terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Jaguarão realiza II Festa Municipal da Mãe Iemanjá



No dia 01 de fevereiro, a partir das 19h, inicia a celebração de uma das maiores festas religiosas do Brasil, a Festa de Iemanjá. Há dois anos Jaguarão oficializou a Festa da Mãe Iemanjá, através de um processo de reconhecimento desta manifestação religiosa. "Esta é uma ação de reconhecimento de identidade cultural. Estamos construindo junto às casas de religião e apoiando, da mesma forma que apoiamos a Festa da Nossa Senhora dos Navegantes", diz o Coordenador de Promoção Cultural, Rodrigo Machado. Durante o ano de 2011, foram realizadas reuniões com as lideranças religiosas de matriz africana e o I Encontro Municipal de Casas de Religião AfroBrasileiras. Neste ano serão cerca de12 Casas de religião da cidade e participação de alguns Centros umbandistas do Uruguai reunidos para celebrar a Orixá. 

A procissão inicia pelas águas do rio Jaguarão com os barcos, logo após segue à concentração nas ruas Barbosa Neto esquina Av. 27 de janeiro. As 21h está previsto o início da procissão terrestre que recorrerá a avenida principal da cidade até o cais do Porto. A celebração promete salientar a união entre os centros.  "Por escolha deles, este ano, a imagem de Iemanjá será carregada por representantes dos centros, e não mais pelo caminhão dos bombeiros. Isto sera feito para representar a união de todos na realização desta Festa", finaliza Rodrigo.


sábado, 28 de janeiro de 2012

Coluna do Juremir: Nei e o Fórum

Nei Lisboa no III Canto do Jaguar - Jaguarão - 2010 

Fomos ver Nei Lisboa no Teatro Renascença. Já faz parte das características de Porto Alegre como o calorão de janeiro e fevereiro, o friozão de agosto, as flautas entre colorados e gremistas, as brigas do Cpers com os governos e o muro do Guaíba. Nei Lisboa é dez. Como os vinhos gaúchos, está cada vez melhor, embora bom mesmo é um bom vinho francês. Está cada vez melhor por ser o mesmo. Tem humor, ironia, sofisticação e simplicidade. Não é para poucos. Ver Nei Lisboa em tempos de Fórum Social Temático, cria do Fórum Social Mundial, faz pensar no slogan do FSM, só que como pergunta levemente modificada: um outro mundo musical é realmente possível?

Ao contrário do que alguns pensam, sou chinelo. Gosto de tudo, até do que não gosto, depende do dia. Gostar não me impede de criticar. A maior bobagem para mim é a frase "respeita o gosto dos outros". Desrespeitar é proibir, chamar a Polícia, sair atirando. Criticar é do jogo. Vejo no funk, no pagode e até no sertanejo universitário expressões de vitalidade. Gente querendo viver intensa e facilmente. Talvez facilmente demais. Há em Michel Teló esse vitalismo da carne, essa pulsão do corpo, esse apelo aos instintos do qual quase ninguém escapa. Mas isso poderia acontecer de outra maneira? Todo gosto é relativo? É lícito pensar na existência de gostos mais ou menos apurados? É preconceituoso pensar em levar o fã de Michel Teló a gostar de Nei Lisboa? Ou, como diz aquela letra altamente poética que chegou a andar na boca de muita gente não faz muito, "cada um no seu quadrado?".

Nei Lisboa é o D''Alessandro da música do Rio Grande do Sul. E D''Alessandro é o melhor jogador do Inter desde Falcão e Carpegiani. Nei fez a escolha do verdadeiro artista: a qualidade acima da grana e da fama. Poderia estar rico se tivesse aderido à ascensão da chinelagem. Oportunidades não lhe faltaram. Poderia, por exemplo, ter feito músicas melosas para folhetins de televisão. Há algum tempo, um compositor admitiu que alguém precisa fazer o "serviço sujo". Por que jogador de futebol não faz gol e pede música de Nei Lisboa? Essa é pergunta muita séria? Ela pode ser refeita assim: como é formado o nosso imaginário musical? Chato? Pensar é chato, perguntar é chato, responder é muito mais chato. Críticos existem para chatear os outros com suas questões chatas. Todo crítico é mala. Eu sou mala. Mala e chinelo. Só que mala e chinelo com surtos questionadores. Pior não há.

Quando ouço Nei Lisboa, penso: é possível fazer música popular e inteligente. Mas daria para usar embaixo do edredom no "BBB12"? Tenho a impressão que não. Aí Nei Lisboa é um fracasso. Não atingiu esse nível de criatividade. Não é fácil fazer música capaz de cair no gosto dos participantes do programa mais vagabundo da história da televisão brasileira. Até a revista Oia, sempre tão populista, admitiu que se trata de um caso de escola de baixaria. Por isso, fui ver o show do Nei Lisboa. Para me limpar. Sair purificado. Uma mala nova.


Juremir Machado da Silva 
juremir@correiodopovo.com.br

Coluna publicada no Correio do Povo em 27/01/2012 - 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cidade Heroica- A Marchinha


Clique no player para ouvir a música
Cidade Heroica- Carmem R. Costa

Nesta semana em que se comemora o 27 de janeiro, em que muito se fala das tradições e mitos da cidade, fomos agraciados com um achado antológico.

Sucedeu-se que em razão da perda recente da figura ilustre do Mestre Vado, dediquei-me a coletar material junto à sua família. Entre fotos antigas e  relatos sobre sua vida inteiramente voltada para  a música, foi lembrada uma marchinha executada sempre quando em alguma orquestra estava presente o Mestre Osvaldo Emílio Medeiros.

Era uma verdadeira ode à cidade e praticamente todos a sabíamos de cor. Nos bailes de carnaval, dando voltas no salão, cantava-se os versos acompanhados pelos sopros da banda : Cidade Heroica/ tão linda e gentil/ Tu és mesmo/ Um sonho de fadas/ És joia encantada/ No sul do meu Brasil. A segunda parte, a que temos mais dificuldade em lembrar : Colinas Verdes/ Rio sereno/ Campos floridos/ E um céu sempre azul/ Sobre ti/ O bom Deus abençoando/ Deixou sempre apontando/ O Cruzeiro do Sul.  Pois o nosso Mestre Vado foi o responsável por popularizar este que era considerado quase um hino de Jaguarão. Se não me falha a memória, aprendia-se a cantá-la em algumas escolas e a própria Banda Marcial do Colégio das Freiras, na qual eu era mascote, se não me engano, a tinha em seu repertório.

Durante a conversa com os familiares do Vado, levantou-se que a autora da letra da marchinha era uma menina, filha de um comandante do quartel que por aqui estava sediado, lá pelos anos 60, a Carminha, e que talvez o Mestre teria composto a música. Recordou-se também que a Cidade Heroica tinha sido prefixo da Rádio Cultura durante muitos anos.

Com esses dados,  procurei o radialista Nilson Rocha e por sorte ainda estava no acervo o vinil de 78 rotações, edição promovida pela própria Cultura. E ali, estampado no selo do disco consta : Composição de letra e musica de Carmem R. Costa. Execução com o acordeon da Carmem e vozes das irmãs Carmem, Cleide e Célia. Com o auxílio do amigo Almeida, meu assessor para mídias sonoras, conseguimos converter esta verdadeira relíquia para arquivos de áudio mp3 e estamos devolvendo à Radio para que possa ser divulgada. Ainda nos resta resgatar a cópia da partitura e alguma informação maior sobre a autora, fotos, talvez a capa original do Disco Vinil que a rádio já não dispõe. Cremos que o papel do Mestre Vado na história desta marchinha tenha sido talvez o de assessorar a transcrição para a pauta musical, como costumava fazer com quem o procurava solicitando ajuda.

No ano passado, o Boêmios do Amor fez homenagem à marchinha no seu desfile carnavalesco. Fica a  sugestão para que os Blocos que tenham instrumentos de sopro a incluam também este ano, assim como a Banda Municipal Mestre Vado e a Orquestra Municipal. Será tradição popular rediviva na rua! 

Mestre Vado e o Boêmios do Amor  no carnaval da Cidade Heroica
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 25/01/2012 

Como estamos pesquisando através de depoimentos, há alguns reparos e afirmações sobre o relatado.
Recebemos a informação de que a autora e suas irmãs eram filhas de um militar do regimento o qual não exercia o comando, provavelmente um tenente, do Rio de Janeiro.
A música Cidade Heroica era realmente considerada um hino da cidade e as escolas estaduais e municipais ensinavam seus alunos a canta-lo.
O Mestre Vado fez o arranjo melódico para execução pela Banda do Quartel.

Solicitamos que se alguém tiver maiores informações sobre esta música, partitura, sua autora,   que entre em contato conosco pelo e-mail confrariadospoetasdejaguarao@gmail.com   

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pássaro Perdido

Foto Araquém Alcântara

Sou o hóspede que habita a luz
Cavalgo as sombras
Para encontrar a petulância da claridade
Sou energia compacta do nada

Sou o frio e o calor acumulado
Reflexo do impossível
O previsto do imprevisível
Um violino desafinado

Um fragmento inerte chamado corpo
Nada é certo neste mundo
Tudo e possível
Infectado por o abstrato do impossível

Impulsionado por o destino incerto
Sou fonte de água no deserto
O supérfluo do sentido
Pássaro perdido

Orides Siqueira

Militar da reserva. Poeta. Filho de Marcos Siqueira (Marquinhos) e de dona Ofrasina Corrêa Siqueira (Negra). Casado com a professora Giovana, pai da Geórgia Cassilda (GEGE) e do Marcos Alfredo (SASSA). Nascido na histórica SEIVAL, terra dos CORRÊA, criado na heroica JAGUARÃO, terra dos SIQUEIRA, radicado há 30 anos em ARROIO GRANDE, terra da esposa e dos filhos.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Visconde do Telho e o movimento modernista




A pá dos vapores rodando, Os Fords rodando,
Inquietas, as ruas se alargando,
Rumor , Guindastes, bate estacas
Páhh, Páhh, Páhh

estalidos de uma ponte se erguendo,

Trilhos, trem de ferro, a modernidade

Os barcos dos areieiros, O caniço na água!
Chuá, chuá, chuá
Ehh, ohh, ehh, ohh

A esteira de ouro do charque, do boi em pé...
Ah, essa vaidade máxima de ser gauchamente!!!


Este é um fragmento de um Folheto intitulado “Jaguaruna enlouquecida”, segundo nos relata em 1919, o Padre Carmelita Teófilus Ambrosius no seu diário de viagens pelo sul do Brasil. O texto, de um tal “Visconde do Telho” chegou-lhe às mãos quando viajava no vapor América, de Jaguarão para Rio Grande, e havia provocado grande repercussão entre os viajantes pelo teor pouco convencional da linguagem utilizada.

Podemos supor que o poemeto seguiu seu périplo até o Porto de Santos, vindo a circular pelas mãos de algum letrado, nas rodas literárias da então embrionária escola modernista de São Paulo e não duvidamos que tenha sido lida por um dos Andrade, haja vista a similaridade com alguns pontos da “Paulicéia Desvairada”.

Luiz dos Paços, o Visconde, era um intelectual avançado para sua época e espaço geográfico. Em 1918, quando do seu retorno de uma Europa abalada pelo pós-guerra foi visto pelas ruas gritando: "Dadá – Dadá!"

Era um tipo aficionado à misantropia, o que contradizia sua produção literária, afeita aos avanços do século e do convívio intelectual com os estranhamentos. Vivia confinado em seu sítio às margens do Telho. Porém, em esporádicas viagens que fazia à cidade, quando do início da construção da ponte, estabeleceu amizade com alguns jovens engenheiros germânicos com os quais pode travar  alguns debates sobre as novas ideias modernistas também na área da arquitetura.

Influenciado por muitas de suas ideias, Karl Becker, voltou para a Alemanha e participou ativamente da “Bauhause”, movimento que inovou profundamente a arquitetura e engenharia modernas.

Em busca desse elo perdido, podemos apreciar o neto do Visconde, o Barão de Sobradinho, na imagem frente às colunas de Niemeyer, encerrando assim o ciclo, inaugurado pelo pensamento inovador de seu avô, quando escreveu “ Jaguaruna enlouquecida”.

George Steps
correspondente em Castelgandolfo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Volta do Negro morto



Dona Sabina era benzedeira. “Tia-velha” benzedeira, como se diz aqui na fronteira. De corpo franzino, bem pretinha e pequenininha, mas com alma imensa! Sua idade? ninguém sabia. Na “tia” Sabina, o tempo havia parado. Dizem que falava com os passarinhos. Fumava palheiro e bebia suas cachacinhas. Benzia tudo: espinhela caída, dor de amor, asma, mau-olhado e temporal (e isso só para ficarmos “no varejo!”).

Suas rezas levantavam cavalo velho, desviavam temporais de Santa Rosa, curavam homem já com “aquilo” roto, e afastavam nuvens de gafanhoto – que, na época de sua juventude, eram frequentes.

Morava numa casinha bem humilde, mas muito limpinha, cheia de flores, na avenida beira rio.
Tinha um carinho todo especial por mim. “Meu filho - dizia - ‘ocê’ vai dar muito trabalho!!! Ah, se vai!!” Depois, mandava eu me virar de frente para o rio Jaguarão e, pegando qualquer “jujo” do seu vasto jardim de ervas medicinais, fazia uma benzedura pra me proteger de todo mal: “São Jorge/monte maior/ guardai as costas e tudo a redor/de bruxo ou feiticeiro/ em nome de Deus e da Virgem Maria/ Amém, Jesus!”

Dona Sabina me contou como surgiu o nome do local do rio Jaguarão - a Volta do Negro Morto.

Numa das curvas que o rio dá, antes de se abraçar com a Laguna Mirim, existe um local muito fundo - mais de dez metros. É a Volta, ou curva (ou geograficamente: o meandro) do Negro Morto.

Ela contava a estória medindo as palavras, entre uma baforada e outra do crioulo. Os bracinhos escuros e frágeis da velha gesticulavam, dando uma ênfase maior ao “causo”.

Falava que, naqueles tempos, quando ainda existia o cativeiro no Brasil, muitos negros tentavam escapar-se para o Uruguai - país de onde a chaga da escravidão já havia sido extirpada.

Um escravo, do qual ela não mais lembrava o nome, tentou buscar a liberdade exatamente naquela curva do rio.

Seu senhor, juntando-se a uns agregados, partiu em busca do fujão.

Vendo-se perdido, o cativo tomou a decisão: liberdade ou morte! E atirou-se às águas do Jaguarão. Era um homem forte, nadava vigorosamente. As cargas, sinistras, sibilavam à sua volta...

Infelizmente, a liberdade cobrou seu preço: estava do outro lado, porém com várias balas no corpo.

Debaixo de um grande salso, na areia quente e com o zumbido das mutucas, agonizou por horas. Seu organismo perfurado ficou ali, virando repasto para feras e abutres.

Hoje, poucas pessoas se aventuram a pescar naquele local, pois dizem que o tal escravo, o “nego morto” - que ficou insepulto - aparece em noites de lua cheia ,pedindo para que lhe deem uma sepultura cristã.
Hélio Ramirez

Conto que faz parte do Livro bilíngue "Lendas do Rio Jaguarão" ( tradução para o espanhol do Professor Juan)  do escritor, músico, biólogo, Hélio Ramirez.   

Google Maps. Mapa do Rio Jaguarão. A seta indica a Volta do Negro Morto 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Os dois anos de Cineclube no Almazen

O jardim do Almazen foi o palco para a exibição do  filme "O Liberdade"
Jaguarão tem tradição no samba . Conjunto Época de Ouro demonstrou isso.
 
Cenário do Almazen foi perfeito para a noite de aniversário do Cineclube



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mogno apreendido restaura teatro Esperança


Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) recebe madeira nobre para restaurar prédio tombado

Diante de uma carga de 6,675 m³ de Mogno (Swietenia macrophylla) serrado, não há mais o que fazer quanto à proteção da árvore. Virou madeira. Mas ela, ao menos, pode ganhar um uso tão nobre quanto a existência do exemplar em si: virar arte.

Nesta semana, o Ibama do Rio Grande do Sul fez exatamente isso com este volume de madeira. Entregou o material ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), para que ela seja usada no restauro do Teatro Esperança, prédio tombado que data de 13 de janeiro de 1897, sendo considerado um dos mais antigos do Estado. Fica na cidade de Jaguarão, a 365 quilômetros de Porto Alegre.
Segundo João Pessoa Riograndense Moreira Junior, superintendente do Ibama/ RS, o próprio Iphan reconheceu que este tipo de doação é de fundamental importância para um tipo de obra dessas. Primeiro por tratar-se de madeira nobre não disponível no mercado para venda. Segundo, que mesmo que ela fosse encontrada, o valor para essa aquisição tornaria o restauro economicamente inviável.
Só para situar, o Teatro Esperança chamava-se originalmente Teatro Politeama Esperança. Construído sob a influência do estilo neoclássico, a edificação original contava com um depósito de carbureto (combustível usado para iluminação) e uma cocheira, situada junto à fachada dos fundos do teatro. Possuía acomodações para cerca de mil pessoas, tipo arquibancadas, com conformação típica de teatro politeama (teatro que oferece grande variedade de espetáculos, como peças teatrais, cinema e circos).
Está localizado na Avenida 27 de Janeiro, no centro da cidade de Jaguarão e constitui importante acervo cultural da Região Sul da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Em tempo: a madeira doada será empregada na segunda fase do projeto que encontra-se em andamento.


Los cien años de Macondo



Completando a postagem de ontem dedicada aos 45 anos da primeira edição dos Cem anos de solidão, do Gabriel Garcia Marquez, publicamos hoje a música baseada no livro, o local  e seus personagens. Recordo que lá pelos anos 75 , o Hélio Ramirez tirou esta cúmbia no violão e a troupe toda,  cantávamos pelas ruas da nossa Macondo fronteiriça. Era sucesso garantido nas serestas.


Los cien años de Macondo *
por Los Hispanos

Me voy para Macondo, ya

Los cien años de Macondo, sueñan,
sueñan en el aire
Y los años de Gabriel, trompeta,
trompetas lo anuncia
Encadenado a Macondo sueña don José Arcadio
Y ante él la vida pasa siendo remolinos de recuerdo

La tristeza de Aureliano, el cuatro
La belleza de Remedios, violines
Las pasiones de Amaranta, guitarras
El embrujo de Melquíades, oboe
Úrsula, cien años, soledad, Macondo
Úrsula, cien años, soledad, Macondo

Coro
Eres epopeya del pueblo olvidado
Forjado en cien años de amores e historia
Eres epopeya del pueblo olvidado
Forjado en cien años de amores e historia
Me imagino y vuelvo a vivir
En mi memoria quemada al sol

Mariposas amarillas, Mauricio Babilonia
Mariposas amarillas que vuelan liberadas
Mariposas amarillas, Mauricio Babilonia
Mariposas amarillas que vuelan liberadas



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

145 anos de solidão

Capa da primeira edição -Web Album Generator

145 años de soledad

Ruben Loza Aguerrebere ( El País Digital - UY)
Hace 45 años fue publicada una de las novelas más famosas de la literatura moderna. Hablo de "Cien años de soledad", de Gabriel García Márquez. Los memoriosos recordarán que en la carátula de esa primera edición se veía un barquito en plena selva. Fue la única con este detalle; a partir de la 2ª edición, una semana después, se cambió la carátula.
El pasado, como se sabe, es un bosque grande y hermoso. La historia de los sentimientos, la historia a secas, se explica siempre, aunque de manera diferente, y, quien puede atestiguarlo como pocos, es Gabriel García Márquez. En sus libros, cuya suma lo condujo al Premio Nobel de literatura de 1982, ha quedado en evidencia cuánto este escritor le debe al recuerdo, a la memoria y, por cierto, a su deslumbrante imaginación. Esta pluma logra el milagro de que no hay nada en el mundo, salvo el libro y tú, lector.
Hijo de Eligio García Márquez, quien trabajaba como telegrafista y que aparece en "Cien años de soledad", como también buena parte de su familia, García Márquez, nacido en 1927 y criado por sus abuelos maternos, el coronel Nicolás Márquez y doña Tranquilina, creció en Aracataca, un caserío perdido en las plantaciones bananeras. Este lugar fue inmortalizado con el nombre de Macondo, detalle que tomó de su maestro, William Faulkner, creador del pueblo llamado Yoknapatawpha. Y así, en un libro y otro, en Macondo, surgen y se renuevan las infinitas versiones de una vasta historia, echando mano a los recuerdos. Un mundo se desdibuja, y otro nace. De aquel universo distante, gracias a las palabras, surge el mundo vivo y mágico de sus libros, a través de cuerpos, corazones y costumbres, en quienes el tiempo ha dejado su huella imborrable.
Luego de publicar "La hojarasca", en 1955, viajó a Europa; recorrió más tarde algunos países del Este, sobre los que escribió crónicas periodísticas, mientras tomaba apuntes para futuras obras. Vivió pobremente en París. Más tarde, dio a conocer "El coronel no tiene quien le escriba" y "La mala hora" y, tras silencio de cinco años, estalló con "Cien años de soledad".
¡Cómo ha volado el tiempo para quienes la frecuentamos, deslumbrados! Y cómo sigue seduciendo a sus nuevos lectores este libro, que sin duda fue escrito en estado de gracia. Y es que "Cien años de soledad" está planeado como una composición musical cuyo "leitmotiv", que abunda en violentos contrastes humanos, es la experiencia fabulosa de un mundo que no prescinde de la magia, ni de la fantasía, que se aglutinan en Macondo.
La sucesión de hombres y mujeres que deambulan por las calles de Macondo, desnudan cuanto late en sus almas, se elevan sobre lo común y van tejiendo una dimensión mítica. En consecuencia, "Cien años de soledad" es un compendio de cuantos cabos sueltos ha desperdigado, a lo largo de los años, este escritor en sus cuentos y novelas.
La fastuosa imaginación literaria García Márquez se abisma en la vida, el amor y la muerte, de una manera única. ¿Por qué? Porque el escritor se sobrepone a la presencia de lo que no tiene respuesta, esa entelequia llamada destino, y por ello sus páginas deslumbradas siguen alimentando hoy (como diría Petit de Murat) una alta hoguera de preguntas deslumbradas. Ello ocurre con las obras maestras, intocadas por el tiempo y aunque pasen cuarenta y cinco años de soledad.
.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cineclube Jaguarão comemora aniversário no Bistrô Almazen

Cineclube Jaguarão completa  2 anos de existência e comemora com o melhor do samba.


Dia 20 de janeiro, sexta feira,  o Cineclube Jaguarão completa dois anos de existência. A festa será com muito samba e, claro, cinema!!


Em parceria com o Bistrô Almazen ( Av. 27 de Janeiro 1729) o Cineclube irá reprisar o documentário " O Liberdade" (Moviola Filmes) e logo após brindará o público com o samba da velha guarda do Conjunto Época de Ouro. A sessão tem inicio às 21h e entrada gratuita.


O chorinho do Liberdade acontece há quase quatro décadas e, por isso, o documentário investiga o segredo desse bar e dos personagens que circulam por lá. "É um projeto que sempre quisemos fazer, pela riqueza que existe na história do bar, no que acontece lá e com aquelas pessoas. Cada um à sua maneira, serve como exemplo de simplicidade e paixão pelo que fazem”, resume a diretora Cíntia Langie.

Rodado durante os meses de março e abril em Pelotas, o documentário mostra não só o que ocorre nas quatro paredes do bar, mas saiu em busca de novos cenários e teve cenas gravadas em diferentes pontos da cidade, como Theatro Guarany e Arroio Pelotas, entre outros. Além dos tradicionais nomes da casa, como Avendano Jr. e Milton da Costa Alves, o filme conta com a participação de Vitor Ramil, Sonia Porto, entre outros.

O Cineclube Jaguarão é um projeto da Secretaria de Cultura e Turismo, e tem o apoio do Cine+ Cultura. Filiado ao Conselho Nacional de Cineclubes e integrante da RED CCA (Red de Circulacion de Contenidos Audiovisuales/Uy) o cineclube tem sido o espaço para a arte cinematográfica em Jaguarão, exibindo filmes diversos tendo sempre como objetivo o acesso ao cinema e o respeito ao público.


Conjunto Época de Ouro será atração trazendo o samba da velha guarda

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desfile do Bloco do Janjão


Enquanto o Bloco já ensaia para o Carnaval deste ano, é bom recordar o sucesso de 2011 na Avenida 27 de Janeiro, palco das festas momescas em Jaguarão.

Acervo preserva a história da família de Carlos Barbosa

Foto: Carlos Queiroz

A sensação de quem entra na casa do doutor Carlos Barbosa Gonçalves é de que a família acabara de deixar o local para uma viagem. Toda mobília e pertences pessoais estão no mesmo lugar que as herdeiras Eudóxia Barbosa Palmeiro e Branca Barbosa Gonçalves deixaram há mais de 37 anos. 

Relíquia da fronteira de valor incalculável e acervo histórico que chama a atenção de turistas brasileiros e estrangeiros, o Museu Carlos Barbosa foi um presente da família não só a Jaguarão, mas ao Rio Grande do Sul. Numa breve volta ao passado, o Estilo mergulha nos hábitos e costumes do médico e político que fez história no Sul do Brasil.

Serviço
O quê: Museu Carlos Barbosa
Quando: aberto a visitação de terça a sábado, das 9h às 11h e das 14h às 17h (domingo por meio de agendamento de no máximo dez pessoas)
Onde: Rua 15 de Novembro, 642, Jaguarão - distante 383 km de Porto Alegre, 140 km de Pelotas e 183 km de Rio Grande
Quanto: ingresso custa R$ 5,00 por pessoa
Contato: (53) 3261-1746 

 
Por: Cíntia Piegas - cintiap@diariopopular.com.br


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Saga do Rebojo



Do Rio Grande do Sul a Noronha

O sotaque não esconde. Eles são do Rio Grande do Sul. Mas, nada de Porto Alegre ou alguma cidade pertinho da capital gaúcha. Na verdade, eles vieram de Jaguarão, município que fica a 400 km de Porto Alegre e faz fronteira com o Uruguai. É de lá que veio a tripulação do barco Rebojo I, comandada por Ernesto Pires, 71 anos. A embarcação ganhou o prêmio especial de "Barco brasileiro de local mais distante”, na 22ª Refeno. Ernesto mais dois tripulantes saíram do Rio Grande do Sul no início de junho e chegaram ao Recife no dia 20 de setembro.

Foi uma viagem longa, porém muito proveitosa, já que foi a primeira vez que eles tinham velejado pelo Nordeste do Brasil. “ Nós nunca tínhamos velejado do Rio de Janeiro para cima. Então, essa foi uma oportunidade que tivemos de conhecer o Nordeste do Brasil. A viagem foi boa, e pegamos ventos muito fortes. O que encontramos de diferente em velejar por essa parte do país foram as chuvas repentinas. No Sul, não tem isso”, afirmou Pires, acrescentando que se sente lisonjeado por ter ganhado o troféu.

Ao longo da travessia Rio Grande do Sul- Noronha, eles falaram que não enfrentaram nenhum problema, mas deram um susto em várias pessoas. É que de Salvador a Maceió, eles tinham combinado com alguns barcos maiores de fazer esse percurso juntos. Mas, como o Rebojo era menor que as outras embarcações, acabou ficando para trás. A distância foi tanta dele em relação aos outros barcos, que estes acabaram perdendo o contato com os gaúchos. “Eles tinham chegado de manhã e nós tínhamos chegado à noite, mas só quisemos entrar no porto pela manhã. Todos ficaram muito preocupados conosco”, afirmou Pires. A história que já foi motivo de angustia, agora é contada de forma bem humorada.

Ernesto e seus amigos-tripulantes,
Carlos Wilson Vera e Antônio Azambuja, contaram que o que os motivou a fazer a essa viagem foi a aventura. “Mais legal ainda será a volta, porque iremos parar em várias cidades”, disse Carlos Wilson. “Para fazer uma viagem como essa é preciso ter coragem. Quem tem medo, nunca viria de barco. O segredo para não acontecer acidentes é respeitar o mar. O mar será sempre o mar. Temos que adaptar o barco para as condições dele”, falou Ernesto.

E como bom gaúcho, para aguentar tanto tempo no mar, o que não falta em seu barco é o velho chimarrão. Para se ter uma ideia, eles trouxeram mais de dez quilos de erva-mate para preparar a bebida. “Assim, dá para ir e voltar tranquilo”, pontuou Ernesto. A expectativa de chegada a Jaguarão é em dezembro, mais exatamente, às 12h, do dia 24. “Temos que estar lá para o Natal, se não a gente não ganha presente, né?”, brincaram.

Fonte: Raitza Vieira - Diario de Pernambuco- 30 Set 2010

Recebemos os vídeos e imagens produzidos pelo tripulante Antonio Azambuja durante a viagem do Rebojo. Aguardamos o Diário de Bordo do Comandante Pires para finalizar a edição de alguns filmes relatando com detalhes esta verdadeira odisseia  dos navegadores de Jaguarão. 


domingo, 15 de janeiro de 2012

Um Conto para Arlene

Era sábado de carnaval e ela encharcou a sapatilha numa poça de água ali, perto da Praça da Matriz. Arlene não sabia o que dizer ao noivo que havia deixado na porta da igreja por causa de Jorge, que viera do outro lado da ponte para tirar-lhe o sossego, as roupas e desgrenhar o seu cabelo, como um vendaval de Santa Rosa.

Jorge era um tipo daqueles que não dava vontade de tirar os olhos de cima. Um corpo pequeno, sem viço, porém atrativo pelo cheiro, pela boca que dava sede de água, água de qualquer tipo, sede de água da chuva, de água de poço, de água suja que se atira nas pessoas em dias de entrudo momesco. Água, apenas água com sabão era o cheiro de Jorge, o castelhano que atravessou a ponte e veio para a Vila de Jaguarão destroçar o coração de Arlene.

Nada tinha de mais na figura de Arlene. Era loira e alta, mas tinha viço, o mesmo viço que Jorge não tinha. Era bonita de rosto, um rosto forte de magricela, magricela por que alta, alta porém elegante no andar. Ela trabalhava de professora, era de família pobre, dessas que não tem grandes sobrenomes portugueses para ostentar. Era noiva de um tal Gervásio, que trabalhava no açougue do Mercado Público.

Não que Arlene gostasse dele, estava noiva por pressão da família que a queria casada a todo o custo. Arlene gostava mesmo era de Jorge, o castelhano que cheirava a sabão com água e que não tinha viço no corpo, mas atravessava a ponte para ter com ela na porta da igreja em dia de carnaval. Ela ali de sapatilhas encharcadas e ele com aquela boca que dava sede, sede de água de qualquer tipo, de água de poço, de água suja de se atirar nas pessoas em dias de entrudo momesco.

Nunca se soube por que Jorge, o castelhano, que cheirava a sabão com água, atravessava a fronteira para ter com Arlene, de sapatilhas encharcadas, na porta da igreja. Sabe-se que ela largou tudo por aquele homem que lhe causava sede, tudo para ter com ele em feliz, felicidade, numa casa modesta, logo que cruzava o Clube Unión, ali no Río Branco. Ele, Jorge, um homem sem viço no corpo, que cheirava a sabão com água e que causava sede em Arlene. Ela, magricela, com uma cabeleira loira, professora do primário, de sapatilhas encharcadas na porta da igreja, para ter com ele para sempre.

Quando Jorge alcançou Arlene, ali na frente da matriz, no dia em que ela abandonou Gervásio no altar, apenas disse-lhe ao pé do ouvido:
- Estoy aqui apenas para despeinar teus cabelos, para ser feliz de felicidade modesta, de coisas modestas. Para que atravesses de vez comigo para o lado de lá e vivas comigo para siempre!

E assim foi que ela, magricela, de sapatilhas encharcadas, professora pobre e sem sobrenome português, Arlene de batizado e nascimento, atravessou a fronteira, vestida de noiva para ter seus cabelos despenteados por Jorge, o castelhano, que cheirava a água com sabão e que não tinha o mesmo viço no corpo que ela, mas que a curou da sede, assim como ela lhe deu viço e sorriso, no dia em que beberam água suja de se jogar nas pessoas em dias de entrudo momesco.

Juliana dos Santos Nunes
http://monte6.blogspot.com/


Publicado no Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 11/01/2012  

sábado, 14 de janeiro de 2012

UFMG Educativa: Toque de Poesia - Lau Siqueira

A Rádio UFMG Educativa, no seu programa Toque de Poesia, apresentou em 2011, na voz da prof. Vera Casa Nova, uma semana dedicada à poesia de Lau Siqueira, o poeta jaguarense que mora na Paraíba. Ouça no Player abaixo o primeiro programa da série:


UFMG Toque de Poesia - Lau Siqueira


o que escrevo
é apenas parte
do que sinto

a outra parte
finjo que minto

       e acredito

Lau Siqueira