terça-feira, 30 de abril de 2013

A Praça...É nossa?

bancos da Praça Alcides Marques tem sido alvo de vandalismo

Há pelo menos três anos, a Praça Alcides Marques de Jaguarão, em pleno centro da cidade, defronte à Rodoviária, a poucos metros da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo e do emblemático Hotel Sinuelo, está na UTI.

Nesses nefastos três anos, grande parte de seus bancos foram e continuam sendo demolidos pelo vandalismo, o seu calçamento está virando entulho, as lixeiras sendo roubadas, os focos de luz e os bojos destruídos (ainda que repostos pouco antes do Natal 2012), a tela metálica onde estão os jogos infantis foi rasgada (e depois de meses, recuperada), e o banheiro masculino igualmente sofreu diversas incursões predatórias, que obrigaram a, no mínimo, quatro ou cinco reparações desde 2010.

A lei que rege para todos os cidadãos, é letra morta para os fora da lei, e a negligência e inoperância da Prefeitura, da Secretaria de Obras, ou de quem for responsável por esse serviço, vem a somar-se, por omissão, a tal deboche e esculacho públicos. Assim, o patrimônio municipal, que pertence a toda a sociedade jaguarense, fica ao léu, livre para ser demolido em nossas fuças, pois ninguém atua, ninguém vê, ninguém ouve, ninguém denuncia...

Os turistas que nos visitam e se dispõem a caminhar por essa praça histórica —a principal da cidade— onde muitos deles tiram fotos para o álbum de família ou para o Facebook, deverão ficar em pé ou, quem sabe, trazer na bagagem uma cadeira de praia para se sentar (como já são obrigados a fazer muitos jaguarenses) porque a Praça Alcides Marques é um retângulo arborizado quase sem bancos e com duas lixeiras apócrifas. Que imagem de Jaguarão essas pessoas levarão de volta com eles ao retornarem às suas cidades?

Defendo que os bens públicos devem ser para o usufruto de todos, mas isso está longe de significar que cada um possa fazer, na calada da noite, o que bem entender com o que é patrimônio de toda a comunidade. O descaso e a impunidade servem de estímulo aos energúmenos, aos vazios de caráter e carentes da mais mínima responsabilidade e compromisso sociais, pois quem depreda e destrói alguma coisa é porque não a ama, e gente assim não ama esta cidade e, portanto, com seus atos destrutivos também nos desrespeita e agride a cada um de nós, cidadãos e cidadãs de Jaguarão.

Sente-se a falta de uma profunda e permanente cruzada pela cidadania, que nos dê plena  consciência, a eleitos e eleitores, dos direitos e deveres que, como pessoas civilizadas e cidadãos à altura de tal adjetivo, merecemos. Mas, enquanto não houver uma reação em cadeia engajada pelo bem comum, pelo que é construído e mantido com o esforço e o dinheiro de todos nós, nada mudará!

Talvez a Praça Alcides Marques ainda viva suas noites de folia, e continue disfarçada de ruína pública em abandono... fato esse que seria coerente com o “melhor carnaval da zona sul do estado”. Só que estamos na última dezena de abril, ou, em outras palavras, vivendo quase cem dias depois da tão festejada data.

Contratar um ronda noturno possivelmente seja o mais sensato a fazer, porque o pior seria ficarmos sem praça e sem graça, planejando a cidade dos sonhos plausíveis enquanto vivemos os pesadelos tangíveis.

Darío Garcia
Acadêmico do Bacharelado em Produção e Política Cultural;
Unipampa / Jaguarão.

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 24/04/2013 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Reunião trata da Faculdade Binacional de Enfermagem



El día 25 se inició en Río Branco la segunda ronda de negociaciones para la instalación de una Facultad Binacional de Enfermería. Participaron de la reunión: Prof. Coordinador de Relaciones Interinstitucionales de UFPEL Hemerson Pase, Prefeito de Jaguarão Claudio Martins, Alcalde de Río Branco Robert Pereira, Decana de la Facultad de Enfermería Enf. Mercedes Pérez, Cónsul de Uruguay en Jaguarão Daniel Botta y Vicecónsul de Brasil en Río Branco Sergio Riveiro.

De la referida reunión surgieron varias propuestas en lo que hace a la capacitación docente de personal asentado en la zona de las ciudades gemelas, la inclusión de la UNIPAMPA en las negociones con participación de la sede de la ciudad de Uruguaiana donde existe la carrera de enfermería, ampliación del acuerdo entre ambas facultades y estudio y firma de un acuerdo a nivel de pos grado tomando como base el firmado por UDELAR y UNIPAMPA.  



domingo, 28 de abril de 2013

Hidrovia do Mercosul: Empresa realiza medições para dragagem do Rio Jaguarão


Barcos da Empresa Água e Solo realizam batimetria da Bacia da Lagoa Mirim  
Sr Júlio Andrade, piloto da nave mãe
Duas embarcações da empresa Água e Solo encontram-se no Porto de Jaguarão realizando serviços de medição da profundidade do rio (batimetria), para posterior dragagem. 

O trabalho faz parte do Projeto de Ativação da Hidrovia do Mercosul que deve iniciar sua operação em 2014. Conversamos na manhã deste domingo com o Sr. Júlio Andrade, piloto da Nave Mãe e funcionário da Empresa. Relatou-nos que há 45 dias estão embarcados. Na Lagoa Mirim farão os estudos de profundidade que possibilitarão avaliar a necessidade de dragagem para possibilitar a navegação. Ela  possui cerca de 180 km de extensão e profundidades que variam de 1,00 m, no norte, a até 6,00 m, na porção mais ao sul.  O batimento do Rio Jaguarão deve ser finalizado até terça feira e é muito minucioso e detalhado. São realizadas medições de 10 em 10 metros. O próximo destino dos dois barcos é o Rio Cebollati no Uruguay, Puerto de La Charqueada, onde prosseguirão os trabalhos. 

Hidrovia do Mercosul ligará sa duas Lagoas e vários portos
Conforme publicado no Jornal do Comércio, o começo do transporte de cargas pela hidrovia Brasil-Uruguai, também chamada de hidrovia do Mercosul, deve ocorrer no próximo ano. Para isso tornar-se  realidade, a obra mais importante será a dragagem do canal do Sangradouro, localizado ao Norte da Lagoa Mirim. O superintendente da Administração das Hidrovias do Sul (Ahsul), José Luiz Azambuja, detalha que a ação permitirá a ligação com a Lagoa dos Patos. A expectativa é de que a dragagem seja licitada ainda neste ano e concluída antes do final de 2014. O dirigente estima em cerca de R$ 15 milhões o investimento necessário para concretizar o empreendimento. O recurso será proveniente do governo federal. “Em um ano e meio queremos ter essa espinha dorsal funcionando”, afirma Azambuja.

O projeto da hidrovia Brasil-Uruguai prevê ainda outras melhorias, como mais dragagens e sinalizações. No entanto, superado o obstáculo do canal do Sangradouro, já será possível que embarcações uruguaias tenham acesso a portos gaúchos como o de Rio Grande e Estrela. O calado mínimo da Lagoa Mirim será de 2,5 metros, adequado, principalmente, para barcaças com capacidade para movimentar cerca de 3 mil toneladas em cargas. O presidente da Ahsul acrescenta que a hidrovia, tornando-se operacional, deverá acelerar os projetos de terminais que estão sendo desenvolvidos no Uruguai.

Em breve, embarcações como essa poderão ser vistas na Lagoa Mirim e no rio Jaguarão

Fontes: Jornal do Comercio, http://hidroviasinteriores.blogspot.com.br

sábado, 27 de abril de 2013

Siesta


Sábado. Que tarde linda para uma siesta.

Um cão late nas imediações da Carlos Barbosa

Insistentemente.

Tarde especial para uma siesta.

Cães latem por toda a redondeza da Carlos Barbosa

Insistentemente.

Tarde convidativa para uma siesta.

Um som estroboscópico ladra

Ofertas imperdíveis das Lojas Obino.

Um, dois, três,

A matilha toda late na zona lindeira à Carlos Barbosa

Definitivamente,

Nesta tarde que era de luxo para uma siesta,

Concluo que este animal e sua espécie

Não fazem parte do meu círculo de amizades.


Jorge Passos

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Como fogo em campo seco!



A notícia chegou como uma brisa leve: El Capitán está de volta! Ao redor do fogo, em meio às campinas, a boa nova ia soprando de rancho em rancho. El Capitán está de volta! Diziam que ele havia sido visto, lá para os lados das Coxilhas de Santa Marta. Não havia dúvidas. Era o mesmo cavalo baio ruano, com as encilhas do Capitán.  A mesma baeta negra, cobrindo seu corpo. Os arreios de prata peruana, com as divisas gravadas. A velha carabina Remington pendurada no costado. Era ele

Aos poucos, a voz cantante cruzava a campanha. De suas casas, homens e mulheres iam se reunindo. Nas esquinas dos povoados, nos boliches, nas canchas de pencas. O que era sussurro virava alvoroço. Que vem revolução por ai! E era um tal de limpar adagas, lustrar coldres, desempoeirar ponchos. Já de pronto havia uma tropa formada aqui, outra acolá. E todos queriam confirmação. Era ele! Fora visto em passo manso, vindo nesta direção. O mesmo chapéu ginete, desgastado e alquebrado. O mesmo lenço, que El Capitán usava atravessado, quase caindo sobre o ombro esquerdo. A mesma adaga longa, “de sangrar milicos”, como ele dizia. E à medida que ia se atestando a veracidade do fato, mais e mais se via os sorrisos, os tapas nas costas, os abraços. Largavam tudo. O gado ficou sem rodeio. As roupas ficaram nos varais. A enxada jogada no roçado. E todos iam se reunindo, cochichando, perguntando, discursando. Era hora de arregimentar. De acordar do sono destas pazes negociadas em gabinetes. Era hora de dar o troco. Liberdade e campereada outra vez! Já bastava de tanto suor. De tantas manhãs, tardes e noites de labuta, para mal por o pão na mesa. E aquelas malditas cercas? E estes arames que espetavam o pala e a alma? Derrubar! Derrubar, que El Capitán está de volta! E se juntavam bolsas de couro e lonas de cobrir. Panelas, alpargatas e chairas. Fumo, erva e canha. E munição para que o inimigo não tivesse queixas. As mães penteavam os filhos, benziam e beijavam suas testas. Vá se aprumando, como fizeram teu pai e teu avô! Arroz, linguiça e sabão no bornal. E um terço para que não faltasse proteção. No meio da praça, um patrício dizia que El Capitán vinha já com uns mil no regimento. E trazendo um dos chefes dos inimigos preso pelo garrão. Ia cruzar a fronteira e incendiar os campos com fumaça e espoleta. Levando a degola em uma mão e a justiça na outra. Tempos de guerra de novo! E a peonada já falava em tomar a prefeitura e arrastar o Intendente porta à fora. O padre correu para a sacristia, guardando a caixa de esmolas entre os lambris do assoalho. No quartel, a milicada corria de um lado ao outro, se apetrechando para dar combate. Até na rádio já tinham avisado. E o burburinho crescia. A noite avançava e avançava também a distância que a notícia percorria. Lá para os lados da capital, diziam, o governador falava em enviar forças da ordem. Despachavam avisos, convocavam reservistas, cancelavam licenças. El capitán está de volta! E com ele o levante, a fúria, a rebelião. 

A esperança é como um rastilho que corre para provocar a explosão. Velhos reviravam seus baús em busca de papéis mais velhos ainda, que confirmavam direitos sobre um naco de terra. El Capitán vais nos devolver o que nos tomaram, diziam para suas esposas, que se debulhavam em lágrimas. No salão paroquial, convertido em quartel general rebelado, se preparava uma mesa e se ajeitavam as cadeiras para receber El Capitán. E um camarada ia fazendo a lista de demandas, rabiscando em nome daqueles que mal tinham aprendido as primeiras letras, mas sabiam o que era seu de direito. No armazém, o dono havia sido encurralado atrás do balcão, enquanto uma turba tratava de reunir víveres para as tropas. E um outro já ia estraçalhando o caderno de contas, alegando que em tempos de luta, cessavam as cobranças. Farinha, feijão e banha. E um ou dois baralhos de truco. Tudo ia sendo colocado em sacos de linho. Mas devidamente anotado, para o caso de “reparações de guerra”. Foi quando chegou um vivente, apeando de seu cavalo e adentrando ao armazém. 

O que tinha para contar era como um balaço no coração. Não tinha Capitán nenhum! Fora tudo invenção de um gaiato, para puxar prosa na volta do fogo, lá para os lados de Santa Marta! Nem uma só palavra foi dita. Um à um, todos foram voltando para o lugar de onde vieram. Baús e malas se fecharam, assim como portas e janelas. O dono do armazém recolheu suas mercadorias e juntou apressado os pedaços das páginas do caderno de dívidas. Do outro lado da rua, o padre varria calmamente a soleira da igreja. O prefeito enxugava a testa com seu lenço bordado. E o delegado puxava a cinta da calça para cima, estufando o peito e exclamando: vamos tomando o rumo das casas que, por enquanto, quem manda por aqui sou eu! Na ponta do balcão, com um olhar sorumbático, depois de um longo gole de canha, um paisano jogou o lenço sobre o ombro esquerdo e sussurrou: por enquanto...

Artur H. F. Barcelos
Historiador, Professor da Universidade Federal do Rio Grande FURG

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional  em 17/04/2013



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Encontro prepara Convenio entre UFPel e UDELAR para criação do Curso de Enfermagem Binacional


Agenda de trabajo 25 y 26 de abril Río Branco y Yaguarón
Reunión Ejecutiva de Enfermería Preparatoria del Convenio Académico Universidad de la República- Universidad Federal de Pelotas
Abril 2013

Programa 25 de abril
14 a 14.30 hs - Apertura del encuentro – Decana F. Enf Prof. Mercedes Pérez
- Agenda de trabajo –
- Presentación de antecedentes de trabajo y objetivos actuales: a cargo de
Directora de la Fac de Enf. de Pelotas Profa. Dra. Luciane Prado Kantoski
Decana de Fac de Enfermería de la UDELAR

14.30 a 15.30 hs- Diseño de propuesta – Coord. Prof. Adj. Cecilia Acosta

15.30 a 16 hs- Café

16 a 17.00 hs- Síntesis del Encuentro - Prof. Mercedes Pérez
- Profa. Dra. Luciane Prado Kantoski

17.00 a 17:30 hs - Importancia del encuentro:

Robert Pereira, Alcalde Río Branco; Claudio Martins, Prefeito de Yaguaron; Daniel Botta, Cónsul de Uruguay en Yaguarón; Sergio Ribeiro, Vicecónsul de Brasil en Río Branco

Propuestas para la agenda próxima de trabajo.

17.30 a 18 hs- Preparación de día 26 de abril (visitas)


18.00 a 20.00 hs- Estudio de los programas académicos (sólo Facultades)

20:30 – Cena

Programa 26 de abril


9:30 a 12 hs- Visita a servicios

12 a 13 hs- Almuerzo








domingo, 21 de abril de 2013

Memória Xadrez - Encontro Internacional comemora 45 anos da FGX

Encontro histórico em Jaguarão - Match Clube Brasileiro de Montevideo e FGX
à direita, Jorge Passos, em partida com Tabaré Bustelo.
No primeiro Tabuleiro , o Mestre Internacional Francisco Trois
22/23 de outubro de 1988

A Equipe da Federação Gaúcha de Xadrez venceu à do clube Brasileiro de Montevidéu por 11 a 9, sábado  e domingo últimos em Jaguarão, em disputa do Troféu " 45 Anos da FGX". O encontro, em duas rodadas, terá seu returno em montevidéu, dias 17/18 de dezembro. O Match é promovido pela FGX e  Clube Brasileiro de Montevidéu com apoio da Associação Cruzeiro Jaguarense, conselho Municipal de Desportos de Jaguarão. As partidas foram realizadas na biblioteca Pública Municipal.

Resultados
Francisco Trois no tabuleiro 1 fez 1,5 a 05 contra Fabian Telleria. No segundo, Jorge Passos empatou (1x1) com Tabaré Bustelo. No 3, Márcio Vaz empatou com Roberto silva Nazzari. no 4 , Milon Brasil e Martin Marotta empataram: 1x1. No 5, Telmo Teixeira e Hector silva Nazzari: 1x1. No tab. 6, Carlos Peixoto fez 1x0 em J. Idiarte Borda; na segunda partida, Gilberto Cuello empatou com Borda. No tab. 7, Edson Soyaux de Almeida igualou em 1x1 com Fernando Gadea. no 8, Alcindo B. Silva venceu a hiber Muñoz: 1,5 a 0,5. No 9, Paulo Dutra da Silva e Rogerio Carmona 1x1. Finalmente, no tab. 10, Ricardo Muller perdeu para Walter Cuitiño: 0,5 x 1,5.  

Noticia do Jornal Timoneiro - Canoas -RS
Fotografia : Vilmar Rienzo

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sarau da BPP dedicado a Vinicius de Moraes


Juntamente com os  parceiros institucionais e apoiadores , a Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) convida para a  primeira edição  de 2013   do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP , no próximo  30 DE ABRIL, a partir das 19:30 horas - destacando a obra do poeta Vinicius de Moraes, no ano do centenário de seu nascimento.

O QUE - XXIX edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE: 30 de abril  de 2013, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.
 
MÚSICA AO VIVO
Xana Gallo 
 
POETAS - AUTORES CONVIDADOS
Jandir Zanotelli
Katherine Conceição
Ligia Monassa Farias
Luis Borges
 
AUTOR EM DESTAQUE
Vinicius de Moraes ( 1913 -1980)
 
Parceiros Institucionais
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Curso de Relações Internacionais / UFPel
Faculdade de Educação / UFPel
Centro de Letras e Comunicação/ UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM
 
Realização
Bibliotheca Pública Pelotense
 
Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira


segunda-feira, 15 de abril de 2013

JAGUARÃO/RIO BRANCO – PRÓXIMOS E DISTANTES


A fronteira Brasil-Uruguai, especificamente no caso de Jaguarão/Rio Branco, foi – e, em parte, ainda é – objeto de uma visão tradicional e geopolítica de ambos os Estados. Este fato se torna mais notório por ser ela a única, relativamente importante, entre esses dois países, que possui uma Ponte Internacional unindo-os, ou até mesmo, separando-os, pois acaba sendo um gargalo que impede, de certa forma, uma melhor integração entre os dois lados, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com as fronteiras Livramento/Rivera, Aceguá Brasil-Aceguá/Uruguai ou Chuí Brasil/Chuy Uruguai. Por ser a única fronteira com um rio por meio, acaba sendo, muitas vezes, prejudicada; justificando assim os versos de um compositor uruguaio de Rio Branco, Duca Marins (música do Jaguarense Hélio Ramirez): “Hay un río que nos une, y un puente que nos separa”.

Historicamente, desde a luta pela sua demarcação, as tentativas de expansão luso-brasileira e de resistência uruguaio-espanhola acabaram caracterizando esta região como uma área de conflito, onde o outro era visto como adversário na fixação de um território próprio. Essas visões, que deveriam ser ultrapassadas, a partir da estabilidade da linha demarcatória, continuaram fazendo parte do imaginário fronteiriço. Valendo-me do escritor Aldyr Garcia Schlee, cito o seu conto “Braulina”, onde há uma passagem que revela todo o drama - invisível, porém real - que envolve essa questão. O casal protagonista está no meio da ponte Mauá, ela dá um passo a mais e está do lado de lá, ele retém o passo e não atravessa a linha imaginária. Ela está no lado uruguaio. Ele, no Brasil. Ele então comenta: “Que engraçado, nós tão perto um do outro e tão separados!”. Nessa frase; nesse momento; nessa divisão, revela-se toda a barreira que não aparece à primeira vista, mas que está aí: presente no cotidiano de cada ser que vive neste espaço de mundo.

Entretanto, ao buscarmos as raízes históricas e culturais da formação do ser fronteiriço, encontramos, na maioria das vezes, um ser que não se considerava nem de um lado e nem de outro da linha divisória. Que se negava, em sua maneira de agir, a seguir o limite imposto pelos mapas e tratados. E foi esse modo de viver que acabou forjando a alma de muitos que foram se fixando na região da fronteira, desde a época da chegada dos europeus e seus descendentes a estas terras; desde os primeiros conflitos oriundos da busca dos portugueses de levarem os seus domínios até o Rio da Prata e da tentativa da Espanha de manter a posse do que considerava seu baseada nos tratados.

Posteriormente, na formação dos países, houve um processo de separação forçada, imposta pelos governos; e que, inegavelmente, foi necessário para a afirmação da identidade de ambas as nações. Porém, na atualidade, em um momento em que parecem ter sido superadas todas as ameaças de conflitos por limites e que se caminha para uma integração regional, busca-se inverter o sentido. Ou seja, almejar uma visão mais homogênea do mundo em que vivemos. Não somente na questão comercial, cuja integração parece bem mais avançada, mas também na questão cultural. Em suma, tratar de ser possível olhar para o “outro” sem vê-lo como “outro”, confirmando a tese de que “posso ser o que você é, sem deixar de ser o que eu sou”. 

Elisangela Vasconcellos
Acadêmica de Pós Graduação em Cultura, Cidades e Fronteiras 

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 03/04/2013


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Juremir Machado: Poemazinho sobre os males do assistencialismo


Como dizia o poeta, que país é este?
Que país é este no qual por mero interesse eleitoreiro
Um partido bancou a eleição de um simples torneiro?
Um torneiro sem um dedo, homem, diziam, de meter medo!
E, depois, no lugar dele, elegeram uma guerrilheira,
mulher de faca na bota, que até parece uma pedreira.
Que país é este em que pelo mesmo  interesse eleitoreiro
pratica-se um assistencialismo tido por muito nefasto
capaz de gerar resultados que mal dão para o gasto?
E o gasto é um gosto que faz gente lamber os beiços!
Que país é este em que o assistencialismo eleitoreiro
tem levado milhões de pessoas a comer e beber?
A comer, pasme o leitor, todo santo dia.
Ou quase.
Que país é este em que por interesse eleitoreiro
descarado, compra de votos, tudo o que se sabe,
estão levando os pobres a frequentar a  universidade
e a acreditar numa tal ideia de diversidade?
Que país é este em que por interesse eleitoreiro
abriram os aeroportos e os aviões aos eternos pedestres,
congestionando as nuvens com sertanejos universitários?
Que país é este em que por interesse eleitoreiro
deram cartão de crédito aos primitivos rupestres
e inventaram cotas para quebrar o universalismo branco?
Tudo isso aos solavancos, tudo no mesmo tranco.
Que país é este em que no lugar do universal abstrato,
por coincidência sempre branco e masculino,
põe-se em cena o concreto, preto, pardo, índio e feminino?
Que país é este em que por interesse eleitoreiro
rouba-se, compram-se votos,  corrompem-se deputados,
quase de todos de partidos amigos e aliados num mensalão depois do outro?
Que país é este que aceita esse interesse eleitoreiro
devastador, perverso, ressentido, amargo, violento
que se não for contido  rapidamente, a tempo,
vai acabar mudando a sociedade?
E, o que é pior: mudando para melhor.
Sem dúvida, é preciso tomar providências.
São muitas, claras e graves as evidências
De que caminhamos para o inaceitável:
uma nação capaz de sentir-se meia dona do seu patrimônio,
Ou, ao menos, menos indigente.
Que que é isso, minha gente!
Coisa de louco.
Onde vamos parar assim?
Juremir Machado da Silva

Dia de escalada na Maratona das Areias do Saara


Diante dos 1.017 corredores na segunda etapa do SULTAN 28 MARATONA des Sables, uma jornada que previa uma escalada de dois quilômetros inclinação acima, com uma média de 25 graus.  Um percurso de 30,7 km, enfrentando zona montanhosa, na qual a areia se acumulou durante o ano  impulsionada pelos ventos do deserto. Areia que faz  cada passo mais difícil ainda mais quando sob um sol escaldante . O esforço é brutal, intenso. Mas a recompensa no topo é um panorama de 360 º de toda a região e uma vasta extensão de planície lá embaixo, no vale onde está o acampamento para o descanso. O marroquino Mohamad  Ahansal, o líder da prova cumpridas as duas etapas ,  foi o primeiro em chegar , em menos de três horas. Alguns precisaram de mais de 8 horas para atingir a sua tenda e desfrutar de um descanso necessário antes de sair na terça-feira para a terceira fase que será de 38 km.

Resultados da segunda etapa

HOMENS
·         1. Mohamad Ahansal (MAR), 2h44'35''
·         2. Salameh Al Aqra (JOR) em 4'31''
·         3. Aziz El Akad (MAR) em 5'14''

MULHERES
·         1. Laurence Klein (FRA), 3h44'27''
·         2. Meghan Hicks (EUA), 3'53''
·         3. Joanna Meek (GBR) em 14'25''

O brasileiro Edson Martins ( número 52)  está na posição 679 e completou a segunda etapa em  6H47'58 . Avante companheiro! 

domingo, 7 de abril de 2013

Marroquino lidera Maratona do Saara


Concluída a primeira etapa da Sultan Maratona das Areias do Saara neste domingo, o Marroquino Mohamad Ahansal que já foi vencedor desta prova em quatro edições,   lidera a competição. Ele completou o percurso de 37,2 Km no tempo de 2hr50’56, 4 minutos a frente do Italiano Antonio Filippo Salaris, o segundo colocado.

São 1198 competidores enfrentando 230 kilometros pelas areias do deserto em cinco etapas. O Brasileiro Edson Martins terminou a primeira etapa da Marathon des Sables na colocação 669, com o tempo de 3hr35'43.  


Acompanhe a maratona no site   http://www.marathondessables.com


Instalados no terceiro andar do Edificio Columbia, no extremo meridional do Brasil, a equipe da Confraria dos Poetas de Jaguarão segue de perto a odisseia do único competidor brasileiro, Edson Martins.

sábado, 6 de abril de 2013

Maratona do Saara começa neste domingo, 07. O único brasileiro inscrito faz parte da Confraria


A uns trezentos ou quatrocentos metros da Piramide inclinei-me ,  tomei  um punhado de areia nas mãos e silenciosamente deixei-o cair  um pouco mais longe  e disse  murmurando:   Estou  modificando o Sahara. ( Jorge Luiz Borges)


Neste domingo, 07 de abril de 2013, mais de mil competidores darão inicio à 28ª Sultan Marathon des Sables, Maratona das areias do Saara no Marrocos, norte da África. O Confrade Edson Martins, 48 anos,  único brasileiro inscrito, estará entre eles. E certamente, assim como Borges, estará modificando o Deserto do Saara e sua própria história de vida.

Também podemos encontrar na lista de inscritos, uma única brasileira. É  Analice Fernandes da Silva,  de 69 anos, residente em Portugal.  

Esta maratona é considerada uma das competições mais difíceis da Terra. Num percurso de 230 km, divididos em cinco etapas, a prova submete os corredores a um desgaste inevitável e quase sobre-humano  Dunas, tempestades de areia que podem chegar à velocidade de 100 km por hora,  temperaturas que variam de 50 graus durante o dia aos 5 graus durante a noite são algumas das peripécias que deverão ser enfrentadas. É uma prova planejada para exigir o máximo de cada competidor. todos deverão ainda  carregar nas costas , mochila pesando até 10 kg com todo o equipamento a ser usado durante a corrida, alimentos, roupas e itens de segurança.      

O companheiro Edson vem se preparando bem para esta prova. Esta não é sua primeira competição internacional. Em 2011 participou da Maratona em Atenas e em 2012, Amsterdã.  

O Edson nos mandou uma mensagem que compartimos com os leitores da Confraria:

Pessoal, quem quiser acompanhar a minha aventura no deserto do Saara (Marrocos), na competição chamada Marathon des Sables (talvez alguns de vocês tenha assistido na televisão o episódio de Planeta Extremo, com o repórter Clayton Conservani mostrando a edição de 2012 ), informo a vocês o site correspondente: http://www.darbaroud.com

Lá vocês poderão verificar se eu consegui completar determinada etapa e mesmo por quais postos de controle eu já passei. Lembrando que a competição dura 6 dias, constituída de 5 etapas. Neste ano houve uma mudança e no sétimo dia será realizada apenas  uma espécie de confraternização. Ao todo serão 230 km.

Para acompanhar a minha prova é preciso digitar o meu número de inscrição, aquele que se leva ao peito. É ó número 52.

Vocês podem mandar mensagens de incentivo através do site. Elas são entregues aos competidores nas barracas à noite.  (certamente vou precisar).  

A prova começa dia 07. Até a volta!




quarta-feira, 3 de abril de 2013

Morias Engomion (Μωρίας Εγκώμιον)


Stultitiae Laus 


Nem eu sei quem sou, se houver na face da terra alguém capaz de dizer, o faça com coragem e sem medo do que possam pensar. Só peço não te omitas! Pois o silêncio, muitas vezes, é sustento e outras se torna queda. E se for pra cair que seja de tanto dar risada! E assim como a LOUCURA desafia a todos os que, assombrados pela sua nudez, ficam perplexos com a felicidade dos outros que se despem das vaidades em busca da Felicidade. Assim sou eu hoje, aquilo que aos olhos burgueses é sem valor, em minha vida é estrela e farol de meu viver. O amargo sabor das dificuldades que tempera com força as vitorias. E não se esqueçam que a felicidade não é um elefante branco caindo do céu, são as pequenas coisas que, na maioria das vezes, está ao nosso lado .

Este coração já foi pedra, hoje é carne. Já não habita mais meu peito! Está no espaço? Está no cyber espaço? Não... está nas tuas mãos.  O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração!O coração que leva o coração! O coração que leva o coração!


Jorge Araújo Azambuja
(9 de janeiro de 2010, pós 02:30 )

terça-feira, 2 de abril de 2013

Educação Patrimonial em Palestras na Unipampa

Dia 06 de abril às 9h, sala 312 do Campus Unipampa Jaguarão, ocorrerá o 3º Seminário do subprojeto Educação Patrimonial sob o seguinte tema: Políticas de Cultura e Patrimônio no Mercosul com a Professora Dra. Maria de Fátima Bento Ribeiro e Por entre esquecimentos e silêncios: A figura de Manuel Padeiro e a Patrimonialização da Memória no distrito Quilombo Pelotas/RS com a Professora Cristiane Bartz de Ávila.

Confira o cartaz e participe! 



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Das Minhas reminiscências II - 24 de Agosto de 1954


Lá vou eu para o Ginásio de Jaguarão, o Ipinha de saudosa memória: posso dizer que, nesse tempo, começou a se manifestar em mim a paixão pela música. Ouvinte da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, da Rádio Tamoio, da Rádio Tupi, cujas ondas eram mais fáceis de sintonizar do que as rádios de Porto Alegre, encantava-me com os famosos programas de auditório daquela época, com a constelação de seus astros maiores: Francisco Alves, Orlando Silva, Emilinha Borba, Marlene, Aracy de Almeida, Francisco Carlos e por aí me perdia. A comoção com a morte do Rei da Voz, que rendeu inúmeras reportagens através da revista O Cruzeiro – estava cada vez melhor no antológico jargão publicitário do meu grande amigo Pedro Fagundes de Azevedo. Aquela memorável serenata dos quatrocentos Violões em Funeral transmitida pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. E a gente ainda escutava, durante a madrugada, os fantásticos Ritmos da Panair através do som potente de um rádio Phillips holandês, tipo capela, que invadia nossos quartos vindo do restaurante Gruta Jaguarense, situado na esquina em frente ao sobrado onde residíamos. 

No cinema, assistindo as chanchadas da Atlântida, impressionava-me com a interpretação de Silva Neto para Nervos de Aço, cuja autoria ignorava fosse de Lupicínio Rodrigues, ilustre desconhecido para esse analfabeto musical. A ZYU-7 Rádio Cultura de Jaguarão tinha seus programas vesperais de calouros, aos sábados, apresentando as atrações locais no Cine Theatro Esperança, onde pontificavam o regional dos filhos do seu Agostinho – Canhoto, Lourenço e Moacir – e mais o violonista Nery Antonini, além de Napoleão, Severo e Adalberto Mendes, notáveis seresteiros, cuja fama se propagava por toda nossa Zona Sul do Estado, estendendo-se Uruguai adentro. Assim, deleitava-me com esse espetáculo e aproveitava para apreciar a beleza dos cabelos louros encaracolados e pele rosada da jovem Eva Maria Arismendi, nossa futura Miss Rio Grande do Sul, que sempre se fazia presente na platéia acompanhada do seu irmão menor.

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24 de agosto de 1954 – suicídio do presidente Getúlio Vargas, Pedro Bartolomeu Ribeiro, o Tutuca, petebista fanático, compunha um samba externando sua indignação contra Carlos Lacerda, letra e música bem elaboradas, chamava atenção de quem o escutava. Ele era um dos integrantes do conjunto O Ginasiano, também composto por Luiz Carlos Bode Silveira (acordeão), Luiz Fernando Cassal, Geraldo Piuma e Luiz Elder Franco (violões), Eulálio Pato Faria (cavaquinho) e Oscar Godofredo Porraço Porciúncula (percussão), que costumavam se apresentar em festas e eventos beneficentes ou sociais. Tal grupo frequentemente interpretava as composições do Tutuca, uma das quais funcionava como sua característica musical:
Trovejou, relampeou... em seguida choveu.
Trovejou, relampeou... em seguida choveu.
Chuva malvada que chegou no carnaval
e estragou a batucada que todos era a tal...
E agora eu não sei o que fazer,
os cordões já foram embora e deixaram de bater...
Em despedida o povo canta o samba seu:
trovejou, relampeou... em seguida choveu.

Eu não me conformava com tanto talento desperdiçado e insistia com o Tutuca para que encarasse a divulgação da sua obra; ele nem se importava, tantos obstáculos pela frente, tinha mais de suportar a maldição da sua verve que jorrava ao natural, enquanto o seu saudoso vizinho Paulo Soares da Silva se esforçava para juntar a papelada de versos rabiscados e quase perdidos.

José Alberto de Souza
poetadasaguasdoces.blogspot.com


Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional  a 27/03/2013