sábado, 31 de julho de 2010

FERIDA

Escultura- Cleber Carvalho

Nossos passos são ruínas,

Nossos sentidos imaginários.

Ao sol uma pele,

Ao vento uma vela.


Ao amor, boca sedenta,

Um corpo e seus passos.

Se constrói e se perde no tempo:

Se perde, se reinventa, argumenta.


Só um corpo,

Uma luz, uma fresta,

Luz que se apaga,

Fria, não esquenta.


Se perde uma vida,

Se vive uma perda,

A morte é da vida,

A perda: ferida.



Fábio Oliveira

Canario Luna - Brindis por Pierrot

El grande murguista uruguayo!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

PSICANÁLISE



Gotas d’água na cabaça
Uma idéia na cabeça
Xeque-mate na Rainha
Over dose não me esqueça

Jejum, almoço, rapadura
Prisma, fôrma, carrapato
Controla o controle, desespero
Perdi minha foto 3x4

Primeira missa na capela
Fraciono pulgas descartáveis
Amarro músicas na varanda
Rezo acordes improváveis

Pulei o muro lamentando
Mesma cama, coxão de fora
Maldito trauma, vos ordeno
Calcifica ou vai embora!


Edson Martins

quinta-feira, 29 de julho de 2010

OS CAMELÔS DA POESIA

Armando a barraca - Foto J. Passos
Poetas loucos, roucos, bêbados e infames
Vendem poesias como poucos,
cocos, pêssegos e salames,
Mas isso são rimas, não poesia!

Lingerie, manequins, cuecas,
Os mais ousados, bicicletas.
Que importa?
Eles parecem mais patetas que poetas.

Mas então eles não tem arte...
Jamais serão milionários...
É... ter não tem.

São visionários!
Eles somente a vêem...
Em toda parte!!!


M. César e J. Passos

Mayra Andrade - Lua

Boa música de Cabo verde

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A realidade trivial e a dimensão divina

Kundera está correto, tu estás, eu estou e salve os perros e as holandesas!

O idílio continua tônico entre homem/animal/mulher; desejado por todos está na dimensão divina e dicotomizado por as trivialidades cotidianas do bem/mal; feio/bonito; certo/errado, do ir/vir; drama/comédia; conflito/admiração, até do ser ou não ser.

Adélia Prado, poeta mineira de Divinópolis, promove a díade no texto “Casamento”, e eu uma homenagem aos pares perfeitos:

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. a qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como 'este foi difícil'

'prateou no ar dando rabanadas'

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.

Adélia Prado

(In: Poesia Reunida, Siciliano, 1991:252)

Milan Kundera, meu pai e as holandesas

Geada no Telho - Foto Lúcia Passos

Quem leu - e quem não leu, procure ler - "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, há de se lembrar de um episódio ocorrido com uma das principais personagens. Como diz o confrade Edson, "gosto desse tipo de livro, embora saiamos curvados da leitura pelo seu peso".


Teresa, companheira do Tomas, tem uma uma cachorrinha de estimação, Karenin. Esta adoece e morre. O fato causa um grande sofrimento. O narrador reflete sobre o causo, a dona tem com seu animal uma relação idílica, isto é, um retorno ao paraiso, ao Éden. Por que esta relação com os animais é tão prazerosa e sentida de forma tão genuína nas pessoas ?


Seguindo na reflexaõ do autor, nós, os humanos fomos expulsos do paraíso. Os animais não. Eles não perderam a inocencia! Há uma espontaneidade, um desinteresse nesse amor . "Mas sobretudo: nenhum ser humano pode oferecer a outro o idilio. Só o animal pode, porque não foi banido do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idilico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução." (Sétima parte: O Sorriso de Karenin)


E o que tem a ver isso com as holandesas?


Ora, porque as holandesas era a raça de algumas vaquilhonas que meu pai tinha na chácara do Telho. Delas tirava o leite e vendia na cidade para melhorar os rendimentos e pagar a educação da gurizada. Quando ele chegava, parava a Brasília no meio do campo, e o gado todo vinha pra volta dele, e ele sabia os nomes das vacas e contava a historia de cada uma. E a relação que meu pai tinha com esses animais repetia a relação de Teresa e Karenin. Estar no campo era voltar ao Paraíso, a redenção.


Todo esse palavreado talvez tenha surgido de olhar a foto do Telho com geada.


Das coisas simples, da importancia da simplicidade. Só.


Ahhh.... e da boa relação com as holandesas!



Jorge Passos

terça-feira, 27 de julho de 2010

Fausto Wolff - Leituras da Confraria


O Romance "À mão esquerda" de Fausto Wolff , editora Civilização Brasileira, 1996 é a primeira indicação de leitura do Blog da Confraria.
Compramos este livro no Sebinho aqui em Brasília. Como diz o surrado, porém eficiente ditado popular "antes tarde do que nunca"! Conhecia o Fausto das crônicas na revista do Pasquim, mas não sabia das suas imensas qualidades como romancista.
Gaúcho de Santo Angelo, onde nasceu em 1940, Wolff teve uma intensa atividade em jornais, revistas, televisão, humor, demonstrando sempre uma posição independente. Durante a ditadura, atingido pela censura, exilou-se na Europa.
Com "À mão esquerda" ganhou em 1997 o prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira.
Faustin Von Wolffenbüttel, o Fausto Wolff, faleceu em 2008 no Rio de Janeiro.

Carlos Heitor Cony classifica o livro como obra de "primeiro mundo". Diz ainda, " O núcleo é o pequeno mundo provinciano dos emigrantes alemães no Sul. Mas a ação se irradia pelo mundo inteiro, por uma época , um jeito de caminhar pela vida. Fausto Wolff escreveu o livro mais importante da sua geração. "

Voce encontra este livro na:
http://www.livrariasaraiva.com.br
http://www.estantevirtual.com.br

Poética

Mercado - Foto J. Passos

En los pliegues de la tarde

brotes de silencio designan sus corolas,

la ruta del polen en la sombra.


Con movimientos lentos

convoca Luna sus brigadas:

invisibles criaturas

acorazados ecos de los tiempos

los seres del rocío en sus caparazones de plata.


Saltan al vacío

a devorar palabras,

abandonados versos

que duermen en las plazas.


Urge ganar calle y altura

hundir manos y olfato en cada hora.

Sucede a veces

la metáfora.




Gabriel Impaglione

Contribuição de Gabriel Impaglione, argentino residente en Itália.
Poesía del libro "Parte de guerra y otras anotaciones"- 2009

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Programe-se

Teste de Audiência é um projeto da Caixa Cultural e consiste na exbição mensal de um filme surpresa. Após a sessão, o público conversa livremente sobre a obra com o próprio diretor. Nesta quarta temporada já foram exibidos três filmes, um longa e dois média-metragem.
O filme é inédito, em processo de finalização e minutos antes da exibição é que o público fica sabendo sobre o filme.
Teste de Audiência acontece em Brasília, nesta terça, 27/8, as 20h, no Teatro da Caixa Cultural. Entrada franca.
Leia mais sobre os projetos da Caixa Cultural em:


http://www.caixacultural.com.br/html/main.html

A ARTE DE SER AVÓ

Eu não saía de perto da minha avó, com sua pele lisinha e macia e aqueles cabelos brancos de flocos de algodão e suas muitas estórias para contar.
Quando vejo as nuvens no céu penso que ela cortou um pouco de seus cabelos.
Saudades!
Parabéns, para quem tem os seus avós, para aqueles que já são avós ! (S. Cardoso)

A ARTE DE SER AVÓ

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.
E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais.

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais.

A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.
Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone.

Riscar a parede com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?

Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Raquel de Queiroz

Contribuição de Sandra Cardoso.

Parábola do Amor em Variação I



Em uma complexa interação entre o indivíduo e o coletivo, os antigos apelidaram Babilônia com a alcunha de A Grande Prostituta (Clique aqui para ler a Parábola II)



I - A tua nudez molhada era renovo dos campos,
era videira orvalhada.
A tua nudez descoberta se enxugava
e se sossegava sob o manto do Sol.

Eu, passando por ti quase purificada,
entrei em concerto contigo
E te cingi de linho fino, e te cobri de bordaduras da seda enfeitada.
Ornei-te o colo e os punhos,
e te engrandeceste e alcançaste grande formosura,
prosperaste em beleza até chegares a ser rainha.

Depois,
Vieram mancebos, vestidos de azul,
cavaleiros com seus cavalos e tu te enamoraste deles.
E cometeste com eles devassidões e impudícies.
E eles apalparam teus seios
e derramaram sobre ti seus fluxos,
que eram como o fluxo dos jumentos.

Depois, todos eles: mancebos,
capitães, magistrados,
todos vieram sobre ti,
montados em cavalos, com carros, carretas e rodas,
escudos e capacetes.
E te julgaram segundo seus juízos.

Depois, à espada,
fizeram cair-te o nariz, as orelhas e os braços e pés e,
por último,
o que restara de ti lançaram ao fogo.

Contudo,
estabeleci um concerto eterno entre nós...

Já nada podes fazer.


Sérgio Christino

domingo, 25 de julho de 2010

O Clarinetista da rua do Cordão e João Bosco

Surgiu de entre a neblina precedido pelos acordes dissonantes duma marchinha de Lamartine, qualificando a serenata que dávamos na rua do Cordão. Vestia calça corrida de tergal e um palitó negro, camisa branca e gravata desalinhada de quem já estava há bom tempo vagando na noite. Nunca fiquei sabendo seu nome, mas recordo de um inusitado detalhe do personagem fellinesco.
Levava no bolso, não um canivete, como na música do Assis Valente, mas uma lata de pêssegos! Sim, uma lata de pêssegos de Pelotas! Disse-nos que era pra agradar a patroa, pois há dias não aparecia em casa.

A serenata acabou, nos dispersamos, atravessei a ponte, que não era a Buarque de Macedo, mas também me assombrava com minha sombra magra e tinha medo. Medo da solidão que congelava os ossos.
"Alguém me pede fogo...é um dos nossos..."
Meu coração, temeroso, cantarolava... "mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar, meu coração tropical partirá esse gelo e irá..."

Isso foi lá pelos anos setenta do século passado.

Esta noite , 24 de julho, vi um clarinetista de primeira, Márcio Bezerra, que me recordou aquele da rua do Cordão. Foi na Sala Villa-Lobos do teatro Nacional. Acompanhava Ana Reis, novo talento da música de Brasília e que fez a abertura do show de João Bosco, evento que faz parte do projeto MPB Petrobrás. Belíssimo espetáculo. O compositor e cantor mineiro centrou o espetáculo nas músicas do seu novo trabalho, o CD " Não vou pro Céu" mas já não vivo no chão. Beleza pura.

Jorge Passos

Ana Reis - Foto J. Passos
João Bosco e banda - Foto J. Passos
Veja mais sobre o novo CD de João Bosco : http://www.joaobosco.com.br/novo/
Sobre a Ponte Buarque de Macedo: http://pt.wikisource.org/wiki/As_Cismas_do_Destino

sábado, 24 de julho de 2010

Olivia Byington - Camisa Listrada de Assis Valente

Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí!

Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu Parati!

Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão

E sorria quando o povo dizia : sossega leão, sossega leão!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Além de Satolep



Vive presente nos meus sonhos,
Distante alguns quilômetros da cidade,
Este cenário que me invade,
Reflete o céu enquanto brilha.

Por vezes parece casa, noutras, uma ilha,
Água brotando de todo lado,
Num campo fértil, representado,
Por uma história bem contada.

Fica na beira da estrada,
Encurralada por um banhado,
Terreno plano e alagado,
Margeando o canal São Gonçalo.

Essa casa de que falo,
É morada de pássaros selvagens,
Fotografada em dia de viajem,
Com destino à Rio Grande.

Agora, onde quer que eu ande,
Carrego comigo em minha memória,
E sempre lembro aquela história,
De um livro chamado Satolep.
Daniel Moreira

CONCURSO POEMAS NO ÔNIBUS E NO TREM 2010


Reproduzimos página da Secretária Municipal de Cultura de Porto Alegre com informações sobre o concurso Poemas no ônibus e no Trem 2010. As inscrições também podem ser efetuadas pela Internet até o dia 20 de agosto de 2010 com no máximo de 14 versos.


Antes de ler sobre o concurso, veja este belo poema que já circula nos coletivos da capital gaucha:


POETA ÀS PRESSAS

Achei que era fácil
versar o que sentia
tentei virar poeta
da noite para o dia.
Rimei minha quimera
e meu sonho-utopia
com a tal da primavera
e aquela luz do dia.
Preocupado com a rima
esqueci da poesia.

Ricardo Porto


Inscrições e regulamento para concurso Poemas no Ônibus e no Trem 2010


O período de inscrições para o concurso Poemas no Ônibus e no Trem de 2010 iniciaram no dia 21 de junho e se estendem até 20 de agosto. O endereço para inscrição pessoal e via Correios é o da Coordenação do Livro e Literatura (Av. Érico Veríssimo, 307), das 9h às 12h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira. Deverão ser entregues cinco cópias de um poema inédito (nunca publicado, em qualquer meio) com até 14 versos, sendo vetadas cópias manuscritas. Os dados pessoais do candidato deverão constar em documento anexo. Leia atentamente o regulamento antes de enviar sua inscrição.Cada participante poderá se inscrever apenas uma vez, sob pena de desclassificação do concurso. Em caso de dúvida, entre em contato pelo e-mail: rozano@smc.prefpoa.com.br




Resultado e premiação


Aproximadamente 50 poemas serão escolhidos por cinco jurados, que terão como critérios de seleção a originalidade e a qualidade literária e poética. Essas obras, além de serem veiculadas nos ônibus de Porto Alegre e vagões da Trensurb, serão organizadas em um livro. Uma cota de 10% da tiragem será distribuída entre os autores dos trabalhos selecionados. Arte e memória valorizadasEsta será a 19ª edição do Poemas no Ônibus e no Trem. Com a aproximação do vigésimo aniversário do concurso, e na intenção de valorizar a produção poética de todos os participantes, está em desenvolvimento um site que reunirá todas as obras inscritas ao longo dessas duas décadas. Sem hierarquia, sem concorrência, sem critérios de seleção: todo poema um dia inscrito no concurso estará disponível nas esquinas e trilhos da internet. O endereço do site será divulgado em ocasião oportuna.


Informações adicionais, como os requisitos formais para a inscrição, podem ser consultadas no edital do concurso, ou através do telefone (51)3289.8074, ou pelo e-mail poemasonibus@smc.prefpoa.com.br.Clique aqui para ler o regulamento

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Fado Tropical - Chico Buarque

Do Filme "Fados" de Carlos Saura, Chico Buarque cantando Fado Tropical com imagens da revolução dos cravos . Emocionante!

COMPORTAMENTO ECONÔMICO

Demonstrando grande aversão ao risco,

Convidado a sair,

Se encasulou.

Convocado a contribuir,

Negou.

Desafiado a dançar,


descadeirou.

Ao grito de avançar!

Recuou.

Com alto grau de percepção,

Quando a paixão sussurrou: pula!

Se agarrou !

Quando a vida lhe disse:

Apesar da crise, fica!

Se mandou!


Hoje jaz,

Como investimento a fundo perdido,

Nas contas do Senhor!





Jorge Passos




quarta-feira, 21 de julho de 2010

PARQUE DA ERMIDA

Parque da Ermida - Foto J. Passos

Um dos lugares mais bonitos da capital federal é o Parque da Ermida Dom Bosco no Lago Paranoá. Tomar um matecito na sombra à beira d'água, nadar, navegar e caminhar pelas trilhas do parque é um belo programa para o sábado ou domingo.
Publicamos a seguir um poema que a colega Sandra, uma das pessoas que nos indicou este lugar paradisíaco, mandou a esta Confraria em homenagem à postagem "Navegar é Preciso" do dia 12/07/2010.


Tchê no Planalto Central

Coração gauchesco cansou de gauderiar,
Tal qual bagual domado,
Agora estava encabrestado,
E só queria amar.

Assim amando e sendo amado,
Veio parar no cerrado.
Guardando lembranças em sua memória
Tentando fazer sua estória.

Rumou para a cidade avião,
Brasília, sonho de Jk,
Ainda que R.Russo dissesse: Neste país melhor lugar não há,
Nada o fazia esquecer-se de seu rincão.

Saudades teve de lá,
Jaguarão era bom de viver,
Ainda que aprochegado ao seu bem querer,
Queria voltar para àquele lugar.

Trocou seu sombreiro negro com barbicachos presos ao queixo,
Por um “El Fino” ou Panamá,
E não andava no puro desleixo
Às margens do Paranoá

Reconhecemos não só o gaúcho forasteiro
Por sua cuia e canudo de prata,
Mas por ter oferecido ligeiro
Uma amizade tão grata!



Sandra Cardoso


Brasília , 16/07/2010.




Orquídea do Cerrado - Foto J. Passos

terça-feira, 20 de julho de 2010

Asas, garras e sonhos

Ícaro - Cleber Carvalho

Tinha asas. E pensar que todos nós, caídos do céu, já tivemos asas.
Tinha asas, não como as de um pássaro precipitado ao precipício,
Resistindo ao vento, irresistível sopro.
Tinha asas, não como as de um anjo, imperfeição perfeita,
Solidão desfeita pela vida eterna.
Tinha asas, não como as que batem fortes, sustentando o corpo,
Imitando as luzes que imitam o tempo.
Tinha asas, não como voluntário apêndice, fantasia crédula,
Poder infinito sob olhar brilhante.

Tinha garras. E pensar que todos nós, única origem, já tivemos garras.
Tinha garras, não como as que sangram presas, necessária luta,
Amoral disputa pela luz do sol.
Tinha garras, não como as que prendem e soltam, liberdade efêmera,
Prisão passageira a caminho, a caminho.
Tinha garras, não como sedução desperta, sussurrar malévolo
Que provoca pânico, convulsões de amor.
Tinha garras, não como defesa lógica, atuar certeiro,
Álibi bendito a esperar momento.

Tinha sonhos. E pensar que todos nós, papéis em branco, já tivemos sonhos.

Tinha sonhos, não como delírios súbitos, loucuras secretas,
Obscenas faces ocultas da vida.
Tinha sonhos, não como matéria ampla, fronteiras largas,
Caminho envolto em mantas e pedras (arredondadas).
Tinha sonhos, não despertos ao acaso, prolongada hora
De sabor ardente, de ardor urgente.
Tinha sonhos, não de indecifráveis símbolos, de irrefletida face,
Obscura fonte de mensagens certas.

Tinha asas.
Tinha garras.
Tinha sonhos.
Tinha medo.
Edson Martins

segunda-feira, 19 de julho de 2010

CARLOS DO CARMO, UM HOMEM DA CIDADE

Fados, filme imperdível de Carlos Saura num dos seus momentos mais marcantes!

CHORANDO NA BANDA ORIENTAL

Sovaco de Cobra leva o choro à cultura uruguaia


Repertório recebeu outra roupagem

O primeiro CD, gravado em 2007, de alguma forma parou nas mãos do produtor cultural uruguaio Agustin Perrier. No trabalho instrumental do Sovaco de Cobra estavam regravações de compositores clássicos da música brasileira - como Chico Buarque, Tom Jobim e Pixinguinha - em arranjos que valorizam o choro e o samba. Encantado com a peculiaridade, Perrier propôs ao grupo uma turnê pelo Uruguai. Convite aceito. Mais uma vez, o pandeiro de Jucá de Leon, a flauta de Gil Soares e o violão de sete cordas de Silvério Barcellos se juntaram para preparar um repertório especial, que será mostrado às 21h desta quinta-feira (15) no Porto do Chopp, em uma espécie de ensaio geral pré-turnê.Os músicos devem pisar em solo uruguaio já na próxima quarta (21), quando fazem o primeiro show no Centro Cultural Bastión del Carmem, na Colônia do Sacramento. Este, aliás, já está esgotado, o que levou o produtor a marcar novo espetáculo para quinta. Na sexta, o trio segue para Juan Lacaze - pequena cidade a 120 quilômetros da capital uruguaia - onde se apresenta no Teatro Dom Bosco. No Uruguai, os compromissos do trio terminam no sábado, em show a ser realizado no Teatro Lindolfo, em Montevidéu. Após período de descanso de quase um mês, na segunda quinzena de agosto o Sovaco levará seu som ainda mais longe: é vez de Buenos Aires conhecer a brasilidade do trio.

Por: Luísa Roig Martins - luisa@diariopopular.com.br
http://www.diariopopular.com.br/site/content/zoom/detalhe.php?noticia=1771

Petrobras Cultural: oportunidade para novos artistas

Divulgamos post do Blog Produtor Independente . Uma chance para os novos artistas que pretendem divulgar seu trabalho para todo o Brasil.


Programa Petrobras Cultural está com inscrições abertas numa área de seleção pública destinada ao download de música pela internet. O objetivo desta área é alcançar novos artistas. A área de GRAVAÇÃO PARA DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET patrocinará com até 50 mil reais projetos de gravação de música brasileira para disponibilização gratuita pela internet. Para quem quer se inscrever no PPC/Música e está na dúvida se deve colocar seu projeto na área de Gravação de CD ou nesta categoria de Disponibilização pela Internet, é importante atentar para o fato de que na área de Disponibilização pela Internet o regulamento não exige nenhum background do artista, não é necessário ter uma obra constituída ou reconhecida em nenhum nível ou meio musical. A única exigência é de que a obra seja autoral e não editada. Enquanto isso, na área de Gravação de CD (e de Turnês de Shows/Concertos também) é preciso que o artista já tenha reconhecida relevância cultural, demonstrada em trabalhos anteriores. Isto quer dizer que se você é um artista novo, você deve inscrever seu projeto na área de GRAVAÇÃO PARA DISPONIBILIZAÇÃO PELA INTERNET. As inscrições estarão abertas até 23/07/2010 no site da Petrobras (www.petrobras.com.br/ppc)

http://produtorindependente.blogspot.com/2010/07/arregace-as-mangas-e-grave-seu-primeiro.html

domingo, 18 de julho de 2010

República Xavante DF

Garra Xavante,
Com chuva ou com Sol,
Vai de poncho ou Guarda-Sol,
Sempre unida, sempre avante!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

AMOR DE FIANDEIRA



Aranhame

Nas diagonais,

tecendo tua teia sobre mim,

obliquamente, te amo ,

verticalmente, me submeto ,

retilíneo, te acalmo ,

esférico, me aninho ,

agudo te penetro,

pendulares, gozamos,

paralelos, rimos,

superpostos,

dormes e durmo em ti.





Jorge Passos

MÚSICA: "VOLUME UM"

Boa Música da terra, Planeta Terra!


Servidor da DRF Passo Fundo lança CD
29 de junho de 2009

Raul Schleder Boeira é ATRFB da DRF Passo Fundo e em novembro deste ano completará 30 anos na RFB, onde ingressou como Agente Administrativo.



Em 2008, resolveu lançar seu primeiro cd "Volume Um". Para produzi-lo, convidou o velho amigo Dudu Trentin, pianista que atuou em Porto Alegre nos início dos anos 80, com o grupo Cheiro de Vida, Nei Lisboa, Vitor Ramil, e hoje vive na capital carioca, integrando o quadro de arranjadores da Rede Globo, além de tocar nas bandas de Marina Lima e Paula Morelenbaum.
O disco tem sambas, ijexá, xote, baião, partido alto, toada, além de candombe e milonga. O repertório traz doze canções: O poder da benzedura, Negro coração e Clariô (ambas em parceria com Alegre Corrêa), Oferenda, Doutor Cipó, Na beira do rio, Pro pandeiro não cair, Minha reza, Castelhana, Com o azul nos olhos (parceria com o porto-alegrense Mário Falcão), Tataravô e Laranjeira.



Estão no disco alguns dos melhores músicos brasileiros: Ricardo Silveira, Lula Galvão, Celso Fonseca, Torcuato Mariano, Julio Herrlein, Fernando Caneca e João Gaspar (violões e guitarras); André Vasconcellos e André Rodrigues (contrabaixos); Alex Fonseca (bateria); Sidinho Moreira e Firmino (percussões); Marcelo Martins (flautas); Léo Brandão (acordeom); Glauco Fernandes (violinos); Barbara Mendes, Juliano Cortuah, Nina Pancevsky e Lu Duque (vocais).
O álbum foi gravado no estúdio Nas Nuvens (RJ) por Vitor Farias que, segundo Raul, "é um dos melhores técnicos de som do país". Ele salientou ainda, que "o projeto gráfico, no formato digipack, foi criado por Jeferson Lorenz, designer da Universidade de Passo Fundo.

O cd foi fabricado pela Microservice (Manaus) e pode ser solicitado pelo e-mail raulboeira@gmail.com
Raul Boeira convida todos a ouvirem algumas canções do Volume Um no endereço
www.myspace.com/raulboeira.

Retirado do: Informativo da 10ª Região Fiscal (RS) nº 19/2009 - Cultura
Jorge Passos

quinta-feira, 15 de julho de 2010

ESTUDOS DE DIREITO DE AUTOR


O Grupo de Estudos em Direito Autoral e Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (GEDAI/UFSC) lança, hoje, o livro “ESTUDOS DE DIREITO DE AUTOR – A revisão da lei de Direitos Autorais”.
Com o lançamento da obra “ESTUDOS DE DIREITO DE AUTOR: A REVISÃO DA LEI DE DIREITOS AUTORAIS”, o GEDAI/UFSC busca contribuir com os debates e reflexões, trazendo as análises de especialistas do Direito Autoral que traduzem o pensamento jurídico nacional, nas suas mais variadas matizes.O livro pode ser baixado clicando na imagem abaixo ou neste link aqui:
Contribuição Raul Boeira

UN BALCÓN EN MONTEVIDEO

Foto:Raul Garré
Sob tua janela escrevo versos,
Que caem do céu feito pingos luminosos.
À meia luz aumenta o teu encanto,
Imagino passos descalços pela casa.


A noite cai aos poucos,
As nuvens anunciam a chuva próxima.
Eu me aproximo de você sob a tua janela,
Sob pensamentos tão dominadores quanto o teu olhar.

O vento não trouxe o teu perfume,
Nem meus olhos tiveram a felicidade de te encontrar,
Junto os meus cacos na calçada,
E carrego comigo.

Pode ser que em breve eu possa precisar.

Daniel Moreira.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

POEMAS CHAGAS POEMAS CHAVES



Abalado / reticente

Assim,
na estrada mesmo,

onde se está pra ser,
Faltou-me o ar,

Eh!

Fechei mais ainda a boca,
tranquei a respiração...
e não fui.


- quis ir, mas não pude!

Agora,

“La rueda del hambriento”:
Dá-me um pedaço de pão...,
de perdão, sei lá do que!

“Mas, dá-me”!
A eternidade da lamentação...



Sérgio B. Christino




Obs.:
"La rueda del hambriento" , Poema de Cesar Vallejo, poeta peruano (1892-1938).


terça-feira, 13 de julho de 2010

SANCHO, AMIZADE E SABEDORIA POPULAR


Elegia a Sancho Pança


Por ti, Sancho Pança, foi criada a palavra lealdade
E foi mais alto e mais real o valor de uma amizade
Que uniu dois seres na mais insólita aventura...

Por ti, que eras ninguém e, no entanto, tudo eras
(Pois fostes a terra que sustentou as vãs quimeras)
Nasceu a lenda do Cavaleiro da triste figura...

Eternamente andarás pelos caminhos de Espanha
Junto a D. Quixote, a acompanhá-lo em sua façanha
De sagrar-se, dentre todos, o maior dos cavaleiros

Pois desde então, na alegria, na tristeza ou no perigo
Sempre que alguém quiser saber o que é um amigo
Recordará a Sancho Pança,o mais fiel dos escudeiros.

Martim César Gonçalves
___________________________________________________________________________________________
Este poema faz parte do livro "Dez sonetos delirantes(e um Quixote sem cavalo)" de Martim César Gonçalves, publicado em 2006 . Se você tem interesse em adquirir esta obra visite a pagina : http://www.martimcesar.com.br/como-comprar.htm .
Sobre a temática da parceria mais cativante da literatura ocidental, Don Quijote y Sancho Panza, recebi valiosa colaboração do amigo Ademar Freitas, o Coroafera de Criciúma, que comparto com voces, artigo de Santiago Real de Azúa na página do BIDAmérica:
Jorge Passos

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Navegar é preciso!

Viver também é preciso!
Sábado , dia dez de julho, levantamos âncoras mais uma vez.
Enquanto os demais Confrades curtem o frio do sul,
Foguito na lareira, una copa de vino,
Por aqui, no Planalto Central,
Aproveitamos o que JK realizou.
Gracias Presidente por ter feito este laguinho
Prum gaúchito de Jaguarão navegar !

Rumbo a la aventura con Sancho Coroafera
y mi amada Dulcinea Analva del Toboso!


Coroafera! Marzinho de Criciúma!

sábado, 10 de julho de 2010

Aos coletadores de Lixo

Além de reverenciar os catadores de lixo, preservadores da natureza com seu trabalho, este texto é uma homenagem a todos os que, mesmo não sendo a literatura ou as letras sua ocupação, ou ofício preferido, têm, no seu dia a dia, que exercer a crítica literária.
Afinal, recebemos nas nossas caixas milhares de mensagens, conselhos, piadas, poemetos, texticulos...e temos de escolher aqueles que guardaremos, os que vão para a lixeira e até mesmo os que deletamos sem ler...volta e meia nos deparamos com alguma pérola ou pelo menos, algo comparável a uma cobiçada latinha de cerveja reciclável....que merece uma pasta especial...quién lo duda que para ustedes no pueda ser esto...
LIXÃO



Como me havias pedido
Amassei todos os nossos poemas, canções, hai-kais,
Que falavam de amores secretos,
E joguei no lixo.
Junto com os dejetos da cidade
Embarcaram e foram triturados.
Mesclaram-se, esperam a decomposição.



Mas, antes desta fatalidade,
A força da palavra parece que revoluciona a fedentina!


Uma azeda caixa de leite Danby
Se enruga toda ao ouvir de um
Desbotado tubo de Avanço:
“- eu tremia- e amava-
As estrelas me miravam
A noite dormia
E eu pensava em ti”.

Entre o monturo,
Ressoa o eco das garrafas de plástico
Recitando para um bando de vasilhames de cartão:
“Vem e sente meu cheiro de mulher, tua, nua,

Esperando você no alvorecer a revelar-se em mim”.

Um sapato velho, como não poderia deixar de ser,
Cantava a uma meia rota:
“Se não eu quem vai fazer você feliz”.

O que restou de um pernil de carneiro, já em putrefação,
Sussurrava a uma coxa de galinha estragada:
“De que me servem minhas pernas,
Se não me conduzem no caminho dos teus passos
Nem enlaçam em abraço tuas coxas sensuais”?


De longe, um escovão de aço já careca,
Gritava angustiado a uma tampa de panela enferrujada:
“Que força cósmica nos colocou nesta distancia”?


E todos...todos - desde o mais reles saquinho de nylon
Até a mais cobiçada lata de cerveja reciclável -
Todos liam e repassavam nossos fragmentos de paixão despedaçados.

E assim, daquela matéria em processo de corrosão
Elevou-se um murmúrio, quase uma sinfonia
Impregnando de vida o aterro sanitário.

Neste dia
Quem vive (e se alimenta) da coleta e separação destes resíduos,
Em solene atitude de respeito

Não trabalhou.

Jorge Passos

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Marco Aurélio Vasconcellos - Canto dos Pássaros


Há cantores que estão além de regionalismos, tradições, movimentos, estilos. Vozes que entram em sintonia com a nossa alma. Manifestações de algo que não sabemos o que é, mas reconhecemos. Como o canto dos pássaros. Soam em nossa alma e nos acompanham desde que o tempo é tempo. Marco Aurélio Vasconcellos é um desses pássaros. Mas é claro, há que se deter para escutá-lo. Não é para ouvidos repletos de buzinas ou máquinas de escritório. Ou é. Desde que tenhamos essa sensibilidade interiorana que todos trazemos, mesmo que seja dos nossos pais ou avós. E se – em apenas uma hora das nossas vidas – silenciarmos para ouvi-lo, entenderemos o mundo que está nos livros de Cyro Martins ou de Aldyr Schlee, e que chamamos de campanha real. A do gaúcho a pé. A de Don Sejanes. A dos Quixotes pampeanos que jogam osso com bombacha e alpargata. E a dos que andam de chinelo de dedo rigoreando os frios de inverno em épocas de semeadura, ou aguentando os mormaços de verão em comparsas de esquila, esporeando a pobreza. E a dos joões ninguém de fundo de campo, posteiros de estâncias cujos patrões estão nas capitais: ‘homens sofridos que trabalham o dia inteiro, tão verdadeiros que jamais negam a mão’. E os Don Verídicos do uruguaio Juceca: ‘gauchos’ engraçados que tomam, no final das tardes, as suas puras em algum bolicho de beira-estrada.
E foi esse mundo, real e que está logo ali, um pouco além das cidades, que se ouviu na Casa de Cultura Mario Quintana, no teatro Bruno Kieffer, em Porto Alegre. Em uma sala surpreendentemente repleta. E o que não surpreendeu foi ver, após a apresentação, a emoção de muitas pessoas que deram testemunhos do quanto aquelas canções os fizeram viajar no tempo e no espaço. Por tudo isso, a primeira estrofe da primeira canção, explica o que não necessita explicação:


É muito antigo meu canto
Bem mais antigo que eu
Pois todo verso que planto
Veio em mim... mas não é meu!

Martim César Gonçalves

FOG

Foto Alencar Coelho

Outono cinza


Tardes cinzentas de outono,
Folhas e sonhos esparramados pelo chão.
Lágrimas de chuva sobre um coração sem dono,
Esquinas geladas no lado b dessa estação.

Olhares se cruzam na rua da amargura,
Sorrisos escondidos atrás de semblantes artificiais.
Um poema explícito, sem censura,
Uma caricatura daqueles sentimentos superficiais.

Uma fraqueza, uma nova estação,
A certeza de uma triste solidão,
Ao ver a paisagem sem cor.

Tenho medo de morrer por este amor,
Que perdeu as folhas com o fim do verão,
E coloriu com tons de cinza a minha dor.

Daniel Moreira

Fotos Show "Da mesma raíz"

Show na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre


Apresentação na I Pedra da Palavra - Jaguarão

terça-feira, 6 de julho de 2010

Paixão - Uma visão pra lá de otimista

El Beso - Rodin
A paixão!

Essa promessa de alegria
Essa certeza de saudade

Alegria ilusória da carne
A desilusão do músculo
Um osso duro de roer
Um sangue vermelho derramado

A paixão é o olho cego da alma,
É duelo que sempre se perde
É dor que sempre se ganha
Onde "todos os ais são meus"

A paixão é, ao fim e ao cabo,
Um gesto nobre do Diabo,
Uma maldade de Deus!

Jorge Alfredo da Rosa Missaggia

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Surrealismo além das fronteiras

Salvador Dalí - A Tentação de Sto Antonio - 1946

"O surrealismo tem sido a maçã de fogo na árvore da sintaxe". ( Octávio Paz)

Andei lendo o livro do Luís Buñuel, "Ultimo suspiro", comprado no Sebinho, aqui em Brasília, para tentar entender um pouco os filmes "Cão Andaluz" e "Idade do Ouro", ícones do surrealismo. Para quem quiser aprender um pouco sobre o tema do surrealismo no cinema esse é um documento fundamental. O conceito que atingi após a leitura é de que a obra Surrealista não é para ser entendida, é para ser sentida, e se for sentida da maneira mais chocante possível, o objetivo do artista surreal foi atingido.

Andava portanto, com essas ideias na cabeça, quando fui convidado para fazer parte do Encontro Literário " I Pedra da Palavra " em Jaguarão, 26 e 27 de junho, evento que antecipa a próxima Feira Binacional do livro que será realizado em novembro. Ocorreu-me prestar homenagem a dois grandes compositores e poetas da cidade, Hélio Ramirez e Martim César , recitando deles, poemas que me parecem profundamente surreais e que fazem parte do CD Caminhos de Si.


Ei-los:

Pesadelo (Hélio Ramirez) e Delírio (Martim César)


Acordei mais irreal do que real
Sonhando em pingar pingos de mel
E uma espada surgiu por tras dos cirrus
Cravando minha língua num bornal, animal!

Animal , Inquisidor, patas geoméricas
Boca da noite, dedo duro , mão de Algoz
Pos-me em leilão, me desfez em yogurte,
Yogurte, requeijão coloidal!

E vi minha hora então chegar
Gog, Magog, chocalho , cascavel
E um rio de massas Isabela
Num assombro me levou num turbilhão!

Deliro! E em meu delírio, feito um doido, eu pressinto
Que hoje me encontro sob as regras de outro plano
Onde só digo a verdade, na verdade, quando minto
Onde o tempo não existe e a vida é um grande engano

Um minotauro corre a esmo em seu infindo labirinto
Temeroso de encontrar, outra vez, um ser humano
Há milênios não compreende seu destino desumano
De viver em um pesadelo e morrer por ser distinto

Fera ou homem? Neste quadro em que eu me pinto
Pouco importa. São tão iguais logo após cair o pano
E se eu sou ambos, toda a dor que imponho e sinto

É duplicada pelo espelho, onde vejo um ser extinto
Quero voltar à realidade, mas é tarde!... O cotidiano
É um vampiro confundido entre sangue e vinho tinto.

E ri , como ri um Fariseu
E chorei feito um bezerro desmamado,
Pulei o muro do inconsciente feito um gato
E me refiz , como uma bola de sabão!

Jorge Passos

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Festival de Jazz de Pelotas



Vale a pena conferir este festival. Presença do grande músico uruguayo Hugo Fattoruso .
Reproduzo matéria do Diário Popular de 01/07/2010 com as informações:

Foto: Divulgação


Boa música
Começa nesta quinta-feira o Festival de Jazz de Pelotas

Uruguaios apresentarão o candombe


Como uma língua aberta a infinitos sotaques, o jazz é o idioma universal da música. Seja ele norte-americano, africano ou latino, a gramática - esta, sim, comum a todos - é a própria liberdade de expressão. Aqui ou acolá, usando uma diversidade de instrumentos, o som traz à tona a verdadeira essência da música nascida nos subúrbios dos Estados Unidos. Aqui, no sul do Brasil, esta quinta-feira (1º) será dia de fazer o jazz acontecer. De improvisos a canções clássicas, os shows do 1º Festival de Jazz de Pelotas serão uma verdadeira viagem cultural, em que todos os sotaques irão se encontrar. Na noite de estreia, os hermanos uruguaios Hugo Fattoruso e Rey Tambor darão o tom do espetáculo com a música afro-latina no Theatro Guarany. Antes, as cortinas abrem às 19h30min com o show de Gilberto Oliveira.Estrada é o que não falta ao montevideano Hugo Fattoruso, pianista renomado dentro e fora do Uruguai. Há dois anos mergulhado em uma nova experiência, ele embarca com toda sua bagagem para a empreitada junto a três jovens músicos: Diego Paredes (tambor piano), Fernandito Núñez (tambor chico) e Noé Núñez (tambor repique), todos também de Montevidéu. Com três álbuns lançados, o grupo Hugo Fattoruso & Rey Tambor vem a Pelotas mostrar o seu jeito de fazer música: o Jazz Candombe.Confira mais informações sobre o 1º Festival de Jazz na edição impressa do Diário Popular desta quinta-feira (1º).ProgramaçãoQuintaShows (a partir das 19h30min)Gilberto OliveiraHugo Fattoruso & Rey TamborSextaWorkshop no Conservatório de Música UFPel com:Hermeto Pascoal (a partir das 15h)Shows (a partir das 19h30min)QuebraceiraGeraldo Flach e QuintetoSábadoShows (a partir das 19h30min)Celso KrauseHermeto Pascoal e grupo(A programação de shows será realizada no Theatro Guarany, sempre a partir das 19h30min)Ingressos: passaporte para as três noites, R$ 60,00, estudantes e idosos pagam R$ 30,00 e assinantes do Diário Popular e acompanhantes pagam R$ 54,00. O ingresso avulso custa R$ 30,00 por noite, com 50% de desconto para estudantes e idosos e 10% de desconto para assinantes do DP e acompanhantes. Para comerciários, o avulso custa R$ 5,00.
Por: Amanda Santo - amanda@diariopopular.com.br


http://www.diariopopular.com.br/site/content/zoom/detalhe.php?noticia=1694