quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A magia da Lagoa

Foto: Portal del Lago Merin
 
por vicentepimentero

O apêndice da Lagoa Mirim que nos pertence como balneário de uruguaios e brasileiros no país vizinho, esconde-se em um dos paraísos mais incríveis e naturais por que não dizer da América Latina. É claro que, padrões estéticos à parte, poderia ser um destino turístico melhor balanceado, ora por sua capacidade de carga, ora pelo respeito ao meio ambiente. 

Há contradições quanto a suas belezas naturais justamente pelo impacto irreversível desse turismo de massa, que passa pela vida sem dar-se de conta, assim como pela lagoa, sem dar a ela o merecido valor. Mas como tudo na vida não são flores, ainda convivemos com essas afrontas de comportamento social que destoam com o que se quer para o nosso entorno. Quando digo o que se quer, me auto intitulo porta voz daqueles que vivem a lagoa desta maneira apaixonada, onde a relação homem e natureza atravessa os limites da preservação, seja ela, através do respeito à dita natureza ou, apenas, à contemplação da mesma. 

Fraldas usadas e jogadas na areia à parte, pode se dizer que a Laguna continua apaixonando a todos e as quantidades de famílias e pessoas que escolhem o balneário como sua casa, decidem ir morar por lá, crescem dia a dia a diversidade de sua vegetação, seja ela nativa, de médio ou grande porte, seja ela caseira, através de plantas, jardins, e amor ao meio em que se vive. 

Na lagoa a regressão de pássaros, a diversidade biológica, e o contato explícito com a natureza fazem com que qualquer pessoa se encante à primeira vista, olhar, sentir, cintilar. Os poucos quilômetros que separam o charco d'água doce do mar, trazem um ar holístico com energia pampeana que apazígua qualquer alma batida que por ali se aprochegue. O luar, assim como o pôr do sol são os mais lindos que já vi, e olha que me dedico a isso. Na lagoa o tempo é outro, naquele rinconcito al este del Uruguay, as plantas florescem com sabor a vida pura, os mais lindos pássaros te visitam na hora do chimarrão, e quando a madrugada entra os jovens se entorpecem de noite na areia tíbia onde abunda a água límpida pelos juncos. 

Para ser Lagunero basta somente saber algumas coisas, entre elas, que ali habitam seres totalmente apaixonados e entrelaçados com a natureza. Vou usar uma frase que meu caro amigo Odyr publicou, há muitos anos atrás, quando falava do meu primeiro bar, lá na cidade de Pelotas...."vá, mas não avise os Alliens"

Publicado no Jornal Meridional , edição de 07/01/2014
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