quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mensagem ao “Arcanjo”Rafael Pinto


Batias bem o componedor na caixa dos tipos ao compasso duma melodia surgindo em tua cabeça, enquanto apareciam caracteres de todos os lados.

Mal sabias que, naquela dança animada, a cultura vinha aos borbotões, as palavras e linhas do texto se transformando em nascente pensamento.

Mesmo assim não te descuravas daqueles difíceis significados e interagias pelo ritmo de tua inspiração, em contraponto às rebuscadas frases.

Tuas mãos esculpiam uma harmonia perfeita da forma com o conteúdo, os dedos encardidos de artífice compondo a mais limpa das obras gráficas.

Eras Mestre em corrigir a ortografia nos descuidados originais e eu aquele Aprendiz a quem fazias sem querer pegar gosto pelo idioma pátrio.

Quando cochilavas à beira da bancada, oxalá teus sonhos pudessem alcançar a evolução da prensa de Gutenberg até a atual Era da Informática.

E assim me tornaste um escriba sem maiores pretensões do que jogar com as letrinhas como costumava fazer antigamente nos tipos de antimônio.

Depois de publicada esta “Ode à Tipografia” no blogue do Poeta das Águas Doces, de São Paulo, Luiz Augusto Dutra Resem me chama atenção pela coincidência do dia da postagem, 04 de dezembro, e aponta que, nessa data, em 1937, exatamente há 77 anos, seu avô Cantalício Resem fundava o jornal “A Folha”. Então, o tipógrafo Rafael Pinto já exercia suas atividades em “A Miscelânea” e praticamente me viu nascer, já que sua esposa Dª. Ismaela chegou a ser minha babá, quando passei a ser integrante da família Resem. Um anônimo colaborador da nossa imprensa, de inestimáveis serviços prestados à coletividade, cujo reconhecimento merece ser estendido a todos seus descendentes.

José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 10/12/2014


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