço aos quais não se poderia oferecer resistência. Eram dois. Um era enorme e possuía duas grandes mandíbulas. Uma tridentada e ameaçadora garra comprida e de longo alcance e outra menor que apenas lhe servia de cobertura. O outro monstro é apenas conivente. Comparando ele é, apenas, um monstrinho. Chega ao local e se imobiliza. É dos que somente aguarda que o primeiro lhe entregue o produto da destruição e parte rápido para voltar logo depois. Ambos são barulhentos – produtos do mundo moderno - e enegrecidos pelo próprio fumo que expelem. E, assim, começa a batalha. O inimigo é cercado por todos os lados. Sua única defesa é o conhecimento do terreno. Nasceu e vive há muito tempo ali. Ninguém, como ele, sabe de suas nuances e possibilidades. É, inutilmente, ajudado pela umidade e pelos sais minerais que seguram suas raízes entranhadas na terra. A sua cor verde já tem bastante do resquício da civilização que o circunda. Já pariu muitos frutos e acolheu muitos pássaros com seus membros fortes. No inverno, abrigou-os do frio; no verão apaziguou-lhes o calor. Cumpria sua missão com galhardia. A resistência, no entanto, é inglória porque sua desvantagem é gritante: contra ele há todo o progresso de vinte séculos de civilização que não reconhece nenhum direito adquirido para resistir os obstáculos em sua caminhada.

A batalha continua. Pouco a pouco, o terreno cede à ação dos monstros e deixa o inimigo só, sem seus aliados. Agora é sua vez de sucumbir. Estremece. Tremulam seus galhos e folhas. Cai o último ninho que ainda resistia e ela própria aspira seu último quinhão de oxigênio e cai prostrada na terra que, há pouco, ainda lhe transmitia a seiva vital para sua existência. É, apenas, mais uma árvore que tomba em uma grande metrópole. Não vai nem participar das estatísticas!

Wenceslau Gonçalves

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 21/05/2014 

domingo, 25 de maio de 2014

Luz Andaluz - Martim César e Hélio Ramirez


Do CD Caminhos de Si

LUZ ANDALUZ - letra Martim César - Música Hélio Ramirez

  O Pampa delira nos versos de Borges
  Onde o tempo circula e o que foi voltará
  Artigas traído cavalga ao exílio
  E o brilho de Halley se faz lua no olhar

  A carreta que cruza uma estrada sem fim
  Vê o primeiro avião navegando no céu
  Um visionário constrói seu castelo no campo
  E Neruda povoa de magia o papel

                   Luz andaluz
  Estrela cadente brilhando pra sempre
                Nas noites do sul

  Quintana caminha pelas ruas de um porto
  E o Guaíba eterniza mais um pôr-de-sol
  Atahualpa professa seu silêncio profundo
  Nos bares do mundo Elis Regina solta sua voz

  Garibaldi descobre a coragem de Anita
  E nas missões jesuítas bate um sino outra vez
  Uma rádio anuncia que Gardel já partiu
  Mas seu quadro sorri desde "un viejo almacen"

               Luz andaluz
  Estrela cadente brilhando pra sempre
               Nas noites do sul

Voz Solo- Hélio Ramirez
Arranjo instrumental - Leonardo Oxley, Fabrício Moura e Paulo Timm
Arranjo Vocal: Hélio Mandeco
Violões aço e nylon: Paulo Timm
Baixo eletroacústico e bandolim: Fabrício moura 
Violino: Leonardo Oxley
Vocal : Hélio Mandeco e Paulo Timm

Imagens músicos, show do espetáculo Caminhos de Si, no Teatro Sete de Abril, 21 de agosto de 2004.
Fotografias de Araquém Alcântara, pinturas de Maximiano da Rosa Ferreira, Isabel Iturralde, entalhe em madeira de Cláudio Silveira Silva, fotografia de Neruda em seu escritório, Luis Poirot.

Don Quijote -Parte VII


VII - La última batalla de nuestro héroe. Duelo entre los escuderos de Blanca Luna y Don Quijote es de dar muchas carcajadas.

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César


Don Quijote - Parte VI



Sansón Carrasco y su plan para traer don Quijote a la realidad.

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César

Don Quijote - Parte V


V - El combate con los molinos

Em cena: Ema Entenza recita o poema El Hidalgo y los Molinos, de Martim Cesar.
Fernando Petry, como Don Quijote, Sandro Calvetti, Sancho Panza.
Molinos: Juliana Lima, Lorena Feijó, Danielle Pinto, Maria Laura Lucas.

        El hidalgo y los molinos

¿Quién podria hacer frente al furor de los gigantes
Sino el más bravo de todos los caballeros andantes
El más valiente hidalgo que ha cruzado estos caminos?

¿Qué le importa si la magia de un malvado hechicero
Con sus ardides desvirtue el mirar del mundo entero
Para que nadie vea más que el imagen de molinos?

Los siglos venideros se acordarán siempre del día
En que el heroico caballero con pericia y maestria
Enfrentó el más temible y más feroz de los gigantes

Y si afirmaren que se vio derrotado en su intento
Que eran solamente molinos inpulsados por el viento
Ha de ser por esa magia que iludió también Cervantes.

                                    ( Martim César)

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma Viagem às Missões Jesuíticas


Entre os dias 04 e 06 de abril do presente ano de 2014 o grupo PET(*) do curso de Produção e Política Cultural da Unipampa-Jaguarão, realizou uma saída de campo com destino às cidades de São Miguel das Missões e Santo Ângelo, no noroeste do estado. O escopo da viagem era conhecermos, in loco, as ruínas jesuítas e o artesanato guarani em São Miguel das Missões, e visitar a Catedral Angelopolitana e o Museu Dr. José Olavo Machado na cidade de San Ângelo.

Destaco, como curiosidade pessoal, a terra vermelha e o cultivo da mandioca em São Miguel. A herança cultural guarani ainda sobrevive em muitos detalhes, sutis, simbioticamente. Na pousada onde pernoitamos, em São Miguel, conhecemos um militar, nativo daquele pago, mas que há muitos anos mora fora do Rio Grande. Homem viajado, de fala serena e olhar perspicaz, ele é ciente do valor cultural e simbólico dessa herança  missionária que quase caiu no esquecimento. Destaca o esforço do IPHAN e da prefeitura municipal de São Miguel, que conseguiram, juntos, manter em pé as ruínas do outrora célebre templo, cujo plano foi originalmente desenhado por um arquiteto italiano, e executado com mão de obra guarani.

Assim, é digno de observação o trabalho em tijolo e a majestosa estética que ainda sobrevive nas paredes sem teto da catedral de São Miguel Arcanjo. O edifício —dizem— foi construído originalmente sem o uso de argamassa, mas hoje é esta a que mantém em pé as ruínas. É possível admirar também diversas esculturas de santos católicos, entalhadas em madeira e várias delas em tamanho natural, cujos olhos indígenas nos fazem imaginar as mãos que lhes deram forma. Acabadas numa peça só, seu estilo barroco lembra a obra do mestre mineiro Aleijadinho.

Descendentes daqueles artistas, dentro da área tombada alguns guaranis vendem hoje aos turistas e visitantes suas artesanias feitas em madeira e com penas de pássaros. São representações de animais típicos do bioma das Missões e do pampa, e objetos com valor decorativo ou que contêm significados místicos.

O espetáculo “Som e luz”, encenado pelas noites defronte às iluminadas paredes da velha catedral jesuíta, recria e dramatiza o tempo histórico que viu o nascimento, o apogeu e a destruição dos “Sete povos das Missões”, dos quais São Miguel era a capital.  A terra e as paredes do templo se metamorfoseiam, e através de um diálogo épico fazem a história voltar sobre seu curso dando vida a esse passado, nas vozes de seus diversos personagens. Narra o drama que:  Além da tragédia, do massacre de milhares de guaranis e suas famílias e dos poucos sacerdotes espanhóis que com eles morreram, conta-se a perda de uma riquíssima cultura mestiça... Fato destacável é o acordo assinado entre Espanha e Portugal, por meio do qual os “Sete Povos das Missões” (em território lusitano) deixavam de pertencer à coroa de Castilha e passavam ao domínio pleno de Portugal, e em troca a cidade de Colônia do Sacramento, na Banda Oriental (atual Uruguai) também mudava de senhor, e desde então obedeceria à coroa castelhana.

Em Santo Ângelo visitamos a sua bela catedral e o museu Dr. José Olavo Machado. A Catedral Angelopolitana é o principal templo da Diocese da cidade e foi construída entre os anos de 1929-1971. Sua arquitetura basicamente barroca lembra o templo da redução de São Miguel Arcanjo.

O Museu Municipal Dr. José Olavo Machado tem em seu acervo armas, ferramentas, instrumentos musicais, trabalhos em pedra feitos pelos guaranis e inúmeros outros materiais que evocam o período colonial.

Infelizmente a nossa visita foi curta devido ao horário em que lá chegamos. O Museu funciona de terça a domingo, das 9 ao meio-dia e das 14 às 17 horas.


            Darío Garcia

(*) PET: Programa de Educação Tutorial, que oferece bolsas aos alunos das universidades públicas brasileiras.

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 14/05/2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Doutor Eneas e a Bomba


Em 2003 fui a Brasília a serviço do Sindicato dos Analistas para realizar alguns trabalhos no Parlamento em defesa da categoria. No Congresso Nacional tive a oportunidade de assistir um discurso do deputado Eneas Carneiro. Sim, aquele que ficou conhecido pelo bordão: “ Meu nome é Eneas”. Figura caricata e um tanto bizarra, o Dr. Eneas era dotado de grandes virtudes oratórias e seus pronunciamentos eram realmente impactantes. Nessa ocasião em que o vi, defendia que o Brasil devia desenvolver armas nucleares, mais precisamente, deviamos ter bomba, que era uma maneira de não estarmos de joelhos diante dos americanos. Eu sempre fui pacifista, mas dessa vez tive de concordar com o parlamentar. Afinal, não é uma discriminação dos que tem bomba contra os que não tem bomba? O Deputado Eneas veio a falecer poucos anos depois, em 2007.

O que não morreu foi o sistema brasileiro desenvolvido pelo Almirante Othon Silva, atualmente Presidente da Eletronuclear, de enriquecer e beneficiar o urânio. O Brasil é o terceiro maior produtor de urânio do mundo e a energia nuclear é mais barata que a térmica. Devido a esse trabalho do Almirante Othon e de outros engenheiros militares brasileiros, a Marinha construiu em Aramar, SP, uma usina de enriquecimento de urânio que estava praticamente abandonada em 2003, no inicio do governo Lula. Ele esteve lá e viu que toda a tecnologia desenvolvida, todo o conhecimento que os brasileiros acumularam iam se perder. Este processo de esvaziamento de recursos, o que acontecia também em relação à Petrobrás, fazia parte da estratégia do antecessor, FHC, que consistia em enfraquecer para fechar ou vender. Lula chamou seu ministro da Marinha e disse : toca, porque eu vou mandar dinheiro para cá.

Hoje, em Itaguaí , perto de Angra, no litoral do Rio de Janeiro, há 6.000 trabalhadores brasileiros na construção do estaleiro e base naval do PROSUB, o Programa de Desenvolvimento de Submarinos. Foi realizado um acordo com a França para a construção de submarinos nucleares. Já no primeiro, o Brasil entregará pronto, fechado, lacrado, o compartimento do submarino que conterá o urânio enriquecido, porque é tecnologia própria, intransferível, made in Brazil – a do Almirante Othon Silva.

 P-56 - construída no estaleiro em Angra dos Reis  
Também não morreu a industria naval. Está aliás, muito viva. Assim que assumiu em 2003, um dos primeiros atos do Presidente Lula foi cancelar a compra em Cingapura de uma plataforma continental encomendada por Fernando Henrique por ser 5% mais barata. O Estaleiro em Angra estava às moscas e os trabalhadores brasileiros de braços cruzados. Assim renasceu a indústria da construção naval brasileira que ia fechar. Em pouco tempo essa industria empregará mais brasileiros que a automobilistica. Aqui mesmo em Rio Grande vivencia-se um grande investimento na construção de plataformas e que tem impulsionado fortemente o desenvolvimento da metade Sul. E quem é a maior compradora dessa industria naval? A Petrobrás. Por isso não é de estranhar a campanha contra a empresa realizada pela oposição e suas inclinações entreguistas. Não nos enganemos, por trás disso tudo está o interesse americano no Pré Sal

Jorge Passos

Informações sobre enriquecimento de Uranio,  Base Naval e estaleiro Angra, retiradas do site http://www.conversaafiada.com.br

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 07/05/2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Don Quijote- parte IV


IV - La Taberna, la consagración, el encuentro con Dulcinea, el bendito bálsamo de Fierabrás

Em cena: Magda Burch, recita poema, Fernanda C. de Ávila como bailarina, Fernando Petry, don Quijote, Sandro Calvetti, Sancho Panza, Jorge Passos, Posadero, Giovanna Ávila, pícaro viajero, Nedison Souza, viajero risueño, Michely Gualano, viajero silencioso, Cintia Croucillo, Dulcinea

          Poema:   Por amor a Dulcinea

 Nunca hubo un otro amor más verdadero
 Tal vez ni mismo el de la Penelope de Homero
 Siempre esperando Ulises en su eterna Odisea...

 Tampoco Shakespeare, el bardo incomparable
 Ha narrado uno más bello e inquebrantable
 Que el de Don Quijote por su amada Dulcinea.

 Quiza todas las estrellas que comprende el universo
 O acaso el mejor poeta al escribir su mejor verso
 Puedan expresar ese sentir tan venturoso...

 Porque todas las glorias en batallas desiguales...
 Porque todas las vitorias y hazañas imortales
 Se las ofreció a su señora... Dulcinea del Toboso.
                             
                                  ( Martim Cesar)

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César

Don Quijote - Parte III


III - el reclutamiento de Sancho Panza para fiel escudero del ingenioso hidalgo.

Em Cena Fernando Petry no papel de Quijote e Sandro Calvetti no de Sancho

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.

Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César Gonçalves.

Don Quijote - Parte II


II - Las preocupaciones de la familia y amigos, la censura de la biblioteca

Ama: Cristiana Duarte
Sobrina: Elenisse Mederos
Cura: Denis Leal
Barbero: Nedison Souza
Quijote: Fernando Petry
Aldeano: Paula Pierina

Nesta segunda cena, ainda se ouve o bombardeio em La Mancha, Na noite de 13 de julho de 2002, em plena comemoração da Semana de Pelotas, bem perto do Teatro Sete de Abril,  ocorria uma queima de fogos de artificio. Atrapalhou um pouco no inicio, mas depois, fez-se o silencio essencial. 

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César Gonçalves.

Trilha sonora: Paulo Timm e Fabricio "Pardal"Moura

Don Quijote - Parte I


Cena I - Donde se introduce a don Alonso y su fervor por los libros

Don Quijote - Fernando Petry
Ama- Cristiana Duarte
Sobrina- Elenisse Mederos

Nesta primeira cena, um acaso nos proporcionou um belo efeito sonoro que não estava no script. Na noite de 13 de julho de 2002, em plena comemoração da Semana de Pelotas, bem perto do Teatro Sete de Abril,  ocorria uma queima de fogos de artificio que na peça criou um clima de guerra, com bombas e canhões, bem no momento em Don Alonso faz um discurso inflamado e se transforma em Don Quijote, um cavaleiro em busca de aventuras e proteção aos fracos e oprimidos.

Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.
Guión, textos y diálogos:   Jorge Passos y Martim César Gonçalves.

Trilha sonora: Paulo Timm e Fabricio "Pardal"Moura

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Don Quijote de La Mancha - Bastidores


Numa Produção do Grupo Ala de Cervantes, formados por alunos de Letras da UCPel, Extensão Jaguarão, Don Quijote de La Mancha, El Ingenioso Hidalgo,  de Miguel de Cervantes. Adaptação para o teatro por Jorge Passos e Martim César Gonçalves.
Apresentação no Teatro Sete de Abril , Pelotas, em 13 de julho de 2002.

Guión, textos y diálogos:   Jorge  Passos y Martim César  Gonçalves.

Poemas: Martim César Gonçalves.

Elenco

Don Quijote:      Fernando C Petry
Sancho:               Sandro Calvetti
Ama:                    Cristiana Martinez Duarte
Sobrina:               Elenisse M Garcia
Cura y Escudero Narigón :  Denis Caetano Leal
Barbero y viajero 3 :   Nedison R Souza
Posadero, Sansón Carrasco: Jorge L N Passos
Viajero 1 :     Giovana L de Ávila
Viajero 2:     Michely A. V. Gualano
Dulcinea:     Cíntia  Brum
Aldeano :     Paula Pierina  Noble
Bailarina:     Fernanda C. Silveira de Ávila
Molinos:      Juliana O Lima
                   Lorena S de Paula
                   Danielle O  Pinto
                   Neusa Marilú Duarte

Constructor de molinos:   Gunther  ....................
Recitación  poemas:    Ema Pica
                                   Magda B de Faria
Vestuário y Escenário:               Maria Laura C. Lucas
Fotografia y divulgación:             Neusa Marilú Peres Duarte

Dirección e iluminación :  Alencar Porto

Trilha sonora: O Sonho de Cervantes, música de Martim César e Paulo Timm.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Guerreiro Menino


Nos versos da Música Guerreiro Menino do Gonzaguinha dedicamos este espaço à celebração de uma das datas mais importantes do nosso calendário, o Primeiro de Maio, dia do Trabalhador. O que seria mais significativo para marcar este dia se não a imagem destes homens que com seus barcos, pás e braços fortes, diariamente, faça chuva ou faça sol, extraem do leito do rio a areia que constrói esta cidade? Na figura destes mineradores, nossa homenagem a todos as pessoas que fazem do trabalho a sua honra, mesmo com todas as dificuldades.

Embora saibamos que há muito a conquistar relativamente aos direitos, salário e condições do trabalho, vide a luta pelas 40 horas semanais que já está com um projeto no Congresso Nacional, podemos dizer que depois de onze anos de governo trabalhista, o Brasil atingiu uma marca de desemprego de 5% em março de 2014, a menor taxa histórica para o mês, de fazer inveja aos países mais desenvolvidos do mundo. Só para comparar, a taxa de desempregados na Espanha é de 27%, em Portugal, 17%, na Itália, 12%, nos Estados Unidos, 7%. 

A continuidade deste Projeto de Desenvolvimento com Justiça Social e Distribuição de Renda é que estará em jogo em outubro. O trabalhador brasileiro saberá discernir quem está do seu lado. Viva o Primeiro de Maio!


Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 30/04/2014