quarta-feira, 9 de outubro de 2013

UM POUCO DE TEATRO, DO BRASIL A JAGUARÃO


Cada vez passa em minha mente a palavra teatro lembro do Grupo Cênico Contranestesia que ajudei a criar e onde atuei até 1996. A partir de 1997 ele parou de atuar, mas quem sabe, volte a brilhar. Por isso resolvi reescrever este texto.

O teatro brasileiro, como assim o entendemos, vai surgir no início da colonização européia com José de Anchieta, numa tradição medieval. Mas só vai se afirmar como teatro nacional na primeira metade do séc. XIX. Teve uma renovação a partir de 1922 com a Semana de Arte Moderna e vai alcançando sua Idade de Ouro no início da década de 60.

Na década de 70 (ditadura) o teatro brasileiro passou pela vigilância da censura militar, assim qualquer trabalho que fizesse pensar sobre nossa realidade era literalmente excluído. Mesmo assim, neste período o teatro brasileiro atingiu picos de criatividade que o lançaram entre os melhores do mundo, por conta justamente de mostrar na linguagem artística, aquilo que as mentes insanas poderiam não perceber (tentativa de escapar da censura). Surge aí peças como "Arena Conta Zumbi (1965) criado por Guarnieri e Augusto Boal e “Gota D’agua” (1975) de Paulo Fontes e Chico Buarque. Esta última já fora apresentada em Jaguarão pelo Grupo Teatro Escola de Pelotas, em 1989.

O Teatro em Jaguarão começa logo em seguida de nossa elevação a vila (metade do século XIX) já com o funcionamento de pelo menos dois teatros que, infelizmente não existem mais. Porém na segunda metade do século XIX, muitas companhias europeias que vinham para o Brasil, passavam antes em Montevidéu e de lá entravam em nosso país por Jaguarão, onde ficavam de um a três meses para acertar o visto de entrada. Isso fez com que a cidade se mobilizasse para a construção de um grande Teatro à altura destas companhias. Então, em 13 de janeiro de 1897 foi inaugurado o nosso Teatro Politheama Esperança, o 3º mais antigo do Estado, um dos mais antigos do Brasil (no gênero) e já fora considerado a melhor acústica do país por alguns críticos. Hoje, depois de ter passado para o poder público municipal na década de 90, ficou um bom tempo em estado crítico e esperando um restauro. Só em 2009, através de uma ação da Secult (Prefeitura) e IPHAN (União) foi dado os passos para a recuperação deste Patrimônio Histórico tombado pelo Estado, e hoje pela União (assim como todo o centro histórico da cidade). A obra de restauro está a todo vapor.

Por Jaguarão passaram vários atores de renome nacional como Procópio Ferreira e outros. Mas há gente da terra. E com muito brilho. Cito Arnaldo de Ávila (hoje atuando em São Paulo) e o pessoal do Gruta, que encenou, entre outros, a “Paixão de Cristo” nas ruínas da Enfermaria Militar em abril de 2010 e 2011. Também aqueles que já não estão entre nós: Álveo Teixeira, Vladimir Ricordi, Volmir Silva, Omar da Costa, e o nosso Professor Cléo Severino, e outros que, por ventura, me escaparam neste momento. A estes, meu respeito. O livro “Minha Terra, Minha Gente” (1994) de Marilú Duarte trás uma nominata mais completa, referente até à data da obra.

Há 21 anos (1992) havia sido formado o Grupo Cênico Contranestesia da SIC (Sociedade Independente Cultural) que já montou várias peças, inclusive ganhando o 1º lugar no VI Festival Gaúcho de Teatro Amador – Fase Regional (1995) e ficando entre as cinco melhores peças do Estado, na cidade de Erechim, com a peça “Nuestra América”, sob a direção de Arnaldo de Ávila e encenada por mim e pelo próprio Arnaldo. Arnaldo de Ávila se encontra hoje profissionalizado como ator e atuando na cidade de São Paulo, onde atualmente reside.

Aproveito o momento para render minhas homenagens à todos que, muitas vezes contra a corrente, tiveram a coragem de lutar por sua arte, pela cultura e consecutivamente pelo ser humano, pois está aí uma das principais diferenças de nossa espécie dos demais seres vivos: “A capacidade de pensar sobre si mesmo”, e quando perdemos esta capacidade, perdemos a noção de vida, perdemos a noção de amor.

A todos, um bom espetáculo. Aos atores, M.

Carlos José de Azevedo Machado (Prof. Maninho

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 25/09/2013


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