quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Amor da Rua do Cordão

Já me lembro certa feita, nos idos de mil novecentos, quando ainda as terras do sul não sabiam que a liberdade era para todos e dos porões da casa grande nasciam histórias, ouvia-se na praça, os barulhos contínuos, ritmos da palha e da flanela firmes que deslizavam como uma mão suave! O sapateiro lusitano... não qualquer! Mas, aquele que veio de além-mar, procurando uma nova terra, um novo horizonte!

Achou-se por aqui, quedou-se por aqui... Era ela o motivo! Escrava de origem. Tratada ao longe das aspas de quem tem nome grande e sangue azul, ainda sob o jugo da escravidão, em um tempo em que a cor da pele obrigava e forçava a todo tipo de indignidade.

Aquela do sangue escuro, alforriada pela mão do seu amado lusitano, vê diante de si, aberta pela mão suave de seu esposo, a porta da dignidade social. Sim! A morena jambo lustrou e cuidou do brilho de seu novo senhor! Suas vidas misturam-se, amordaçando todo preconceito e estranhamento da vida cotidiana da então pacata terra do Jaguarú, que não suportava tal feito. Ele cumpre o que prometera: tira-a da escravidão, deixa-a livre! Ela, encantada por seu novo senhor, já novamente assume outra escravidão amiga, casa-se com seu agora senhor de liberdades e carinhos.


O tempo passou, a história da escrava de mãos suaves continua cravada entre as pedras da rua de chão batido, de nome Cordão. Ao passar pela casa antiga, nenhum vivente imaginaria tamanha trama, nesta pequena rua do Cordão. Das amarras da dor, para o cordão faceiro, coisas de gente que abre a porteira quando a oportunidade aparece como visita, mas acaba adotada para sempre. Hoje ainda resta o fruto do amor. Já velha pelo tempo, já querida por aqueles que amam os amores que não seguem as linhas brutas da razão.  

Magnum Patrón Sória


Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Meridional em 21/01/2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

1865: Sesquicentenário de uma epopeia


No dia 27 de janeiro de 2015, data do Sesquicentenário dos acontecimentos de 27 de janeiro de 1865, o Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão e a Academia de História militar Terrestre do Brasil/RS, convidam para o lançamento da obra "1865", de autoria de Eduardo A. de Souza Soares a realizar-se na sede do IHGJ, à rua Marechal Deodoro, número 874, as 21 h.

O livro conta com 208 páginas ilustradas com a memória completa da resistência ao "Ataque Blanco a Jaguarão em 27 de janeiro de 1865".

Mais uma obra de inestimável valor  para a história de Jaguarão por parte do escritor Eduardo A. de Souza Soares, Patrono da última Feira Binacional do Livro.

Florêncio, Vigário pelos quatro costados

Dedico a coluna desta semana a um grande amigo de meu pai e minha família, meu Padrinho, Padre Florêncio Lunelli. 

Para regozijo da comunidade de Jaguarão, querido e admirado por todos,  ele retornou à nossa cidade para fixar moradia na Casa Paroquial da Matriz do Divino. Recupera-se com êxito de alguns problemas de saúde. Nada demais, velhice, disse-me ele.  

Há alguns dias, manuseava seu livro, “Memórias de um vigário”  editado em 1990 e planejei publicar um de seus contos aqui no Gente Fronteriça. E nada melhor do que faze-lo agora, quando está aqui conosco, na terra que tanto ama. 

Reproduzo as palavras do saudoso Cura Vicente  Ramos no prefácio do citado livro, para definir o Padre Florencio. “Es vigário por los cuatro costados. Ser vigário no es una profesión, es una vida, es un sublime destino y un verdadero desafío. Quizá una de las vocaciones más comprometidas y profundamente humanas, porque el vigário no tiene horarios, no se aposenta, y todos sus minutos están envueltos y dominados por su sublime misión”.    

Vamos ao causo escolhido,  o qual revela um dos seus grandes divertimentos, a pescaria, e que tem por título: Põe Cachorro Nisso!

Um dos fracos do vigário é a pescaria. Se os deveres lhe permitissem, iria pescar pela manhã e, se o convidassem à tardinha, ou à noite, lá estaria correndo de novo.

Com seu companheiro Joãozinho, de mais  de oitenta anos, hoje falecido, lá foi ele para as bandas do Juncal, no açude de um grande amigo. Com a devida licença e prazer do dono, se instalaram  nas suas margens. Lançadas as linhas, presas aos guizos e sininhos que indicavam as primeiras “mamadas” do peixe e fazem o pescador atento à disparada para a fisgada, foram surpreendidos pela chegada do proprietário, seu Edgard. Trazia-lhes além da costela, o assador. Que cavalheirismo, delicadeza e amizade.

É claro que, enquanto assava a apetitosa carne de ovelha o seu Xisto (este o nome do empregado) mandava os seus tragos de caipirinha. Faz parte do ritual.

E entre os “causos” que se contavam, narrou: “Certa feita, lá pelas alturas de São Diogo (fronteira do Uruguai com Herval) apareceu tanto cachorro comedor de ovelhas, que, escondido num mato, matei pra lá de cem”! Foi então que o seu Joãozinho não se conteve e numa risada gostosa que quebrou as trevas da noite, arrematava: “eta mundo velho, bota cachorro nisso”!

Sempre se ouve contar que caçador e pescador são mentirosos. Não é que mintam. É que, “quem conta um conto, sempre acrescenta um ponto”. Daí, porque tanto os números, quanto as medidas e os tamanhos aumentam.


Aliás, quem passaria uma noite, às vezes em meio a uma mosquitama furiosa, inconveniente e perseverante, sem contar as suas estórias, espantando o sono e esperando o tilintar das campainhas, anunciando que um jundiá ou uma traíra estão querendo disparar?  

Jorge Passos   

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 14/01/2015


sábado, 17 de janeiro de 2015

Pesquisa Estética - Fluxo



O Roteiro do Curta-metragem FLUXO alterna cenas do Cotidiano de Lóri X Cenas do estado emocional da Personagem. Ao se descobrir gerando uma vida, Lóri desenvolve os cinco estágios do luto (Modelo de Kübler-Ross): Negação, Raiva, Barganha, Depressão e Aceitação. Esse ensaio busca referências visuais para a construção das cenas do Estado Emocional da Personagem, a partir de cada um dos cinco estágios.

Sinopse
Fluxo é um curta-metragem de ficção que será realizado na cidade de Jaguarão/RS . O filme acompanha a vida e rotina de Lóri (24 anos) uma mulher que ao se descobrir grávida desenvolve os cinco estágios da Morte/Luto e não consegue compartilhar o segredo com ninguém. Uma funcionária que trabalha na Zona Comercial (FreeShop) entre Rio Branco/Jaguarão. Uma mulher comum no meio do fluxo diário de pessoas atravessando a Fronteira. Uma vida que observa todos os dias os o fluxo do Rio que Separa-Une as Fronteiras entre Brasil e Uruguai.

Disciplina: Seminário de Produçåo Cultural, Comunicação e Audiovisual
Discentes: Ana Barbara Klenk Serra, Leandro Vieira de Amorim, Luma Reis Ferreira, Marcela Hernandes Pedreira, Marjorie Mendonça C. Fernandes e Magno da Costa Paim.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

OS INFERNAUTAS

Reconheço que não são conhecidos com esse nome porque assumiram a forma humana e se fazem chamar pelos nomes mais comuns, conforme o lugar em que estão. Eles, hoje, são em número considerável e seu habitat é, praticamente, o mundo. Até hoje vi muito pouca coisa que coíba suas ações cada vez mais nefastas para os seres que habitam o nosso planeta. Naqueles países onde há mais controle social, eles têm mais dificuldade em disseminarem suas infernices, mas, mesmo assim, agem, embora com menos intensidade.

Os infernautas intensificam suas ações nos períodos em que as pessoas estão mais predispostas à tolerância, que, no caso brasileiro, são, principalmente, os dias dedicados às férias, que ocorrem geralmente no verão, em locais onde as pessoas pretendem descansar sem preocupações que as afligem durante o ano, como trabalho, escola, pagamento de prestações, etc.. Durante as outras estações do ano, eles atuam mais discretamente mas, igualmente, não deixam de agir. Naqueles países onde suas ações nefastas são mais controladas eles tem mais dificuldade em disseminarem suas infernices.

O pouco que sei deles é que foram criados por um poderoso cientista habitante de um planeta muito mais adiantado do que a nosso com a finalidade de destruir os habitantes de um determinado planeta inimigo. Eles foram mandados para lá de forma disfarçada e acabaram destruindo aquela civilização à força de terem enlouquecido os habitantes do planeta. Na verdade, o método que aplicaram foi de infernizar a vida deles até que os próprios acabavam se suicidando porque não suportavam mais viverem com a presença deles. A verdadeira missão deles era, na verdade, a de “infernizar” a vida daquelas pessoas até conduzi-las à morte por uma espécie de enlouquecimento induzido. Daí o nome “infernautas”, que lhe foram aplicados pelos policiais interplanetários encarregados de capturá-los. O objetivo foi conseguido após alguns anos. O que aconteceu, então, é que, logo após esse fato, o criador deles perdeu o controle sobre eles por uma falha do sistema e eles abandonaram aquele planeta e se dispersaram, sem qualquer controle, por toda nossa galáxia. Alguns deles vieram parar na Terra e, aqui, devido a terem encontrado boas condições acabaram se multiplicando em grande proporção. O risco é maior porque eles têm uma grande capacidade de reprodução, isto é, a cada ano aumenta seu número e, portanto, cada vez será mais difícil exterminá-los.

Para que possam identificá-los melhor e saberem que precisam tomar alguma providência senão podem acabar tendo o mesmo destino da civilização extinta naquele planeta, vou descrever alguns comportamentos que eles assumem quando estão travestidos de humanos. Gostam de escutar música bem alta (o maior volume possível de um aparelho potente) e, de preferência, um som repetitivo e monótono. Às vezes a letra é praticamente inaudível porque, normalmente, é em língua diferente do país em que estão infernizando. São capazes de escutarem a mesma música desde que se levantam até a hora em que caem na cama (literalmente). Ingerem muita quantidade de bebida alcoólica. Uma de suas diversões prediletas é praticarem essas “anti-humanidades” nos horários de descanso das pessoas normais, como, por exemplo, ao meio-dia ou pela madrugada quando todos dormem. Quanto maior o número de humanos que são molestados, maior é o prazer que conseguem alcançar. O metabolismo deles funciona estimulado pelo mal que forem acumulando durante “suas infernices”.


Estamos bem na época em que os “infernautas” costumam intensificar suas ações. Portanto, quando identificar algum membro dessa espécie, se não conseguir afastar-se dele, certamente sofrerá graves consequências em sua vida normal. Não conheço alguma providência que seja realmente eficaz para nos livrarmos dos “infernautas”. Quando algum cientista descobrir alguma fórmula que atinja tal objetivo, provavelmente haverá ampla divulgação para o bem de toda a humanidade. Por enquanto, só nos resta esperar...ou rezar (os que acreditam, é claro)!

Wenceslau Gonçalves

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 07/01/2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A magia da Lagoa

Foto: Portal del Lago Merin
 
por vicentepimentero

O apêndice da Lagoa Mirim que nos pertence como balneário de uruguaios e brasileiros no país vizinho, esconde-se em um dos paraísos mais incríveis e naturais por que não dizer da América Latina. É claro que, padrões estéticos à parte, poderia ser um destino turístico melhor balanceado, ora por sua capacidade de carga, ora pelo respeito ao meio ambiente. 

Há contradições quanto a suas belezas naturais justamente pelo impacto irreversível desse turismo de massa, que passa pela vida sem dar-se de conta, assim como pela lagoa, sem dar a ela o merecido valor. Mas como tudo na vida não são flores, ainda convivemos com essas afrontas de comportamento social que destoam com o que se quer para o nosso entorno. Quando digo o que se quer, me auto intitulo porta voz daqueles que vivem a lagoa desta maneira apaixonada, onde a relação homem e natureza atravessa os limites da preservação, seja ela, através do respeito à dita natureza ou, apenas, à contemplação da mesma. 

Fraldas usadas e jogadas na areia à parte, pode se dizer que a Laguna continua apaixonando a todos e as quantidades de famílias e pessoas que escolhem o balneário como sua casa, decidem ir morar por lá, crescem dia a dia a diversidade de sua vegetação, seja ela nativa, de médio ou grande porte, seja ela caseira, através de plantas, jardins, e amor ao meio em que se vive. 

Na lagoa a regressão de pássaros, a diversidade biológica, e o contato explícito com a natureza fazem com que qualquer pessoa se encante à primeira vista, olhar, sentir, cintilar. Os poucos quilômetros que separam o charco d'água doce do mar, trazem um ar holístico com energia pampeana que apazígua qualquer alma batida que por ali se aprochegue. O luar, assim como o pôr do sol são os mais lindos que já vi, e olha que me dedico a isso. Na lagoa o tempo é outro, naquele rinconcito al este del Uruguay, as plantas florescem com sabor a vida pura, os mais lindos pássaros te visitam na hora do chimarrão, e quando a madrugada entra os jovens se entorpecem de noite na areia tíbia onde abunda a água límpida pelos juncos. 

Para ser Lagunero basta somente saber algumas coisas, entre elas, que ali habitam seres totalmente apaixonados e entrelaçados com a natureza. Vou usar uma frase que meu caro amigo Odyr publicou, há muitos anos atrás, quando falava do meu primeiro bar, lá na cidade de Pelotas...."vá, mas não avise os Alliens"

Publicado no Jornal Meridional , edição de 07/01/2014

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Jaguarão: Asfaltamento das Ruas Santos Dumont e Gustavo Guimarães é concluído

Principal via de acesso ao Cemitério Municipal, a Santos Dumont recebeu pavimentação
e passeio público

Os moradores das Ruas Santos Dumont e Gustavo Guimarães terão muito que celebrar neste final de ano, pois foi concluído o asfaltamento das vias que levam ao Cemitério Municipal e que liga os bairros Germano e Kennedy, um total de 2 km, que recebe, além do asfalto, passeio público e macrodrenagem.
 
De acordo com o Secretário Adjunto de Serviços Urbanos, Paulo Khader, esta obra faz parte de um total de R$ 4 milhões de reais de investimentos captados junto ao Governo Federal, sendo que R$ 1 milhão é contrapartida da Prefeitura Municipal. Neste montante também estão incluídos o asfaltamento das Ruas Demétrio Ribeiro, Joaquim Caetano, Liberdade e Curupaity.

O Prefeito Cláudio Martins faz questão de ressaltar a importância do Deputado federal Henrique Fontana (PT) na articulação destes recursos junto ao Chefe de Gabinete da Presidenta Dilma, Giles Azevedo. “O Deputado Henrique Fontana tem sido incansável na articulação de recursos para a cidade, com certeza é o Deputado que mais trabalha por Jaguarão”, garante.

Cláudio também lembra que não é somente a comunidade residente no entorno das ruas asfaltadas que será beneficiada, pois a Rua Santos Dumont é a principal via de acesso ao Cemitério Municipal, onde é sepultada a maioria da população da cidade. “Tenho dito que esta obra é um símbolo da valorização dos nossos ancestrais e um ato de respeito a todos os cidadãos que visitam os seus entes queridos”, destaca.

Gustavo Guimarães liga a Germano com a Kennedy
Outro fator a ser destacado no projeto é que a Rua Gustavo Guimarães liga os bairros Germano e Kennedy. De acordo com Cláudio este tem sido o foco dos projetos de pavimentação. “ Esta é a lógica que temos utilizado para a elaboração dos projetos, focando na melhoria e qualidade de vida do povo trabalhador”.

As obras de asfaltamento da cidade tem gerado, além de qualidade de vida, uma grande frente de trabalho, garantindo renda e cidadania a muitos jaguarenses. Todos os projetos de pavimentação têm sido elaborados pelo quadro de servidores técnicos do município, como arquitetos e engenheiros, ligados à Secretaria de Planejamento e Urbanismo.


A inauguração da obra das duas ruas está prevista para hoje (23) a partir das 20 h no cruzamento da Gustavo Guimarães com Santos Dumont. Na ocasião também será entregue um caminhão de luz, adquirido com recursos próprios do município. “Esta foi uma grande aquisição, agora a Prefeitura terá mais agilidade e autonomia para realizar os reparos e trocas de lâmpadas da iluminação pública da cidade”, finaliza o Prefeito Cláudio Martins. 

Já era noite de 23 quando se cortou a fita de inauguração do asfaltamento
com a presença da comunidade e autoridades

Na ocasião, também ocorreu a entrega de um caminhão para a iluminação pública

Matéria publicada no Jornal Meridional, edição de 23/12/2014