sábado, 7 de dezembro de 2013

O Presidente Jango e o 13º Salário

A Gratificação natalina, ou décimo terceiro salário, que os trabalhadores devem receber neste mês de dezembro, para quem não sabe, foi instituída no governo do Presidente João Goulart por meio da Lei 4.090, de 13/07/1962. O Globo estampava em sua matéria de capa em 26 de abril de 1962: Considerado desastroso para o País um 13º Salário. “ Mal recebido por meios econômicos e financeiros a aprovação pela Câmara do Projeto que seria uma medida de cunho meramente eleitoreiro”

O conglomerado midiático da “famiglia” (máfia) Marinho sempre defendeu os interesses das oligarquias contra a população. O benefício para a classe trabalhadora foi conquistado e sancionado pelo Presidente, mesmo contra toda a pressão contrária por parte do empresariado, mercado financeiro e mídia conservadora que depois apoiaria o Golpe militar contra Jango para impedir a implementação das reformas de base. Não é por acaso que vemos repetida a mesma história tanto tempo depois. Hoje, a Organização Marinho é uma das maiores opositoras ao Bolsa Família só para dar um exemplo, além de exercer um terrorismo informativo diariamente. As pessoas que assistem ao Telejornal “Mau dia Brasil” são atingidas por um pessimismo em relação ao País que não está de acordo com o que vemos na vida real. Dizem que o pior cego é quem acredita na Globo.

A exumação dos restos mortais do Presidente João Goulart, acontecida há poucos dias em São Borja, para tentar elucidar as causas de sua morte representou muito mais que uma mera investigação policial. Representou um verdadeiro desagravo a esse político que teve sua memória aviltada pela mídia antes e depois de 1964. Conta-nos o Saul Leblon na Carta Maior : “ A ditadura só autorizou o sepultamento do ex-presidente, em São Borja, em túmulo a 40 metros do de Getúlio Vargas, com féretro blindado. Mesmo assim, na última hora, o então ministro do Exército, Sylvio Frota, da extrema direita militar, tentou anular a autorização expedida pela cúpula do governo Geisel. Era tarde. Morto, Jango retornava ao Brasil 13 anos depois de expulso pelas baionetas e pelas manchetes do jornalismo conservador. O caixão lacrado, conduzido em carro a alta velocidade, cruzaria a fronteira de Uruguaiana a 120 km por hora, vindo de Mercedes, na Argentina, onde ficava a estância dos Goulart. Ladeava-o um aparato militar com ordens expressas de não permitir manifestações populares no trajeto. Inútil. Quando chegou a São Borja, a população em peso nas ruas cercou o cortejo; o caixão foi conduzido à catedral, de onde cruzaria a cidade em marcha solene até o cemitério. “Jango, Jango, Jango!” Gritos guardados no fundo do peito desafiaram a presença das tropas”.

Leio que a exumação de Jango não mereceu mais que alguns segundos no Fantástico da Globo que no mesmo programa dedicou intensa cobertura aos cinquenta anos do assassinato do Presidente estado-unidense J. F. Kennedy. Isso já era de se esperar, para quem sempre apoiou o Brasil subjugado aos interesses do império norte americano. Por falar em Kennedy, recebi questionamento de um aluno da Unipampa sobre o porquê do bairro onde está instalada a Universidade levar o nome do Presidente ianque. Confessei que não sabia. Teria sido gratidão do governo militar pelo apoio dos EUA ao Golpe de 1964? Uma boa questão para o Curso de História. Quem sabe , consultados os moradores , não seria interessante apresentar um Projeto de Iniciativa Popular trocando o nome do Bairro para Presidente João Goulart?


Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do jornal Fronteira Meridional em 04\12\13



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