quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Letra de Martim César é melhor poesia na Comparsa da Canção

Rui Carlos Ávila interpretou À um outro povo de campo

Aconteceu nos dias 25, 26 e 27 de janeiro a XXVI Comparsa da Canção em Pinheiro Machado - RS. O Festival, realizado em paralelo com a FEOVELHA, Feira Estadual da Ovelha,  que ocorreu no Parque Charrua, é uma promoção da Prefeitura Municipal com o apoio do Sindicato Rural de Pinheiro Machado.

Premiações:

Melhor Poesia: À Um Outro Povo de Campo
Letra: Martim Cesar
Música: Roberto Luzardo
Interpretação: Rui Carlos Ávila

Música Mais Popular: Meu Canto Não Tem Fronteira
Letra: Nelson Souza
Música: Giordan Gomes
Interpretação: Nélson Souza, Fábio Peralta e Lucas Ferrera

Melhor Melodia: Milonga da Distância
Letra: Telmo Vasconcelos
Música: Eduardo Monteiro Silva
Interpretação: Juliano Moreno

Melhor Tema à Ovelha: A Tesoura de Acácio Terra
Letra: Rafael Ferreira
Música: Maicon Oliveira
Interpretação: Ricardo Berga

Melhor Instrumentista: Lucas Ferrera

Melhor Intérprete: Leandro Berlesi, pela composição “De Onde Eu Vim”

2ª Lugar: Milonga da Distância
Letra: Telmo Vasconcelos
Música: Eduardo Monteiro Silva
Interpretação: Juliano Moreno

1º Lugar: De Onde Eu Vim
Letra: Leandro Berlesi
Música: João Lucas Pavlack
Interpretação: Leandro Berlesi 

Fonte: http://bahstidores.blogspot.com.br 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Unipampa está cada vez mais povoada


De 200 alunos em 2009, Campus no município saltou para mil estudantes em 2013, matriculados em cinco cursos de graduação, quatro de especialização e um de mestrado

Carlos Queiroz - DP
Por: Roberto Witter

Cinco mil seiscentos e vinte e seis metros quadrados de concreto movimentam o saber e a economia de Jaguarão. Erguido no bairro Kennedy, o Campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) cresce em velocidade assombrosa. 

Dos 200 alunos que tinha em 2009, pulou para mil estudantes em 2012. Reflexo sentido na economia da cidade. Os forasteiros que chegam alugam casas, comem em restaurantes e se divertem à noite. Mais dinheiro no caixa dos comércios. Mais cultura nas ruas.

Os primeiros cursos universitários chegaram à cidade em 2006. Juntas, as graduações de letras e pedagogia abrigavam 100 estudantes. O Campus ficava sob comando da Universidade Federal dePelotas (UFPel), assim como outros quatro campi, em Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

A reestruturação do Ensino Superior no país foi responsável pela criação da Unipampa, em 2008. O ano seguinte foi de reorganização. Nomeações de servidores e professores saíram do papel e um projeto institucional criou metas para o crescimento da universidade. A maior parte delas foi cumprida, garante o professor e doutor em Educação Maurício Vieira, diretor do campus. “Em 2010 começamos a ampliar o atendimento, ofertando os cursos de gestão do turismo e licenciatura em história. Em 2012 criamos o bacharelado em política e produção cultural”, conta.

Projetos ambiciosos para o futuro

O futuro próximo reserva projetos ambiciosos para a universidade. Uma cantina já está em processo final de construção, e deve entrar em funcionamento ainda este ano. Também em 2013, a ideia é iniciar a construção de um segundo prédio, com cerca de 2 mil metros quadrados, e de uma sede para a biblioteca, que hoje possui 20 mil livros (o segundo maior acervo de todos os campi da Unipampa). 

O curso de geografia já está em fase de aprovação no Conselho Universitário da Unipampa, que é o último estágio dentro da universidade. Se aprovada nos próximos meses, a graduação poderá ser oferecida em 2014. Nas comissões internas, tramita ainda a criação das graduações de licenciatura em computação, filosofia e biblioteconomia. “Pela estrutura que temos hoje, poderíamos abrigar, pelo menos, mais mil alunos”, afirma o diretor.

O campus de Jaguarão foi também o primeiro a ter aprovado um curso na modalidade de ensino a distância. Em, no máximo, 18 meses (o curso pode também estar apto a funcionar dentro de seis meses), a graduação de Letras poderá ser ofertada. A partir de então, Jaguarão gerenciaria a oferta de mais 50 vagas através do campus de Livramento e outras 50 vagas pelo campus de Alegrete.

Impulso na cultura

Além de ofertar Ensino Superior, a Unipampa atua diretamente em processos culturais e de qualificação profissional no município. Segundo o diretor do campus, a universidade auxiliou na criação do Plano Municipal de Educação. Projetos de extensão e pesquisa também são direcionados para a comunidade, como a oferta de cursos de qualificação para quem atua em restaurantes e hotéis.

A cidade vizinha de Arroio Grande também se beneficia. No final de 2012, uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação garantiu a qualificação de 60 professores do ensino básico do município na área de educação ambiental.

“Já se planeja levar um curso de graduação para Arroio Grande. Conversamos com a antiga administração e realizamos uma audiência pública. A ideia é saber que curso eles gostariam de receber e a viabilidade para a Unipampa instalar na cidade”, adianta o professor.

Preocupação com patrimônio histórico modifica linhas de estudo

Professor de história, Cláudio Martins (PT) honrou as origens. Nos últimos quatro anos do primeiro mandato, passou a trabalhar a valorização do patrimônio histórico da cidade. O trabalho da prefeitura refletiu-se em maior preocupação da universidade com o assunto, garante o prefeito.

“Veio o curso de história e algumas linhas de estudo no curso de produção cultural e turismo também passaram a contemplar esta área”, conta Martins.

O Centro de Interpretação do Pampa, espaço que irá revitalizar as ruínas da Enfermaria Militar, já está sendo construído. O orçamento inicial prevê um investimento de R$ 6 milhões na obra. A maior parte dos recursos vem do governo federal, mas a prefeitura entra com uma contrapartida financeira.

“Assim que inaugurado, o Centro será a maior ferramenta de educação patrimonial e da área da museologia da América Latina”, garante o diretor da Unipampa. Segundo ele, a universidade será responsável pela gestão do Centro. 

O Centro será dedicado à pesquisa e à experiência sensorial e estética sobre o bioma do Pampa.

O Campus da Unipampa em números

42.943,50 m de terreno

5.626,53 m² de área construída

6 laboratórios

74 professores

21 servidores concursados

26 servidores terceirizados

1.000 alunos

5 cursos de graduação

4 cursos de especialização

1 curso de mestrado

R$ 2 milhões é o valor aproximado do orçamento anual

Chegada de alunos movimenta economia

Os mil alunos, muitos deles de fora da cidade, movimentam a economia do município e amenizam as perdas sofridas pelos comerciantes desde a implantação dos free shops, na cidade vizinha de Rio Branco.

“Se olhar pelo lado material e financeiro houve, sem dúvida, uma explosão no setor imobiliário. Aumentou a procura por casas e apartamentos e também subiu o preço dos aluguéis”, explica o prefeito Cláudio Martins (PT).

Um hotel, a 250 metros da Unipampa está sendo erguido. O investimento é da iniciativa privada, mas a prefeitura doou o terreno como forma de incentivo. 

Embora não tenha dados concretos, a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaguarão, Maria Emma Lippolis cita um incremento no setor de serviços, principalmente no ramo hoteleiro.

“Até por necessidade, o setor de hotéis e pousadas precisou incrementar os serviços. A gastronomia, lojas de roupas e as festas também tiveram crescimento”, aponta a presidente.
Os ganhos são ofuscados pelo prejuízo gerado pelos free shops, segundo a dirigente lojista.

“Dezenas de lojistas fecharam as portas porque a concorrência com o comércio do Uruguai é desleal. Teve gente que foi embora da cidade para buscar o sustento”, afirma Maria Emma.
A esperança é o projeto de lei do deputado Marco Maia (PT - RS), que já foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

O texto final prevê que o pagamento pelos produtos poderá ser feito com moeda nacional ou estrangeira, como o dólar. Os estabelecimentos poderiam ser concedidos às chamadas “cidades gêmeas”, como Jaguarão, Chuí, Aceguá e Santana do Livramento.

A partir da publicação da lei, a Receita Federal ficou responsável pela colocação do projeto em prática. No entanto, os comerciantes reclamam de lentidão no processo de regulamentação.

“A situação está nas mãos da Receita, mas eles não sabem o que a gente está perdendo ao longo destes últimos anos. A solução precisava ser mais rápida. Assim, muitos de nós (comerciantes) poderíamos também migrar para o sistema de free shops”, afirma a presidente da CDL.

Segundo o superintendente adjunto da Receita Federal no Estado, Ademir Gomes de Oliveira, a instalação dos free shops no lado brasileiro trata-se de uma operação complexa. Uma comissão foi criada em Brasília para estudar o caso e ainda não há previsão de resposta. 


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Todos os caminhos levam à cultura

Centro de Interpretação do Pampa - Foto Brasil Arquitetura


Há algum tempo a cultura parece ter sido descoberta pelos governos e pelos empresários. É um fenômeno mundial. Percebeu-se que ela expressava a identidade de um povo, de uma cidade ou região, e que suas peculiaridades, únicas, poderiam ser um bom negócio. Era, ao mesmo tempo, algo já pronto, mas passível de ser melhorado, bastando para isso “adubar” o terreno, estimulando as infinitas criações culturais e assim obter os melhores frutos. A indústria do turismo floresceu: turismo rural, turismo histórico, turismo religioso, turismo de lazer, entre outros.

Jaguarão está assentando os alicerces e apostará forte na cultura, como uma prometedora fonte de renda para o município (esbocei esse parecer no meu artigo “A cultura como espelho do que somos”).

O investimento da Unipampa, em parceria com a Prefeitura Municipal de Jaguarão e o Governo Federal, na construção do Memorial do Pampa, é talvez a grande seara nesse sentido. Mas a própria existência da Universidade em Jaguarão é, com certeza, um agente multiplicador e qualificador na preparação técnica e profissional de muitos jaguarenses e estudantes de outras cidades e estados que aqui moram e estão se formando.

Ter diversos espaços culturais, a maioria relacionados com a preservação da memória histórica da cidade (os Museus Geográfico e Histórico, o Teatro “Esperança”, o Círculo Operário, os clubes sociais “Jaguarense”, “Harmonia”, “24 de Agosto”, entre outros, o próprio Memorial do Pampa, a Ponte Internacional Mauá, centenas de casas e prédios tombados pelo IPHAN, o resgate da cultura afro-brasileira no município, a Feira Internacional do Livro, o Cineclube, o Carnaval, a Universidade, as praças Alcides Marques e Comendador Azevedo, o belo rio do qual a cidade toma o nome, etc.) tudo isso é terreno fértil que, se bem trabalhado, promete uma auspiciosa colheita em forma de retorno financeiro para o nosso município.

As instituições públicas ou privadas, as empresas, podem desempenhar a função de financiadores e/ou veiculadores culturais, ainda que a cultura em si mesma seja um produto diversificado e coletivo, que não cresce parelho e ao mesmo tempo, em suas distintas formas, e por isso precise às vezes ser estimulada.

Quem cozinha, quem constrói casas, quem pinta, quem escreve ou canta como solista ou em um coral, quem executa um instrumento, quem dança, quem ensina, quem estuda, quem conta anedotas, quem recicla o lixo, quem faz artesanato, quem pratica um esporte, quem atende um comércio ou dirige um táxi, etc.: todas essas pessoas estão fazendo cultura.

O fato de que nem todo mundo cozinha o feijão do mesmo jeito, nem todos os que tocam violão o fazem com o mesmo estilo, nem executam as mesmas músicas, é o que dá identidade cultural a uma cidade, por exemplo.

Algo flutua no ar. Uma certa energia ainda muito condensada, mas que já se insinua como uma promessa de explosão de criatividade, de “criadores e criaturas” —parafraseando um verso de “Meninas do Brasil”, do grande Morais Moreira—. (E aproveito para enviar as minhas congratulações aos colegas de Produção e Política Cultural, Daniel Andrade e Louise Pereira, quem com o PTG “Raízes da Fronteira” conquistaram a 3° Melhor Entrada Estudantil do Estado, obtendo os pupilos de Daniel Andrade, Vítor e Fabrício, o 1° e 2° lugares. Com o “GDT 20 de Setembro” se posicionaram 2° em tradicionais, 2ª Melhor Entrada, e 1° Melhor Saída. E, em outubro de 2012, conquistaram o primeiro lugar em dança tradicionalista, em San José, no Uruguai).

Há algumas semanas a seleção de futsal de Jaguarão ganhou a Taça Zona Sul do Estado. Isso é mais uma conquista que eleva o moral da cidade e serve de estímulo aos jaguarenses, para além da área do esporte. A “cultura jaguarense”, ou “fronteiriça”, é o que os turistas procurarão quando nos visitarem, isto é, achar aqui o que somente aqui descobrirão, o que nos faz diferentes e dignos do interesse para sermos conhecidos.



Dario Garcia
Acadêmico de Produção e Política Cultural - Unipampa

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 16/01/2013 


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Groelândia, Basílio, Caboclo - Pedro, Hermena, Diabluras


A releitura de Groelândia, do Basílio Conceição, música dos anos 1970, pelo Edu Damatta, neste fim de ano do fim do mundo, conta com paisagens pampeanas e imagens dos poemas das paredes da casa do Pedro Bittencourt na Praia do Hermenegildo, além da musicalidade do próprio Caboclo e do luxuoso sax do Daniel Zanotelli. Para ouvir, ver, guardar.

Fonte: http://autoretratopedro.blogspot.com.br






segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

As Estações de Um Amor


Jaziam mortas as folhas de outono e naquela madrugada fria uma tênue neblina embaraçava a visão de seus olhos, de seus olhos que se encontraram embora nunca tivessem se buscado.

O sutil movimento do ar dava a impressão de que o tempo havia parado, o tempo havia parado enquanto conversavam em meio à algazarra até que a noite empalideceu para os lados da curva do rio.

Ela logo percebeu que a aparente rigidez de seu semblante de pronto se esvanecia quando a boca se rasgava num sorriso, num sorriso suave em que quase desapareciam seus olhos oblíquos de sonhador.

Ele notou que aquela voz não poderia sair de outra boca e ao compasso de seus gestos lépidos se foi enfeitiçando, se foi enfeitiçando no sortilégio moreno daqueles cabelos longos.

E o que não era provável se foi tornando óbvio e o que jamais se supunha já não poderia ser diferente quando se uniram num beijo, num beijo que os fez pensar no quanto teria sido bom se já tivesse sido.

Quando os primeiros rigores de inverno encheram as manhãs de branco e os dias inteiros de frio eles permaneceram num calor delirante, num calor delirante que emanava de seus amores repletos de sentimentos e devassidão.

Nas noites que vararam à luz fascinante das lareiras e ao sabor inebriante dos vinhos descobriram que os prazeres estavam também escondidos nas palavras, escondidos nas palavras que transformaram em encanto mútuo o que já era só encantamento.

Mas antes que o minuano deixasse de se esgueirar pelas frestas notaram que nem tudo tinha a lubricidade das camas ou ludicidade dos versos, dos versos que buscaram em vão ludibriar com poesia a certeza de que a primavera além de flores traria ventos.

De fato o verde dos campos e o cio da terra não puderam ocultar que atrás do sentimento mais nobre existia um invencível orgulho, um invencível orgulho responsável pelo paradoxo de se repelirem e se quererem na equação improvável de um amor soberbo.

No ardor dos dias e na frescura das noites alternaram risos e prantos e se o tom felino de palavras ásperas indicava o ocaso, a brandura dos carinhos e a sensibilidade dos abraços lhes permitiam uma vez mais sonhar, uma vez mais sonhar a paz palpável de tê-la adormecida em seu regaço.

No torpor indômito das sestas confundiram seus suores nas tardes escaldantes de um verão compartilhado, de um verão compartilhado em que a nudez dos corpos foi tão completa a ponto de ensejar o recíproco desnudar das almas.

Se protegeram juntos de inesperados e breves aguaceiros e se lançaram trovões nas tempestades e desfrutaram de sombras mansas nas horas vespertinas, nas horas vespertinas em que o surreal céu do sul desenha poemas no horizonte.

A luz ofuscante dos calores mais intensos distorcia as figuras na paisagem abrasadora enquanto a inconstância desse amor teimava com a razão numa luta sem glória, numa luta sem glória que escondia mágoas num esquecimento apenas aparente.

Sofreram e se amaram por outro outono e se enroscaram e se agrediram em mais um inverno e não venceram outra primavera, outra primavera em que as incompatibilidades estavam tão evidentes que prescindiam de palavras, pois já se conheciam pela intensidade dos silêncios.

Apesar dos pesares essas estações não seriam suficientes para demovê-los não fosse a inexorável passagem do tempo, a inexorável passagem do tempo que não lhes permite viver de novo esse amor que não era dessa, mas de outras vidas.


Rodrigo de Moraes


sábado, 19 de janeiro de 2013

Sejas Tu


Tenhas nesta vida uma doce ilusão
Ganhes a alegria de sentir teu coração
Sofras uma vez na vida
A perda de uma triste separação

A vida é de graça
A vida é de graça
A tua ascensão é o tesouro mais lindo
Desta roda viva do mundo de intensão

Chore, pule, sorria
Pegue as rédeas da simpatia
Para que um dia encontres
A mais doce harmonia
De seres somente tu

Sâmora Narjara


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Chico Saratt - Te Procuro Lá


Show de Chico Saratt acompanhado pelo pianista Nilton Júnior no Espaço Cultural de Verão La Mancha na noite de 11/01/2013, em Jaguarão - RS.

Música de Raul Elwanger e Ferreira Gullar, Te Procuro Lá.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

De Musas y Bares

O insólito abrigou-se por aqui, caverna mítica do surrealismo  


Lá pelo inicio de 2011 recebi encomenda para a comemoração do segundo aniversário do Poesia no Bar que iria acontecer em junho daquele ano. 

Infelizmente não pertenço ao seleto grupo de afortunados que tem ligação direta com as vozes dos escritores do Além, que ditam ao ouvido do felizardo poemas, escritos variados, contos e até poemetos genialmente musicáveis, exigindo-se apenas uma caligrafia ágil. Tem-se assim, para gáudio de nossa literatura, autores que nos brindam com abundância seus livros psicografados.

Ao contrário, meus contatos com as musas, fonte de toda a inspiração segundo os gregos, são oriundos de muito trabalho mental e físico. Às vezes, acontece-me de encontrá-las num banho de rio, ou numa noite mal dormida, raras vezes foi produto de sonho, geralmente surgem enquanto faço longas caminhadas olhando para o chão. Contra todos os meus prognósticos, foi numa noite de temporal que tive a visão. Estava deitado e transportaram-me aos abrigos dos nossos antepassados. Creio que não cheguei a levitar, apesar da nítida sensação de sentir meu corpo planando suavemente no espaço.  A intempérie e seus acessórios, raios, relâmpagos, trovoadas, ventanias e trombas d água, compuseram o cenário aterrorizador da natureza e a proteção que uma caverna poderia proporcionar, mesmo com todos os demônios que pudessem viver lá muito dentro dela. 

Então, pude visualizar a cena. Alguns cromagnons sentados em torno do fogo beliscavam um picadinho de mamute e comungavam de uma beberagem ancestral enquanto narravam as aventuras do dia. Consigno a Calíope, a musa que se ocupa da poesia épica, esta dádiva. A imagem do bar primevo, da caverna fundamental, foi a chave que abriu a porta da poesia Ode aos Bares. Convenientemente, como de costume, alertou-me nosso filósofo e primeiro imediato sobre o bom convívio com as filhas de Mnemósine, invocando a frase do poeta Ruben Dario: Cuando uma musa te dé un hijo, queden las otras ocho encintas.

Dentre as cavernas míticas que ocupam a nossa memória, a memória da tripulação Cazumbi do Galileu, encontra-se o Bar do Patiño. Numa esquina a duas quadras da Estação Rio Branco, o bar era o ponto dos bagageiros à espera do trem que partia altas horas da noite ou dos que chegavam pela madrugada. Nós o descobrimos não sei como. Coisas do Venerável. Íamos a pé, atravessando a ponte, passadas mais ou menos largas, acompanhando os dormentes dos trilhos, feito romeiros, mais que pagando promessas, fazendo preces, raramente atendidas. Impelia-nos a fé na arte como caminho para a redenção. A redenção quase sempre atendia pelo nome de alguma mulher, e havia tantas para outros tantos, que recorrentemente nos ignorava.

Éramos inclusivos. Acolhíamos os desprezados, os que não tinham turma. Os que falavam às paredes e não recebiam resposta.

No bar do Patiño, um deles era o Perneta. Sua face não me era estranha. Pertencia à ala dos testas altas. Atuou no papel de Julio II em Agonia e Êxtase, filme sobre a vida de Michelangelo, quando compunha a figura de pai e líder de todos os cristãos na integridade de todos os membros. Foi conhecido como o Papa Guerreiro. Um dos nossos só o relembra na condição de um vago espectro. O Venerável afirma que era um ex guarda barreiras que foi abandonado pela noiva, uma morocha do Poblado Uruguay. A perna teria sido perdida numa trágica caçada de capincho. Contam que tempos depois, recuperado do acidente, por um par de semanas andou exibindo com orgulho uma flamante, de madeira, mandada fazer em um carpinteiro de Fraile Muerto, conhecido por suas habilidades em próteses campeiras.  Depois voltou à muleta. A um seu amigo, o Capenga, sentara-lhe tão bem a perna de reposição, que resolvera alugá-la a preço módico. Quando nos pressentia chegar, num portunhol bem falado, se jactava com petulância do seu melhor destino: “agora es distinto, llegó mi barra.” Já com o  violão em punho, muleta ao lado, abria cantando a única música que nos ficou na lembrança, talvez pela dramaticidade que expressava, fazendo o compasso com a perna que ainda a tinha natural: “miña mulher é uma brasa, cuando eu chego em casa, dá-se logo uma explosão..”

Miguel Angel Patiño Mederos,  figura impar e fazedor de histórias
O bar agora lhe serve de moradia

O Patiño, atrás do balcão já se entusiasmava desafiando alguém para um exercício de pugilato, com luvas de boxe e tudo. Armado rapidamente o ringue, contra o boxeador e manager de longos cabelos louros adornados por chapéu de plástico preto, e que morava ali por perto do Club Artigas, desenvolvia-se o entrelace conflitivo de ágeis punhos em jabs, cruzados e diretos.   Daqui a pouco, em menos tempo que durava um cálice de canha, um dos lutadores, o Mão de Luva, desvencilhando-se dos jogadores de bilhar, já aparecia sentado ao piano na sala contígua (era um piano de cauda e o mistério é como havia sido introduzido, devido ao tamanho descomunal), com os dedos livres, tascando uma cumparsita ou balalaika cumbiada, enquanto anões, magos, gaúchos, palhaços,índios, ciganas, seres de todo o tipo conhecido ou por conhecer, entre fardos de açúcar, malas de erva mate, damajuanas de canha, pacotes de massa, rapadura e tijolinhos, bombons garoto e o que mais pudesse ser comercializado, belzebeavam, formando aquela troupe que introduziu o Dadaísmo nos limites desta fronteira. 

Jorge Passos

Texto publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional do dia 09/01/2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Basílio Conceição, Don Quijote e Chico Saratt na IV noite do La Mancha



Na noite da última sexta feira (11/01) o Espaço Cultural La Mancha proporcionou ao público que lotou as suas dependências, mais um espetáculo inesquecível. A abertura esteve a cargo de Alessandro Gonçalves e André Timm que realizaram um tributo ao cantor e compositor Basílio Conceição. A apresentação teve participações do Jorge Passos com poesia dedicada ao Basílio e o acompanhamento do acordeon do Jelson Domingues.   


Depois foi a vez do Projeto Caminhos de Si, com seleção de poesias do  Martim César e  música do Paulo Timm com arranjos do maestro Leonardo Oxley, apresentando  o esquete teatral Don Quixote com os atores Fernando Petry e Sandro Calvetti numa espécie de Refundação do La Mancha, espaço mítico originário dos pagos da Laguna Merin.


Encerrando com chave de ouro, a apresentação memorável do cantor e compositor Chico Saratt acompanhado pelo pianista Nilton Júnior. 

Saratt, um dos expoentes da Música Popular Gaúcha encantou a platéia não só musicalmente mas com sua simpatia e muitas histórias divertidas da sua já longa carreira. No repertório,  além de composições antológicas de sua autoria, músicas dos parceiros Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro, Hermes Aquino, Mário Barbará, Bebeto Alves, das quais algumas fazem parte do seu último CD,  Capital.

O próximo espetáculo do LA MANCHA já tem data: 01/02/2013. Shows de Éverson Maré (um dos maiores instrumentistas e arranjadores do RS), juntamente com Mano Júnior (exímio acordeonista), no Show de Lançamento do CD SINCERIDADE. Também haverá os shows dos fantásticos Volmir Coelho e Maria Conceição. Participações especiais confirmadas e a confirmar: Robledo Martins e Luiz Marenco. Ingressos na FLAKEL.


Jaguarão terá uma escola técnica do Instituto Federal Sul-rio-grandense


Dos cerca de 40 novos polos aprovados pelo Governo Federal, este será o único criado no Estado


O Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, autorizou, em Brasília, a criação de um polo presencial do IFSul em Jaguarão. Dos cerca de 40 novos polos aprovados pelo Governo Federal, este será o único criado no Estado.


Com a decisão, a escola passará a ser a segunda do instituto na região de fronteira com o Uruguai. De acordo com o reitor Antônio Carlos Barum Brod, a aprovação é resultado de um trabalho que vem sendo realizado nos últimos anos, fruto da política de relações internacionais desenvolvida pela instituição.  "Mais uma vez o IFSul está sendo reconhecido pelo seu trabalho", observa o reitor, recordando que o instituto inovou  e teve sucesso ao implantar há dois anos o campus avançado de Santana do Livramento - primeiro da América Latina a oferecer cursos binacionais, fato que pesou a favor da instituição.

"Essa inovação se deu através da execução de projetos de qualificação profissional desenvolvidos em parceria entre o IFSul e o Conselho de Educação Técnico Profissional da Universidade do Trabalho do Uruguai (CETP-UTU)", observa a titular da Assessoria de Assuntos Internacionais, Lia Pachalski, referindo-se aos primeiros cursos binacionais.

Jaguarão está localizado numa microrregião ainda não atendida pela Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. É um município estratégico para o programa de escolas binacionais e para articulação entre os ministérios da Educação e da Integração Nacional. De acordo com Brod, esses foram os argumentos defendidos junto ao Ministério da Educação e determinantes para a decisão da implantação do polo.

"Autoestima elevada, carreira promissora e perspectivas de um futuro melhor através da educação. Com essa escola em Jaguarão, os ganhos são imensuráveis e vão fazer a diferença no desenvolvimento desta importante região de fronteira, a exemplo de Santana do Livramento", destaca o dirigente.

O polo presencial funciona como um campus, porém com características diferenciadas. São escolas de menor porte, planejadas para receber dez docentes e seis técnico-administrativos. A unidade em Jaguarão vai atender áreas prioritárias, oferecendo cursos técnicos de nível médio.

O próximo passo agora é avaliar quais cursos serão ofertados, o que acontecerá após análise detalhada das principais demandas da região, levando em consideração os projetos já desenvolvidos pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), nas áreas de Mecânica Industrial e Restauro do Patrimônio Edificado.

Os recursos a serem investidos serão definidos a partir das necessidades decorrentes da implantação.

O espaço

Em relação à infraestrutura, em acordos anteriores ficou acertado que a prefeitura de Jaguarão oferecerá o espaço para o funcionamento da escola. Várias áreas já foram disponibilizadas para que possam ser avaliadas pelo instituto. A previsão é de que a implantação ocorra até o fim deste ano.