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sábado, 5 de maio de 2012

A história do Clube 24 de Agosto


Programa 12 horas da TV Nativa de Pelotas, dia 02 de maio de 2012. A reportagem conta um pouco da história do clube 24 de Agosto, tombado recentemente como patrimônio histórico pelo IPHAE. Depoimentos da diretoria e de pessoas que se engajaram  no reerguimento da instituição.  Um clube tradicional da cidade de Jaguarão e que aos poucos ganha força para buscar uma melhor estrutura para a comunidade. Uma associação que sempre acolheu a comunidade negra do município. 



sexta-feira, 27 de abril de 2012

BIBLIOTHECA PÚBLICA PELOTENSE - PROJETO SARAU POÉTICO-MUSICAL


Convite

Juntamente com os parceiros institucionais , a Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) convida para a XX edição doProjeto Sarau Poético-Musical BPP , no próximo PRIMEIRO DE MAIO, a partir das 19:30 horas - conforme programação abaixo detalhada.

Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira

O QUE - XX edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE: 01 de maio  de 2012, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.

CONVIDADOS

Autores-poetas
Daniel Almeida  Silva
Gabriel Borges da Silva
Juliana Nunes
Marco Antônio Chaves

Música
Claudia Braunstein

Poeta em destaque
Mário Lago ( 1911-2002)

Parceiros Institucionais
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Faculdade de Educação / UFPel
Faculdade de Letras / UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM

Realização
Bibliotheca Pública Pelotense
Centro Regional de Arte e Cultura desde 1875


domingo, 15 de janeiro de 2012

Um Conto para Arlene

Era sábado de carnaval e ela encharcou a sapatilha numa poça de água ali, perto da Praça da Matriz. Arlene não sabia o que dizer ao noivo que havia deixado na porta da igreja por causa de Jorge, que viera do outro lado da ponte para tirar-lhe o sossego, as roupas e desgrenhar o seu cabelo, como um vendaval de Santa Rosa.

Jorge era um tipo daqueles que não dava vontade de tirar os olhos de cima. Um corpo pequeno, sem viço, porém atrativo pelo cheiro, pela boca que dava sede de água, água de qualquer tipo, sede de água da chuva, de água de poço, de água suja que se atira nas pessoas em dias de entrudo momesco. Água, apenas água com sabão era o cheiro de Jorge, o castelhano que atravessou a ponte e veio para a Vila de Jaguarão destroçar o coração de Arlene.

Nada tinha de mais na figura de Arlene. Era loira e alta, mas tinha viço, o mesmo viço que Jorge não tinha. Era bonita de rosto, um rosto forte de magricela, magricela por que alta, alta porém elegante no andar. Ela trabalhava de professora, era de família pobre, dessas que não tem grandes sobrenomes portugueses para ostentar. Era noiva de um tal Gervásio, que trabalhava no açougue do Mercado Público.

Não que Arlene gostasse dele, estava noiva por pressão da família que a queria casada a todo o custo. Arlene gostava mesmo era de Jorge, o castelhano que cheirava a sabão com água e que não tinha viço no corpo, mas atravessava a ponte para ter com ela na porta da igreja em dia de carnaval. Ela ali de sapatilhas encharcadas e ele com aquela boca que dava sede, sede de água de qualquer tipo, de água de poço, de água suja de se atirar nas pessoas em dias de entrudo momesco.

Nunca se soube por que Jorge, o castelhano, que cheirava a sabão com água, atravessava a fronteira para ter com Arlene, de sapatilhas encharcadas, na porta da igreja. Sabe-se que ela largou tudo por aquele homem que lhe causava sede, tudo para ter com ele em feliz, felicidade, numa casa modesta, logo que cruzava o Clube Unión, ali no Río Branco. Ele, Jorge, um homem sem viço no corpo, que cheirava a sabão com água e que causava sede em Arlene. Ela, magricela, com uma cabeleira loira, professora do primário, de sapatilhas encharcadas na porta da igreja, para ter com ele para sempre.

Quando Jorge alcançou Arlene, ali na frente da matriz, no dia em que ela abandonou Gervásio no altar, apenas disse-lhe ao pé do ouvido:
- Estoy aqui apenas para despeinar teus cabelos, para ser feliz de felicidade modesta, de coisas modestas. Para que atravesses de vez comigo para o lado de lá e vivas comigo para siempre!

E assim foi que ela, magricela, de sapatilhas encharcadas, professora pobre e sem sobrenome português, Arlene de batizado e nascimento, atravessou a fronteira, vestida de noiva para ter seus cabelos despenteados por Jorge, o castelhano, que cheirava a água com sabão e que não tinha o mesmo viço no corpo que ela, mas que a curou da sede, assim como ela lhe deu viço e sorriso, no dia em que beberam água suja de se jogar nas pessoas em dias de entrudo momesco.

Juliana dos Santos Nunes
http://monte6.blogspot.com/


Publicado no Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 11/01/2012  

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Viva o Mestre Vado! Viva a Música Popular!


Foto Alencar Porto

“A Música é a minha Vida e a minha Vida é a Música” *
Juliana Nunes

Osvaldo Emílio Medeiros de nascimento, conhecido por todos como Mestre Vado. Nasceu aqui mesmo, em Jaguarão, e passou toda ou pelo menos boa parte da sua vida numa casa verde, cheia de música, que exalava música de suas paredes, situada ali, na Rua do Cordão.
Disse-me Vado uma vez que tinha por mãe uma mulher chamada Joaquina Medeiros e que era filha de português com africana e por pai Roberto Madeiros, brasileiro, mas com sangue castelhano e acrescentou: “deve ser por isso que sou tão sentimental.”

Com seu modo simples de vida, Vado costumava ensaiar com seu saxofone todos os dias, de maneira religiosa, para não perder a embocadura. Os primeiros ensinamentos musicais começaram aos doze anos de idade, em casa mesmo, com o pai, que era músico e sapateiro; Vado tentou seguir os passos do pai nesta última profissão, porém desistiu pelo amor à música.

Ainda nesse mesmo perído, Vado foi estudar música com o mestre baiano Euclides, que estivera de passagem por Jaguarão, e com o qual aprendeu os fundamentos principais do estudo na área da música, como solfejo entoado “sem prestar instrumentos”. E fez questão de dizer que nunca havia estudado em conservatório!

Aos treze anos já tocava um pouco e dessa forma foi convidado por Theodoro Rodrigues – um dos fundadores do Clube Social 24 de Agosto – para sair no Cordão Carnavalesco União da Classe e tamanha foi a alegria de Vado ao saber que ele, um guri de calça curta, iria tocar no Cordão do 24: “o Teodoro veio falar com meu pai para sair no Cordão do 24, eu estava até jogando bola ali, de calça curta, quando vieram me chamar, ah! pulei de contente por sair no Cordão do 24, e todo mundo ia ver o cordão do 24 que tinha um guri que tocava.”

Sua folia juvenil começava nos salões do Clube 24 de Agosto, onde, portanto, iniciou sua carreira musical propriamente dita. Mas tocou também no Cordão do Eponino, em Río Branco nas cordas de sopro do candombe, tocava tango em clubes daqui, nos clubes do lado de lá, fez parte do conjunto Os Rainha e como ele mesmo disse: “tocava tango, milonga, e toquei em diversos lugares, toquei em igrejas, hospital, e muitas vezes em enterro, e enterro era praxe, morria um conhecido ia tocar.”

Seu conhecimento musical ia além do cancioneiro popular de ambos os países, tanto Brasil, como Uruguai, tocava pequenas peças clássicas; porém ao prolongar da nossa conversa, Vado se revelou um eterno chorão, gostava mesmo era de um “Carinhoso” bem chorado, sendo esse gênero musical tema de suas composições.

Mestre Vado trazia consigo, além de toda a sua vivência, a memória da sua mãe e da sua avó, ex-escrava radicada na mesma Rua do Cordão, a qual contava dos antigos enterros africanos que aconteciam nas redondezas e o início dos cultos umbandistas em Jaguarão: eram os cordões funerários da mão dada. Lembrou-se ainda do tempo em que se dançava bumba-meu-boi em Jaguarão, do Manoel Catarina fantasiado de mulher, brincando e folgando numa tradição trazida de outras regiões. Disse-me da violência do entrudo e de como se jogava água de balde nas noites de folia carnavalesca.

Osvaldo Emílio Medeiros – Mestre Vado - sempre será nosso grande Mestre que ensinou tantos outros músicos e sempre estará vivo, caminhando com seu passinho devagar, atravessando a rua para ir à missa na igreja da Minervina, descendo a rua da praia para rever um antigo amigo, trocar experiências musicais ou simplesmente para tomar um café.

A grandeza do Mestre Vado, tanto a musical, como a pessoal, ficará incrustada nas pedras de cada rua, nos salões dos clubes onde não podia dançar, mas onde se permitia o “choro” do seu piston, nas lembranças dos velhos amigos, dos jovens que o admirava, nos carnavais que embalou, nas avenidas por onde desfilou. Ficará na memória, na história e principalmente, ficará para sempre na música.

Viva o Mestre Vado! Viva a Música Popular!
*Texto feito a partir de uma entrevista concedida por Mestre Vado em julho de 2008.

A simplicidade era a marca do Mestre - foto Juliana Nunes


domingo, 13 de novembro de 2011

Na Rua do Amor

A Rua do Amor  antes do tempo de ser a Rua do Amor 

De tanto sentimentar, sentimentando
Pensei que não estivera em sonho caminhando, e caminhando sem pés
no ardor dos corsos de inverno, levado ladeira abaixo pela Rua do Amor.

E o singelo chorar das carpideiras que saíam da Matriz
atrás de defunto desconhecido
fazia ressoar o calor dos corpos amantes que se beijavam na Rua do Amor.

E ao desabado assim, abruptamente, do patrimônio
sentiam-se extasiados de ruínas e sangue
ao chegar de sono constante, acariciando as mãos, na Rua do Amor.

E de quando, em quando, o sol tocava o telhado vazio
roçavam-se o nariz contra o outro, cheios de sensualidade e pele
e a Rua do Amor se enchia de transeuntes curiosos
invejosos que estavam
ao ver o seio da moça que vestia cor-de-rosa.

E no estrondo definitivo da nova ruína que se fazia
Naquela cidade de amores ladrados às escondidas
A moça rosava, ao ser supostamente calada
pela mão embriagada daquele que a carregava
pela Rua do Amor.

Juliana Nunes

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Para onde foi o Ambrósio?


Anúncio de fuga de escravo publicado no Jornal Atalaia do Sul/1868
Digitalizado do Cadernos Jaguarenses vol. 2 - IHGJ 1998


 Era noite alta e fria dos meses de junho, quando, no povoado do Espírito Santo do Serrito do Jaguarão, Ambrósio, de 26 anos desapareceu em busca de sua família. Era um mulato forte, de uma sensibilidade profunda. Contam os mais antigos que dentro dos olhos de Ambrósio podia se ver duas gotas pérola, deixando seu semblante mais enigmático, encantando quem chegasse perto do rapaz. 
Todos desconhecem os motivos que levaram o pobre a colocar suas parcas roupas nas costas e sair, desatinado, noite de inverno a fora em busca de seus familiares que há muito havia perdido o contato. Viram-se pela última vez na cidade de Rio Grande, quando a desgraça do destino os separou quase para sempre.

Depois de alguns dias de caminhada, e enfrentando toda a sorte de riscos, chegou ao seu primeiro destino: a cidade de Candiota. Nesse lugar Ambrósio cria que estivesse sua família, entretanto o que possuía de concreto sobre isso eram as últimas palavras de sua mãe: “não se esqueça de mim meu filho, estaremos pelas bandas de Candiota”. E foram essas palavras que motivaram a fuga do jovem rapaz.
Sua trajetória poderia passar despercebida, se este jovem fosse uma pessoa comum, com o direito de ir e vir garantido, e não tivesse sido arrancado de sua terra natal e de sua família ainda menino e levado à fronteira jaguarense, para trabalhar sob o regime escravista, numa fazenda. Sobre esse jovem nada mais se sabe que a quantia que se pedia pela sua captura, os motivos que o levaram à fuga, o possível paradeiro e, especialmente, sua procura pela tão sonhada liberdade.
A liberdade almejada por Ambrósio só viria vinte anos mais tarde, com a abolição da escravidão em 1888. Devemos pensar, entretanto, que a lei Áurea livra os negros escravos dos açoites da senzala, como diz um antigo samba da Mangueira, mas os prende a um sistema que os deixou à margem da sociedade, além de enfrentar o preconceito étnico-racial.
Ambrósio é somente mais um exemplo de como existia a resistência, por parte dos escravos, ao cativeiro, ao açoite e ao sistema escravista, composto por grandes senhores. Sua fuga se deu em 1868 e sua figura é real, fazia parte do plantel de escravos da fazenda de Antônio Machado da Silva, e a última notícia que se sabe do seu paradeiro, foi quando passou pela cidade de Candiota, a fim de resgatar sua família e partir para o Estado Oriental e encontrar a liberdade. A sua fuga e a recompensa por quem encontrasse o pobre homem de 26 anos foi vinculada no jornal Atalaia do Sul de 1868, editado e publicado em nossa cidade. Espero que Ambrósio tenha conseguido atravessar a fronteira com sua família e alcançado seus objetivos, por agora só nos resta imaginar.
Juliana Dos Santos Nunes  (historiadora)
Esse artigo foi inspirado em um anúncio de fuga encontrado pela pesquisadora nos acervos do Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Theodoro Rodrigues: Um Ilustre Desconhecido


Quando pensamos na história das cidades e das grandes civilizações, sempre vem à nossa mente nomes de homens que se destacaram dentre tantos outros membros que compõem determinada sociedade. Uma história dos grandes feitos e dos grandes homens.

Em Jaguarão não foi diferente. Sempre nos lembramos do Dr. Alcides Marques, Odilo Gonçalves, Barbosa Neto, Carlos Barboza, dentre outras personalidades. Geralmente os nomes que se costuma perpetuar nos anais da história de um povo são membros das elites dominantes, ou seja, homens influentes, tanto no campo político, como nos campos econômicos e intelectuais. Essa, portanto, seria uma história “vista de cima”, a partir dos grupos dominantes.

Entretanto, a história também foi feita por outras classes sociais e aos poucos, foi-se dando destaque para esses “excluídos”, como os negros, as mulheres, as classes operárias, etc. Em nossa cidade também existe ilustres desconhecidos, aqui darei destaque a figura de Theodoro Rodrigues.

Esse homem nasceu em Jaguarão no ano de 1899, na Capela São Luís, no dia 9 de novembro e era filho de Virgínia Rodrigues. Sua paternidade até o momento não se pôde identificar e a partir disso já se pode deduzir que se tratava de um negro saído da escravidão, filho de mãe solteira.

Foi músico da fanfarra do 3º Regimento de Cavalaria General Osório, ingressando nas forças armadas no ano de 1933; três anos mais tarde foi transferido para Porto Alegre, onde também exerceu a profissão de mecânico.

Lendo a história de Rodrigues, poderíamos considerá-lo como mais um homem simples, dedicado ao seu ofício e que primava pelo seu aperfeiçoamento para vencer as adversidades da vida. No entanto Theodoro Rodrigues teve participação ativa nos meios sociais jaguarenses.  No campo do esporte, foi sócio fundador do Jaguarão Esporte Clube, foi também sócio fundador da Sociedade Operária Jaguarense, hoje Círculo Operário Jaguarense, sendo por várias ocasiões presidente desta instituição e grande incentivador da formação de uma banda de música para os operários.

E seu grande destaque nos meios sociais jaguarenses, foi a fundação, em agosto de 1918, do Clube Social 24 de Agosto e do cordão carnavalesco dessa instituição, “União da Classe”. Esse talvez tenha sido um dos grandes legados de Theodoro Rodrigues, que, cansado de sentir a discriminação por conta de sua cor de pele e de ver a exclusão de seus companheiros negros, resolveu unir esforços e fundar essa tradicional agremiação. Há que se destacar ainda, que Theodoro pertenceu a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário na qual participou como festeiro ou juiz de devoção.

Homens como Theodoro Rodrigues devem ser cada vez mais vistos e lembrados; um cidadão simples, mas que deixou grandes contribuições para a sociedade jaguarense e para a comunidade negra local.

Juliana Nunes

Texto publicado no Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 21 de abril de 2011.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Clube 24 de Agosto- Exposição "Somos o Suco do Carnaval"

Sucesso total na abertura da exposição do trabalho de Juliana Nunes sobre a história do 24 de Agosto. Também foi apresentada monografia sobre o Maestro, educador, músico, Mestre Vado por Joel Fernando Brum da Silveira, graduado em música pela UFPel.

A comunidade, diretoria do Clube 24, Vereador Oberte, a corte do carnaval 2011 e o Prefeito Municipal prestigiaram o evento. 

Devemos destacar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Secult desde 2009 na valorização e apoio da cultura afro-descendente, a realização da Semana da Consciência Negra, o incentivo ao Clube 24 de Agosto na sua inserção dentro da Associação dos Clubes Negros, a promoção das religiões afro-brasileiras, entre outras atividades.

Os trabalhos seguem expostos à visitação na Casa de Cultura. 

Admirando o  passado

 O Cordão União da Classe

O bloco dos que fazem o hoje

A historiadora e a memória do Clube 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Somos o Suco do Carnaval - Exposição na Casa de Cultura

Hoje as 20 horas, na Casa de Cultura de Jaguarão acontecerá  a abertura da Exposição "Somos o o Suco do Carnaval, fragmentos carnavalescos do Clube Social 24 de Agosto", pesquisa histórica e roteiro da Historiadora Juliana dos Santos Nunes.  


Em novembro de 2010, durante a Semana da Consciência Negra, tivemos a oportunidade de assistir à palestra da Juliana, então acadêmica de História,  sobre sua tese tratando da história do Clube 24 e da importância de resgatar essa memória, tanto para a comunidade negra como para toda a sociedade Jaguarense. 

"O Cordão de mão dada" , prática funerária trazida pelos escravos, em que o defunto é levado em cortejo com as pessoas cantando ao seu redor, provavelmente deu origem  ao nome da Rua do Cordão e aos Cordões Carnavalescos.   Esta e outras tantas histórias interessantes sobre o carnaval, poderemos conferir na noite de hoje.

Fotos da Palestra

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Lamento do Mascarado

Arte: Pintura tela: Jonas Santos
                                                                                      Aos antigos Mascarados


Eu não sei mais dançar
Minha máscara caiu, se partiu, no início do século XIX
Não sei mais brincar o carnaval que de tantos carnavais
Tornou-se velho e desusado
Não sei mais girar a porta-bandeira
E tão pouco rodopiar o mestre-sala
Não posso mais sair de rei Momo
Não tenho mais confetes nem serpentinas
Não tenho tantos risos, nem tantas alegrias
E meus palhaços já se espatifaram no chão
Não sei mais andar na roda das rodas, nem usar fantasia de índio
Não me pinto e ultimamente ando vestido de sem graça
Sou aquele que nem o vento levanta com os suspiros de namorados furtivos
Sou o caminho para ver a barra do dia
Aquele que fez do trapo seu rosto diário e sua alegria
Sou a quarta-feira de cinza acinzentada
Sou a quarta-feira de cinzas cheia de inveja
Aquele em que o tempo apagou com borracha e carvão
Que vai enterrar os ossos num cortejo sem procissão
A despedida das águas de março
Para retornar na próxima estação.
 
 
Juliana Nunes

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Clubes Negros: Patrimônio Cultural?

Fotos J. Passos
No dia 18 de novembro, no Clube 24 de Agosto, teve sequência a programação da Semana da Consciência Negra.

A Profa. Dra. Rosane Rubert – Departamento de História e Antropologia, ICH.,UFPel falou sobre a temática: “Clube Cultural Fica Ahi Pra Ir Dizendo: o processo de transformação em Centro de Cultura Afro-brasileira.”



“Entre o Diário e a Folia: fragmentos carnavalescos do Clube 24 de Agosto” foi o assunto abordado por Juliana Nunes – Acadêmica do Curso de História – UFPel .
Numa palestra que emocionou os ouvintes, por estarem presentes muitas pessoas que fazem parte da história dos Cordões que deram origem ao Clube 24 de Agosto. A pesquisadora encerrou sua fala com a frase: "O Clube é o nosso Quilombo".


Luis Carlos de Oliveira, Rep. Comissão Nacional de Clubes Socias Negros, Conselheiro do CODENE , Secretário de Relações Institucionais do Coletivo de Clubes Sociais Negros do RS, falou sobre a importância do espaço dos clubes negros não ficar restrito ã recreação, mas sim estar aberto à comunidade para projetos de desenvolvimento social e humano, por exemplo, a inclusão digital.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Agenda de hoje na II Semana da Consciência Negra

Arte Jonas Santos ( Na mesa do restaurante do Sales)




Programação de hoje, 18/11 19h

Mesa - Clubes Negros: Patrimônio Cultural? Local: Clube 24 de Agosto

Luis Carlos de Oliveira - Rep. Comissão Nacional de Clubes Socias Negros . Conselheiro do CODENE - Secretário de Relações Institucionais do Coletivo de Clubes Sociais Negros do RS

“Entre o Diário e a Folia: fragmentos carnavalescos do Clube 24 de Agosto”.

Juliana Nunes – Acadêmica do Curso de História – UFPel.

Não perca. As palestras têm sido muito qualificadas!

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...