segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Machu Pichu - Chico Saratt no La Mancha


Show de Chico Saratt no Espaço cultural de Verão La Mancha em Jaguarão-RS. Ao piano, Nilton Júnior.
11 de janeiro de 2013.

Machu Pichu  (Hermes de Aquino)

Faço a mala depressa
uma promessa
não vou quebrar

Sigo pela avenida,
aeroporto
vou viajar

Atravessando os Andes
de mil detalhes
me sinto bem

Vou para Machu-pichu
ouvir as flautas
de muito alem

Uma desilusão
no meu coração
se fez de repente

No meio da montanha
um Hotel enorme
cheio de gente

Fotos, chicletes, coca
uma massaroca
prá lá e prá cá

Nem um Deus
uma prece
era o progresso
chegando lá

Ah!meu Machu-pichu
niguém segura
este meu delirio

Ah! olhos vermelhos
cuca cansada
de mil colírios

- refrão -
Volto pra casa
esquento café no fogão
tomo café brasileiro
e vejo futebol na televisão

sábado, 28 de dezembro de 2013

Brindemos todos! É o momento!

Brindemos ao Uruguay, esse pequeno grande país que mais uma vez está na vanguarda. Esteve quando era um dos únicos países do continente onde havia o divórcio e ao contrário do que diziam apocalipticamente no Brasil, quando se instituiu essa lei muito tempo depois, não houve a dissolução da família nem da sociedade. Além da legalização da maconha que vai contra os interesses do narcotráfico, foi regulamentada ontem (17) pelo Presidente Mujica a Lei “del buen morir” que permite que pacientes terminais possam expressar sua vontade de interromper tratamentos médicos para não prolongar sua vida. Brindemos ao Francisco, Papa que revigora a Igreja no caminho do humanismo.

http://www.jaguarao.rs.gov.br/?p=3350
Governador  Tarso Genro visita o Clube 24 de Agosto contemplado
com Ponto de Cultura - setembro de 2013
Brindemos ao Clube Vinte e Quatro de Agosto, centro de resistência da negritude e Ponto de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Brindemos ao amigo e companheiro Lisandro Lenz que enfrentou com fortaleza o acidente que sofreu na BR 116 e já está em franca recuperação. Brindemos à duplicação dessa mesma BR , obra que já devia ter sido feita há mais de 30 anos e que vai melhorar o transito nesta estrada que está saturada pelo volume de tráfego, principalmente de caminhões cujo destino é o Super Porto de Rio Grande, considerado o segundo maior em movimentação de cargas no Brasil.

Falando na metade sul, brindemos ao Polo Naval Riograndino. “ Como se sabe, num dos últimos dias de campanha à Presidência em 2002, Lula visitou um estaleiro na costa do Rio. Estava parado. Com terra e capim no pátio. E anunciou que um de seus primeiros atos seria cancelar uma encomenda do Governo da Petrobrax ( do FHC) de uma plataforma a Cingapura. Cancelou e re-fundou a indústria naval brasileira” (PHA) . A indústria naval e a de navipeças vai empregar mais brasileiros que a indústria automobilística. Brindemos aos níveis de emprego no Brasil, de fazer inveja à Europa do Primeiro mundo. Brindemos à Rua XV de Novembro, finalmente calçada! Brindemos aos engenheiros, calceteiros, aos trabalhadores, aos Barqueiros areeiros do Jaguarão que trazem areia para todas essas obras de pavimentação.

Brindemos à Unipampa, centro de difusão do saber, aos seus estudantes e professores, ao La Mancha, que nos oferece tantos espetáculos musicais de qualidade. Aos poetas e escritores, Martim César e Aldyr Schlee que levam o nome de Jaguarão pelo mundo. Enfim, brindemos aos nossos colaboradores da Coluna Gente Fronteiriça, ao Fronteira Meridional que faz jornalismo de qualidade e a você , caro leitor, primeira e última razão de estarmos escrevendo estas linhas. Feliz 2014 pleno de sucesso e realizações!


Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 23/12/2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Retrospectiva Cultural 2013

O Poeta e os violinistas - foto Elis Vasconcellos
Foi-me solicitado pelo confrade Jorge Passos (autor do já mítico blogue da Confraria dos Poetas de Jaguarão, do qual ele é sócio majoritário, presidente, redator-chefe, fotógrafo, cinegrafista e editor) uma retrospectiva das nossas aventuras culturais no ano que está terminando; sendo assim, não podendo me esquivar do convite, vindo de quem vem, faço um breve relato das nossas incursões pelos ramos literários e musicais.

Na música, estivemos presentes, representando a cidade de Jaguarão, em uma dezena de festivais, dos quais destacamos o festival de Lages, Santa Catarina, onde tiramos o segundo lugar, com uma música com o Aluísio Rockemback (para quem ainda não conhece, acordeonista do cantor nativista Luiz Marenco), canção que foi interpretada por uma Argentina chamada Gicela Ribeiro, excelente cantora, chamamecera de raiz. Também estivemos em dois grandes festivais do Rio Grande do Sul, a Coxilha de Cruz Alta e a Moenda de Santo Antônio da Patrulha, tirando em ambas as vezes o segundo lugar, sendo que neste último festival, de projeção nacional, acabamos recebendo também o prêmio de melhor letra. Destaco as interpretações do cantor multicampeão de festivais Marco Aurélio Vasconcellos. Na Moenda, disputando com músicas de todo o Brasil, tivemos a participação do cantor João de Almeida Neto. Por último, estivemos representando a nossa cidade na Califórnia da Canção de Uruguaiana, onde a canção 'De barro e luz' foi classificada entre as 12 finalistas e foi uma das mais aplaudidas pelo público presente, estando cotada até o final para receber um dos troféus desse que é o mais famosos dos festivais nativistas. Em meio a tudo isso, tivemos o lançamento do CD Paisagem Interior, destacando nele as parcerias com o Paulo Timm (filho do inesquecível gaiteiro Breno Timm) e com o meu irmão Alessandro Gonçalves. Foram feitos lançamentos nas cidades de Pelotas e Jaguarão, já estando programados para 2014. em Porto Alegre e Uruguaiana.

Ainda na música, estivemos – juntamente com uma caravana de músicos e atores – na cidade de Concórdia-SC, com as apresentações do grupo poético-musical Caminhos de Si, além dos shows de Marco Aurélio Vasconcellos e Maria Conceição. Sobre o Caminhos de Si convém salientar que estamos começando o projeto de um novo CD, chamado 'Caminhos de Si – 10 anos – o tempo' e que estará pronto no meio do ano de 2014.

Há ainda, em fase de gravação, mas já praticamente pronto, o CD 'Náufragos Urbanos', com letras minhas e melodias de Ricardo Fragoso, na voz dele e da cantora Ro Bjerk, além da participação especial nas melodias do Paulo Timm. Este CD estará à disposição do público em março ou abril.

Fizemos, juntamente com o Alessando Gonçalves e o cantor missioneiro Ângelo Franco, o relançamento do CD Memorial de Campo, no espaço cultural La Mancha. Este CD retrata as pessoas e paisagens da zona rural de Jaguarão.

Na poesia, estivemos participando de diversos eventos literários, tais como as Feiras do Livro de Pelotas, Herval, Arroio Grande, os encontros literários de Canguçu e a Feira Alternativa de Jaguarão, os saraus da Biblioteca Pública de Jaguarão, além da homenagem recebida na Biblioteca Pública de Pelotas, onde fomos um dos autores em destaque. Com orgulho, fizemos a abertura, juntamente com o Paulo Timm, do lançamento do grande escritor Aldyr Schlee, do seu novo livro, tanto em Pelotas como em Jaguarão.

Estivemos, também, com uma oficina de poesia e música chamada Poemarte (evento onde procuramos trazer a poesia para mais próximo das pessoas, principalmente das crianças e adolescentes) em Concórdia-SC e na cidade do Herval. Além disso, inauguramos a Biblioteca Infantil de uma das escolinhas de Jaguarão.

Participamos também de diversos Saraus de Poesia, alguns deles realizados pelo grupo Mandinga, da cidade de Pelotas. E, em uma participação a la Forrest Gump, mostramos um pouco da nossa poesia no Rio de Janeiro, em quatro saraus literários, dos quais destaco um, chamado Corujão da Poesia, organizado pelo cantor Jorge Benjor.

Por fim, convém destacar o lançamento do novo livro 'Sobre amores e outras utopias', lançado em Pelotas, Jaguarão, Canguçu, Arroio Grande, Rio Grande e Herval.

Para terminar, utilizo a frase de abertura do livro: "A poesia é uma flecha por chegar ao seu destino..."



Martim César

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 18/12/2013


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Do outro lado do rio

Incontáveis livrarias, lindas paisagens e riqueza cultural. É o Uruguai humilde, apesar das excelências

Monumento al ahogado - Punta del Este
Ontem olhava para a tampa do piano de cauda Steinway que comprei em São Paulo em 1995, quando nasceu minha filha, fruto das economias que fiz nos primeiros anos como correspondente no Brasil. É um piano de 1924 que traz a inscrição em metal “Unico agente para la Republica Oriental de Uruguay, Julio Mousqués”. Esse representante de outros tempos também foi visitado em Montevidéu por Ernesto Nazaré, cujos primeiros sinais de loucura apareceram em sua loja.

Comecei a pensar nas muitas vezes que visitei essa terra ao sul do Chuí, humilde, apesar das excelências que possui em todas as áreas. O Uruguai efetivamente se parece muito com seu presidente José Mujica, que vive em uma pequena casa de campo perto da capital e vai de Fusca até o palácio presidencial.

Os argentinos teimam em desconsiderar o fato de que os dois cantores históricos do tango, Carlos Gardel e Julio Sosa, são uruguaios, e que, culturalmente falando, os habitantes do outro lado do Rio de la Plata são os mais cultos da América Latina, com analfabetismo zero e incontáveis livrarias.

O Teatro Solis, o mais antigo e elegante de Montevidéu, sempre lota quando Jorge Drexler se apresenta, o único compositor latino-americano a ganhar o Oscar em 2004 pela música Al Otro Lado del Río, trilha sonora do filme Diários de Motocicleta, do nosso Walter Salles, sobre a viagem juvenil de Che Guevara. Drexler é um cantor extremamente sofisticado que há um ano lançou a sua inédita ideia “n”.

Esse projeto permite aos usuários de smartphones e tablets mudar à vontade e fazer seus próprios textos e arranjos de três músicas, transformando de forma revolucionária as composições em versões customizadas praticamente infinitas. É também um exímio letrista com conteúdos profundos: procure no YouTube a Milonga del Moro Judio e ouça a mensagem de esperança na luta sem fim entre Israel e os palestinos.

É muito agradável viajar pelo Uruguai. Percorri aquela incrível alameda de palmeiras que leva de Colonia del Sacramento, porto de chegada do Buquebus de Buenos Aires, a Montevidéu. Perambulei pelas planícies desertas do interior à procura dos produtores de vinho tannat, e fui espiar o famoso monumento ao afogado, do escultor chileno Mario Irarrazabal, em uma praia em Punta del Este.

Se você estiver bem motivado para conhecer a terra da Cumparsita (verdadeiro hino do tango), sugiro que vá no período do Carnaval, no Uruguai, a mais longa festa do mundo, que dura 40 dias, de fins de janeiro a princípios de março. Aquele de Montevidéu confirma o nível de erudição do povo uruguaio: companhias de murga, uma tradição de mais de um século, encenam no Teatro de Verano e em outros espaços abertos da capital (tablados) cenas teatrais/musicais cheias de um alegre sarcasmo político e social, interpretadas por um coro de 13 a 17 integrantes, pintados e fantasiados, acompanhados de bombo (surdo),redoblante (repique) e platillo (pratos), com um ritmo chamado “marcha camión” (marcha caminhão).

Ouça no YouTube a perfeição e o ímpeto coral de murgas como a Falta y Resto de Raul Castro, fundada nos anos negros da ditadura uruguaia (1973-1985), a Asaltantes con Patente, vencedora da última edição do Concurso Oficial de Agrupaciones de Carnaval, ou a Curtidores de Hongos, uma das mais premiadas da competição carnavalesca, que dura desde 1910.



Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 10/12/2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Adair de Freitas fez show memorável

Adair de Freitas no La Mancha - fotografia Jonas Alves

Para muitos, foi o melhor Show do La Mancha. Depois da abertura protagonizada pelo cantor jaguarense Antônio Carlos de Oliveira,  o veterano cantor nativista Adair de Freitas, no Palco Mário Barbará,  surpreendeu e emocionou o público que compareceu ao espetáculo do Espaço Cultural de Verão nesta última sexta feira (13). 

Surpreendeu não porque não se soubesse de sua qualidade, mas porque não se imaginava tanta versatilidade do músico de Santana do Livramento. Tocando gaita, violão, cantando , declamando, contando histórias. Um verdadeiro show de música e arte de raiz. 

O show também inaugurou as transmissões ao vivo pelas rádios Jaguarão FM, Fronteira Gaúcha de Livramento e RadioCom de Pelotas, permitindo que o espetáculo pudesse ser ouvido pela internet em todo o mundo. Elas devem se fazer presentes nos próximos eventos.   

E vem por aí grandes atrações. Dia 10 de Janeiro um espetáculo Nacional com o músico e compositor mineiro Zebeto Correa e abertura a cargo de Chico Saratt e Alessandro Gonçalves com o Projeto Fragmentos,  a história contada e recortada em forma de canção. E mais, esperadas ainda para esta temporada, as apresentações de Renato Borguetti, Luiz Marenco e Mário Barbará. É o La Mancha agitando a agenda musical da região com grandes nomes da música Gaúcha e Nacional.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Projeto Sarau Poético-Musical BPP

Salão térreo da Bibliotheca recebe evento mensal de poesia e música

Antecipada em função do recesso do final de ano, a edição da próxima terça (17) do Sarau BPP encerra a programação de 2013 do projeto criado pela Bibliotheca Pública Pelotense em maio de 2010. Como regra, os encontros mensais  acontecem na última terça do mês - de março a dezembro. A edição de número 37 inicia às 19:30 horas , no salão térreo da Bibliotheca. Entrada franca, como em todos eventos promovidos pela instituição. Na programação , fala sobre autor em destaque , música ao vivo e poesia recitada por autores da cidade e região.
 
Confira programação e convidados:
 
O QUE - 37ª edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE - 17 de dezembro de 2013, no salão térreo da Bibliotheca Pública Pelotense. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.
 
TEMA EM DESTAQUE
Vida e obra de
Chiquinha Gonzaga
(1847 -1935)
 
MÚSICA AO VIVO
Júlio Guarany
 
POETAS/ AUTORES CONVIDADOS
Adriana Lucena
Berê Fuhro Souto
Daniele Rodales
Gildo Oliveira
 
CONVERSA SOBRE O TEMA EM DESTAQUE
Andressa Valadão
 
PARCEIROS INSTITUCIONAIS
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Curso de Relações Internacionais / UFPel
Faculdade de Educação / UFPel
Centro de Letras e Comunicação/ UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM
Grupo de Estudos em Leitura Literária/UFPel
  
Realização
Bibliotheca Pública Pelotense
 
Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira

sábado, 7 de dezembro de 2013

O Presidente Jango e o 13º Salário

A Gratificação natalina, ou décimo terceiro salário, que os trabalhadores devem receber neste mês de dezembro, para quem não sabe, foi instituída no governo do Presidente João Goulart por meio da Lei 4.090, de 13/07/1962. O Globo estampava em sua matéria de capa em 26 de abril de 1962: Considerado desastroso para o País um 13º Salário. “ Mal recebido por meios econômicos e financeiros a aprovação pela Câmara do Projeto que seria uma medida de cunho meramente eleitoreiro”

O conglomerado midiático da “famiglia” (máfia) Marinho sempre defendeu os interesses das oligarquias contra a população. O benefício para a classe trabalhadora foi conquistado e sancionado pelo Presidente, mesmo contra toda a pressão contrária por parte do empresariado, mercado financeiro e mídia conservadora que depois apoiaria o Golpe militar contra Jango para impedir a implementação das reformas de base. Não é por acaso que vemos repetida a mesma história tanto tempo depois. Hoje, a Organização Marinho é uma das maiores opositoras ao Bolsa Família só para dar um exemplo, além de exercer um terrorismo informativo diariamente. As pessoas que assistem ao Telejornal “Mau dia Brasil” são atingidas por um pessimismo em relação ao País que não está de acordo com o que vemos na vida real. Dizem que o pior cego é quem acredita na Globo.

A exumação dos restos mortais do Presidente João Goulart, acontecida há poucos dias em São Borja, para tentar elucidar as causas de sua morte representou muito mais que uma mera investigação policial. Representou um verdadeiro desagravo a esse político que teve sua memória aviltada pela mídia antes e depois de 1964. Conta-nos o Saul Leblon na Carta Maior : “ A ditadura só autorizou o sepultamento do ex-presidente, em São Borja, em túmulo a 40 metros do de Getúlio Vargas, com féretro blindado. Mesmo assim, na última hora, o então ministro do Exército, Sylvio Frota, da extrema direita militar, tentou anular a autorização expedida pela cúpula do governo Geisel. Era tarde. Morto, Jango retornava ao Brasil 13 anos depois de expulso pelas baionetas e pelas manchetes do jornalismo conservador. O caixão lacrado, conduzido em carro a alta velocidade, cruzaria a fronteira de Uruguaiana a 120 km por hora, vindo de Mercedes, na Argentina, onde ficava a estância dos Goulart. Ladeava-o um aparato militar com ordens expressas de não permitir manifestações populares no trajeto. Inútil. Quando chegou a São Borja, a população em peso nas ruas cercou o cortejo; o caixão foi conduzido à catedral, de onde cruzaria a cidade em marcha solene até o cemitério. “Jango, Jango, Jango!” Gritos guardados no fundo do peito desafiaram a presença das tropas”.

Leio que a exumação de Jango não mereceu mais que alguns segundos no Fantástico da Globo que no mesmo programa dedicou intensa cobertura aos cinquenta anos do assassinato do Presidente estado-unidense J. F. Kennedy. Isso já era de se esperar, para quem sempre apoiou o Brasil subjugado aos interesses do império norte americano. Por falar em Kennedy, recebi questionamento de um aluno da Unipampa sobre o porquê do bairro onde está instalada a Universidade levar o nome do Presidente ianque. Confessei que não sabia. Teria sido gratidão do governo militar pelo apoio dos EUA ao Golpe de 1964? Uma boa questão para o Curso de História. Quem sabe , consultados os moradores , não seria interessante apresentar um Projeto de Iniciativa Popular trocando o nome do Bairro para Presidente João Goulart?


Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 04\12\13



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

1ª FALA Foi sucesso


A 1ª Feira Alternativa de Literatura e Artes de Jaguarão (RS) aconteceu de 25 a 30 de novembro de 2013. Exposições, Oficinas nas escolas, Contação de Histórias na Praça Alcides Marques, Colóquios, Saraus, livreiros e Fim de tarde poético musical.  No vídeo,  imagens finais do Fim de tarde poético musical. Promoção da SIC, Sociedade Independente Cultural em parceria com Secult (Prefeitura Municipal), Unipampa e  outras entidades e coletivos.

"Somos  quem não se contenta com a passividade,  somos quem  quer viver no seu mais alto significado.  Somos quem  é capaz de pegar uma máquina e atravessar o Atacama.   Somos quem  mesmo nas férias,   resolve  se envolver   em mil projetos,  somos quem  não quer a tecnologia da doença,  mas a arte da saúde.    Enfim,   somos diversos,  mas somo um,   todos somos um,  na unidade e na diversidade.  
Nós   somos   o FALA.
Fala eu,  fala tu,  fala nós,  fala nosotros,  nós outros,  nós-nos- outros,    falamos todos
Nós somos o FALA."

Carlos José Maninho

AP 470: a vitória do cinismo

O que têm em comum o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, o jornalista Luis Nassif, o escritor Eric Nemopuceno e o jurista Ives Gandra Martins? Todos consideram o julgamento da Ação Penal 470, popularizada como julgamento do “mensalão”, uma grande farsa montada ao arrepio da Constituição embora capitaneada por quem deveria defendê-la em nome do povo brasileiro, a saber, o Supremo Tribunal Federal (STF). Naquele que foi, sem dúvida, um julgamento de exceção no contexto do Estado Democrático de Direito líderes políticos foram condenados sem provas, baseado apenas em indícios frágeis e sob uma interpretação errônea da teoria do domínio de fato, como se esta dispensasse a prova da culpa e permitisse uma condenação sustentada em uma mera presunção de culpa, como fez a ministra Rosa Weber que justificou o voto condenatório apelando para a “presunção relativa de autoria dos dirigentes”. O próprio mentor da teoria do domínio de fato, o jurista alemão Claus Roxin, encarregou-se de refutar o uso abusivo da mesma para acobertar embustes. Não esqueçamos que o ex-deputado Roberto Jefferson, a personagem presente na origem do processo mitificado nos noticiários, foi cassado justamente por não apresentar provas sobre o chamado “mensalão”, a suposta mesada que parlamentares receberiam para votar a favor do governo no Congresso Nacional.

A sociedade, por outro lado, foi privada de esclarecimentos sobre a pantomima. Como disse um velho filósofo em uma ocasião, a maior de todas as violências é a que se abate sobre a consciência das pessoas, pois ela abre as portas para que entrem as demais formas de violência contra os direitos humanos. Que a mídia tenha optado por legitimar a instrumentalização da verdade, ao longo do processo, é uma mancha sobre a liberdade de expressão que a história, com o tempo, irá limpar junto à opinião pública.

Tentou-se, assim, por meio da estigmatização de antigos combatentes pela democracia, desqualificar as conquistas sociais do governo Lula e criminalizar o projeto de nação do PT com um falso moralismo. Circunstância que já ocorrera antes com o presidente Getúlio Vargas, o qual foi também acusado à época de ser responsável pelo “mar de corrupção” que, conforme alegavam seus adversários, com desfaçatez e arrogância, inundava o país nos anos 50. A diferença é que o papel de oposição, dessa vez, foi assumido não pela UDN, mas pela maioria dos membros do STF, com idêntico apoio dos veículos de comunicação.

Pessoalmente, mantenho a convicção de que só conseguiremos coibir o uso de recursos não contabilizados em campanhas eleitorais – porque é disso que se trata, no fundo – na medida em que novas regras passarem a reger a vida política no Brasil: razão pela qual defendo a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para realizar a Reforma Política e, em especial, impedir o financiamento privado das campanhas eleitorais a fim de cortar o mal pela raiz.



Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 27/11/2013


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O VELHO “CHATEAU” DAQUELES RAPAZES DE ANTIGAMENTE

Clique na imagem para acessar o livro
Um puxado de zinco sobre chão batido, pedras e tijolos ali disponíveis, logo se improvisava o fogão. A lata de querosene Jacaré dezoito litros tinha virado panela, já esterilizada pelo uso constante. O peixe – jundiá ou pintado – dividido em postas, cozinhava-se ensopado, em tempero de salsa, pimenta, alho e vermelhão, afora o sal, naturalmente. A água chiando, enquanto o trago corria solto de mão em mão, parecendo animar cada vez mais aquela gente na fanfarronice de seus causos.

Não fosse o dono da casa servir pacientemente os seus convidados, estes avançariam famintos na panela indefesa. Assim, o corpo alimentado, é que se lembravam de tratar do espírito. De todos os cantos do barraco, surgiam violões, cavaquinhos, bandolins, pandeiros, agês, surdos e outros acessórios imprescindíveis àquele círculo sonoro. As cordas se esquentavam na afinação dos instrumentos. Uma melodia puxando outra e mais outra e mais outra, o repertório se formava ao natural.

O tempo passando, alguém começava a se sentir melancólico em recordar alguma dor de cotovelo e não resistia àquele clima de tristeza e alegria alternadas. O sujeito ensimesmado na sua saudade se recolhia solitário em sua discrição. Mal se dava conta de que os outros percebiam a sua fossa e, cortando o embalo, logo providenciavam que se levantasse o astral. Segredos não existiam entre eles. Pois que tratasse o dito cujo de ir desabafando a sua desdita. Esta o atingindo, contagiava o todo ali presente.

A tensão do ambiente carregado, as horas calmas da noite, era chegada a ocasião de se mudar os ares – quem sabe encarar a madrugada lá fora e até acordar a causadora daquela perturbação repentina, interrompendo-lhe o sono tranquilo com uma inesquecível serenata? Que importaria a distância? Lá, todos iriam desprendidos ante o compromisso maior da solidariedade e da ventura de se fazerem presentes naquele momento decisivo na vida do companheiro. Lá, todos iriam nem que tivessem de gastar a própria sola dos pés. Para então voltarem de alma limpa e passos trôpegos, cantarolando as notas e acordes da melo-poesia que, pelo caminho, despertaria os adormecidos. Provavelmente, haveriam de se sentir aureolados a andar nas nuvens como arcanjos-seresteiros.


José Alberto de Souza

( A cronica desta semana é a que dá o nome ao novo livro de José Alberto de Souza, o primeiro em formato digital e que está sendo compartilhado livremente na web

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 20/11/2013