quinta-feira, 30 de junho de 2011

Contos da Confraria: O Contrato

Foto Araquém Alcântara

O rio tinha dois quilômetros de largura e estávamos a quinhentos metros de uma das margens. Nadar, eu nadava, mas, quinhentos metros? Era a época das cheias, a correnteza muito forte, troncos enormes e galhos descendo rio abaixo. Em quinze dias, dois troncos chamaram a atenção: dois troncos humanos, inchados e em decomposição. No meu primeiro dia de trabalho, o primeiro. No dia de meu aniversário, o segundo. Junho é mês de cheia na Amazônia, é mês em que troncos descem rio abaixo.

Balsas e dragas eram utilizadas no garimpo do ouro. As balsas eram pequenas embarcações que precisavam ser amarradas umas às outras a fim de viabilizar o trabalho. Onde o metal era abundante, formava-se uma verdadeira cidade flutuante. Entre ela e o rio estabeleciam-se fluxos incessantes de dejetos e ouro. Vez por outra, sangue subia no lugar de ouro, sangue de mergulhador. Na cidade flutuante, a divisão do resultado de árduo trabalho freqüentemente fazia inverter o sentido do fluxo de sangue.

As dragas eram autônomas. Nada de mergulhadores, nada de cidades flutuantes. Eram dotadas de um mecanismo hidráulico que substituía os mergulhadores na coleta de material no fundo do rio. Presas em uma das extremidades por uma âncora e em constante contato com o solo na outra, através de um robusto cano de ferro que sugava o material, as dragas descreviam um movimento pendular que não admitia qualquer tipo de vizinhança.

Éramos três os operadores da draga. Raimundo e Silvério, cunhados, nativos da região, acostumados aos galhos e troncos rio abaixo, deparavam-se agora com uma novidade. Tradicionalmente os operadores sempre foram da região, mas por uma mudança na política de administração do negócio, os proprietários resolveram introduzir alguém de fora, alguém do sul, como eles.

Para a dupla eu era “brabo” na operação da draga e eles eram “mansos”. Não gostavam muito de conversar comigo. Em meu primeiro dia e em meu aniversário o sorriso dos dois me impressionou a ponto de perder o sono por duas noites. Somadas, quatro. Quatro horas para cada um na operação da draga, lado a lado com um motor de caminhão Mercedes ou Scania, não lembro bem. No auge do calor amazônico, acrescido da temperatura do motor, tive momentos de profunda angústia. Voltar para casa era impossível; havia o contrato, mas o que mais determinava a minha presença naquele lugar era o poder dos sorrisos. 

Dormíamos em um triliche apertado em um quartinho pouco maior do que as camas. A minha era a última. Logo abaixo de mim, Raimundo. Raimundo e Silvério costumavam interromper a conversa que mantinham quando eu me aproximava. Guardavam prolongado silêncio até que eu me afastasse. Comecei a fumar. Os cigarros me deixavam tonto, de início, mas, com o passar dos dias, tonto eu ficava sem eles.

Vivíamos uma temporada fraca no garimpo. A cada três ou quatro dias de trabalho promovíamos uma “despescada”. Depois de horas batendo os carpetes ao chão, de onde ouro, terra e outras impurezas eram retirados, utilizávamos o azougue para agrupar o metal precioso. Bastava queimar em um cadinho aquela bola cor de prata por alguns minutos e tínhamos em mãos cerca de duzentos gramas de ouro. Era pouco. Em temporadas passadas, contavam, era comum despescadas de quatrocentos, seiscentos gramas. A cada operador cabia cinco por cento do resultado. 

Em meados de julho eu continuava “brabo” e eles “mansos”. No entanto, sentia que minhas habilidades no manejo de alavancas, cabos, brocas, melhorara, minha confiança aumentava a cada dia. Mas cometi um erro. Ao içar o cano para retirar algumas pedras que obstruíam a passagem de material, não percebi – era noite – que o cano já encostara em uma das longarinas que davam sustentação à embarcação. O estrondo foi medonho, a draga inclinou-se rapidamente. Uma mão nervosa, mas decidida, surgiu de repente a minha frente e manejou com habilidade as alavancas, cessando o movimento do cano. O silêncio que se seguiu me era insuportável. Ficaríamos dias parados por conta dos reparos a serem feitos. 

Naquela noite resolvi não dormir no quarto. Uma rede ficava estendida estrategicamente à frente da porta de acesso ao quarto e ali permaneci insone, fumando. Após trinta minutos ouvi um barulho, barulho de gente pulando do segundo andar do triliche. Imediatamente ergui-me na rede, assumindo a posição de sentado. Meu coração parecia denunciar minha presença na escuridão. Ao pensar nisso, joguei o cigarro no rio. Raimundo saiu do quarto com um facão em punho, dirigindo-se a mim, e , três passos após, dobrou à esquerda velozmente, agachou-se e abriu o baú das ferramentas. Não pude ver o objeto que pegara, mas vi que não largara o facão. Entrou no quarto e reinou o silêncio.

Na manhã seguinte, sem se importar com a minha presença, Raimundo contava a Silvério que tivera um pesadelo. Ao acordar, assustado, utilizando-se do facão e de uma chave de boca número quarenta, armou uma cruz em baixo das camas e dormiu profundamente. Sobre as águas de um rio na Amazônia sentei aliviado à beira da embarcação e mergulhei meus pés nas águas turvas. Relaxei. Estiquei o olhar e apreciei a revoada dos pássaros. Ao fundo, percebi algo diferente, cinco pontos no horizonte. Após alguns minutos, os pontos foram ganhando nitidez, forma, movimento. Cinco dragas vinham em nossa direção. Fumei meu último cigarro. 


Edson Júlio Martins

Draga utilizada para o garimpo de ouro clandestino, no Rio Bóia.
 Foto: Dida Sampaio/A
E

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mateando na fronteira com a National Geographic Brasil

Erva do Sul
Como o mate, planta de uso tradicional indígena, se tornou um símbolo de identidade cultural compartilhado por várias nações sul-americanas.

Por Marcelo Macca
Foto de Roberto Linsker


Levadas para a ervateira, as folhas de mate são sapecadas para retirar parte de sua umidade. A seguir, a erva é cancheada -folhas e galhos são cortados e picados. Depois de outra secagem vem o chamado soque, o processo final de trituração. O mate enfim está pronto para ser empacotado e vendido.

Apesar de não gostarem de consumir a bebida na rua, os argentinos inventaram um jeito de tomar mate em público - os chamados bares de mate. No bairro de Palermo Viejo, em Buenos Aires, é possível ver, em um domingo, amigos em torno de uma mesa sorvendo de cuias modernas, coloridas, de alumínio anodizado a água quente suprida por chaleiras - que os argentinos chamam de pavas - do mesmo material.

O empresário Santiago Olivera é dono de três bares na capital argentina, e um dos precursores dessa nova modalidade de se tomar mate. "Tudo começou na época em que eu era universitário", diz. "Os estudantes bebem mate para virar a noite em véspera de prova e entrega de trabalhos."

É manhã de sexta-feira, e em seu bar Volviste Clara, no centro da cidade, todas as mesas estão ocupadas por grupos de alunos com livros abertos, cadernos e laptops - ao lado, é claro, de cuias de erva-mate. "É bem mais íntimo que o café. Como a cuia é compartilhada, o mate aproxima as pessoas, cria laços", explica a jovem Arantza Olagues. "O mate aconchega. É um ritual de confiança", completa seu colega Matías de Vicenzi.

Jaguarão, na fronteira entre Brasil e Uruguai, fica às margens do rio de mesmo nome. A cidade histórica, famosa por suas casas antigas, de altas portas entalhadas, platibandas e bandeiras bem preservadas, deverá ser declarada patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) em 2011. Na margem oposta fica Rio Branco, no Uruguai. Na verdade, Jaguarão e Rio Branco são praticamente uma só cidade, cujas duas metades por acaso estão em países diferentes. Natural de Jaguarão, embora hoje more em Pelotas, o escritor Aldyr Garcia Schlee me acompanha em uma visita à região. Ele é autor de vários livros sobre as tradições sulistas e a vida na fronteira.

Sobre o rio Jaguarão estende-se a ponte internacional Mauá, com seus arcos elegantes refletidos sobre a superfície da água. Nesse domingo, há um vaivém frenético na ponte, pois Rio Branco é na verdade um enorme free shop que atrai nos fins de semana milhares de brasileiros ávidos por compras. "Aqui eles podem ir ao exterior sem sair do interior", observa Schlee com um sorriso.

Sacoleiros e turistas passam o domingo nas lojas do outro lado da fronteira, e a cidade mantém seu ritmo tradicional. A praça diante da Igreja Matriz está cheia de pequenos grupos, acompanhados de suas garrafas térmicas, tomando chimarrão. Chegamos ao cerro da Pólvora, onde se encontram as ruínas de uma antiga enfermaria militar construída em 1883. Ali, conta Schlee, será erguido o futuro Centro de Interpretação do Pampa, que deverá ser inaugurado em 2012, um grande museu dedicado às tradições pampeanas - como seu hábito de tomar mate.

Fonte: http://viajeaqui.abril.com.br

terça-feira, 28 de junho de 2011

Arte exposta na calçada

Ao passar por uma das ruas que leva ao rio Jaguarão você poderá encontrar uma destas "instalações",  se assim podemos chamar,  expostas na calçada. As obras impressionam pela criatividade  e são elaboradas ludicamente em vários materiais, cartolina, papelão, colagem, madeira, pedrinhas. O inusitado é que o  artista é  um senhor de idade e com problemas de locomoção que por ali mora. A Confraria não poderia deixar de registrar essa original expressão de arte popular. 


Zoológico da Serra da Maria Pinta do Boquerão do Cavera 

Trio do Apagão não desfilou em Jaguarão
na Serra do Mulitão

Trio do apagão

Toka do Sapateiro - 1892
Esta última obra é construída em madeira, papelão, pedras. Retrata a Toca do Sapateiro, local situado no Herval, perto de um afluente do Arroio Telho e sobre o qual se contam muitas histórias assombrosas. 


Trechos do Relatório de uma expedição do GPME -Grupo Pierre Martin de Espeleologia,  à Toca do Sapateiro: 
Uma das descrições recolhidas na internet:
Ruína de uma caverna na qual só é possível chegar através de uma trilha. Formada por uma “sala” e mais três “quartos” intercomunicantes, corre em seu interior um riacho de águas cristalinas que alimentam o arroio Telho, afluente do rio Jaguarão. Segundo a lenda, um escravo, que exercia a profissão de sapateiro, fugido omiziou-se com a esposa naquele lugar onde tiveram dois filhos. Por ameaça ao estancieiro, por este foi mandado matar, durante um simulado grande rodeio para juntar o rebanho, naquele época, solto pela região.
Na cidade ouvimos história semelhante, mas ao invés de um escravo fugido, o histórico, ou lendário, ocupante da cavidade natural seria um alemão fugido da guerra, também exercendo a ocupação de sapateiro.
Outra história:
…Serviu como esconderijo durante a Revolução Farroupilha por um sapateiro que produzia calçados, residindo com a família dentro da caverna. Pelo que contam, foram até uns 80m de profundidade e não foram mais… 

CLIQUE AQUI  para ler  mais sobre a interessante  expedição à Toca do Sapateiro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Recanto das Letras : Desvendando Jaguarão

Igreja Matriz do divino Espirito Santo
Jaguarão se apresentou diante de mim, num sábado gelado, mas o frio não dirimiu meu deslumbre diante da nobreza daquela cidade gaúcha, tranquila e limpa, adormecida às margens do rio que leva o mesmo nome que o seu e que a separa do efervescente free shop de Rio Branco no Uruguai.

Seu início remonta a 1802, quando foram deixados 200 homens à margem do rio, ao terminarem os conflitos ente portugueses e espanhóis pela posse da terra.

Caminhar pelas ruas da cidade de mais ou menos 30.000 habitantes, é fazer um passeio pelo passado. Na rua XV de Novembro, conhecida como Rua das Portas, maravilhada com as fachadas de vários estilos (neoclássico, art nouveau, colonial português) e as portas artesanais de madeira nobre, entalhadas à mão, dos casarões construídos com materiais europeus do século XIX, eu tinha a sensação de que, de repente, ao meu lado, pararia uma carruagem e dela desceria uma jovem que me convidaria para um chá em sua casa.

Jaguarão possui um dos maiores acervos de arquitetura eclética preservados do Rio Grande do Sul. Impressiona a riqueza de elementos decorativos e de materiais e técnicas utilizadas. Muitas construções que datam do século XIX, conservam ainda as fachadas originais. A arquitetura da cidade segue os estilos espanhol e português.

O Instituto do Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul tombou quatro prédios: As ruínas da Enfermaria Militar, em estilo neoclássico, que serviu como enfermaria do Exército e como prisão para presos políticos. Entre suas paredes, pensei na injustiça de não poder expor o pensamento e em quantas mentes inteligentes foram impedidas de brilhar; o Teatro Esperança também em estilo neoclássico, fundado em 1897, considerado o terceiro melhor teatro do país em acústica, onde cada nota musical soa límpida; o Mercado Público (concluído em 1867), em estilo colonial português, barroco, em formato de “U” e um pátio interno, à moda das antigas casas portuguesas; e o prédio do antigo Fórum.

Em 2011, o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o conjunto histórico e paisagístico de Jaguarão, abrangendo mais de 800 prédios do centro da cidade, incluindo a ponte Barão de Mauá, inaugurada em 31 de dezembro de 1930, que liga o Brasil ao Uruguai. Este é o primeiro monumento binacional tombado. A Ponte Mauá foi construída como pagamento de uma dívida assumida no século XIX. D. Pedro II concedeu vários empréstimos ao Uruguai, recém-emancipado, porque o general argentino Juan Manuel de Rosas ameaçava sua liberdade. Para acertar os cinco milhões de pesos que o Uruguai devia ao Brasil, as duas nações fecharam o “Tratado da Dívida”. Após três anos de obra, a dívida virou ponte. Atravessei-a com o pensamento descuidado, brincando de adivinhar o que me esperava na outra margem: outro país, amigo, sim, mas muito diferente.

No meu passeio pela cidade, ainda me marcaram três prédios.
A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, localizada na frente da Praça das Bandeiras, templo católico em estilo barroco, com altares de madeiras esculpidos à mão, lindíssimos vitrais e um parlatório de mármore de Carrara. As imagens sacras, que datam da época de sua conclusão (1875), vieram de Portugal, e a imagem do Altar Central é em tamanho natural. Dentro dela assolou-me uma aura de bem-estar e paz. Outro mundo, sem chão e sem sofrimento.

O Museu Carlos Barbosa, prédio construído em 1886, em estilo neoclássico, que foi residência da família de Carlos Barbosa Gonçalves. Vestuário, roupa de cama e banho, mobília, louças e objetos variados tudo original e conservado, como se a qualquer momento alguma pessoa da família pudesse chegar e dar vida outra vez àquelas peças. Fui tomada do mesmo deslumbramento de quando vi pela primeira vez o Palácio Imperial em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

A Igreja Matriz Imaculada Conceição, templo católico, mandado construir pela Sra. Minervina Carolina Corrêa, iniciado em 1909 econcluído em 1912, em estilo gótico. O parlatório e os altares são de mármore de Carrara branco. A imagem da Virgem Maria que está no altar-mor, feito de mármore colorido, é em tamanho natural, e suas medidas são exatamente iguais às de Dona Minervina. Em 1953, ela doou seu patrimônio ao Bispado.
Registro aqui uma história da tradição oral sobre a qual não encontrei nenhuma referência:

Minervina foi devolvida aos pais pelo marido depois do casamento, teve que se vestir de luto e não podia frequentar as missas da Igreja, que é hoje a matriz do Divino Espírito Santo. Por isso, mandou construir ao lado de sua residência esta Igreja. Ela entrou em contato com o Papa e prometeu doá-la com a condição de que no altar-mor houvesse uma reprodução dela e que seus restos mortais fossem enterrados dentro dela. Isso conseguido, ela deu o prédio para a Igreja. O fim da história é para refletir: é comum ver-se pousado, na época da arribação, no campanário da Igreja, um falcão dourado.

Li não me lembro onde que Jaguarão é uma “pérola cultural”. Essa metáfora define ricamente esta cidade escondida no extremo sul do Brasil. 

Referências:
http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=1&noticia=36715
http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=431100#
http://www.brudam.com.br/informativo/ver.php?id=702
http://www.riogrande.com.br/jaguarao_jaguarao_jaguarao_uma_cidade_estrategica-o11165-en.html
Foto: Mardilê Friedrich Fabre
Mardilê Friedrich Fabre
Publicado no Recanto das Letras em 26/06/2011
Código do texto: T3058525

domingo, 26 de junho de 2011

Tristán Narvaja: O Bestiário Do Outro Amon


Pero sabed que la poesía se encuentra en todas
 las partes donde no está la sonrisa estupidamente
 burlona del hombre con cara de pato. (Lautréamont)


Todos os domingos, la Calle Tristán Narvaja em Montevideu, abriga uma feira de pulgas famosa onde se pode encontrar de tudo. Pregos, botões, qualquer tipo de antiguidade, livros raros, o que se puder imaginar.
Mas não era domingo, era uma sexta feira e, mate na mão, saímos a buscar alguns títulos nas livrarias e sebos que estão dispostas quase lado a lado,  nesta  rua tradicional da capital uruguaia. A faina era localizar a Invenção de Morel do Bioy Casares e uma edição dos Cantos del Maldoror  de Isadore Ducasse, o Conde de Lautréamont. Súbito,  nos deparamos não apenas com os Cantos de Isadore, mas com os próprios seres fantásticos de Lautréamont.

El guardián de la casa ladra sordamente, porque le parece que una legión
 de seres desconocidos  se filtra por los poros de las paredes
y traen el terror a la cabecera del sueño. (Los Cantos de Maldoror) 

Tais esculturas estão expostas nas Babilonia Livros da Tristán Narvaja. São obras do artista   Jorge Añon  livremente inspiradas nos seres fantásticos descritos pelo Conde. Este poeta uruguaio nasceu em Montevideo em 1846 e envolto em mistério e sombras radicou-se em Paris onde se auto concedeu o título de Conde e sua alcunha  Lautréamont  referir-se-ia a um outro Amon, (Le autre Amon).  Isadore Ducasse teve uma breve existência, vindo a falecer em 1870 com 24 anos.   



Ademais do que buscávamos, rebuscamo-nos com um Alejo Carpentier, "Reinos deste mundo", um Vargas Llosa, "Tia Julia y el escribidor", "Apocalipticos e Integrados" de Umberto Eco e uma Antologia de la Literatura Fantástica organizada por Silvina Ocampo, Borges e Bioy Casares. 
Finda a jornada, regressamos para o encontro com nossas musas que também se fartaram nas Lojas da 18 de Julio,  abrigando-se contra a brisa fria que vem do rio da Prata. 



Jorge Passos e Sérgio Christino 

sábado, 25 de junho de 2011

Obra y vida de Poe en El País cultural

Publicamos do  El País Cultural desta última sexta- feira artigos sobre a obra de Edgar Allan Poe.


EN EL PRIMER CENTENARIO (1909)

Fuera del Panteón americano



George Bernard Shaw
HUBO UN TIEMPO en el que América, la tierra de la libertad y el lugar de nacimiento de Washington, parecía la patria natural de Edgar Allan Poe. Hoy en día algo así se ha vuelto inconcebible: ningún joven puede leer las obras de Poe sin preguntarse con incredulidad qué demonios pinta Poe en ese barco. América ha quedado al descubierto, y Poe no. Esta es la situación. ¿Cómo pudo vivir allí el mejor de los artistas, este aristócrata de las letras? No vivió allí; sólo murió, y se le tachó con presteza de borracho y fracasado, aunque sigue abierta la cuestión de si realmente bebió tanto alcohol en su vida como bebe hoy un moderno triunfador americano, sin mayor comentario, en seis meses.
Si el Día del Juicio estuviera previsto para el día del centenario del nacimiento de Poe, sólo habría dos hombres entre los fallecidos desde el día de la Declaración de Independencia cuya súplica de gracia pudiera revocar una inmediata sentencia condenatoria para toda la nación; y no está claro si a esos dos se les podría convencer de que pervirtieran la justicia eterna pronunciando esa súplica. Esos dos, son, por supuesto, Poe y Whitman; entre ellos existe la notable diferencia de que Whitman es aún creíble como americano, mientras que incluso los propios americanos, aunque están bastante faltos de hombres de genio, omiten el nombre de Poe de su Panteón. (...)
SUPREMACÍA Y BELLEZA. Edgar Allan Poe no era en lo más mínimo un filisteo. Escribió siempre como si su nativa Boston fuera Atenas, como si la Universidad de Charlottesville fuera la Academia Platónica y como si su hogar coronara las cumbres de Fiesole. Fue el mayor crítico periodístico de su tiempo e hizo visible el buen arte europeo en un momento en que los críticos europeos esperaban a alguien que les dijera qué decir. Su poesía es tan exquisita y refinada que la posteridad se negará a creer que pertenece a la misma civilización que la gloria de las lilas de la señora Julia Ward Howe o las honradas rimas de Whittier. Tennyson, que, si algo era, era un virtuoso, nunca produjo un éxito capaz de soportar ser leído tras cualquiera de los fracasos de Poe. Poe producía magia de una forma constante e inevitable allí donde sus mejores contemporáneos producían sólo belleza. Las piezas más populares de Tennyson, "The May Queen" y "La carga de la caballería ligera", no aguantan la repetición; tras algún tiempo se vuelven directamente nauseabundas. "El cuervo", "Las campanas", y "Annabel Lee" resultan tan fascinantes tras mil lecturas como lo fueron la primera vez.
                                                          LEIA MAIS >>>>

Clique nos títulos para ler também sobre Edgar Allan Poe no El País Cultural:

El sacudón intacto


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Viaje a Midland

                                                                                                                               Al amigo Enrique Bacci            

El único peligro
De la ruta 44
No eran las curvas
Ni el puente corroído por las aguas
Sino tu mirada
En el retrovisor
La ventana abierta
Tu pelo suelto al viento
Silvio canta para nosotros
Serpiente que se mueve
Bajo tu pie

Rocinante nave
Argonauta rumbo al sur
Palabra habitada de la poesía

Zoom
Imagen de Drummond
Música  Pellegrinante
Fantástica ficción
Violación de la primer  visitante
De nuestra muerte
Genta, gesta, gente
Alucinante poetar
Llave de imposible puerta
Yorik contestando a Hamlet
Onetianas y Beneditianas críticas
Felisberto en el balcón
Escucha el delirio no recitado
De Martim en la taberna

Rosa de todos los vientos
Tu ausencia
En el hotel Ferrocarril.

                                           Jorge Passos       
                                    Rivera, noviembre, 2002 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

CLAUDIO SILVEIRA SILVA - LA QUITANDERA.wmv


Elias Pereira fala sobre escultura de Claudio Silveira Silva, singular artista fronteirizo, exposta na Plaza Gral. Artigas em Rio Branco.

Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros é aprovado no 7º Encontro do movimento clubista em Jaguarão/RS

Prefeito, desembargador do Estado, representantes do IPHAE e entidades negras participaram do 7º Encontro Estadual dos Clubes Sociais Negros, no fim de semana, que definiu as diretrizes do movimento clubista
 
Autoridades e representantes de entidades do Movimento Negro do Rio Grande do Sul marcaram presença no 7º Encontro Estadual de Clubes Sociais Negros, realizado no sábado e domingo (18 e 19/06), no Clube 24 de Agosto, em Jaguarão/RS. Na programação do evento, organizado pelo Movimento Clubista do RS com apoio da Prefeitura de Jaguarão, através da Secretaria de Cultura (SECULT),  os clubes sociais negros debateram e aprovaram o Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros, que contém as principais diretrizes e estratégias de atuação do movimento para os próximos anos.

A abertura oficial do evento contou com a presença do prefeito de Jaguarão, Claudio Martins, do desembargador do Tribunal de Justiça do RS, Sejalmo Sebastião Neri, dos representantes do RS na Comissão Nacional dos Clubes Sociais Negros, Luis Carlos de Oliveira e Giane Vargas Escobar, dos coordenadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE). Robson Dutra Lima e Lidia Richiniti, do líder comunitário do Quilombo Madeira, Jadir Madeira, do diretor estadual de cultura do Movimento Negro Unificado (MNU), Mestre Chico. Também estiveram presentes os secretários municipais de Cultura, Alencar Porto, de Desenvolvimento Econômico, Paulo Vieira, de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Lizandro Lenz, e o vereador Obert Paiva, a diretoria executiva do Coletivo de Clubes Sociais Negros do RS, coordenadores regionais, presidentes e diretores de clubes sociais negros do Estado.

O anfitrião do Encontro, o presidente do Clube 24 de Agosto, Neir Madruga, saudou a participação de cada representante no evento que também simbolizou o apoio político do Movimento Clubista e da Prefeitura à entidade de 93 anos de história que enfrentou, após decisão da Justiça referente à uma dívida, um leilão para a venda da sua sede social. “Agradeço a todos que se unem a esta luta pela preservação desta história da comunidade negra de Jaguarão”, enfatizou. O clube foi fundado em 1918 por trabalhadores negros que se uniram em classe – a chamada “União da Classe”, no âmbito do Círculo Operário Jaguarense. 
De acordo com o prefeito Claudio Martins, que reafirmou a sua “negritude” diante do público que lotou o salão, a principal ação afirmativa do seu governo foi a certificação do Quilombo Madeira, além da criação da Semana Municipal da Consciência Negra. “Nós avançamos muito, mas temos uma tarefa enorme enquanto ainda tivermos uma criança negra discriminada na sala de aula, pois sou professor e sei que a prática do racismo é velada e, portanto, a melhor solução é a consciência”, avaliou. O prefeito citou o tombamento de cerca de 600 prédios do centro da cidade como o primeiro patrimônio Bi-Nacional reconhecido pelo IPHAN, a Feira Bi-Nacional do Livro, com espaço para a literatura negra, e o Carnaval, que tem uma bonita integração com o candombe uruguaio. Claudio Martins elogiou a garra do presidente e da diretoria do clube 24 de Agosto, que lutam pela salvaguarda e preservação da sede e da história da entidade. 

O exemplo de uma trajetória de superação na vida e trabalho foi demonstrado pelo desembargador Sejalmo Sebastião Neri, que quando criança foi menino de rua e através da dedicação nos estudos e no trabalho obteve diversas conquistas. Sejalmo foi eleito vereador por três mandatos em São Leopoldo e há 10 anos preside uma câmara no Tribunal de Justiça do RS. “Trago aqui minha solidariedade, pois tenho certeza de que o clube vai vencer esta batalha judicial para manter viva esta história”, ressaltou. Natural de Vacaria, Sejalmo é Bacharel em Ciências Sociais e em Ciências Jurídicas e Sociais. Ingressou na Magistratura em 1980, como Pretor e em 1982 foi nomeado Juiz de Direito. Exerceu a jurisdição nas comarcas de Arvorezinha, General Câmara, Ibiribá, São Sebastião do Caí, Rio Pardo e Porto Alegre. Foi Juiz Eleitoral e foi promovido a Desembargador do Tribunal de Justiça em fevereiro de 2000.

Após a cerimônia, um jantar de confraternização foi servido pelo Clube 24 de Agosto, com apresentações artísticas e culturais como o Mestre Chico, que abrilhantou o evento com o toque dos tambores e músicas afrobrasileiras. 

Patrimônio Histórico
Uma boa notícia foi trazida à comunidade negra pelo representante do corpo técnico do IPHAE, o historiador Robson Dutra: “Estamos analisando a documentação e temos certeza que nos próximos meses o Clube 24 de Agosto, de Jaguarão, será um dos primeiros clubes sociais negros a garantir o tombamento no Estado”, afirmou. Robson explicou ainda os procedimentos necessários para que os clubes sociais negros busquem o registro como patrimônio imaterial ou até mesmo o tombamento.

Espaços de resistência e memória
A diretora técnica do Museu Treze de Maio, de Santa Maria, e representante do RS na Comissão Nacional de Clubes, Giane Vargas Escobar, agradeceu a parceria da Prefeitura para a a realização do evento de organização do movimento clubista para a construção de políticas públicas. “Nos clubes sociais negros, além de gostarmos de festas e atividades, também gostamos de mostrar organização para manter viva a nossa história e a nossa cultura”.

Para Luis Carlos de Oliveira, vice-presidente da Associação Floresta Montegrina, de Montenegro e integrante da Comissão Nacional, os clubes sociais negros contribuíram, ao longo da história, para a economia, esporte, recreação e cultura dos municípios e do Estado. “Nosso objetivo é deixar este relevante legado histórico e cultural para as futuras gerações e por isso são tão importantes as políticas públicas que auxiliem na salvaguarda e desenvolvimento de atividades nestes redutos da comunidade negra”, enfatizou.

Plano Estadual
O Movimento Clubista, envolve um número aproximado de mais de 100 clubes sociais negros, distribuídos em diversas cidades do Brasil, tendo no Rio Grande do Sul sua maior expressão, com 57 dos clubes cadastrados da federação. Entre estas entidades, algumas já completaram mais de um século de história como reduto permanente da cultura e hábitos dos negros de nosso país.
 
Entre as diretrizes aprovadas no Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros do Rio Grande do Sul estão a parceria com o Governo do Estado para o desenvolvimento de projetos em diversas áreas, curso de capacitação dos gestores clubistas, reconhecimento como Patrimônio Histórico e Cultural Afro-Brasileiro, financiamento para os clubes sociais negros, auxílio em questões jurídicas, entre outros. Para a elaboração do documento, os clubistas consideraram a avaliação dos eixos aprovados na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), a legislação brasileira, o Estatuto da Igualdade Racial e as principais demandas dos clubes. No domingo, ao final do encontro, as entidades abordaram sobre o contexto estadual e nacional e chancelaram a Associação Floresta Montenegrina como representante do movimento para disputar uma vaga na eleição do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do RS (CODENE) para o biênio 2011-2013. 

Para mais informações e notícias, acesse o Portal dos Clubes Sociais Negros do Brasil no endereço eletrônico: http://www.clubessociaisnegros.com.br . 
 
Por: Lisandro Paim - Jornalista MTE 12878

terça-feira, 21 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Crime ambiental e suicídio turístico

Publicamos manifestação de um leitor do Blog da Confraria preocupado com a questão ambiental nesta fronteira. Fotografias tiradas de cima da Ponte Mauá. 
Este lixo vai ser colhido pelo rio

A poucos metros da rua principal do freeshop

Quem caminha pela Ponte Mauá em direção à Cuchilla observa nos arrabaldes, por trás do Freeshop de Rio Branco, o lixo acumulado naquela região. 
Trata-se de zona de preservação permanente, refugio da fauna e flora, que integra a bacia de captação do Rio Jaguarão, e que periodicamente é visitada por suas águas em épocas de chuvas intensas como as que ocorreram neste último fim de semana.

Região de grande beleza natural e que encanta os turistas que para cá se dirigem.  


Depois dos temporais, pode-se ver as águas crescidas do Jaguarão carregando em seu leito, rumo à lagoa, o lixo depositado irresponsavelmente em suas margens e isto, de ambos os lados, Brasil e Uruguay. 
Infelizmente, o dinheiro que circula em grande quantidade na Zona Comercial de Rio Branco parece  não ter trazido melhorias para a  infraestrutura e para a limpeza urbana daquela cidade. 
O turismo, que é um dos fatores potenciais de desenvolvimento, ampara-se não só no apelo comercial,  mas também nos atrativos naturais,  patrimônio histórico e cultural, infraestrutura, condições de vida da população local, entre outros. 

Nossa intenção é alertar as autoridades responsáveis e principalmente a comunidade fronteiriça,  dos perigos e prejuizos que a degradação ambiental acarretará, caso essa situação preocupante (acumulo de lixo em áreas  de preservação ambiental) não seja rapidamente corrigida, de forma a preservar e proteger os Bens que mais prezamos e que nos foram dados como privilégio e responsabilidade:
O Rio Jaguarão e seu entorno.
Moradores descartam lixo em aterros ao lado das moradias

domingo, 19 de junho de 2011

XII edição do Projeto Sarau Poético-Musical BPP



CONVITE
 
Juntamente com seus parceiros e apoiadores, a Bibliotheca Pública Pelotense(BPP) convida para a  XII edição   do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP , no próximo 21 de junho, a partir das 19:30 horas - conforme programação abaixo detalhada.
 
O QUE - XII edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE: 21 de junho 2011, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.
TEMA DESTACADO - Junho Ambiental
 
CONVIDADOS
 
 
Música
Marcela Soares
 
Autores-poetas
Adriana Lucena
Darli Maria Dias Moreira
Fernanda Souza
Mário Osório Magalhães
Realização
Bibliotheca Pública Pelotense
 
Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira
 
Parceiros Institucionais
Faculdade de Educação / UFPel
Faculdade de Letras / UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental 
 
Apoiadores Culturais
Labore Engenharia
RádioCOM.104.5FM
STUDIO CDs
Centro de Estudios en Lengua Española

sábado, 18 de junho de 2011

Imagens do Eclipse Lunar na Fronteira

Eclipse lunar no azul do rio Jaguarão na noite de 15 de junho

Nossa sombra sobre Luna
Sol de inverno

Sol de inverno
Tímido, frio, distante, triste.
Longe, longe, aquece passos que estão perto.
Do outro lado do continente, há um sol de verão.
Quente, úmido, alegre, perto.
A Lua?
Para ela não há inverno ou verão.
Brilha sempre,
Às vezes inteira, às vezes pela metade.
Branca, dourada, cor de fogo.
É sempre a mesma lua, de lua.
De quarto crescente ou minguante como agora.
Cheia, vazia, sempre lua.
Brilhando indistintamente
Para todos que olham pro céu.
Apenas as nuvens são capazes de encobri-la,
Mesmo assim ela permanece.
Pena que o sol não possa vê-la ou tocá-la.
Quem sabe um dia,
Um eclipse venha fazer os dois se encontrarem?
E neste dia não haverá estação!

Analva Passos

Pontiagudo espinho eclipluminado