quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mário Franco - o Artista da bola!

Mário Franco - foto Jonas

Entre os vários personagens que se tornaram populares e permanecem até hoje na memória do povo desta cidade e até daqueles que vinham de fora, relembro a figura do “Mário Franco”.

Mário Uchoa Franco, nascido em 19/05/1925, este nosso conterrâneo preencheu muitos de nossos dias com sua presença no largo das bandeiras, praticando suas “embaixadinhas” com sua inseparável companheira, a bola, como também fazendo suas flexões e demonstrando suas aptidões físicas. Muitas vezes em pleno inverno, desafiando o frio, lá estava ele, no “Largo”, ignorando o tempo.

Ao mesmo tempo em que fazia as “embaixadinhas”, gostava de contá-las ou cantar, e ainda falar coisas em tom de críticas. Sei que pra alguém sempre “sobrava”. Lembram do “caixa d’água” - palavra que usava pra criticar talvez aqueles que só sabiam juntar, e nada distribuíam com seu próximo? Talvez fosse algum desabafo também.

Mário Franco era filho de Crispina Uchoa Franco e Agenor Franco (vidraceiro), o qual deixaria para ele este ofício. O Sr. Agenor trabalhou muitos anos com Gaspar Scangarelli, renomado construtor que deixou suas obras em vários pontos desta cidade. Era o Sr. Agenor o encarregado da parte de colocar os vidros nas obras. 

Por força do ofício de vidraceiro, Mário carregava também a inseparável “maleta” com alguns adesivos, que iam desde o símbolo do seu time de coração, o Grêmio, do qual era torcedor “fanático”, a até mesmo, figuras femininas. Costumava fazer propaganda dos filmes em cartaz no Cine Regente, eventos relacionados com o esporte, e quando passava por ele uma “dona”, daquelas de parar o trânsito, não deixava por menos, dava uma pausa no que estivesse fazendo, e por instantes, a companheira bola, esquecida, tornava-se objeto de segundo plano.

Conversei com a Sra. Maria Cesária Uchoa Franco, irmã deste nosso personagem e com alguns familiares. Devido à idade, dona Maria nasceu em 1939, não se lembra de muitos fatos que poderíamos relatar sobre o “Mário Franco”, mas diz que ele estudou na Escola Pe. Pagliani (patronato) e teve uma companheira, a Sra. Ramona Dias.


1941 - Família Franco - Mário, com 16 anos na época é o 4º da esquerda p/ direita
foto arquivo da família 

Ainda lembro bem que nos fins de semana, o “Mário” costumava jogar uma bola ali na beira do rio, início da Rua Augusto Leivas, onde colocava a bandeira do “Cometa”, time que tinha desde a década de oitenta.

Mas entre tantas histórias do “Mário” vem ao meu conhecimento uma que o tempo provavelmente distorceu, pois fala de uma ida à capital, onde ele teria sido “engambelado” por um conhecido médico da época, que o convenceu dizendo que iria fazer um teste no seu clube do coração. Na verdade, tratava-se de umas olimpíadas militares que ele foi “convencido” de que iria participar. Tudo combinado. Apenas queriam levá-lo para fazer exames tentando buscar razões para a vida que levava. Após o encontro com uma médica e fazer “embaixadinhas” diante dela, foi atestado que somente com o passar dos anos é que poderia surgir, talvez, algum problema psíquico que justificasse suas atitudes, mas que naquele momento, tratava-se de uma pessoa normal.

Na volta, diz que ele ainda gozou com o médico: - “Eu passei no teste, mas será que “eles” passam?” Referindo-se àqueles que tentaram enganá-lo.

Outra história aconteceu na metade dos anos “setenta” e retrata um encontro entre o “Mario Franco” e o “Falcão” quando da vinda do Internacional para um amistoso aqui na cidade. Contam que ele foi pra frente do hotel e desafiou o craque colorado fazendo suas embaixadinhas, indo e voltando de uma esquina a outra, deixando o jogador admirado e sem condições de acompanhá-lo devido a grande habilidade que tinha.

Nosso personagem “partiu” já faz tempo, mas deixou na nossa memória a lembrança e a saudade de um homem e sua paixão: a bola.
É isso aí, um abraço e até a próxima edição.

Cleomar Ferreira
emissor de passagens na Rodoviária de Jaguarão

Fonte: As duas “histórias” do Mário me foram relatadas pelo José N. Orcelli.  

Texto publicado na Coluna " Jaguarão , ontem, hoje"  de Cleomar Ferreira no Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 21 de novembro de 2012.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cineclube Jaguarão e Confraria dos Poetas apresentam Tapete Vermelho



O Cineclube Jaguarão e a Confraria dos Poetas dedicaram o mês de novembro ao cinema nacional apresentando clássicos como Mazzaropi em "O Jeca e a Freira", o filme indicado ao Oscar 2013 "O Palhaço" e de Bruno Barreto, a comédia " O Casamento de Romeu e Julieta". Para encerrar este ciclo, a tela grande do Cineclube exibirá "Tapete Vermelho", do diretor Luiz Alberto Pereira, com Matheus Nachtergaele. Sensível, engraçado e comovente, Tapete Vermelho é a mais bela homenagem feita pelo cinema ao grande Mazzaropi.. A sessão é nesta quinta-feira (29) às 20h, no Círculo Operário e tem entrada gratuita.

Sinopse: Quinzinho (Matheus Nachtergaele) mora em uma roça bem distante de qualquer cidade grande. Decidido a cumprir uma promessa, ele decide levar seu filho Neco (Vinícius Miranda), de 9 anos, para assistir a um filme estrelado por Mazzaropi em uma sala de cinema, assim como fez seu pai quando ele era garoto. Desejando cumprir a promessa a qualquer custo, Quinzinho, sua esposa Zulmira (Gorete Milagres), Neco e o burro Policarpo viajam pelas cidades em busca de um cinema que possa exibir o filme.

No mês de dezembro o Cineclube entrará em recesso, retornando 20 de janeiro, data em que completará três anos de existência.

Fonte: http://secultjaguarao.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de novembro de 2012

IV Feira Binacional do Livro de Jaguarão é adiada

Feira Binacional foi um dos eventos marcantes na área da Cultura da atual administração

A IV Feira Binacional do Livro, um dos eventos marcantes na área da Cultura durante a atual administração e que tradicionalmente teria inicio no último fim de semana de novembro, teve sua realização adiada para o ano de 2013.

Em entrevista concedida pelo secretário de Cultura e Turismo, Alencar Porto, nos programas Ligação Direta e Variedades Ruba, o motivo do adiamento foi a dificuldade em captar recursos devido ao atípico ano eleitoral, cuja legislação, não permitiu às empresas estatais que de costume patrocinam o evento, destinar verbas em tempo hábil.

Alencar ressaltou que a intenção da Prefeitura Municipal é manter a estrutura exitosa das edições anteriores. A Feira Binacional de Jaguarão adquiriu uma dimensão que ultrapassa suas fronteiras, tendo sido inclusive classificada como uma das melhores do interior do estado, disse ele. Conforme o secretario, a data prevista para a IV edição seria para março de 2013, durante a Semana de Turismo, o que, de acordo com o caráter Binacional da Feira, serviria como um adicional de atração para os turistas uruguaios. 
  

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

La Mancha viveu outra noite de glória

Carlitos Magallanes e Maurício Barcellos, um show de luxo

O Espaço Cultural de Verão La Mancha proporcionou no dia 24 de novembro mais uma noite com espetáculo de alto nível musical. No palco, Carlitos Magallanes e seu bandonéon acompanhando o violão e a voz de Maurício Barcellos, fizeram um show impecável. 

Instrumentista de renome internacional, o uruguaio Magallanes manejando seu bandonéon com virtuosismo faz uma parceria perfeita com a voz melodiosa do músico, cantor, e compositor, atualmente radicado em Jaguarão, Maurício Barcellos. Dotado de  um repertório eclético,  Maurício interpretou músicas de Serrat, Mercedes sosa, Cartola, Lupicinio, nativistas e várias composições próprias, ganhadoras de alguns festivais no Rio Grande do Sul, entre eles a Califórnia de 2007. 

Em torno de cem pessoas prestigiaram o segundo evento do Espaço La Mancha, que já vai se tornando a grande atração da Cultura neste verão 2012 /13 em Jaguarão. A abertura do show principal,  reservada sempre para artistas locais,  esteve  a cargo do cantor jaguarense Antonio Carlos de Oliveira, o Carlão. Durante o intervalo, Alessandro Gonçalves, o idealizador do Espaço,  também deu uma palhinha e seu pai, o Jota Martim, reviveu o antigo Rodeio dos Pagos, declamando uma poesia.

A próxima apresentação está marcada para o dia 14 de dezembro, com mais um duo que promete ser um sucesso, o cantor e compositor nativista, ganhador de vários festivais,  Angelo Franco e o violonista, muito requisitado no sul do Brasil e exterior, parceiro de Renato Borghetti,  Arthur Bonilla. É de não se perder! 

Fazia frio na noite primaveril, mas o público não dispensou a gelada do Said

sábado, 24 de novembro de 2012

Música e poesia na Bibliotheca Pública Pelotense



Lyber Bermudez é o músico convidado no  Sarau que destaca obra do poeta Prado Veppo


Instrumentista , intérprete e compositor que transita por múltiplos ritmos da América Latina, o uruguaio Lyber Bermudez é o convidado especial para o espaço de música ao vivo da edição de novembro do Sarau Poético-Musical da Bibliotheca Pública Pelotense ( BPP) , na noite da próxima terça (27). Radicado em Pelotas desde o final da década de 90 e ativista cultural  identificado com os projetos de integração com a América de fala espanhola , Bermudez leva ao público uma mostra de  composições próprias e de grandes nomes da canção popular do continente. A XXVII edição do Sarau BPP inicia às 19:30 horas , no salão térreo da BPP, e segue o modelo que alterna música ao vivo com blocos de poesia recitada de quatro autores locais. Na abertura , fala sobre obra e vida de Prado Veppo  ( 1932-1999),  autor-poeta em destaque.



Lyber Bermudez - foto Moizés Vasconcellos

Confira programação e convidados:

O QUE - XXVII edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE: 27 de novembro  de 2012, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.

AUTOR EM DESTAQUE
Prado Veppo
(1932-1999)

MÚSICA AO VIVO
Lyber Bermudez

POETAS-AUTORES CONVIDADOS
Andressa Valadão
Jocimara Mendes
Maria Inêz Rivas
Rogério Nascente

CONVERSA SOBRE O AUTOR DESTACADO
Getúlio Matos

Parceiros Institucionais
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Curso de Relações Internacionais / UFPel
Faculdade de Educação / UFPel
Centro de Letras e Comunicação/ UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM

Realização
Bibliotheca Pública Pelotense

Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Teatro : La Casa de Bernarda Alba no Círculo Operário



La casa de Bernarda Alba discute a liberdade em uma Espanha de forte tradição conservadora, cujo ambiente, no começo da década de 1930, enfrentava conflitos entre o governo republicano e a história monárquica do Império espanhol. Esse foi o preâmbulo da Guerra Civil, que se prolongou de 1936 a 1939. 

Com uma expressão dramática e poética, La casa de Bernarda Alba apresenta a dor imposta pela repressão inserida no cotidiano familiar, que é levada às últimas consequências. Essa obra completa uma trilogia do teatro rural de Federico García Lorca, juntamente com Yerma e com Bodas de Sangre, onde a crítica social à opressão é o tema que dá unicidade à produção do poeta e dramaturgo espanhol aprisionado e desaparecido em 1936.

Grupo de Teatro do Liceo de Rio Branco
apresenta

LA CASA DE BERNARDA ALBA
Ato I

de Federico García Lorca

Local: Círculo Operário - Jaguarão
Data: 01/12/2012
Horário: 16h
Entrada livre e gratuita
Promoção: Disciplina de Literatura Espanhola – Curso de Letras /UNIPAMPA


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Cultura como espelho do que somos

Pintura: Alunos CAPS Jaguarão - A arte em qualquer lugar


O que podem ter em comum Jaguarão, uma ilha perdida no meio da Oceania, uma cabana rústica isolada nos campos do sul da França e uma pequena vila nos arredores de París? Como é possível vincularmos Paul Gauguin, Paul Cézanne e Vincent van Gogh à nossa realidade?

Em interessante artigo intitulado O Centro e a Periferia da Arte”, Vladimir Safatle, Professor de Filosofia da USP, nos fala da importância “acidental” dessas geografias antes citadas e dos seus respectivos personagens, provando que a criação artística e as Musas, nem sempre moram nas grandes metrópoles, onde, supostamente, deveriam estar aquarteladas, como peças de um museu.

Essa análise do Professor Vladimir Safatle é muito oportuna e interessante. Oportuna, porque na nossa cidade e região está havendo um olhar mais atento sobre a Cultura em si, que tende a valorizar e projetar além do nosso município e fronteira o que aqui se tem, se faz, e o que se está gestando: Fundação Carlos Barbosa; Museus Histórico e Geográfico; construção do Memorial do Pampa; projeto do Parque Farroupilha; digitalização do acervo histórico e jornalístico da cidade; restauração do Teatro Esperança, o tombamento de Jaguarão, pelo IPHAN, como patrimônio arquitetônico e urbano brasileiro, etc.

Interessante, porque dessacraliza o centro, sempre considerado criador e modelador, formador de opiniões e gostos, e de uma estética a ser seguida ou rejeitada, cabendo à periferia somente o papel de consumir, assimilar, aceitar passivamente, ou não, o que possa haver, ser feito e dito, no terreno da Cultura, a partir dessa visão etnocentrista e monopolizadora, desempenhada pelas, e desde as grandes metrópoles.

Em Jaguarão há muito e bom trabalho a ser feito; trabalho esse que já começou e é fruto de inúmeros atores, tais como a nova gestão municipal e suas parcerias várias, com os governos Estadual e Federal, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas também com a iniciativa privada (Free Shops; Parque Eólico Minuano; construção do Hotel Porteiras do Sul, categoria 5 estrelas) e o invalorável aporte e aquilatamento na esfera cultural, profissional e social, oferecidos pela Unipampa-Jaguarão.

Em breve teremos uma primeira turma de Tecnólogos em Turismo, além de outras turmas, que já se formaram, ou estão se formando, nas áreas da Pedagogia, História e Letras, que darão uma maior qualidade ao município, cada um se desempenhando na sua específica área profissional, mas podendo interagir com os colegas de outras esferas.

Este ano começou o Bacharelado em Produção e Política Cultural, que aspira formar os primeiros profissionais nesse ramo tão prometedor da produção, gestão, promoção e atuação, na abrangente e multifacética área da Cultura.
Assim, há aqui uma “periferia” onde também se faz e se pensa a partir do que temos, do que queremos e do que podemos. 

Dario Garcia
Acadêmico de Produção e Política Cultural
Unipampa-Jaguarão.

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 14/11/2012


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Romeu e Julieta "à brasileira" no Cineclube Jaguarão



Nesta quinta-feira (22),  o Cineclube Jaguarão e a Confraria dos Poetas apresentam a comédia "O Casamento de Romeu e Julieta", do diretor Bruno Barreto. A sessão inicia às 20h, no Círculo Operário e tem entrada gratuita.

Sinopse: Alfredo Baragatti (Luís Gustavo) é um advogado descendente de italianos, que é palmeirense roxo e membro do Conselho Deliberativo do clube. Alfredo criou sua Julieta (Luana Piovani) para ser como ele, mais uma apaixonada pelo Palmeiras. Batizada em homenagem aos ídolos palmeirense, "juli" de Julinho e "eta" de Echevarietta, ela é jogadora do time feminino do Palmeiras, jogando como centroavante. Julieta se apaixona por Romeu (Marco Ricca), um médico oftalmologista de 45 anos que é corinthiano roxo. Em nome do amor Romeu aceita se passar por palmeirense, chegando a se filiar como sócio do clube e ir aos jogos para torcer pelo rival. Tais atitudes geram desconfiança em sua família, principalmente em seu filho Zilinho (Leonardo Miggiorin) e na avó Nenzica (Berta Zemmel), ambos corinthianos fanáticos. 

Fonte: http://secultjaguarao.blogspot.com.br/


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

IV Semana da Consciência Negra de Jaguarão tem inicio no dia 20 de novembro



A Semana da Consciência Negra de Jaguarão alcança sua quarta edição proporcionando sempre a valorização da História e da Cultura afro da cidade. A realização é do Clube 24 de Agosto, Prefeitura Municipal, Coletivo Pédequê e Grupo Nego Azul.

Confira a programação e participe:

20/11 – 19 hs -  Abertura  – Poesia Negra  - Homenagem ao Poeta Oliveira Silveira

21/11 – 19 hs -  Roda de Contação de Histórias com a participação dos Griôs do Clube 24 de Agosto

22/11

15 hs -  Roda de Memória para crianças
19 hs -  Mesa sobre mulheres negras – Participação das mulheres da comunidade
20 hs – apresentação de Hip Hop


23/11 -  23 hs – Festa Black do Coletivo Cultural Pédequê?  
   
24/11 – 17 hs – Mesa Clubes Negros Patrimônio e Potencial
                             Prof. Dra  Cassiane Paixão ( Furg)
                             Prof. Doutoranda Giane Escobar ( UFSM)

25/11 – 16 hs -  Encerramento com Grupo Afoxé 

Fonte:  http://secultjaguarao.blogspot.com.br 


Robledo Martins - Como un Tambor Candombero


Show de Inauguração do La Mancha – Jaguarão, com  Robledo Martins e Nilton Jr  na noite  de 09 de novembro de 2012.

Como un tambor Candombero
Letra: Martim César - Diego Muller
Música: Robledo Martins

El alba me trae recuerdos
...De tiempos hoy ya muy viejos...
Nochecitas de febrero
Que se quedaron tan lejos...

Veladas carnavaleras
Sobre las calles del pueblo,
Mientras la luna, aún llena,
Se iba apagando en mi cielo...

Lunita llena de hechizo,
Que alumbró mis madrugadas
Cuando yo era cautivo
De otra alma apasionada...

Como un tambor candombero,
Redoblando en mi corazón
¡Seguís con el mismo lucero
Pero mi luz... se apagó!!!

Hoy me figura, mi luna
Que distinto me estás mirando
Parece que me preguntas
Qué cosas ando buscando...

Quizás la luz de aquel cielo
¡Mis sueños de juventud!
Que perdí en un febrero
En alguna calle del Sur...

sábado, 17 de novembro de 2012

HEROICIDADES E HONRAS INCERTAS

Por Carlos Rizzon

Capitanes de la Defensa de Paysandú, hermanos Pedro, Maximo y Rafael Rivero, 
capitanes Lidoro Sierra y Garcia. Diciembre de 1864.  
            Na década de 60 do século XIX, às vésperas da Guerra do Paraguai, distúrbios políticos internos no Uruguai provocaram enfrentamentos bélicos que envolveram brasileiros no cerco da cidade uruguaia de Paysandu e, em contrapartida, a invasão da cidade brasileira de Jaguarão por parte de uruguaios. Por suas resistências, ambas cidades passaram a ostentar títulos de cidades heroicas. As glorificações dessas heroicidades permanecem ainda hoje no orgulho dos seus cidadãos, no entanto, de um modo quase total, não se sabe mais as causas que motivaram as guerras entre as nações vizinhas. Atualmente, a rua principal de Jaguarão, por exemplo, tem o nome de “27 de janeiro”. O dia é 27. O mês é janeiro. Mas se refere a qual ano? Fazendo-se essa pergunta às pessoas na cidade, raras são os que respondem “1865”. Isso reflete que o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado, mas uma escolha de parcialidades. A história contada hoje nas ruas de Jaguarão rejubila-se em falar que sua população se defendeu e “correu os castelhanos” a “pelegaços” e água quente. No outro lado do rio que demarca a divisa entre o Brasil e o Uruguai, livros de história apresentam outra versão sobre o mesmo episódio, enfocando que uma força brasileira de mais de 500 homens foi derrotada, deixando em poder dos blancos uruguaios armas e cavalhadas e um estandarte imperial. Dizem também que, após sitiarem a cidade, retiraram-se por falta de armamento.

Os acontecimentos do final de 1864, na cidade uruguaia de Paysandu, e de janeiro de 1865, em Jaguarão, estão diretamente relacionados. No ano de 1864, o caudilho uruguaio do partido colorado Venancio Flores sitia com seu exército a cidade de Paysandu. O caudilho contou com o apoio do presidente da Argentina, o general Bartolomé Mitre, e com a cumplicidade do Império brasileiro, comprometido com interesses de brasileiros que viviam nos campos uruguaios e que estavam ameaçados de expulsão do Uruguai pelo governo dos blancos. Dessa forma, Venancio Flores pôde reunir ao seu lado 16.000 homens dos exércitos de três nações para enfrentar cerca de 700 homens que defendiam aquela cidade. A historiografia tradicional uruguaia costuma colocar o cerco de Paysandu no plano da disputa entre blancos e colorados, minimizando o componente dos interesses estrangeiros. No entanto, para a historiografia tradicional brasileira, o mesmo acontecimento faz parte do preâmbulo da Guerra do Paraguai, o que justifica a intervenção do Império no território uruguaio. Se as interpretações políticas avaliam o episódio em uma ou outra conjuntura, o certo é que o fato representou consequências em quaisquer dos contextos. O sítio a Paysandu durou de 2 dezembro de 1864 a 2 de janeiro do ano seguinte, até a cidade ser tomada pelos colorados que, depois, seguiram com seus aliados rumo a Montevidéu para ocupar o poder. Procurando forçar os brasileiros a recuarem para defender suas fronteiras, os blancos do norte do Uruguai atacaram Jaguarão. Sem alcançar seus objetivos, retiraram-se no dia seguinte, o famoso 27 de janeiro, dia em que a população civil de Jaguarão expulsou os “castelhanos”.


Diário do Rio de Janeiro, edição do dia 11 de fevereiro de 1865, publica carta do correspondente em Pelotas
 sobre os  acontecimentos em Jaguarão - fonte Biblioteca Nacional

A divergência dos discursos entre vencedores e vencidos sobre um mesmo fato do passado é explicada pelo pensador francês Paul Ricoeur, que fala da ficcionalização da história e da historicização da ficção através de um entrecruzamento de narrativas históricas e literárias. Enredando a invenção com os acontecimentos ocorridos nas duas cidades, os escritores Aldyr Garcia Schlee, brasileiro, e Mario Delgado Aparaín, uruguaio, rememoram os fatos para potencializar questionamentos e desmistificar glórias que recobrem o imaginário popular. Em No robarás las botas de los muertos, Delgado Aparaín dá identidade a personagens anônimos que participaram na defesa de Paysandu. Sua obra dialoga com La defensa de Paysandú, texto testemunhal do soldado Orlando Ribero, que é apontado como uma das melhores fontes sobre os acontecimentos do final de 1864 no Uruguai. No entanto, Ribero, ao mesmo tempo em que não esquece de enaltecer seus líderes e de se colocar como protagonista em muitas ações, deixa no anonimato seus companheiros, dando-lhes papel coadjuvante. No romance de Delgado Aparaín, por sua vez, uma personagem apenas mencionada por Ribero como um voluntário espanhol é nomeada e tem história: trata-se de Martín Zamora, que teria se incorporado na defesa da cidade não por um ideal, mas para salvar sua própria pele, uma vez que estaria condenado a fuzilamento por contrabando no momento em que Paysandu é sitiada por exércitos dos uruguaios colorados, do Brasil e da Argentina.

Inversamente, sem pegar em armas, mas igualmente sem reconhecer apego à nação, a personagem don Sejanes, que dá nome a um conto de Aldyr Garcia Schlee, não se envolve na defesa de Jaguarão quando atacada pelos blancos uruguaios. Para ele, nascido na vizinha Melo, no lado uruguaio, e batizado na paróquia de Jaguarão, não existiam motivos para o enfrentamento entre brasileiros e uruguaios. Don Sejanes sequer reconhecia essa divisão, pois tinha consciência que ele mesmo era fruto de uma diversidade de povos: “sabia que era um pouco índio e espanhol e português, mas que era mais oriental e brasileiro, se tivesse que ser algo além de ser gaúcho como queria e gostava”, descreve o narrador. Vivendo no trânsito de um a outro lado do rio Jaguarão, don Sejanes não reconhece a separação estabelecida por aqueles que se julgam donos das terras. Assim, não vê motivos para defender um território que, no seu entender, não pertencia a ninguém e que deveria ser compartilhado entre os que nele vivessem.

Apresentando considerações mais amplas, o romance No robarás las botas de los muertos e o conto “Don Sejanes” desestabilizam os motivos que sustentam o orgulho afirmado em Paysandu e em Jaguarão. Na obra do autor uruguaio, denuncia-se a formação de uma aliança entre os colorados uruguaios, a Argentina e o Império brasileiro para derrubar um governo constituído legalmente. Contrariamente à glorificação de personagens famosas que lutaram na defesa da cidade que textos canônicos, históricos ou literários, manifestam, Delgado Aparaín oferece uma trama que envolve espaços que vão para além do território uruguaio, onde os combatentes, com a defesa da cidade sitiada, estavam resistindo à destruição de valores universais. O conto de Schlee também não se restringe a um único fato histórico e, retratando a invasão uruguaia à Jaguarão, coloca vários outros questionamentos em pauta, desmistificando a bravura da defesa da cidade. Tomados isoladamente, os acontecimentos em Paysandu e em Jaguarão reforçam a construção de glórias e heroicidades. Elevadas a “cidades heroicas”, constituem versões únicas dos fatos, não considerando as diferenças e a diversidade da complexa conjuntura das nações no século XIX. Existem razões para valorizar Jaguarão como heroica se habitantes seus constituíam o exército brasileiro que, covardemente, sitiou e atacou Paysandu? Existem razões para considerar Paysandu heroica se seus correligionários atacaram covardemente a população de Jaguarão?


Carlos Rizzon
Professor  do Curso de Letras da Unipampa - Jaguarão 


Texto publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 07/11/2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Coração de boi


Ave pequena                             
De cor vermelha
Olhos pretos
De preto puro

Voa alto
Voa ligeiro
Voa como um jato
Não nasce para ser prisioneiro

E assim que o fez
Assina o contrato
De passar no xadrez
Ou viver isolado

Seu nome é coração de boi
Ave valente
Também há no boi
A cor do sangue corrente

Tanto a ave como o boi
Tem a mesma objeção
Querem viver a vida
Sem condenação

Sâmora Narjara



Sâmora, poeta dos ângulos incomuns. Moradora na campanha, inspira-se muito na natureza. Sua paixão é escrever a partir de traços rurais / naturais.  É acadêmica do Curso de Letras da Unipampa Jaguarão.




terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Palhaço, filme do Cineclube Jaguarão nesta quinta-feira



Singelo. Esta é a melhor definição para  "O Palhaço", do ator e diretor Selton Mello, que será exibido nesta quinta-feira (15) no Cineclube Jaguarão (Círculo Operário), em parceria com a Confraria dos Poetas. O filme foi escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil  na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira em 2013.  A sessão inicia às 20h e tem entrada gratuita.

Sinopse:  Além de diretor, Selton Mello é protagonista junto ao grande ator Paulo José. O filme conta a história de Benjamim (Selton Mello) que trabalha no Circo Esperança junto com seu pai Valdemar (Paulo José). Juntos, eles formam a dupla de palhaços Pangaré & Puro Sangue e fazem a alegria da plateia. Mas a vida anda sem graça para Benjamin, que passa por uma crise existencial e assim, volta e meia, pensa em abandonar Lola (Giselle Mota), a mulher que cospe fogo, os irmãos Lorotta (Álamo Facó e Hossen Minussi), Dona Zaira (Teuda Bara) e o resto dos amigos da trupe. Seu pai e amigos lamentam o que está acontecendo com o companheiro, mas entendem que ele precisa encontrar seu caminho por conta própria.

Fonte: http://secultjaguarao.blogspot.com.br/


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Inauguração do La Mancha em noite memorável




A inauguração do Espaço Cultural de Verão "LA MANCHA", localizado nos altos da Rua Andrade Neves, aconteceu  em 09 de novembro. Idealizado por Alessandro Gonçalves com ajuda da família, Seu Jota e Dona Leni, o novo espaço, além da música, abrigou na noite inaugural,  Exposição com pinturas de Maximiano da Rosa Ferreira.   


La Mancha, placa esculpida em madeira, obra do artesão Cleber Carvalho, estava aguardando sua hora de retornar às aventuras quixotescas. Foi criada originalmente para o La mancha da Lagoa Mirim, lá  pelo inicio do III Milênio . Muitas noites de música e poesia na Banda Oriental inspirando o novo local.  

  No Show de abertura, Alessandro compartilhou o palco com os hermanos André e Paulo Timm e a participação especial de seu pai, Jota Martim, recitando um poema em tributo aos antepassados. As famílias Gonçalves e Timm, que tiveram seus destinos unidos pela música, sempre serão motivo de lembrança em todos os eventos, ressaltou Alessandro em sua fala. 

No show principal, o cantor e músico Robledo Martins acompanhado pelo piano de Nilton Júnior Silveira, fizeram um espetáculo memorável para a cultura de Jaguarão.  

Em suma , uma noite de arte e cultura muito agradável, com atendimento nota dez, cerveja gelada a cargo do amigo Sahid, impecável. 

Próximo evento programado para o La Mancha será no dia  23 de novembro, com atrações de alto nível. Show de abertura de Antonio Carlos de Oliveira (Carlão) e show principal de Carlittos Magallanes (bandoneón) e Maurício Barcellos (voz e violão). 

Imperdível.





Para ver mais fotos do evento no Facebook, Clique Aqui 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Centro e a Periferia da Arte




Se, no final do século XIX, alguém se perguntasse sobre os lugares nos quais se decidia silenciosamente os novos caminhos das artes visuais, dificilmente ele acertaria. Pois dificilmente alguém imaginaria que devesse voltar os olhos para uma ilha perdida no meio da Oceania, para uma cabana rústica isolada nos campos do sul da França e para uma pequena vila nos arredores de Paris. No entanto, era lá que Paul Gauguin, Paul Cézanne e Vincent van Gogh trabalhavam na reconstrução da linguagem da pintura.

Em um dos momentos maiores de redefinição das artes visuais no Ocidente, foi necessário sair do centro para que algo de fato ocorresse. Foi necessário estar na periferia.

Não se tratava de alguma forma de necessidade patológica de isolamento ou de procura pela força pretensamente evigorante da natureza intocada.

Estar fora do centro era importante porque acontecimentos normalmente ocorrem em contextos de deslocamento, em locais onde uma certa indiferença criadora em relação aos padrões da linguagem torna-se possível.

Atualmente, vários voltam seus olhos para as periferias do mundo a fim de encontrar linguagens artísticas em reconstrução.

Outros desconfiam destas procuras, vendo nelas apenas uma forma de projeção que visa compensar, através da idealização de "novos sujeitos", nossas expectativas criativas frustradas. Um pouco como se procurássemos nas periferias aqueles que, no lugar dos proletários integrados ao sistema capitalista, pudessem nos guiar em direção à realização de uma filosofia da história pensada como redenção revolucionária criadora.

No entanto, não precisamos acreditar em tal filosofia da história para aprendermos a olhar para além de nossos muros. Basta darmos um passo a mais em relação à época de Gauguin, Cézanne, Van Gogh e admitirmos uma teoria da contingência que suspende a própria distinção entre centro e periferia para dizer: "Um acontecimento é aquilo que pode vir de qualquer lugar".

Uma revolta política que perpassa nossa época como um vírus pode começar em uma pequena cidade da Tunísia. Uma experiência literária verdadeira pode estar em gestação na periferia de São Paulo.

Esta dimensão de "lugar qualquer" que um acontecimento é capaz de produzir nos lembra que o pior pecado é não acreditar nos agenciamentos contingentes.

Temos de estar preparados para que eles ocorram em qualquer lugar.

O primeiro passo para isto é mostrar, por ações concretas, que abandonamos de vez a distinção entre centro e periferia. Hoje, a inteligência sempre vem de um "lugar qualquer".

Artigo do Professor Vladimir Safatle - Filosofia USP 

Fonte: http://diariogauche.blogspot.com.br

Milonga para uma amiga


     
                                                                                     dedicada à Juliana Danigno

      Olhando a tua foto eu penso
numa milonga campeira,
na saudade verdadeira
das coisas do coração,
enquanto meu chimarrão
segue o chiar da chaleira!

      Lembro também, companheira,
desse prosear mano a mano,
que transforma o cotidiano
com teu sorriso sem par,
quando te pões a falar
de um sonho e um desengano,

      mas que um bom napolitano
ou uma Stella gelada,
te alegram, e deliciada,
na doçura ou no vapor,
fazes a viagem sem dor
no trotar da madrugada!

      Foi na praça ensolarada,
depois do sino tocar
e a voz do tenor cantar
a sua bela Ave Maria...!
Quando a tarde se exauria
numa prece eu quis voar,

      e nos meus versos chegar
como esse amigo esperado,
que há tempo foi convidado
pra te fazer companhia:
pelas lembranças de um dia
que nos falam do passado!

Dario Garcia