terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Histórias do meu Barbeiro

Sábado, ante que a chuva me pegasse , passei de bike pela nova Santos Dumont. Avança o asfaltamento. Deve estar concluído ainda nesta semana. Certamente a Comunidade do Bairro Germano está contente com este verdadeiro presente de natal. Também os moradores da Gustavo Guimarães e da XV de Novembro pós BR 116. É uma das maiores obras de pavimentação que já vi realizadas em nossa cidade. Pois não envolveu apenas a colocação do asfalto, mas também a drenagem total das ruas e a confecção de calçadas em todo o trajeto. Como diz o gaúcho, de luxo!

Falando em gaúcho, esta história me foi contada pelo meu barbeiro, o Formiga. De vez enquanto faz algum bico de segurança em baile, festa, trio elétrico. Mas já está um pouco afastado dessa nobre ocupação. A idade vai chegando, a gente cansa de se incomodar diz ele. Mas, dia desses, mais precisamente durante a Semana Farroupilha, foi convidado para trabalhar num fandango da Chama Crioula . Vai ser barbada disseram. Ganhas uns bons trocos sem te incomodar. Olha, mas que barbada que nada. Chegando lá, foi meia hora e a lambança já tava comendo sem parar. Entre um entrevero e outro, me sai o chefe com um índio que media uns dois metros agarrado pelo pescoço e me grita, pega ele pelos pés porque não para de espernear! Fui agarrar o gauchão pelas patas e só senti a espora me rasgando o blusão novo de ponta a ponta. Prejuízo total, lamenta o Formiga.

E no Salão dele, além do bom e barato corte, sempre tem desses causos divertidos. Quando eu morava em Brasília, volta e meia pegava um avião pra cortar o cabelo aqui. E as amizades do meu barbeiro? Gosto dos apelidos: O Cabeça de Louça, o Rudi Camotim, que é o mesmo “Mulher de Quarenta” e outros tantos parceiros pitorescos. O Rudi Camotim ganhou o apelido de Mulher de Quarenta porque foi tricampeão do show de calouros num bar ali na Rua do Cordão cantando esse sucesso do Rei Roberto. Depois, foi proibido de competir com essa música. Não tinha graça. Até agora, ainda não conseguiu se achar com o violeiro que o acompanha numa tão boa pra repetir o feito. Não sabe bem se a questão é de tema ou de afinação.

Do Cabeça de Louça, tem a história de um baile lá pela Pindorama. Convidou o Formiga. Chegaram lá, e o nosso amigo reconheceu o lugar. De dia, borracharia, de noite, inferninho. Mas o local era de classe. Só gente boa, cerveja gelada. Só não achava o banheiro. Onde é que fica, perguntou o Formiga. Tás vendo aquela porta de geladeira Frigider? Entra por ali. Lugar de classe esse que o Cabeça de Louça leva a gente.


E a do amigo pedreiro, que chegou mostrando a jaqueta nova comprada na Joínha, vermelha com cavalo amarelinho nas costas? Vou estrear ela no baile do Instrução hoje. Vamos Formiga? Chegando lá, já na entrada, me conta o Formiga , olhei no corredor e vi um cara de jaqueta verde e um cavalo amarelinho nas costas. Fomos tomar uma ceva no balcão e vi mais uma. Essa era marron, mas o cavalo era amarelinho e também tava nas costas. No salão, de longe, de reolho, num relance, me pareceu ver mais uma meia dúzia de cavalos amarelos troteando ao som da música. Olhei pro meu amigo e disse, pô, ta fazendo sucesso essa tua jaqueta da Joínha! Rapaz, o loco ficou tão brabo que foi no banheiro e voltou com a jaqueta amarrada na cintura. Amanhã ela vai pro cimento!

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 23/12/2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Lançamento do CD do Grupo Vocal Asas da Liberdade marca 15 anos de história

Fotos: Fernanda Cassel

Uma noite alegre, emocionante e que ficará guardada na memória e no coração de quem esteve presente.  Assim foi o ato de lançamento do CD “Do Sonho à Realidade”, dos integrantes do Centro de Atenção Psicossocial Sítio Renascer que compõe o Grupo Vocal Asas da Liberdade. Sob a coordenação do músico e arteterapeuta Gilberto Isquierdo, o grupo está em atividade desde agosto de 1999 e trabalha com a música como um instrumento terapêutico de auto- expressão, descoberta e de reabilitação dos usuários com e na comunidade.

            A abertura do ato, realizado na terça-feira (16) na Biblioteca Pública, foi feita pelo coordenador Gilberto, que além de destacar os 15 anos de trajetória do grupo fez uma apresentação musical em homenagem ao momento. Na sequência o prefeito Cláudio Martins, o vice Lisandro Lenz e o secretário de Saúde, Celso Caetano, realizaram seus discursos, oportunidade em que foram feitas referências às diversas pessoas que trabalharam na construção e na qualificação do CAPS Sítio Renascer e nas diversas ações de atendimento e acolhimento para familiares e pessoas com transtornos mentais. Ainda durante as falas das autoridades foi destacada a importância do trabalho de toda a equipe do CAPS em especial a dedicação de Gilberto Isquierdo que comanda o Grupo Vocal Asas da Liberdade e que idealizou o grande momento do lançamento deste CD. 

            O público presente acompanhou também a apresentação de um documentário sobre o grupo, produzido por Jaguarão Vídeos, de Analva e Jorge Passos. Em um material de extrema sensibilidade, o público pôde ter uma noção mais precisa de como o CAPS Sítio Renascer contribui com a qualidade de vida de tantas pessoas que possuem transtornos mentais e o quanto ele é importante também para os familiares, que em depoimento contam as transformações positivas que o CAPS proporciona para o ambiente familiar e para a autoestima dos usuários.

Depois da exibição do vídeo as grandes estrelas da noite subiram ao palco e realizaram a apresentação de diversas canções, entre elas, composições dos próprios integrantes do Grupo Vocal. Ao final da apresentação o Grupo recebeu muitos aplausos e cumprimentos, o que gerou muita emoção e alegria para os integrantes do CAPS Sítio Renascer, que vibraram pela concretização deste momento tão sonhado.

O evento foi encerrado com um coquetel de confraternização.

(Fernanda Cassel para Assessoria de Imprensa Prefeitura de Jaguarão)

Confira abaixo o documentário completo:
Grupo Vocal Asas da Liberdade - Se o Mundo me Pudesse Ouvir  
Produzido por Jaguarão Vídeos 




Fonte:  http://nandacassel.blogspot.com.br/

IPVA com desconto

Desconto no IPVA para pagamento até  02 de janeiro.
Quem não gosta de um bom desconto? 

Reproduzo informações do site do  Jornal do Comércio do RS sobre as condições para obtenção desse benefício.

Os proprietários de veículos que quiserem aproveitar o 13º salário para pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) 2015 podem começar a fazê-lo a partir de hoje, 17 de dezembro. Além de antecipar o cumprimento de uma obrigação do ano que vem, os motoristas irão gozar de descontos que variam entre 9,7% e 27,27%, anunciou a Receita Estadual. O contribuinte que deseja consultar o total em descontos do IPVA pode obter as informações através do hotsite ipva.rs.gov.br  e do aplicativo para smartphone da Nota Fiscal Gaúcha (NFG Móvel).

Quem pagar o IPVA até o dia 2 de janeiro obterá desconto mínimo de 3% concedido pela Receita Estadual, somados ao valor da Unidade de Padrão Fiscal (UPF) de 2014, cuja atualização terá 6,7% de acréscimo. Os condutores que não tiverem recebido multa em dois anos recebem o desconto do Bom Motorista e podem ter dedução de até 15% - para quem não foi multado há um ano, o índice é de 10%.

O Desconto do Bom Cidadão, por sua vez, dará aos proprietários de veículos que acumularam 100 notas fiscais no programa NFG mais 5% de desconto, válidos para pagamentos antecipados ou não, e 2% para quem tiver acumulado até 99 notas.

A partir do primeiro dia útil de janeiro, o pagamento antecipado do imposto poderá ser feito até março com descontos no parcelamento, sendo que o proprietário do veículo precisa pagar a primeira parcela até 31 de janeiro – as duas subsequentes serão em fevereiro e março. Os descontos são de 3% para a primeira parcela, 2% para a segunda e 1% para a terceira. Proprietários que não optarem pelo pagamento antecipado terão seus vencimentos entre abril e julho, conforme a placa do veículo.


A expectativa de arrecadação com o IPVA 2015 é de R$ 2,38 bilhões, sendo que 40% do valor pago pelo contribuinte fica com o Estado e os outros 40% com o munícipio onde o veículo foi emplacado e 20% são destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O governo do Estado pretende arrecadar R$ 690 milhões até 2 de janeiro.

Neste ano, apenas os motoristas que realizaram pagamento antecipado nos últimos três anos ou que adquiriram um veículo em 2014 irão receber a correspondência de cobrança do IPVA. A expectativa, diz o subsecretário da Receita Estadual Ricardo Neves Pereira, “é que 2,3 milhões de cartas deixem de ser enviadas, o que trará uma economia de R$ 7 milhões para o Estado”.

Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 17/12/2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Uma viagem panorâmica por Jaguarão

Um passeio aéreo por uma das cidades mais lindas do Brasil, tombada como patrimônio histórico pelo IPHAN


 

Por meio de uma câmera instalado num drone, a Fly Camera Pelotas realizou um vídeo panorâmico sobre a cidade. A sensação é de estar sobrevoando Jaguarão como se o espectador estivesse num avião. Pode-se ver as obras em estágio avançado do Centro de interpretação do Pampa (antigas ruínas da Enfermaria) logo no inicio do voo.  Faça essa viagem!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Grupo Vocal Asas da Liberdade - Se o Mundo me Pudesse Ouvir - Documentário Completo


Documentário sobre o Grupo Vocal Asas da Liberdade, formado por usuários do Sítio Renascer - CAPS Jaguarão ,  comemorando os 15 anos do Grupo e o lançamento do CD "Do sonho à realidade". 

O documentário conta um pouco da história do Grupo, de seus integrantes, e do próprio Sítio Renascer. 

O Projeto de lançamento do CD e do Documentário é de autoria do arte terapeuta Gilberto Isquierdo, coordenador do Grupo Vocal e contou com o apoio da Secretaria de Saúde de Jaguarão e Prefeitura Municipal.

A Produção é da Jaguarão Vídeos.

Mensagem ao “Arcanjo”Rafael Pinto


Batias bem o componedor na caixa dos tipos ao compasso duma melodia surgindo em tua cabeça, enquanto apareciam caracteres de todos os lados.

Mal sabias que, naquela dança animada, a cultura vinha aos borbotões, as palavras e linhas do texto se transformando em nascente pensamento.

Mesmo assim não te descuravas daqueles difíceis significados e interagias pelo ritmo de tua inspiração, em contraponto às rebuscadas frases.

Tuas mãos esculpiam uma harmonia perfeita da forma com o conteúdo, os dedos encardidos de artífice compondo a mais limpa das obras gráficas.

Eras Mestre em corrigir a ortografia nos descuidados originais e eu aquele Aprendiz a quem fazias sem querer pegar gosto pelo idioma pátrio.

Quando cochilavas à beira da bancada, oxalá teus sonhos pudessem alcançar a evolução da prensa de Gutenberg até a atual Era da Informática.

E assim me tornaste um escriba sem maiores pretensões do que jogar com as letrinhas como costumava fazer antigamente nos tipos de antimônio.

Depois de publicada esta “Ode à Tipografia” no blogue do Poeta das Águas Doces, de São Paulo, Luiz Augusto Dutra Resem me chama atenção pela coincidência do dia da postagem, 04 de dezembro, e aponta que, nessa data, em 1937, exatamente há 77 anos, seu avô Cantalício Resem fundava o jornal “A Folha”. Então, o tipógrafo Rafael Pinto já exercia suas atividades em “A Miscelânea” e praticamente me viu nascer, já que sua esposa Dª. Ismaela chegou a ser minha babá, quando passei a ser integrante da família Resem. Um anônimo colaborador da nossa imprensa, de inestimáveis serviços prestados à coletividade, cujo reconhecimento merece ser estendido a todos seus descendentes.

José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 10/12/2014


domingo, 14 de dezembro de 2014

Festa do Interior

Foto Prefeitura de Jaguarão Digital
  
Que noite a de domingo! Depois de um dia nublado e ventoso prenunciando temporal, o entardecer trouxe a calmaria. A chuvarada passou por cima, como faz tantas vezes por aqui. Dizem que a topografia da nossa cidade a protege. Fazia muito calor. Da janela entreaberta olhei para as árvores do canteiro central e nenhuma folha se movia. Também não se movia o ataque do Imortal Tricolor na Fonte Nova. O zagueiro do Grêmio havia sido expulso e logo em seguida o Bahia marcou um gol de falta. Melancólico final de campeonato, só amenizado pela goleada no grenal. Desliguei a TV. Chega de sofrimento. Convidei minha esposa para darmos uma caminhada pelo centro. A cidade fervilhava.

O clima apetecia o saboreio de um sorvete, foi o que fizemos. Enquanto nos deliciávamos com o gelado, olhei para a porta envidraçada da confeitaria e comentei que a 27 de Janeiro estava com cara de “18 de Julio”, a avenida central de Montevideo. Com as devidas proporções, parece mesmo, concordou ela. -Olha, o que mudou esta cidade de uns dez anos pra cá é incrível. Recordo quando vinha dar aula por aqui, era um marasmo total, completou. 
 
No Largo das Bandeiras, que eu gostaria de chamar de Largo Mestre Vado, pois ali é o espaço dedicado às manifestações populares e à arte, estava acontecendo a terceira noite da IV Feira Binacional do Livro. Sucesso total. O povo tomou conta de todos os lugares. Aqui uma nota. Merecida homenagem ao escritor jaguarense Eduardo Alvares de Souza Soares agraciado com o patronato da Feira. Seus livros sobre a Igreja Matriz, Ponte Internacional Mauá, Olhares sobre Jaguarão, Coletânea de crônicas na antiga Folha, sobre o Poeta Lobo da Costa, além de vários artigos nos Cadernos Jaguarenses, são de valor inestimável para a história de nossa cidade e o resgate de seu patrimônio cultural. 
 
A nossa Feira voltou para alegria de todos. Ela tem características peculiares. Engloba no mesmo espaço, o livro, a música e a gastronomia. Elementos inseparáveis. Une o popular e o erudito. 
 
Quase meia noite e a festa continuava. Resolvemos voltar para casa. Observamos que o movimento não era concentrado somente na praça central. Em toda a avenida principal o trânsito de automóveis e pessoas caminhando, continuava. Na Comendador Azevedo, os trailers estavam repletos. Gente que “gosta mais de ouvir o silêncio e prefere mais o sossego do que o juntamento”, como diria minha avó, pensei. Não importa. Estavam fazendo parte da paisagem dessa noite de domingo numa Jaguarão que vibra. E que noite de domingo!

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 03/12/2014

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Calhandra de Ouro da 38ª Califórnia da Canção Nativa do RS vem para Jaguarão com Martim César


38ª Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, de Uruguaiana, encerrou a sua programação na noite deste domingo, (7), no Teatro Rosalina Pandolfo Lisboa. A grande vencedora do maior festival de música nativista do Estado, que recebeu o Troféu Calhandra de Ouro, foi a canção O Homem Dentro do Espelho. A letra é de Martim César. Música Pedro Guerra.

 

A interpretação foi de Guerra Pimental e Cassiano Mendes. A vencedora também recebeu as premiações como melhor arranjo, melhor melodia, melhor letra, canção inédita e melhor música linha livre.

Das 18 composições que participaram do evento, 12 foram escolhidas pela Comissão Julgadora para participarem da final, dividida em três linhas: Campeira, Manifestação Riograndense e Livre. O vencedor da Calhandra de Ouro é responsável pela integridade do troféu até o momento do próximo concurso, onde fará a sua entrega e, simultaneamente, receberá uma réplica do troféu Calhandra de Ouro.

O presidente da 38ª Califórnia da Canção Nativa, Luis Carlos Stabile, declarou emocionado “estamos com o coração satisfeito, com um acolhimento muito grande dos participantes. Podemos dizer muito obrigada Uruguaiana, com muita gente nova, um conjunto de gerações fazendo a nova história, neste palco é sedutor, o fato de ter sido pioneiro continua dando qualidade.”

As apresentações de hoje à noite, (7), foi com o uruguaianense Felipe Azevedo & Trio com o show “Tamburilhando Canções” e do cantor, compositor e acordeonista, Luiz Carlos Borges.
Resultado da 38ª Califórnia da Canção Nativa do RS

A Comissão Organizadora enquadrou as composições em três linhas distintas:
MELHOR MÚSICA DA LINHA CAMPEIRA: FLORZITA DE CAMPO ABERTO
MELHOR MÚSICA LINHA DE MANIFESTAÇÃO RIO-GRANDENSE: Piratas da Chalana
MELHOR MÚSICA DA LINHA LIVRE: O Homem Dentro do Espelho.

Os prêmios instituídos em forma de troféus são:
CALHANDRA DE OURO (troféu máximo do evento, trabalho do artista Paulo Ruschel doado pela Ordem dos Musicos do Brasil, aos autores da canção vencedora): O Homem Dentro do Espelho.

PAULO RUSCHEL (criado pelo artista e doado por sua família ao vencedor do Festival): O Homem Dentro do Espelho.

JOÃO DA CUNHA VARGAS (criado por Glênio Fagundes, destinado ao vencedor da Linha Campeira): FLORZITA DE CAMPO ABERTO

VITÓRIA (criado por Vasco Prado e oferecido ao vencedor da Linha Manifestação Riograndense): Piratas da Chalana

OSMAR MELETTI (oferecido ao vencedor da Linha Livre): O Homem Dentro do Espelho.
CÉSAR PASSARINHO (criação do artista plástico Ubirajara Constant, oferecido pela Prefeitura de Uruguaiana ao melhor intérprete): Kiko Goulart

APPARÍCIO SILVA RILLO (criação de Rossini Rodrigues, oferecido pela família Rillo ao autor da melhor letra): O Homem Dentro do Espelho.

QUERO-QUERO (música vencedora pelo voto popular): NAS MUNHECAS DA CATALA

TELA DO ARTISTA BEREGA (oferecido pela família Crespo Beheregaray para o autor da Melhor Melodia):O Homem Dentro do Espelho.

A Comissão Julgadora também escolhe:
MELHOR INTÉRPRETE: Kiko Goulart
MELHOR INSTRUMENTISTA: Rodrigo Maia
MELHOR ARRANJO: O Homem Dentro do Espelho.
MELHOR ARRANJO VOCAL: Xote do Tempo Perdido

MELHOR CONJUNTO INSTRUMENTAL: Pepe Caravana
MELHOR LETRA: O Homem Dentro do Espelho.
MELHOR MELODIA: O Homem Dentro do Espelho.
CANÇÃO INÉDITA: O Homem Dentro do Espelho.
POPULAR: NAS MUNHECAS DA CATALA

PROGRAMA GALPÃO CRIOULO ENTREGA O TROFÉU ORIGENS PARA HOMENAGEAR O DESTAQUE DO FESTIVAL

A RBS TV e o programa Galpão Crioulo entregam na 38ª Califórnia da Canção Nativa o Troféu Origens -Destaque dos Festivais Nativistas. Essa premiação surge a partir do desejo do Programa Galpão Crioulo de estar perto da produção da música regional e valorizar os festivais Nativistas que há mais de quatro décadas realizam esse circuito artistico-musical do Rio Grande do Sul. A escolha do vencedor foi feita pela Comissão de Jurados do Festival. O vencedor do Troféu Destaque foi Piratas de Chalana.

           http://jaguarao.net


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

QUAL É SUA PROFISSÃO?

O episódio ao qual quero referir-me é sobre o comportamento de uma autoridade do Judiciário, que veio a público há poucas semanas. Se o participante fosse alguém da chamada “classe política”, por certo não causaria muita surpresa e talvez nem chamasse muito a atenção porque, ultimamente, o “esporte preferido” de grande parte dos veículos de imprensa do País tem sido o de bater em ocupantes de cargos eletivos, mormente os de situação, no âmbito nacional. Isso com, ou sem razão, ressalve-se. 
 
Aqui vacilo, buscando um termo que sintetize a atitude que, no meu entender, acabou, talvez, causando algum estrago na imagem de uma corporação que deveria ser um modelo de comportamento a ser seguido. Opto por reconhecer que a atitude tomada por um senhor juiz em uma barreira de trânsito pode muito bem ser enquadrada no termo “carteiraço” o que é facilmente entendido por todos. Sua Excelência, com isso, passou a ser “vítima” de uma servidora pública enquadrada em “abuso de poder” por tentar cumprir com seu dever de ofício. Não creio que o fato gerador da sanção que sofreu tenha sido uma mera expressão que teria sido emitida pela funcionária.
Abro um parêntese. Do que tenho lido sobre o assunto, julgo que quem melhor conseguiu resumir essa triste passagem de autoritarismo foi nosso mais novo imortal, Zuenir Ventura, que, numa frase antológica, diz: “Nele (o episódio), Deus não aparece ou aparece disfarçado, mas é evocado e confundido com um juiz” (Jornal O Globo, 8.11.14). Fecho parêntese.

Bem, até aí tudo normal. O carteiraço é uma instituição nacional reconhecida como benéfica para quem a utiliza e maléfica para quem sofre seus efeitos. Sua avaliação depende da posição em que se encontram seus protagonistas. Ela é praticada por indivíduos pertencentes aos mais diversos segmentos sociais. É usada até por quem, eventualmente, não tem uma posição que possa utilizar a malandragem. Às vezes com igual sucesso. Para quem se julga mais importante do que seu semelhante, o objeto da humilhação é, na verdade, uma pessoa de menor valor e certamente precisa “ser colocada em seu devido lugar”. Há quem diga que esse tipo de preconceito remonta aos tempos da nefasta escravidão que manchou a história deste País. Está, portanto, consagrada em nossa cultura.
Desculpem os leitores, mas, depois dessa introdução o que quero mesmo é registrar minha preocupação com o que considero o mais grave dessa situação. Refiro-me ao fato de que o “inventor” dessa estupidez autoritária foi consagrado por seus pares do Judiciário quando foi aplicada uma sanção pecuniária à servidora que cumpria seu dever. Isto significa que, se o autor for vitorioso até o final da querela, provavelmente a ser definida pela mais alta Corte da Justiça apropriada para dirimir a questão, a própria instituição estará consagrando a atitude de Sua Excelência como correta e, portanto, quem abusou da autoridade foi realmente a funcionária ao interpelar um membro do Judiciário que não portava os documentos que os demais cidadãos comuns precisam ter consigo quando conduzem um veículo automotor. Parece-me que isso seria abrir um precedente para que outras tantas “autoridades” possam utilizar o tradicional carteiraço sem qualquer risco de sofrerem reprimenda de suas corporações.

Vou mais longe ainda: se todas as corporações se movimentarem em torno de privilégios vai ser necessário elaborar-se listagens daqueles que estiverem isentos de punições e imagino que poderiam ser incluídas outras profissões nesse rol, como jornalistas, médicos, parlamentares, etc. Qualquer ação do servidor nesse tipo de atividade ficará, então, sujeita à censura dos deuses que, eventualmente, estejam dirigindo um automóvel quer a serviço ou em merecido lazer. Sugiro, também, que, antes de qualquer providência, o funcionário de serviço, ao constatar uma infração, formule uma pergunta que pode passar a ser freqüente: “Qual é sua profissão”. Assim pouparíamos tempo e dinheiro para o Estado e algum vexame e sanção para o servidor, é claro.

Wenceslau Gonçalves

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 26/11/2014


sábado, 6 de dezembro de 2014

Os Anos de Chumbo em Pedro e os Lobos


 Vai chegando ao final mais uma Feira Binacional do Livro em Jaguarão. Aqui vai uma dica literária da Confraria. 

Conheça os Anos de Chumbo em todos os seus detalhes e sempre narrados pela ótica da guerrilha no livro Pedro e os Lobos de João Roberto Laque.

"Esta é uma biografia que eu queria ter escrito"
 Fernando  Morais (Olga, Chateau, o rei do Brasil) 

Você sabia que existiu um tresloucado movimento guerrilheiro chamado Guerrilha de Três Passos e que a Guerrilha de Caparaó foi um retumbante fracasso da esquerda armada em Minas?

Que muitas das ações armadas foram verdadeiras cenas de comédia, cheias de desencontros e trapalhadas? Ou que um dos maiores mistérios deste período é o desaparecimento do ex-sargento do Exército e líder da VPR Onofre Pinto?

Pelo menos, você sabe quem foi Pedro Lobo de Oliveira? Então, leia Pedro e os Lobos.

No livro estão, a renúncia de Jânio, a posse de Jango, o golpe de 1964 e a resistência armada, com destaque para a origem das organizações clandestinas e um completo relato de seus atentados a bomba, assaltos a banco e sequestros de diplomatas estrangeiros.

Pelas 640 paginas de Pedro e os Lobos vão esmiuçados ainda os bastidores do poder, a edição do AI-5, a tortura imposta pela repressão política, a luta pela anistia, as greves do ABC e a redemocratização do Brasil.

De quebra, ao longo do livro está a vida louca de Pedro Lobo de Oliveira, um ex-sargento obstinado que largou tudo para mergulhar de cabeça no caldeirão fumegante da guerrilha.

Companheiro do lendário capitão Carlos Lamarca, Pedro assalta bancos, invade hospitais militares, explode quartéis e fuzila, para comemorar o aniversário da morte de Che Guevara, um capitão norte-americano que havia se tornado herói de guerra no Vietnã.

A obra gerou um documentário que está sendo filmado e foi considerada um dos cinco melhores lançamentos na categoria livro-reportagem pelo júri do Prêmio Jabuti 2011.

João R. Laque, Fernando Morais e Pedro Lobo - 3ª Bienal do Livro de S. J. dos Campos

Se você não encontrar Pedro e os Lobos nas Bancas da Feira do Livro peça seu exemplar diretamente pelo e-mail  laque@ibest.com.br 

Aproveite a superpromoção com 40% de desconto e dedicatória do autor
 

Neste Natal, faça um elogio a quem você gosta:
DÊ UM LIVRO DE PRESENTE
 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Um Sobrado e sua gente


Preciso esclarecer que, órfão de pai e mãe, José Dalberto e Maria Francisca, fui criado como filho pelos meus tios Cantalício e Florisbela, que me acolheram em sua residência em Jaguarão.

Era um sobrado, onde funcionava a livraria e tipografia na parte térrea, sendo a parte de cima ocupada como moradia da família e situava-se na esquina das ruas 27 de Janeiro e Andrade Neves, a bem dizer o coração da cidade, pois ali também estavam localizados o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o restaurante Gruta Jaguarense e o Café do Comércio, tradicionais pontos de encontro da população.

Contíguos ao nosso prédio, tínhamos a Prefeitura Municipal, pela 27, e o Snooker do Oliosi, pela Andrade Neves. O sobrado possuía seis sacadas, cinco das quais davam para a rua principal, a 27, e dali podia-se observar todo o movimento urbano.

No carnaval, não se dormia a noite inteira e ficávamos assistindo de camarote o desfile dos blocos carnavalescos e dos carros alegóricos, além do corso das rainhas dos clubes Harmonia, Jaguarense, Caixeiral, Instrução e Recreio, 24 de Agosto.

Na época, os principais blocos carnavalescos eram o Bataclã, os Marujos do Amor e o Troveja Mas Não Chove, que costumavam se apresentar durante o dia, antes dos desfiles, na frente das residências para angariarem recursos ou para agradecerem àqueles que tinham assinado os seus Livros de Ouro.

Nesse casarão, aconteceram os casamentos das filhas de Cantalício - Nilza e Lucy. 

Nas férias, o nosso sobrado lotava recebendo os filhos e netos de Cantalício, muitos deles nascidos ali mesmo. Era a Nilza e o Cesário, prolíficos por natureza, com Evandro, Graciema, Cesário Filho, Graciara, Gracíola, Gracília e Gracira, seus filhotes.

Luiz Cesário da Silveira, casado com a Nilza, já falecido, iniciou sua carreira militar servindo como aspirante no 13º. RCI, chegou a coronel na ativa. Foi o primo carnavalesco que costumava reunir uma turma de tenentes, toda emperiquitada, para sair fazendo farra pela rua. Cliente privilegiado da Gruta, cujo dono, o saudoso Domingos Isaias Leite, tinha o apelido de Camões por ser português e caolho como o poeta patrício, o Cesário não resistia aos apetitosos pratos expostos na vitrine daquele restaurante e sempre atravessava a rua para saborear daquelas iguarias, não obstante reclamasse dos preços praticados, chamando carinhosamente aquele de ladrão e por aí afora.

Pois este mesmo Cesário, gozador emérito, certa feita estava na sacada quando avistou o Camões na porta da Gruta, correu ao banheiro, voltou a tempo de pega-lo atravessando a rua em diagonal ao Café e, aos gritos de Ladrão, Ladrão, pega esta, lançou-lhe uma serpentina... De papel higiênico.

Depois, começaram a aparecer o Anysio e a Lecy, sua primeira esposa já falecida, e os rebentos José Augusto, Lia e Luiz Augusto.

Em seguida, foi a vez da Lucy e do José Hidalgo Filho, já desencarnado, geradores da prole de Maria da Graça, Átila, Lorena e as gêmeas Maria da Luz e Anaí.

E, por último, do segundo casamento do Anysio com Mirnaloy, também já falecida, passaram a habitar a casa seus filhos Anysinho e Quênia.

Ali também residiram, até morrerem, a mãe e um dos irmãos de Cantalício, Delfina e Modesto. Eram freqüentadores assíduos da casa o irmão e o cunhado de Florisbela, João Teixeira no jogo da bisca do final de semana, e Joaquim Mello, português viúvo de Maria José, sempre exaltando as vantagens da sua pátria.

Com eles, convivi boa parte da minha existência.


José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 19/11/2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O Navio Fantasma

O Grande Altair devorado pelo Mar
Na madrugada do dia 6 de junho de 1976, soprava um vento fortíssimo em meio a uma tempestade nunca vista pelas praias do sul. Djalma, um pescador bageense acostumado a fisgar traíras no Arroio Valente, saiu de dentro da barraca armada nas areias do Cassino e se tocou em direção a um boteco, ali perto da Querência, para comprar uma garrafa de cana.

Com aquele vento, o negócio era ficar dentro da barraca e esperar o temporal passar. Djalma não tinha andado mais que uns cinco quilômetros quando avistou, na praia, o “maior peixe” de sua vida: um navio enorme, cujas cores, branco, cinza e laranja, brilhavam a cada novo relâmpago dentro da noite escura dando a impressão que continuava seu trajeto areia a dentro. Djalma, que ainda não tinha bebido nada, lembrou disso para se dar por conta que se tratava mesmo de um enorme navio encalhando na beira da praia e não de um tipo de visão etílica.

Djalma então voltou imediatamente para a barraca e convocou os colegas pescadores para ajudarem no salvamento dos marujos que procuravam sair do navio. Djalma, Beto e outros quatro pescadores da turma, levaram até o local a canoa Pingo de Ouro, que pertencia ao grupo, e demoraram quase três horas para retirar do Altair todos os 21 tripulantes sãos e salvos. Sim, Altair era o nome do navio de bandeira argentina que acabara de encalhar na Praia do Cassino.

A carga do Altair era de três mil toneladas de trigo que foi totalmente perdida. Durante muito tempo era possível ver aquela mancha amarelada composta pelos grãos do trigo na água que, de acordo com o vento e a direção das ondas, em alguns dias chegava até a praia do Hermenegildo, no Chuí. O lugar passou a ser ponto de referência na praia do Cassino. Tudo passou a ser, antes ou depois, do “navio afundado”. Várias espécies de peixes e outros animais marinhos passaram a fazer dos seus restos a sua morada e o local ficou também conhecido como um bom lugar para pescar.

Não há quem passe por lá e não bata uma foto, com os restos do navio encalhado ao fundo, como lembrança do Cassino. Quem ainda não fez isso poderá ter perdido a chance pois nestes últimos 34 anos o mar foi implacável com ele. Quase não há mais nada para se ver. Nada mesmo, se compararmos com as primeiras fotografias do Altair encalhado. Vários colegas do Estadual,como a nossa fotógrafa Liliana, já posaram com a família por lá. Muitos outros bageenses, além do Djalma e da Liliana, já viram esse navio.

Não é de hoje que a Praia do Cassino é uma das preferidas do pessoal de Bagé. Outros naufrágios ocorreram na praia do Cassino, mas o único navio que permaneceu lá, com seus restos para contar a história, foi o Altair.

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 12/11/2014 

Extraído do blog http://velhaguardacarloskluwe.blogspot.com.br  "O Navio Fantasma, A proeza do Djalma"

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Show de Paulo Renato no Círculo Operário é neste domingo


No próximo domingo, dia 16 de novembro, as 20:30,  acontece mais um show com promoção da SIC, Sociedade Independente Cultural, no auditório do Círculo Operário. No palco, a presença do músico Paulo Renato e a participação especial da dançarina Renata Vasconcelos, que apresentam o espetáculo “Por tudo... Gracias!”

Paulo Renato é músico, cantor e compositor gaúcho. Nasceu em Pelotas e viveu sua infância e adolescência em Santa Vitória do Palmar e Chuí. Estudou canto na Universidade Federal de Pelotas com Magali Richter. No Uruguai, estudou com Alba Toneli e em São Pauo com Jarbas Tauryno, Marta Dalila e Vera Platt, além de ter tido aulas de violão com com Laura Campañer, Valério, P. Paraná e Camilo Carrara. Seu estilo concilia o erudito e a música popular latino americana. Em seu repertório, aborda reflexões do cotidiano afetivo e existencial humano, além de temas sociais, culturais e políticos.
O show “Por tudo... Gracias” mostra matizes da alma humana, onde a capacidade de amar, criar, transformar e qualificar a vida se fazem presentes. As composições trazem o tom brasileiro com latinidade. Canções, milongas, candombes e chacareras integram os ritmos do projeto (cd). 


terça-feira, 11 de novembro de 2014

6ª Semana Municipal da Consciência Negra de Jaguarão


Confira a programação completa da 6ª Semana Municipal da Consciência Negra de Jaguarão:

Terça-feira – 18 de Novembro
19h – Abertura
Mesa de debate “O racismo no capitalismo e ações afirmativas para a população negra”.
Alcir Martins (Mestre em ciências sociais pela UFSM e militante do Coletivo Insurgência) e Jailton Neves Rasheed (Ativista do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe).
Local: Ponto de Cultura 24 de Agosto

Quarta-feira – 19 de Novembro
16h - Roda de conversa, confecção de cartazes e mobilização para a Marcha na Praça Alcides Marques.
19:30h - Mesa de debate sobre “Identidade, Gênero e Diversidade”.
Everton Ferrer (Professor da Unipampa e integrante da coordenação do Fórum EJA do RS), Célio Golim (Presidente do Grupo Nuances) e Suelen Aires Gonçalves (Socióloga e integrante da direção nacional do Movimento de Luta pela Moradia).
Local: Ponto de Cultura 24 de Agosto

Quinta-feira – 20 de Novembro
20h Marcha de Zumbi dos Palmares.
Concentração: Cine Regente e deslocamento até o Clube 24 de Agosto, onde haverá roda de capoeira e apresentação de tambores.
Ogã Edna D’Ogum
Local: Ponto de Cultura 24 de Agosto.

Sexta-feira – 21 de Novembro
19:30h Fórum de debate sobre Saúde da população negra.
Eliane Oliveira Soares
Coordenadora da Saúde da População Negra de POA

Sábado – 22 de novembro
19:30h Mostra de curta-metragens afro-latinoamericanos e debate com a participação do Coletivo Salvador, de Montevidéu e do Coletivo Pédequê?
Apresentação cultural “Os orixás e o atabaque” – Yle Axé Mãe Nice de Xangô.

Domingo – 23 de Novembro
9:30h Percurso de barco à antiga Charqueada São Domingos.
Oficinas confirmadas:
Turbante - Mãe Nice de Xangô
Confecção de Bonecas Negras – Andréa Lima
Democracia racial e territórios negros em Jaguarão. PET História – Unipampa.

Organização:
Prefeitura de Jaguarão, através da Secretaria de Cultura e Turismo, Ponto de Cultura 24 de Agosto, Yle Axé Mãe Nice de Xangô , Associação de Capoeira Zumbi dos Palmares, PET História da Unipampa, Coletivo Pédequê?, Coletivo Margaridas, Instituto Conexão Sociocultural e Centros MEC – Cerro Largo (UY).

Fonte: Secult Jaguarão

domingo, 9 de novembro de 2014

Grupo Americando - Puente Mauá




Participação do Grupo Americando, formado por Hélio Ramirez , Plinio Silveira e Jorge Passos, cantando Puente Mauá, música de Hélio Ramirez e letra de Don Duca Marins no Programa da TVE do RS sobre a Cidade de Jaguarão em 1983.

Puente Mauá

Puente de los quileros, con el nombre de Mauá
Por tu lomo va el destino de gente que viene y vá

Mescla de dos idiomas en el saludo y prosear
Cruzando medias maletas, la cosa no dá pa más
En dos aduanas distintas, el hombre su derecho ampara
Hay un rio que nos une y un puente que nos separa

Yaguarón y Rio Branco, se atan al puente Mauá
Esperanza que no muere, destino del más allá

Comunión para dos pueblos, armado con hormigón
Con un rio que debajo palpite cual corazón
También la vida del hombre tiene rio y tiene puente
Rio de aguas que corren y nostalgias de torrente



sábado, 8 de novembro de 2014

Neste domingo tem Poesia no Bar em Jaguarão


No próximo domingo, 9 de novembro, às 19h, acontece a 22ª edição do Poesia no Bar no Minicineartebar Casamama (XV de novembro, 527) em Jaguarão-RS.

Participação de autores de Pelotas, Rio Grande e Jaguarão, distribuição de marca-páginas, leitura de poemas e espaço aberto para a participação do público.

Trilha sonora ao som de vinil.

Entrada franca

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

República Bolivariana do Brasil


Galera! Pensem pelo lado positivo, se o Brasil virar uma Venezuela, poderemos emplacar mais Misses Universo. (risos)

Dedico esse 'textículo', principalmente, aos mais jovens, àqueles que votaram pela primeira vez nessas eleições, e aos que o farão nas próximas. Juro que eu tentei condensar em 140 caracteres, mas o que tenho pra dizer, não é possível. Leiam-no, por favor, com carinho.

Nunca ouvi tanta besteira, quanto nessas eleições. Jovens de 16 anos que acabaram de tirar o título, não sabem nem quem foi Simón Bolivar, repetindo que nem papagaios, frases fascistas de quinta categoria. "Não quero que o Brasil se torne uma República Bolivariana!" Aí você pergunta: por quê? E eles destilam um ódio contra o PT, o Chávez, o Kiko e até contra o Sr. Madruga. Um festival de imbecilidades. Eu também não morro de amores pelo partido, mas consigo reconhecer tudo de bom que foi feito.

Hugo Chávez nunca pagou pau para os Estados Unidos e veja se eles não respeitam a Venezuela. Eles não a engolem, mas respeitam. Ele eliminou o analfabetismo. Aumentou o salário mínimo. Que era de R$ 47 dólares. Hoje o salário mínimo lá, equivale a 675 dólares. É por isso que o o povo mantém a esquerda no poder lá. Não é uma ditadura como a direita tenta incutir em suas mentes. Tem eleições e os candidatos recebem voto direto. Se estivesse ruim o povo, não votaria na esquerda. Esse é o grande medo da elite brasileira e de uma parte da nossa classe média, metida a besta, que não quer lavar as próprias cuecas e calcinhas. Que nos tornemos uma Venezuela e eles tenham que pagar salários dignos para que os pobres trabalhem. E Armínio Fraga, que seria o ministro da fazenda do Aécio, falou que o nosso salário mínimo está muito alto. Pode uma coisa dessas?
Para quem fica acusando a Dilma e o Lula
de fazer acordos com Cuba e Venezuela

Tá, eles irão alegar: mas na Venezuela eles têm uma inflação muito alta. No governo do FHC a inflação era pior que a da Venezuela, 20%, 30% ao mês. Talvez seria bom o Maduro vir fazer a lição de casa com a Dilma. Assim como aprendemos a fazer politica social com eles.

O Brasil vivia com o pires na mão, rolando a dívida externa, (até o FHC)pagando juros altíssimos. Após o governo Lula, agora emprestamos dinheiro ao FMI, para ajudar o países em crise. E as grandes potências querem aprender conosco, como enfrentamos uma grande crise mundial e ainda crescemos. Pouco, mas crescemos. Diminuímos a miséria, enquanto as grandes potências caíram.

Nos EUA, que a direita tanto exaltam, várias cidades foram a Bancarrota. Detroit era a Capital do Automóvel, puxem imagens de Detroit no google, para vocês verem o que ela se tornou.

A receita foi a mais simples de todas, politica social bem feita, aliada ao controle da inflação, através dos juros baixos. Isso só foi possível com o controle total, pelo governo, do Banco Central e dos dois maiores bancos do País, que são estatais. E também nos momentos mais críticos o governo retirou o IPI de vários produtos, para manter os empregos nas indústrias e no comércio, isso aqueceu as vendas, muita gente comprou mais barato e todos se beneficiaram. Inclusive os grandes investidores e multinacionais que passaram a apostar muito mais no Brasil.

Outra coisa que deixa a elite roxa de raiva, é que até o porteiro do prédio deles, hoje em dia, pode passar férias em Paris. Perdeu a graça ir para Paris, deixou de ser ‘exclusivo’. Eu adoro viajar e já conheço 12 países, para desespero da Casa Grande.

Não sou um analista político, falo com cidadão. Minha origem é humilde, fui muito pobre, cresci em meio a uma ditadura militar sanguinária. Não se podia falar, tudo era escondido, cochichado, escamoteado. No primário fui ameaçado de expulsão, se eu voltasse a repetir uma piadinha inocente que eu fiz na aula de história - eu estava lendo em voz alta para classe e, ao invés de falar Palácio do Planalto, eu falei ‘palhaço do planalto’. - Pra quê? Minha Nossa senhora! Ali eu comecei a entender onde eu estava metido. Sou lá da fronteira com o Uruguay, Jaguarão é a minha cidade natal, um ponto muito estratégico e extremamente vigiado pelo exército na época. Queria entender porque as pessoas tinham tanto medo. Eu achava lindo aquele arsenal todo, aqueles urutus (carros anfíbios para transporte de tropas militares) que andavam na terra e na água, os helicópteros, as fardas verde oliva, os desfiles, tudo me fascinava. Quando eu falava que queria ser soldado, o meu pai só resmungava, tesc, tesc. Arghhh!

Além de ser soldado, eu também queria ser artista de circo, pois todos os circos que circulavam entre Brasil e Uruguay aportavam em Jaguarão, nos fundos de minha casa. Era uma briga com meus pais, porque eu não saía do circo, adorava os ver montando a lona, ensaiando. Sempre fazia amizade, para poder assistir, as sessões, de graça e quando eu não conseguia dessa forma eu tinha outra tática, minha casa era em frente ao Presídio Municipal e como conhecia todos os policiais militares, eu pedia para eles me levarem até lá dentro do circo, enquanto eu tinha cara de criança ninguém dava bola, todos me sorriam. Quando o carteiraço não colou mais, comecei a vender pipoca, maça-do-amor, algodão doce, o que eu queria era estar lá, no meio daquela magia toda. E ainda ganhava um dinheirinho. É claro que eu repetia tudo em casa, trapézio, malabares, mágico, palhaço e daí, nasceu minha paixão pelo teatro. Pois também chegavam na cidade aqueles teatros de pavilhão. Que maravilha!

Vejam só, comecei a falar de politica e cá estou divagando sobre minha infância. Então veio minha paixão pela música, nessa época da foto, ganhei um violão, aprendi a tocar sozinho, até compus algumas músicas. Não preciso falar da minha formação musical né? Todos os subversivos! A primeira música que eu aprendi a tocar foi “Para não dizer que não falei das flores” do Geraldo Vandré, facilzinha, somente dois acordes.

Sempre gostei muito de ler, lia de tudo, gibi, bula de remédio, fotonovela, revista antiga, a Cruzeiro era uma das minhas favoritas, minha primeira leitura arrebatadora, foi aos dezessete anos: As Veias Abertas da América Latina do Eduardo Galeano. É óbvio, dei um jeito de dizer um pouco daquilo no teatro, numa peça que eu fiz no ensino médio, nessa época eu já engatinhava no teatro estudantil, e participei, juntamente com os meus amigos da Sociedade Independente Cultural de Jaguarão, da fundação do meu primeiro grupo de teatro, o Contranestesia.

Desde muito cedo aprendi a dar valor à liberdade! E respeito também é bom, viu!

Portanto meninos, antes de sair destilando esse ódio, sem sentido, pelos irmãos nordestinos, pelos mais pobres, deem uma olhada na história recente do País, quando vocês ainda estavam nas fraldas e descubram, enquanto é cedo, de que lado, de fato, vocês estão.

Não acreditem nessa falácia de alternância de poder, isso é balela, depois que a direita se aboletar novamente no Planalto, vamos levar um bom tempo para tirá-la de lá. Ou seja, quando o Brasil estiver quebrado novamente. Se for para mudar que seja por uma esquerda mais sólida. Mudar, por mudar e para pior, é melhor ficar como está. Preparem-se porque o terrorismo será grande.

A maior arma deles é a mídia fascista. Nós não somos uma Venezuela, somos um País rico, que está crescendo e precisamos dividir as riquezas entre todos! Para não deixar-se enganar... Não falar e não fazer bobagem... Estudem rapazes!

Arnaldo D'Ávila

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 05/11/2014 

Arnaldo D'Ávila, jaguarense radicado em São Paulo, é ator e diretor de teatro

sábado, 1 de novembro de 2014

Sebastião , o pipoqueiro

Sebastião, há cerca de 47 anos vendendo pipoca, atende várias gerações.

Quando eu era criança e passeava nas ensolaradas tardes de Jaguarão, guiada pelas mãos de meu pai, tínhamos parada certa na esquina da Praça Alcides Marques com a rodoviária, porque lá, já se encontrava, o pipoqueiro Sebastião. O colorido varal de algodão doce, o cheiro de açúcar e de pipoca quentinha eram e ainda são um atrativo para qualquer criança e, enquanto meu pai, que sempre foi bom de conversa, demorava-se ali proseando, eu saboreava as gostosuras. O tempo passou e hoje meus filhos é que integram a clientela favorita do pipoqueiro e, quando vamos à praça, o pedido é certeiro e um componente a mais no passeio.

Esta semana tive o prazer de em uma boa conversa entrevistá-lo e saber um pouco mais sobre a sua trajetória, já que muito mais preciosos do que o nosso patrimônio “de pedra e cal” são nossas histórias e o nosso patrimônio imaterial.

Sebastião Sarmiento Veleda tem 62 anos e nasceu em Bagé, mas se considera jaguarense. Conta que veio para a cidade aos 13 anos, em um dia que hoje recorda bem e, entre risadas, mas que na época muito lhe custou, pois aqui chegou com sapatos de cerca de dois ou três números abaixo do seu, inquieto no assento do ônibus, com os pés já dormentes de dor. O menino logo em seguida começou a trabalhar ajudando o pai, o senhor João Antônio Freitas, amplamente conhecido na cidade pelo apelido de “Mulita”. Com o slogan de “O Mulita chegou e a fome acabou”, o comerciante, especialista em comida, fez sucesso na cidade em fins dos anos 60 e na década de 70, como dono de restaurante, onde Sebastião trabalhava como garçom. Conta-se que foi o inventor do “churrasquinho de espeto” por estas bandas, teve um famoso “bar móvel”, instalado em sua camionete, e fazia sucesso em locais movimentados e em feiras e eventos, vendendo bolinho, pastel, cachorro-quente e bebidas.

Astuto para os negócios, Mulita decidiu investir em uma máquina elétrica de pipoca, causando transtornos ao seu Ary, o pipoqueiro mais antigo, que trabalhava com uma carrocinha manual e um fogareiro de querosene, artesanal.  A novidade fez sucesso em Jaguarão. Sebastião, que auxiliava o pai, com o tempo tornou-se o protagonista do negócio e durante a semana instalava-se em pontos estratégicos como a Livraria Miscelânea, a esquina da Caixa Econômica e em frente às Lojas Pernambucanas, para, aos sábados e domingos, ir para o Cine Regente.

Na matiné, conta que fazia fila. Quando o filme era bom, esperto e escondido do pai, o pipoqueiro dava uns trocos para que outro guri, vendedor de amendoim, tomasse seu posto e ele aproveitasse a sessão.
Hoje, sua rotina é certa. Acorda de manhã, brinca com a neta, toma mate com os amigos e companheiros de pescaria, almoça e, no começo da tarde, com dia bom, vai para o trabalho. Limpa e prepara as máquinas e ruma à Praça vender pipoca e algodão doce, de onde tira o sustento e vive dignamente. Adora o que faz, pois o serviço lhe permite tratar com crianças e, tirando os dias de chuva, que às vezes atrapalham, tem autonomia.

Diariamente alimenta os pombos, outros pássaros e até as abelhas que, atraídas pelo açúcar, parece que já conhecem a sua rotina.

Vida longa ao seu Sebastião, pois a praça e, mesmo a nossa infância, não seriam as mesmas sem ele!


Andréa da Gama Lima