sexta-feira, 29 de março de 2013

GBV- Este grupo existiu em Jaguarão

Nesta foto, No clube instrução, de 1986, já no último ano do GBV, 
15 anos da Silvana (irmã da Tatiana). Todos que se encontram na foto, 
praticamente eram do grupo. 



Agosto de 1983, sim.  O mês eu tenho quase certeza.  Isto ficou na memória.  Na casa da Candinha (mãe da Ana Maria Isquierdo),  na Rua Andradas, entre Carlos Barbosa e Gal. Marques.   Ali,  em uma reunião de amigos surgiu um Grupo de Jovens atuante, que existiu até meados de 1986.   O GBV,  grupo que se agregou a Igreja Divino Espírito Santo,  mas que tinha em seu meio,  jovens que não conseguiam ficar presos a certas visões  mais conservadoras. Assim, já começamos  deixando alguns adultos de orelhas em pé. Nos organizamos somente jovens.  Alguns já com 18 ou 19 anos.   E o mais interessante, fazíamos atividades de ação social, além de cultos religiosos onde o pandeiro (naquela época era quase pecado) fazia parte.   Fazíamos encontros onde participavam jovens de várias igrejas (ecumenismo em Jaguarão na década de 80 !!!  Sim, afinal, nós jovens não perguntávamos se era possível,  fomos e fizemos). 

Certa vez num encontro de jovens no CTG Rincão da Fronteira,  participaram jovens de várias igrejas, lembro de  um jovem que deu um testemunho de fé (era Testemunha de Jeová), também da Dilce (hoje reverenda da Igreja Episcopal) além de outros, que talvez até nem frequentassem alguma Igreja.  Mas lá se debatia a juventude, as inquietudes entre outros temas. Foi neste encontro que conheci o Maestro Jarbas Taurino, o qual íamos nos cruzar muito logo ali adiante.  E eu lá no meio,   eu que mais adiante acabei sem professar nenhuma religião, embora procure respeitar todas da melhor forma possível.  O que é a linha do tempo, hem?  

O Grupo Boa Vontade se reunia todos os sábados nos fundos da Igreja, onde discutíamos textos, em geral do Jornal Mundo Jovem (da PUC).  Para quem não sabe, um jornal à esquerda, em plena Ditadura.  Ah, e cantávamos muito, e entre estas músicas "Pra não dizer que não falei das flores".    Será que todos tinham consciência de que período vivíamos (final da ditadura, mas era Ditadura).  Alguns coordenavam o grupo, como o Correto (Ricardo, hoje advogado e Prof. Universitário), o Ricardo Costa (atual Pró-Reitor do Ifsul) além de mim, que acabava fazendo as "vezes" de coordenador.  E a ata, esta eu não abria mão.  Pior,  foi perdida em algum momento da história. Não achei mais.  Me culpo por isso.   Mas, fazer o que.  Ainda bem que nossa memória ainda está boa. Vou deixar para citar nomes de outros integrantes em outro momento (sempre falta algum).

Assim,  vamos resgatando a história de Jaguarão, que se dá também através de ações deste tipo. Pra melhor entender, muitos destes jovens, mais adiante (em seguida) acabaram fundando  um entidade cultural e um Partido Político socialista (PT). Considerando que o atual prefeito é do PT,  podemos perceber  as ligações dos fatos históricos com a conjuntura atual.   Claro que alguns jovens do GBV não participaram nem da luta cultural nem da luta política na década de 80 e 90, porém  os que ali se embrenharam,  nunca mais pararam.  Afinal, o tempo não para.

Carlos José de Azevedo Machado (Prof. Maninho)

Texto publicado na coluna Gente fronteiriça do jornal Fronteira Meridional  do dia 13/03/2013


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