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terça-feira, 26 de julho de 2022

O Encontro de Aldyr Schlee com Enrique Amorin y Jorge Luís Borges no Hotel Italiano

 


No vídeo acima, registrado na II Feira Binacional do Livro de Jaguarão, em dezembro de 2011, Aldyr Garcia Schlee nos fala sobre seu projeto de escrever o livro "Contos com Espelhos" onde seus contos dialogam com os contos Borgianos.
Narra seu encontro, ainda menino, un "niño guapo", como lhe diria o escritor e poeta uruguaio Enrique Amorin, com Jorge Luis Borges no Hotel Italiano em Rio Branco.
Imagens de Borges : Galería de escritores y artistas de 1928 a 1959 por Enrique Amorim

Hotel Italiano em Rio Branco, anos 40, cenário do encontro entre Schlee, Enrique Amorin y Jorge Luis Borges.

Meu encontro com Amorim (e Borges) 

Aldyr Garcia Schlee

SEMPRE tive de Enrique Amorim uma impressão que não é a de quem o conheceu realmente; e jamais será a verdadeira, pois na única vez em que nos encontramos, não recordo que cheguei a vê-lo e não me lembro se me animei a falar-lhe, embora ele houvesse me visto e me tivesse dito ola, qué niño guapo, quando eu tinha seis ou sete anos e me levaram pela mão a Río Branco e me puseram diante dele e disseram depois que ele estava lá sim, bem sentado numa poltrona de vime no restaurant do hotel do Boroni, e tomava três dedos de fernet blanca num copo com água de sifón, ao lado de um enigmático amigo argentino que o vinha acompanhando sem pressa numa comprida viagem de automóvel ao longo da fronteira brasileira, parece que desde Salto a Artigas, depois a Santana do Livramento, por Tacuarembó, e de lá – quem sabe – a Bagé ou Aceguá, até Melo para, finalmente, chegar aqui, do outro lado do rio Jaguarão, hospedando-se ali mesmo, em Río Branco.

Se Enrique Amorim dispôs-se a atravessar a Ponte, vindo a Jaguarão, não sei; não soube nunca e não perguntei a ninguém. Desde então, muito tempo passou, apagando definitivamente de minha memória as improváveis lembranças que eu teria do autor uruguaio; e só outro dia fiquei sabendo que quem o acompanhava na viagem, como a própria razão de ser daquele longo périplo mítico sobre os coincidentes limites extremos do Norte uruguaio e do Sul brasileiro, num “país indocumentado”, era Jorge Luis Borges.

Hoje, passados de sessenta e sete a sessenta e oito anos, o anoso prédio do Hotel está transfigurado numa asséptica e arcondicionada duty free de artigos importados, onde já não sobram mais do que a bela fachada, na calle General Artigas e, pela calle General Rivera, diante do Banco de la República, a grossa parede lateral de dois pisos (nesta, não terá havido reboco nem pintura suficientes para apagar uma clara cicatriz em forma de porta, que perdura até hoje*, entre as vitrinas de baixo e sob as janelas de cima, denunciando que ali existira uma saída para a rua).   

Foto: Luis Carlos Vaz

Hoje, de Enrique Amorim já li quase todos os livros, já traduzi muitos de seus contos, já repassei grande parte de sua correspondência, já tive acesso a muitas de suas imagens fotográficas; mas, mesmo assim, não consigo imaginá-lo como ele terá sido na poltrona de vime do restaurant do hotel do Boroni, bebendo fernet-blanca. Não chego a reconhecer nas fotografias o homem sério de rosto comprido e magro, de testa alta e olhos distantes; não consigo ouvi-lo repetir qué niño guapo com a sua mesma voz que está gravada em disco e preservada pela História. 

O Henrique Amorim que me terá conhecido, eu o imaginei outro: gordo e de terno branco – como meu tio Carlos; talvez de óculos como Zé Lins; ou capaz de grandes gargalhadas por nada, como o Amorim marido de uma tia de minha futura mulher. Aquele, o que a mim me terá dito ola, aquele era outro – que não reconheço; que não era gordo nem usava óculos nem dava grandes gargalhadas; mas era muito rico, ilustrado e viajado, exatamente como o padrinho de minha irmã (o padrinho de minha irmã, esse tinha uma grande biblioteca, uma tentadora amante francesa, e passava todos os invernos no Rio de Janeiro, onde mantinha auto com chauffeur, dispondo permanentemente de apartamento no Hotel Avenida).

De Amorim, desafiam-me retratos sobre a mesa. Como reencontrá-lo e reconhecê-lo agora, nessas fotografias antigas, se nunca o encontrei de verdade ou o conheci de mentira em minhas lembranças, apesar de sempre ter guardado e resguardado em meus olvidos sua imagem? 

Esforço-me como se quisesse reencontrá-lo e reconhecê-lo nessas fotografias, de onde me olha como nunca o vi, entre gentes conhecidas e desconhecidas, homens e mulheres, sempre muito sério ou muito sorrindo, às vezes de chapéu bem posto, às vezes de cabeça descoberta, com seu mesmo cabelo penteado com gomina e repartido do lado. Uma vez está em 1943, como teria estado em Rio Branco, dois ou três anos antes, diante de mim, ao lado de seu companheiro de viagem e do padrinho de minha irmã; mas está também em 1945, encarando-me de frente, ao lado de Nicolas Guillén, Cândido Portinari e Toño Salazar; mirando-me firme como George Raft, ameaçadoramente como George Raft, bem como George Raft; e não me adianta admirar a risada aberta de todos os dentes de Guillén ou o contido sorriso de simpatia de Portinari, nem o risinho coadjuvante de Toño Salazar.



O padrinho de minha irmã, sabe-se lá de que forma, fora encarregado por Amorim de reservar-lhe habitação no hotel do Boroni, o Hotel Italiano, que todos tínhamos como um refinado estabelecimento hoteleiro. E conseguiu mais do que arranjar aposentos para Amorim e Borges: ele conseguiu que o Boroni abrisse uma porta diretamente do quarto reservado para a rua, na lateral do prédio, garantindo a privacidade dos dois hóspedes e dispensando-os de entrarem pelo restaurant do hotel.

Eu tinha, seis ou sete anos: só sei dessas coisas por ouvir contar; mas nunca as esqueci, na esperança de imaginar -- como se relembrasse -- o que foi dito e visto, aquele dia imemorável, numa mesa do Hotel Italiano, antes que a marca tumular da porta aberta na parede se transformasse no único testemunho concreto de meu encontro infantil com Henrique Amorim. E Jorge Luis Borges!
_____

* Entre maio e julho de 2010, o autor esteve sem ir a Jaguarão. Quando voltou, já não encontrou a porta, a marca da porta, a marca da porta empedrada na fachada lateral do antigo Hotel Italiano, quase na esquina, diante do Banco de la República, em Rio Branco. O prédio fora, finalmente, reformado – para atender à necessidade de esconder suas feridas e revelar sua pulcritude climatizada.  Mas restaram fotos de como tudo era; de tudo como fora antes.

Foto:Luis Carlos Vaz



Los hermanos Azpiroz, Esteban, Rufina y Simon. 
Provavelmente sentados nas poltronas de vime do Hotel Italiano 


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Los fantásticos barrocos



Reproduzimos resenha de Soledad Platero publicada hoje no Suplemento Cultural do El País - UY  sobre ensaio literário de Carlos Gamerro.


BORGES DECÍA QUE el primer acercamiento en lengua inglesa a Chuang Tzu (800 a.C.) fue el de Oscar Wilde, en el Speaker, en 1889. Mucho tiempo después de que Wilde diera su opinión sobre el "peligrosísimo" autor chino, el propio Borges, Adolfo Bioy Casares y Silvina Ocampo incluyeron una versión en español de la brevísima historia de la mariposa que soñaba, en su Antología de la literatura fantástica (1965). El texto es conocido: "Chuang Tzu soñó que era una mariposa. Al despertar ignoraba si era Tzu que había soñado que era una mariposa o si era una mariposa y estaba soñando que era Tzu". Dos oraciones bastan para tener una ficción barroca.
Para Carlos Gamerro, lo barroco puede manifestarse en el nivel de la frase -y ese sería el barroco más reconocible- o en el nivel de la anécdota, pero nunca en ambos. La frase barroca es la que todos entendemos como tal, y sus ejemplos más ricos pueden rastrearse en el Siglo de Oro español -en las complejas construcciones de Góngora o en la ramificada arquitectura de Quevedo-, y descubrirse con vigor renovado en el siglo XX latinoamericano -en la prosa de Lezama Lima y en la poesía "neobarrosa" de Néstor Perlongher, por ejemplo. Pero cuando hablamos de ficción barroca las cosas pueden no ser tan claras.                                        
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Los gauchos

arte: sitedepoesias.com



Quién les hubiera dicho que sus mayores vinieron por un mar, quién les hubiera dicho lo que son un mar y sus aguas.
Mestizos de la sangre del hombre blanco, lo tuvieron en poco, mestizos de la sangre del hombre rojo, fueron sus enemigos.
Muchos no habrán oído jamás la palabra gaucho, o la habrán oído como una injuria.
Aprendieron los caminos de las estrellas, los hábitos del aire y del pájaro, las profecías de las nubes del Sur y de la luna con un cerco.
Fueron pastores de la hacienda brava, firmes en el caballo del desierto que habían domado esa mañana, enlazadores, marcadores, troperos, capataces, hombres de la partida policial, alguna vez matreros; alguno, el escuchado, fue el payador.
Cantaba sin premura, porque el alba tarda en clarear, y no alzaba la voz.
Había peones tigreros; amparado en el poncho el brazo izquierdo, el derecho sumía el cuchillo en el vientre del animal, abalanzado y alto.
El diálogo pausado, el mate y el naipe fueron las formas de su tiempo.
A diferencia de otros campesinos, eran capaces de ironía.
Eran sufridos, castos y pobres. La hospitalidad fue su fiesta.
Alguna noche los perdió el pendenciero alcohol de los sábados.
Morían y mataban con inocencia.
No eran devotos, fuera de alguna oscura superstición, pero la dura vida les enseño el culto del coraje.
Hombres de la ciudad les fabricaron un dialecto y una poesía de metáforas rústicas.
Ciertamente no fueron aventureros, pero un arreo los llevaba muy lejos y más lejos las guerras.
No dieron a la historia un sólo caudillo. Fueron hombres de López, de Ramírez, de Artigas, de Quiroga, de Bustos, de Pedro Campbell, de Rosas, de Urquiza, de aquel Ricardo López Jordán que hizo matar a Urquiza, de Peñaloza y de Saravia.
No murieron por esa cosa abstracta, la patria, sino por un patrón casual, una ira o por la invitación de un peligro.
Su ceniza está perdida en remotas regiones del continente, en repúblicas de cuya historia nada supieron, en campos de batalla, hoy famosos.
Hilario Ascasubi los vio cantando y combatiendo.
Vivieron su destino como en un sueño, sin saber quienes eran o qué eran.

Tal vez lo mismo nos ocurre a nosotros.


Jorge Luis Borges

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...