quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma Viagem às Missões Jesuíticas


Entre os dias 04 e 06 de abril do presente ano de 2014 o grupo PET(*) do curso de Produção e Política Cultural da Unipampa-Jaguarão, realizou uma saída de campo com destino às cidades de São Miguel das Missões e Santo Ângelo, no noroeste do estado. O escopo da viagem era conhecermos, in loco, as ruínas jesuítas e o artesanato guarani em São Miguel das Missões, e visitar a Catedral Angelopolitana e o Museu Dr. José Olavo Machado na cidade de San Ângelo.

Destaco, como curiosidade pessoal, a terra vermelha e o cultivo da mandioca em São Miguel. A herança cultural guarani ainda sobrevive em muitos detalhes, sutis, simbioticamente. Na pousada onde pernoitamos, em São Miguel, conhecemos um militar, nativo daquele pago, mas que há muitos anos mora fora do Rio Grande. Homem viajado, de fala serena e olhar perspicaz, ele é ciente do valor cultural e simbólico dessa herança  missionária que quase caiu no esquecimento. Destaca o esforço do IPHAN e da prefeitura municipal de São Miguel, que conseguiram, juntos, manter em pé as ruínas do outrora célebre templo, cujo plano foi originalmente desenhado por um arquiteto italiano, e executado com mão de obra guarani.

Assim, é digno de observação o trabalho em tijolo e a majestosa estética que ainda sobrevive nas paredes sem teto da catedral de São Miguel Arcanjo. O edifício —dizem— foi construído originalmente sem o uso de argamassa, mas hoje é esta a que mantém em pé as ruínas. É possível admirar também diversas esculturas de santos católicos, entalhadas em madeira e várias delas em tamanho natural, cujos olhos indígenas nos fazem imaginar as mãos que lhes deram forma. Acabadas numa peça só, seu estilo barroco lembra a obra do mestre mineiro Aleijadinho.

Descendentes daqueles artistas, dentro da área tombada alguns guaranis vendem hoje aos turistas e visitantes suas artesanias feitas em madeira e com penas de pássaros. São representações de animais típicos do bioma das Missões e do pampa, e objetos com valor decorativo ou que contêm significados místicos.

O espetáculo “Som e luz”, encenado pelas noites defronte às iluminadas paredes da velha catedral jesuíta, recria e dramatiza o tempo histórico que viu o nascimento, o apogeu e a destruição dos “Sete povos das Missões”, dos quais São Miguel era a capital.  A terra e as paredes do templo se metamorfoseiam, e através de um diálogo épico fazem a história voltar sobre seu curso dando vida a esse passado, nas vozes de seus diversos personagens. Narra o drama que:  Além da tragédia, do massacre de milhares de guaranis e suas famílias e dos poucos sacerdotes espanhóis que com eles morreram, conta-se a perda de uma riquíssima cultura mestiça... Fato destacável é o acordo assinado entre Espanha e Portugal, por meio do qual os “Sete Povos das Missões” (em território lusitano) deixavam de pertencer à coroa de Castilha e passavam ao domínio pleno de Portugal, e em troca a cidade de Colônia do Sacramento, na Banda Oriental (atual Uruguai) também mudava de senhor, e desde então obedeceria à coroa castelhana.

Em Santo Ângelo visitamos a sua bela catedral e o museu Dr. José Olavo Machado. A Catedral Angelopolitana é o principal templo da Diocese da cidade e foi construída entre os anos de 1929-1971. Sua arquitetura basicamente barroca lembra o templo da redução de São Miguel Arcanjo.

O Museu Municipal Dr. José Olavo Machado tem em seu acervo armas, ferramentas, instrumentos musicais, trabalhos em pedra feitos pelos guaranis e inúmeros outros materiais que evocam o período colonial.

Infelizmente a nossa visita foi curta devido ao horário em que lá chegamos. O Museu funciona de terça a domingo, das 9 ao meio-dia e das 14 às 17 horas.


            Darío Garcia

(*) PET: Programa de Educação Tutorial, que oferece bolsas aos alunos das universidades públicas brasileiras.

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 14/05/2014
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