segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Goodbye Lux Baker

Foto Arte  G. Steps
So long boy you can take my place
got my papers
I've got my pay
So pack my bags and I'll be on my way
to yellow river ...        (...)
Got no time for explanation
got no time to lose
Tomorrow night you'll find me
Sleeping underneath the moon
at yellow river
(Yellow River – 1970, Jeff Christie)



Alguma anêmona em mim intuía os mosaicos desde o Cine Rio Branco para mais além da Ponte; intuída a direção, meu estômago a seguiu como se fosse um balão ao vento – pronto e fugidio. A noite estrelada e as luzes aqui e ali, nos postes recortavam o céu escuro, que meus olhos dessemelhantes enxergavam num mar espesso.

Adiante deparei com a tripulação cazumbi do Galileu que avançava em uma travessia galharda – sempre tomavam o padre pelo sino, sempre duvidando de toda certeza. Localizei dentre eles um único amigo; não um amigo, mas um confrade, um companheiro de idéias. Acompanhei-os. Vi a língua da voz aguda, esquisita, do Gordo. O Gordo era estridente! A língua de fogo, em chama retorcida, subia e eu menos escutava do que via o discurso físico que ela pretendia. Escrito em letras miúdas ascendentes sobre o negro firmamento. Falava de pressão sobre um meio líquido – falava de um tipo de nome Pascoal ou Pascale. Meus pés tateavam musicalmente o chão; um mais de lado do que o outro, evocando aquela minha assimetria diagonal. Elevei, de meu peito para minha cabeça, uma névoa gelada e verde, quem sabe me refrescasse e poderia coordenar. Seguia os passos dos demais em movimento ciliar, não tinha firmeza em parte alguma. Empurrei minha mão para um lado e foi-se o braço todo, chocando opaco contra a amurada. Meus pés continuavam tateando; apuraram um pouco o ritmo, vi as costas da japona engalonada do Venerável crescer em minha direção. Falei qualquer coisa por falar; ele não ouviu, ninguém ouviu, nem eu mesmo ouvi, só percebi um fiapo de voz mecanizada que saiu soprada de meus lábios fazendo cócegas - uma voz balbuciante. 

O Gordo continuava concitando as massas líquidas, mas então os termos se engrolaram e, sem sentido, passaram a fermentar dentro de mim. Um seio pantanoso e quente passara a ferver, a depurar-se e, acima dele, uma revoada de borboletas, libélulas e mariposas faziam cócegas em meu tórax; pequenas flechas escuras saltavam de um motor de alta ciclagem em meu peito e seguiam a linha de meus braços  e pernas. O Gordo continuava: toda pressão exercida sobre o centro de  uma massa... Até que, como um bálsamo peruviano, a névoa verde voltou-se extrusiva e conduziu manu militari a depuração; e as borboletas e as libélulas e as mariposas passaram pela minha garganta, pela minha língua e descarregaram-se num vôo suave, irisado e infinito.

Vencida a ponte, as luzes eram mais raras. A escuridão, o breu, somente uma vez por outra era interrompido. Agora eu era menor; era um ponto em meio à névoa fria rodeada pelo negrumoso circundante. Só tinha um amigo ao meu lado – tão fraco quanto eu. A tripulação do Galileu dispersara, suas caras ficaram gravadas na cera mnemônica por uns poucos segundos. Pressenti o perigo. O rumo estava certo, a anêmona continuava a indicar, porém nossa equipagem era insignificante para enfrentar qualquer risco. E cruzar alguns trechos da Odilo era sempre arriscado, tais lugares eram propícios aos cães que assomam de dentro. Que tomam forma do braço ou da mão e atacam o resto do corpo - atacam as nádegas, quando se está em disparada ou atacam o joelho para imobilizar. 

De todos, o pior é o Cão dos Políticos, que avança com a fauce vermelha escorrendo saliva, geralmente atacam em bando, saltam de dentro para fora e de fora para dentro da pessoa, cravam os dentes e sacodem a cabeça. Sorriem quando sentem o cheiro a medo e provocam o pânico fazendo comentários a respeito da lua – do tipo: “você não passa desta lua”, ou “que linda lua para arrancar teu nariz”. Senti que devia fazer companhia a este amigo que cheirava insuportavelmente a gim com pomelo. 

Seguimos três ou quatro quadras antes do aclive sem que nada demais ocorresse, porém o frio e o temor não cessavam. Arregalei o olho direito e vi que meu amigo mostrava cansaço. Ao mesmo tempo dei-me conta que chegáramos perto da passagem onde ele morava. Num stop, pus-me a aliviar a bexiga, expulsara uma variedade de objetos quando me surpreendeu o Cão dos Políticos. À minha frente, éramos só pelos eriçados. Meus dentes começaram a tremer e, depois, em seguida, a chocarem-se dentro da boca. Por que fosse somente um cão, e não o bando costumeiro, houve tempo e circunstância para que o amigo me tirasse do torpor com um safanão. E deitamos o cabelo em disparada; no íngreme do aclive senti que a fera me abocanhava por de trás sem conseguir me apanhar. Dobramos em direção ao Círculo, sempre em disparada, por fim senti que soava uma campana em meu peito. Neste feito fui eu quem pensou: “que linda está a lua para pular o muro do inconsciente”. E assim o fiz, deixei pra trás o amigo que restou de boca aberta ao ver o arremesso perfeito que propeli ao meu corpo; ainda que o tenha visto de soslaio, enquanto eu atravessava o cimo do muro, não pude saudar-lhe em definitivo. Estava eufórico por poder ir cantar em outras freguesias. 

E não mais relato, do que, do outro lado esperavam-me as borboletas, as libélulas e as mariposas, que, em seu vôo firmavam uma rede feita de novelos de lã e chilreavam sons que pareciam entoar Fé Cega, Faca Amolada.         




Sérgio B. Christino

domingo, 30 de janeiro de 2011

MOTOFEST- PROGRAMAÇÃO DESTE DOMINGO


 8h Som Mecânico
10h Despedida aos Motociclistas
12h Almoço Livre
16h Som Mecânico


A partir das 20h



Show cantora Nalanda
(participante do programa Fama)

Banda San Folia


21h    Show Freestyle -Equipe Alto Risco


24h Encerramento

sábado, 29 de janeiro de 2011

Rosa Tattooada - Motofest Jaguarão 2011

MOTOFEST - Programação deste sábado

Tonho Crocco é uma das grandes atrações de hoje


8h   Recepção no Trevo
9h   Concurso de Assadores de Cordeiro
10h  Abertura da Feira de Motociclistas
11h  Visitas aos Free Shops
12h  Almoço Livre
14h  Passeio Turístico
16h  Competições entre Motociclistas
17h  Som com DJ’S
20h  Passeio Motociclista Internacional


A partir das 20h




Banda Soulgood




Tamiflu (Uruguai)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Correio do Povo - Jaguarão: Resgate na antiga Enfermaria

Reproduzimos matéria do Correio do Povo, Editoria Cidades, edição impressa do dia 28/01/2011.

  Foto Fernanda Cassel
                                          Trabalhos nas ruínas do prédio de 1883, realizados por arqueólogos, devem se estender até 4 de fevereiro<br /><b>Crédito: </b> Fernanda Cassel / Divulgação / CP 
         Trabalhos nas ruínas do prédio de 1883,
         realizados por arqueólogos,
       devem se estender até 4 de fevereiro


Azulejos, uma lixeira hospitalar e outros elementos arquitetônicos foram encontrados nas ruínas da Enfermaria Militar de Jaguarão, construída em 1883. As peças e estruturas da edificação resultam da limpeza e escavação do material arqueológico na área da antiga enfermaria. O trabalho foi iniciado no dia 4 de janeiro pelo Instituto de Memória e Patrimônio de Pelotas, por meio dos arqueólogos Fábio Cerqueira, Luciana Peixoto e equipe. A profundidade da escavação é de 80 centímetros. A iniciativa visa encontrar vestígios que ajudem no resgate da história do prédio e da cidade, que faz fronteira com o Uruguai. A conclusão da operação está prevista para 4 de fevereiro.

Outra atividade em andamento, que faz parte dessa investigação, é a realização de entrevistas. Até agora foram ouvidas 15 pessoas que contribuíram no esclarecimento da memória da Enfermaria. Algumas conversas são informais, de pedestres que transitam no local e acabam revelando dados interessantes, e outras são feitas por meio de agendamento. De acordo com o arqueólogo Cerqueira, os entrevistados conheceram ou vivenciaram as várias fases da edificação, antes e após sua depredação.

Além dessas iniciativas, foram realizadas ações de educação patrimonial com os professores da rede municipal. O objetivo é que eles atuem como multiplicadores, dando visibilidade ao projeto de resgate histórico e à cultura arqueológica. Também foi organizada uma exposição sobre as ruínas da Enfermaria na Casa de Cultura de Jaguarão.

O prefeito Cláudio Martins diz que o trabalho, financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é muito importante para a recuperação da memória da comunidade e se constitui em um passo importante para a execução do Centro de Interpretação do Pampa nas ruínas da Enfermaria. "Esse trabalho contribui também com a economia do município, já que são gerados alguns empregos temporários e, além disso, a equipe, composta por dez pessoas, usufrui dos serviços de hospedagem e de alimentação locais", completa o prefeito.

Para essa etapa da escavação foram investidos R$ 157 mil, financiados pelo Iphan. As ruínas da Enfermaria Militar são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul. O custo para implantar o Centro de Interpretação do Pampa é de R$ 7 milhões, também com recursos vindos do instituto nacional. A finalidade principal do centro é ter um espaço de arquitetura e tecnologia contemporâneas, onde todos possam usufruir e se beneficiar de experiências de cultura e entretenimento. Será também um local para pesquisa acadêmico-científica e para arquivo de registros históricos.


Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/


MOTOFEST - O QUE VAI ROLAR HOJE, DIA 28, SEXTA FEIRA.

8h – Recepção no trevo


10h – Abertura da Feira de Motociclistas


12h – Almoço livre


16h – Som Mecânico

A partir das 20h


Banda  Blackout  (Jaguarão)

                                                  Oktanaje    (Uruguai)




21h- Abertura Oficial

O Rock Jaguarense na Motofest

O LARGO DAS BANDEIRAS TREMEU AO SOM DO ROCK DA GURIZADA DE JAGUARÃO
NA NOITE DE ABERTURA DA MOTOFEST


BLEKKING

 THE LAW


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MOTOFEST - PROGRAMAÇÃO DE HOJE, 27 DE JANEIRO

A Grande festa dos Motociclistas, A 12º MOTOFEST,  começa hoje em Jaguarão. São esperados mais de 3 mil cavaleiros motorizados vindos de todas as partes.  Muito Rock e agito no Largo das Bandeiras.

Confira a a programação de abertura da noite de hoje.

19:30 -  GAROTA VERÃO - RBS


A PARTIR DAS 21:00  

BANDA THE LAW



BANDA BLEKKING
 BANDAS DE GARAGEM



A atividade é uma realização do Motogrupo Km Final e da Prefeitura de Jaguarão, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

O ACESSO À CULTURA COMO DIREITO

Arte: Pintura em tela - Zé Darci


Ministra pede agilidade a deputados para aprovar Vale Cultura

Brasília – A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, afirmou hoje (27/1) que já entrou em contato com parlamentares da Câmara dos Deputados para pedir mais agilidade na tramitação do projeto de lei que cria o Vale Cultura. A expectativa, segundo ela, é que o benefício seja aprovado ainda neste primeiro semestre.

O PL 5.798/09, que institui o Vale Cultura, prevê o pagamento de um valor mensal de R$ 50 em cartão magnético a trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos. O valor poderá ser usado para a compra de livros, CDs e DVDs, ou para assistir a filmes, peças de teatro e espetáculos de dança.

“Acho que não há nenhum questionamento sobre a importância [do projeto de lei] e de disponibilizar logo para o trabalhador esse direito de ter acesso à cultura”, disse, após participar de entrevista a emissoras de rádio, durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços.

Segundo Ana Hollanda, a cultura ainda é vista como um segmento “meio abstrato”, mas tem uma função muito objetiva de lidar com o cidadão. “Se a gente não trabalhar, a cultura estará perdendo uma grande oportunidade de se inserir no dia a dia do trabalhador.”

Fonte:   Agência Brasil

             Publicação: 27/01/2011
             http://www.correiobraziliense.com.br/ 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Intuição

                    Antes de pisar em falso
                    E me entregar sem medo
                    Estaciono no meu tempo
                    Esqueço das horas pensando em ti

                    Essa sucessão de agoras infinitos
                    Dá razão a minha luta do instante
                    De ser feliz a qualquer preço
                    Mesmo que isso não importe

                    E os sonhos que sofreram transmutação
                    Nesse momento que olho o mundo de dentro
                    Estão cada vez mais perto de mim
                    Ao sentir-me cada vez mais longe do centro.


                                      Daniel Moreira (revista-seja.blogspot.com)
 
                    Arte: Raul Garre

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maria Volonté e Kevin Footer na Biblioteca Café - Buenos Aires

 imagens do show  do dia 15/01/2011

 Maria Volonté canta un tango,
 Vontade de amar, 
 De amar Buenos Aires.
 Na capela, entoa um Fado.
 Lisboa revisitada en la calle Alvear.
 De repente, un aire de candombe.
 Vontade de bailar Montevideo.
 Una harmonica a la Midnight Cowboy,
 A Bossa do Brasil no violão,
 A província presente na Chacarera.


 Maria Jazz, Maria Fado, Maria Tango.
 Simplesmente Maria. 
                                            Jorge Passos



Se você estiver em Buenos Aires, não perca a apresentação de Maria Volonté e Kevin Footer na Biblioteca Café no dia 29 de Janeiro , 21 horas.



O projeto Cine Resistência vai ao Presídio


Nos dias 08 e 14 de fevereiro de 2011, o Presídio Estadual de Jaguarão estará recebendo o projeto Cine Resistência. Este projeto tem por objetivo tratar de assuntos do cotidiano das pessoas em estado de vulnerabilidade social, abordando, de forma informativa e reflexiva, temas como tráfico de drogas, gravidez na adolescência, racismo, DST, prostituição infantil, entre outros.

Com a intenção de levar informação de forma lúdica e cultural, são utilizados materiais cinematográficos, de preferência nacionais, onde se possa mostrar uma situação mais próxima à realidade, realidade essa, relacionada a todos os temas elencados anteriormente.

O Cine Resistência é uma das primeiras iniciativas de construção de políticas públicas, realizada pela Coordenação da Juventude da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos, voltada para a juventude carcerária, na intenção de construir uma reintegração dos detentos com a vida social.



Helder Ran

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Diário Popular - Jaguarão - A singularidade que levou ao tombamento


Segunda parte da reportagem de Michelle Ferreira sobre o tombamento pelo IPHAN da cidade de Jaguarão, publicada na edição impressa do Diário Popular do dia 24/01/2010.

A seguir, trechos da matéria.
Fotos, Carlos Queiroz.
O que pesou à decisão

A singularidade de Jaguarão pesou ao tombamento e há décadas desperta a atenção de órgãos de patrimônio e de universidades. "A arquitetura, predominantemente eclética, é rica. Destacam-se também, a predominancia de horizontalidade e o estado de conservação da cidade, praticamente íntegra", analisa a coordenadora da área técnica do Iphan no Rio Grande do Sul, a arquiteta Ana Maria Beltrami.

Em 2009, o Instituto contratou empresa para aplicação do sistema Integrado de Conhecimento e Gestão, ou seja, do inventário. As pesquisas, entretanto, vêm de longa data e já somam três décadas. Destaque para o projeto Jaguar, conduzido por professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em especial por Ana Lúcia Oliveira, que mais tarde editou o trabalho Programa de Revitalização Integrada de Jaguarão, lembra Alan Melo.

O diretor de Patrimônio histórico aproveita para enfatizar a importância de metodologias que permitem tombamentos mais rápidos. Em processos anteriores, os estudos podiam se arrastar por tantas décadas, que quando as equipes retornavam ao sítio histórico, muito havia sido alterado. Pior do que invalidar o estudo, era perder o patrimônio, enquanto o tombamento não era oficializado.


Debate de todos. O desafio é grande e é bom: "Queremos envolver a população nesse processo", afirma o prefeito Cláudio Martins (PT). O tema tombamento não será tratado em gabinetes - garante o chefe do executivo. É fundamental que os moradores se apropriem das discussões. "Jaguarão não está só passando por um processo de reidentificação histórica. A cidade precisa se apresentar, se assumir e se enxergar com vocação turística".


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Galeria de fotos do Diário Popular no Facebook sobre Jaguarão
registradas por Carlos Queiroz


Observação deste Blog:
Ilustra a reportagem do Diário Popular, fotos da residência de minha irmã, Maria do Carmo Neves Passos, responsável por sua conservação. Reconhecimento também ao antigo proprietário, Dário Neves, o "Português", que manteve sempre as características originais do prédio mesmo com as reformas realizadas.

A singularidade que deu o tombamento a Jaguarão

IPHAN catalogou 800 imóveis
Foto Carlos Queiroz

Por: Michele Ferreira michele@diariopopular.com.br

O número é alto. O inventário realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para decidir pelo tombamento de Jaguarão, catalogou 800 imóveis. O mapeamento, minucioso, abrange aproximadamente 50% da zona urbana, seja como área tombada ou de entorno. Com o selo de qualidade, muitas regras precisarão ser respeitadas. A partir de agora, todas as obras que atinjam a arquitetura de prédios que integram o conjunto dependerão de aprovação do Iphan.

A possibilidade de o órgão instalar um escritório técnico em Jaguarão já é analisada, com o intuito de agilizar os procedimentos. Entusiasmo e receio ficam lado a lado, na comunidade. Para esvaziar as dúvidas, portanto, só há um caminho: debate aberto.

“A cidade não ficará congelada com o tombamento.” A declaração é do diretor de Patrimônio Histórico da prefeitura, Alan Dutra de Melo. “Entraremos, agora, no período de definição das diretrizes de cada setor em que a cidade foi dividida. Depois será feito um regramento.” Tudo em compatibilidade com o Plano Diretor, de 2007, também considerado pelo estudo do Iphan. E é esse detalhamento, a ser construído daqui para frente, que indicará a linha a ser adotada em cada situação, seja para o que já existe, seja para o que será erguido. Os prédios não serão vistos de forma isolada. O resguardo da paisagem, a face da quadra, a volumetria do entorno. Será preciso identificar as variáveis de cada caso, mas é o interesse público, coletivo, que deverá prevalecer. Não o privado ou de especulação imobiliária.


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Galeria de fotos do Diário Popular no Facebook sobre Jaguarão
registradas por Carlos Queiroz


Confira todos os detalhes sobre o tombamento de Jaguarão na reportagem completa nas páginas 2 e 3 da edição impressa do Diário Popular. (edição do dia 23 e 24/01/2011)

Fonte: http://www.diariopopular.com.br/

Jacques Sternberg - El sobreviviente

Reproduzimos artigo de Mariana Enriquez, da excelente coluna suplementos, do portal e diario Página 12 da Argentina.



Especialista en microrrelatos, Jacques Sternberg tuvo una azarosa vida marcada por la Segunda Guerra Mundial y sus secuelas, y también formó parte de la nouvelle vague. Sus Cuentos glaciales rondan la muerte y, sobre todo, el absurdo de tener que sobrevivir.

Por Mariana Enriquez

Muy poco leído en castellano, Jacques Sternberg fue uno de los escritores más prolíficos en francés, con dieciséis colecciones de cuentos, dieciséis novelas, tres piezas teatrales, dos libros de ensayos, incontables artículos periodísticos y varios guiones de cine y televisión, entre ellos el de Je T’aime, Je T’aime (1968), para el maestro de la nouvelle vague Alain Resnais. Era, también, un hombre muy inquieto y muy extraño, producto de sus terribles primeros años: hijo de un rico comerciante de diamantes judío de origen polaco, Jacques Sternberg nació en 1923 en Anvers, Bélgica. Al comienzo de la Segunda Guerra Mundial, la familia se refugió en Cannes, pero cuando los alemanes ocuparon Francia huyeron hacia España, donde los Sternberg fueron detenidos en Barcelona y deportados nuevamente a Francia. Allí Jacques y su padre permanecieron en un campo de prisioneros, hasta que el padre fue deportado a Polonia. Murió en el viaje. En 1944, durante la liberación, Sternberg se encontraba en París. El, que había sido el hijo rebelde de una familia muy rica, era pobrísimo. Empezó a trabajar como cronista en diarios belgas, más tarde como embalador, fue publicista, detective, dactilógrafo, vendedor. Hacia 1948 comenzó su carrera como escritor con el género por el que sería más recordado: la micro-ficción. Durante los siguientes veinte años formaría parte del grupo Pánico junto a Alejandro Jodorowski, se dedicó a navegar en su velero –aunque siempre se negó a correr regatas– y sería editor de la revista Planète, además de otros varios emprendimientos editoriales siempre relacionados con el fantástico y la ciencia ficción, aunque él renegara de estas clasificaciones.

Cuentos glaciales (Contés Glacés, 1974) son 270 cuentos, recopilados por el propio Sternberg, escritos entre 1948 y la fecha de edición. En el prólogo, el autor escribe, con su característico gusto por la provocación: “Escribir una novela de más de 250 páginas está al alcance de cualquier escritor más o menos dotado. Puede hacerse en 25 días a razón de 10 páginas diarias... Escribir 270 cuentos, en su mayoría breves, es otra historia. No se trata de un asunto de ritmo, sino de inspiración: hacen falta 270 ideas. Y eso es mucho”.


Varios de estos “cuentos glaciales” giran, justamente, alrededor de una idea ingeniosa, en la mayoría de los casos muy inquietante. Casi siempre, los microrrelatos pueden considerarse fantásticos o estar dentro de la ciencia ficción (especialmente en los apartados “Los otros” y “Los otros lugares”), pero en todos los casos le pertenecen al fantástico post Kafka, que no usa ni monstruos ni maquinarias perversas ni laboratorios para expresar lo irracional de la existencia humana. Kafka es una influencia; también cierto humor surrealista. Y en cada texto queda clara la desconfianza de Sternberg, su misantropía, su humor negro. A cada relato clásico, como “El reflejo” (sobre el tema del doble), se le van sumando cuentos donde lo disruptivo, en ocasiones lo maligno, es la ciudad, la burocracia, los pasillos, los túneles, las cañerías, las películas, las fotografías: el horror de la deshumanización pero escrito sin solemnidad, con una sonrisa perversa. Salvo, quizá, en los numerosos relatos sobre o situados en trenes (“La estación”, “El último vagón”): no es aventurado afirmar que en estos relatos Sternberg está escribiendo sobre el Holocausto, ya que luego lo hace explícitamente en cuentos como “La cura” (un campo de concentración en un castillo) o el clarísimo “El tren”.


Hay dos relatos en Cuentos glaciales que escapan a la microficción y no sólo por su extensión. Se trata de “El resto es silencio” y “Marea baja”, dos cuentos de casi veinte páginas protagonizados por mujeres extrañas que visitan al protagonista y lo hechizan con mórbido encanto. Las visitantes encarnan a la Muerte, y no parece casual que Sternberg haya incluido en la colección a estos disonantes cuentos extensos, descriptivos, muy poco ingeniosos, desesperantes y de oscura fluidez. La muerte es el gran tema que sobrevuela todos los Cuentos glaciales, incluso los más juguetones, incluso los que se parecen demasiado a ejercicios o borradores, sea en la muerte de una civilización (“La memoria”) o la de un niño (“El juego”). Sternberg se consideraba un cronista del terror en sus formas contemporáneas pero, al menos en Cuentos glaciales, su gran miedo es el fin. O el absurdo de tener que vivir y morir.

Fonte: http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/libros/10-4140-2011-01-24.html

"Pouco lido em castelhano" nos diz a autora do artigo e "quase nada em portugues" ousamos afirmar. De Jacques Sternberg, encontramos indicios de sua obra apenas numa coletanea de contos de ficção cientifica editada em Portugal, Coimbra 1959.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Diário Popular - Jaguarão - Selo de qualidade ímpar


O Diário Popular de Pelotas, na sua edição impressa de hoje, 23 de janeiro de 2011, divulga reportagem de Michelle Ferreira sobre o tombamento pelo IPHAN da cidade de Jaguarão.


A seguir , alguns trechos da matéria:



"As escavações na antiga Enfermaria Militar tornam-se a primeira de uma série de ações a serem implantadas na fronteira com o Uruguay; ao lado de Santa Tereza, Jaguarão vira a segunda cidade gaúcha a ser tombada pelo IPHAN."

"Elaboração de projetos, captação de recursos e recuperação de prédios. Com o selo de qualidade que poucas cidades possuem em todo o Brasil, o governo de Jaguarão começa a fazer um chamamento à população, não só pela preservação de imóveis. É preciso que os moradores compreendam o processo que se inicia. É fundamental que o tombamento não seja apenas um título, mas passe a repercutir no desenvolvimento socioeconômico. Se possível, também da região."

"O militar da reserva, José Albertino Teixeira, 90, recebe o convite para voltar ao Cerro da Pólvora. E, claro, aceita. Seu Taroco, como é conhecido, já está acostumado a dividir suas memórias da Jaguarão da primeira metade do século 20. (...) São lembranças assim , como as do Seu Taroco, que se emociona ao falar na carreira - e chora ao fazer rápida referencia ao período de um ano em que engrossou as tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial, na Itália - que a equipe de pesquisadores procura ter por perto."Estamos trabalhando com esse recurso da oralidade", afirma uma das coordenadoras das escavações, a arqueóloga Luciana Peixoto. É uma forma de cruzar os relatos com os apontamentos da arqueologia da arquitetura, por exemplo."

"O Centro em que estará inserido o Museu do Pampa, se voltará à educação patrimonial e à produção científica sobre as condições naturais, culturais e sociais da região. Para apresentar ao público uma síntese dos pampeanos, da vida doméstica ao ambiente de trabalho, com passagens pelo universo da política e também militar, por vezes, a vivencia será sensorial, cognitiva. Palavras de poetas. Sensação de frio. O Museu do Pampa promete agradar a todas as idades."

"Impacto ao entorno. A comunidade do Cerro da Pólvora se beneficiará diretamente com os investimentos da União: R$ 3 milhoes - do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)- devem ser aplicados em pavimentação, saneamento básico e na recuperação de 78 casas e na reconstrução de outras dez moradias."

Iphan busca o passado em Jaguarão

Foto: Carlos Queiroz

Conjunto histórico foi tombado em dezembro de 2010


    Por: Michele Ferreira
    michele@diariopopular.com.br


    Até o dia 4 de fevereiro devem estar concluídas as escavações junto às ruínas da Enfermaria Militar. Dez profissionais trabalham de domingo a domingo, desde o início do ano, e dividem-se entre analisar a arqueologia da arquitetura - para identificar as alterações na construção de 1883, ao longo do tempo - e buscar vestígios de um forte que teria começado a ser erguido no Cerro da Pólvora, o segundo ponto mais alto da cidade. É um processo imprescindível, para tirar do papel as obras que irão restaurar a antiga enfermaria e transformá-la no Centro de Interpretação do Pampa. É a primeira ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Jaguarão, desde o tombamento do conjunto histórico e paisagístico, em final de dezembro.

    Com a distinção, a cidade iguala-se a Santa Tereza, na Serra, e torna-se o segundo território gaúcho a receber o reconhecimento como Paisagem Cultural.

    Neste domingo (23) e segunda-feira, portanto, a edição impressa do Diário Popular traz a palavra de lideranças da comunidade e mostra como o município de fronteira com Rio Branco, no Uruguai, prepara-se para investir na vocação turística.

    Fonte: http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=1&noticia=32571

    sábado, 22 de janeiro de 2011

    Carinhoso - Chorinho em Niteroi / Brasil - Yamandú Costa


    Um dos grandes momentos do documentário "Brasileirinho" exibido quinta feira no Cineclube Jaguarão. "Carinhoso", com Yamandú Costa acompanhado pelas vozes do público no teatro de Niterói.

    sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

    Diversas apresentações marcam o encerramento da 1º etapa do “Música para Todos”


    Com o auditório da Casa de Cultura completamente lotado de jovens, crianças e adultos, na noite da última terça-feira (18) a Secretaria de Cultura através da Coordenação de Promoção Cultural realizou o encerramento da primeira etapa do Projeto Música para Todos.


    Na ocasião, os alunos que participaram dos encontros no ano de 2010 mostraram para os presentes tudo o que aprenderam durante as aulas, em uma bonita apresentação que emocionou a todos.


    De acordo com o Secretário de Cultura e Turismo, Alencar Porto, uma das maiores preocupações do Prefeito Cláudio Martins quando entrou no governo era a de proporcionar o acesso a cultura também aos mais carentes do município e seguindo essa linha a SECULT vem trabalhando intensamente em programas que garantam a inclusão de todos.


    O coordenador de promoção cultural, Rodrigo Machado, mostrou-se muito satisfeito com o resultado do programa. “A grande participação popular foi um importante incentivo para nos dedicarmos cada vez mais ao programa e proporcionarmos a muitas pessoas o aprendizado de diversos instrumentos musicais”, finaliza.


    SAIBA MAIS: O “Música para Todos” é um projeto criado em julho de 2010 pela Coordenação de Promoção Cultural com a finalidade de proporcionar para a população jaguarense novas oportunidades e incentivar a inclusão de jovens e adolescentes em atividades culturais.


    No ano de 2010 o projeto contou com a participação de 40 alunos por dia divididos entre os cursos de acordeom, bateria, teclado, guitarra e violão.


    Fonte: http://jaguarao.rs.gov.br/

    Um ano de Cineclube


    Zé da Velha e Paulo Moura no documentário Brasileirinho
    Roda de Samba com Paulo Timm, Maestro Juan Schllemberg e Régis Bardini

    Grande público presente ontem na comemoração do primeiro ano do Cineclube Jaguarão na Casa de Cultura. O filme "Brasileirinho", documentário sobre o choro, arrancou aplausos da plateia. Cremos que até mereceria um bis durante o ano.

    A noitada continuou com uma roda de samba animada e nem só samba! Como quadra aos fronteirizos, viajou-se pelo candombe, músicas regionais e os tangos interpretados por Schllemberg, com seu teclado.

    Parabéns à diretora da Casa de Cultura, ao Secretário Alencar Porto e a toda equipe da Secult que vem desenvolvendo um brilhante trabalho.

    Entrevista ao Diário Popular



    Na segunda feira, dia 17 de janeiro, concedemos entrevista à reportagem do Diário Popular de Pelotas sobre o significado para nossa cidade do Tombamento como patrimônio histórico nacional por parte do IPHAN e sobre a necessidade de conscientização da comunidade acerca desse fato, o qual trará enormes benefícios para Jaguarão.


    A reportagem completa deve ser publicada na semana que vem no jornal pelotense. Estaremos divulgando aqui no Blog da Confraria.
    Jorge Passos

    quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

    Hoje , 20 horas, Brasileirinho no aniversário de um ano do Cineclube Jaguarão

    Trio Madeira no filme Brasileirinho


    Brasileirinho

    Filme de Mika Kaurismäki faz um passeio pelo universo do choro, e mostra a reverência de jovens músicos pelos mais antigos



    O filme trata das origens, primeiros adeptos, e ainda, é um importante registro do Choro atual, feito por novos e apaixonados músicos, que mantém vivo esse gênero musical.

    Durante uma tradicional Roda de Choro, o Trio Madeira Brasil, apresenta aos demais músicos convidados um projeto de show, e convida-os a participar. Paralelamente, seja nas sessões de Roda, em suas próprias casas, ou tendo "cartões postais" do Rio de Janeiro ao fundo, alguns dos maiores expoentes do Choro tocam e lembram passagens essenciais da história desta música urbana do Brasil, como por exemplo a Era do Rádio, das Big Bands, e das gafieiras tradicionais, que aconteciam a céu aberto, no interior do país.

    O filme culmina com um concerto em um tradicional teatro do estado do Rio de Janeiro - o Teatro Municipal de Niterói. Durante o show, os artistas resumem, de forma espetacular, a opulência dos ritmos e melodias do Choro, um dos melhores e mais autênticos estilos musicais do Brasil.
    Indicado na categoria Melhor Documentário no Jussi Awards (2007), o “Oscar finlandês”, o filme conta ainda com a participação dos músicos: Paulo Moura, Yamandu Costa, Zé da Velha, Silvério Pontes, Joel do Bandolim, Jorginho do Pandeiro, Marcos Suzano, Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Trio Madeira Brasil, Elza Soares, Guinga, Teresa Cristina, Grupo Semente, Zezé Gonzaga, Ademilde Fonseca.
    Fontes:

    Data : 20/01/2010
    Local : Auditório da Casa de Cultura de Jaguarão
    Horário: 20 horas
    Entrada gratuita

    quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

    Cães, gatos e tigres asiáticos

    Arte: G. Steps



    Naquela manhã de inverno intenso, os cães se aproximavam como gelo que se quebra, movimentos trincados ao sabor da névoa espessa. De cada caverna urbana o vazio se fazia com a revoada dos cães de rua; a rua magnética suprimia o aconchego da má noite.

    Eu procurava mover-me pouco, para não espantá-los, o espetáculo e a preguiça. A cada três minutos um bocejo sonoro, ar quente devorado na manhã faminta, de calor, de som, de imagens, sobretudo de movimentos.

    Estivesse à procura de paisagem para pincelar, mudaria apenas o bonito e moderno prédio da esquina próxima, com seus vidros inflacionados e desenho a la Tigre-Asiático-montado-no-dinheiro. Suprimiria o prédio e incluiria uma sapataria, um salão de beleza e um bolicho seria demais, seria demais.

    Há mais ainda o cão de raça desafortunadamente à janela, janela bonita, mas de raça o cão; também mudaria, por um gato, ainda que de raça, pois mesmo puros os gatos são impuros, e apropriados para aquela manhã de inverno intenso. Quem sabe um gato à janela não assustaria os ratos que, ingressando no quadro, seriam bem vindos, mesmo que espantados, corridos, que para isso é que existem.

    Mas a manhã se vai, a neblina se vai, os personagens se vão, o olhar do sol se apura e depura, eu sofro mais a cada instante, sou varrido da calçada por quem de direito, meu olhar perde a sensibilidade que o olhar sem sensibilidade não sentia. Levanto e sigo a passos arrastados na direção do poente, lugar que nos aguarda, a mim e meu olhar.

    Edson Júlio Martins