sábado, 21 de março de 2015

Mulheres Guerreiras

Já me lembro certa feita do ocorrido, na volta das barrancas de água doce do rio Jaguarão! Entrando de passo lento e firme, os valentes soldados uruguaios embretam na terra brasileira, na terra do Pedro II. Quem estava lá para defendê-la? Quem cuidaria de tamanho infortúnio? Os homens seus lutavam lá pelas bandas do Paraguai. Até seu pároco não estava presente para consolar e defender deste empreendimento bélico.

Elas! Sim, elas - as heróicas mulheres prendadas e guerreiras de sangue cozido na mistura charrua-lusitana-castelhana! Com poucos homens: dizem que havia somente alguns velhos e uns poucos jovencitos, seguem elas impondo a lei natural de preservação e contando com a escolta do General Marques de Souza. - Hasta luego!!! Gritam as heróicas guapas, munidas de seus óleos quentes, pelegos e armas caseiras das mais exóticas. Jamais se viu um quartel tão audacioso! Felizes, retornam para suas casas, trazendo na alma e nas mãos, não só a terra conquistada e defendida, mas a soberania do Império Del Rei, o poder da conquista, a imposição de uma nação. Nesta terra de nação alguma, vinte e sete de janeiro declarará esta conquista – a conquista das heróicas. Assim são as mulheres desta terra: guerreiras, heróicas, fortes, valentes, audaciosas. Filhas talvez de Ana Terra, ou simplesmente “Anas que a dor não quebra nem consome, Anas da terra-mãe e nada mais”, já dizia o poeta campeiro. 
Hoje estas guerras são estórias, pois o combate da vida, da garantia do amor contínuo e da esperança dos filhos crescerem felizes é o foco destas jaguarenses. Em suas preces, prantos e atitudes, deixam um legado universal para todos que precisarem de uma referência de como a vida pode transcender diante das situações limiares, uma vez que a bravura e a maternidade, aqui nesta terra de mulheres fortes, caminha de mãos dadas. 
 
Magnum Patrón Sória
 
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 04/03/2015  
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