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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Juca Ferreira defende política cultural para as fronteiras

Uma política cultural para as fronteiras e medidas para lançar um edital específico para pontos de cultura de fronteira. Estas foram algumas propostas anunciadas no último sábado (30) pelo ministro Juca Ferreira, em Jaguarão (RS), na divisa do Brasil com o Uruguai, onde participou de uma roda de conversa chamada Diálogo da Fronteira, com artistas, gestores, produtores e fazedores de cultura locais. A ministra da Educação e Cultura do Uruguai, Maria Julia Muñoz, também participou do debate.

Ministros Juca Ferreira e Maria Julia Muñoz ressaltaram
                importância de políticas culturais para a fronteira -Foto Lia de Paula    
       

O ministro defendeu a construção, na fronteira, de um território de "amizade, parceria, vivência cultural e integração com países irmãos". O anúncio do possível lançamento do edital para pontos de cultura nas divisas já em 2016 arrancou aplausos dos participantes da roda de conversa.

"Pretendo construir uma política cultural para fronteira e Jaguarão é um ícone, um ponto de partida para isso", afirmou. "É preciso ser uma política que dê conta da diversidade presente nessas regiões e que, ao mesmo tempo, estimule a integração e as parcerias. Pensem no Ministério como um parceiro para apoiar esse processo que vocês já vivem", destacou.

A proposta recebeu apoio da ministra da Educação e Cultura do Uruguai. "Vamos estar sempre atentos a fomentar a cultura de fronteira. Ela nos une entranhavelmente. Nossos povos têm sonhos em comum", afirmou Maria Julia Muñoz.

Pontos de Cultura


Pontos de Cultura são entidades culturais ou coletivos culturais que, por desenvolver ações de impacto sociocultural em suas comunidades, são certificados pelo Ministério da Cultura, recebendo dele apoio institucional e financeiro. O Plano Nacional de Cultura - PNC (Lei 12.343/2010) estabelece em seu Plano de Metas o fomento de 15 mil Pontos de Cultura até 2020.

Em Jaguarão, o ministro ressaltou a importância dos Pontos de Cultura para o fomento da cultura de base comunitária no país. "Historicamente, as comunidades acharam uma forma de qualificar seu ambiente e superar a ausência do Estado. Muitas vezes, em um ambiente degradado e submetido à violência, as pessoas produzem um ambiente mágico que só a arte e a cultura são capazes de fazer", comentou.

Ferreira enfatizou, ainda, que os Pontos de Cultura são "parte insubstituível" da Cultura brasileira, presentes em todo o país, desde a periferia até as comunidades indígenas. "É preciso reconhecer o direito do povo brasileiro de ter apoio do Estado para que se desenvolva. Nós vamos trabalhar para ampliar essa experiência", frisou.

Outras demandas


Ao longo do evento, participantes puderam expor seus pontos de vista e fazer demandas. Luta contra a intolerância religiosa, maior acesso à cultura, investimentos para o setor do audiovisual da região e a cultura vista como vetor de integração e de desenvolvimento regional foram alguns dos temas tratados.

Outro pedido de destaque foi a necessidade de descentralização na distribuição de recursos para a área cultural. Em relação a esse aspecto, mais uma vez, o ministro foi enfático ao defender a reforma da Lei Rouanet.

"A lei Rouanet representa 80% do dinheiro que o governo tem para aplicar na cultura. É mal aplicado porque, em última instância, quem define o uso é o departamento de marketing da empresa. E a empresa se associa a quem pode dar retorno de imagem a ela, então, a restrição é imensa", lamentou.

Além de Juca Ferreira e da ministra da Educação e da Cultura do Uruguai, estiveram presentes à roda de conversa o prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, e o diretor do departamento de Relações internacionais do MinC, Gustavo Pacheco, entre outros.

O Diálogos da Fronteira foi um dos compromissos cumpridos pela comitiva do Ministério da Cultural em Jaguarão ao longo do último sábado (30). Ao longo do dia, o ministro visitou espaços culturais e participou de cerimônia de celebração do reconhecimento da Ponte Barão de Mauá como primeiro bem binacional reconhecido como Patrimônio Cultural pelos países do Mercosul.

Fonte: Cecília CoelhoMinC

Ministro Juca Ferreira caminhou pela Ponte Mauá
Cerimônia de descerramento de Placa na Ponte Mauá, Patrimônio Cultural do Mercosul


 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Marta Suplicy - O "soft power" brasileiro


Londres conseguiu, no período da Olimpíada, construir uma imagem bastante positiva da Inglaterra. Trabalha agora para manter e ampliar esta conquista. Foca nas parcerias e presença cultural que possam gerar este tipo de dividendo no mundo.

Assim como as pessoas desenvolvem -às vezes com muito esforço- uma forma de expressão e conexão com o mundo, os países também constroem imagem e cara.

Podem provocar simpatia, implicância, admiração, desinteresse ou repulsa. No caso de países, esses sentimentos são formados pela atratividade de sua cultura, ideais e práticas políticas externas e internas. Quando essas políticas aparecem como legítimas aos olhos dos outros, o "soft power" daquele país cresce.

Além de suas capacidades militares e técnicas mesuráveis e visíveis, os países, cada vez mais, se esforçam para mostrar qualidades imateriais -veja a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) premiando o frevo como patrimônio imaterial.

Isso se chama "soft power". Se for suficientemente atraente, funcionará como uma luz que conquistará visitantes, investidores e sonhadores. Quando o conjunto é de tal monta consistente, pode exercer extraordinário poder (soft power) como Hollywood em relação aos EUA, a moda e a gastronomia na França, os monumentos históricos da humanidade na Itália e na Grécia...

Trata-se, porém, muito mais que cinema, comida ou monumentos. São valores, posições históricas, políticas externas e autoridade moral que, no conjunto, geram admirações e sonhos.

Com a projeção internacional do Brasil como nova potência econômica agregada ao já admirados futebol e Carnaval mais o interesse despertado por um país que diminuiu a desigualdade social ao eleger um operário para presidente e logo após uma mulher, temos a oportunidade única de fortalecer nosso "soft power" no cenário internacional.

Esse conceito foi criado por Joseph Nye, professor da Universidade Harvard, que define a capacidade de um país influenciar relações internacionais, exercer um papel de encantamento e sedução através de qualidades "softs", em especial manifestações culturais fortes e diversas. O termo se contrapõe ao poder militar chamado "hard power".

Países que já entenderam este "poder" investiram na transmissão de sua língua e presença cultural no exterior. A Inglaterra com o British Council, Alemanha com o Instituto Goethe, a França com a Aliança Francesa, Portugal com o Instituto Camões, a China com mais de mil institutos Confucio. Instituições que vão muito além do ensinamento do idioma.

Esses investimentos (o que temos de bom, o que produzimos para o mundo como cultura) ocorreram quando a maioria desses países começaram a perder suas colônias e precisavam aumentar seu comércio. Nós somos um país emergente, o único sem poderio bélico, mas que está descobrindo outra forma de inserção.

Essa é, acredito, a grande oportunidade de consolidação e ampliação de nossa força como potência atraente para comércio, investimentos e turismo. Temos, portanto, o desafio de somar e coordenar esforços numa articulação estruturada que tenha a capacidade de envolver agentes públicos e privados.

Com o mundo em transformação tão rápida, o desejo de desvendar o diferente, a procura do lazer pelos povos mais afluentes, a mobilidade e fome por conhecimento, sobretudo pela juventude, vislumbramos a condição de exercermos importante e decisiva atração no mundo. 

O Ministério da Cultura estuda os melhores instrumentos para a potencialização desta oportunidade, agora acentuada pelas janelas que serão a Copa e a Olimpíada.

MARTA SUPLICY, 67, é ministra da Cultura. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e senadora (2011-2012)


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Editais de Pontos de Cultura têm prazo ampliado para 11 de outubro



A Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Diretoria de Cidadania Cultural, informa que o prazo para inscrições de projetos nos editais de seleção de Pontos de Cultura foi ampliado para 11 de outubro de 2012. A ampliação, que foi publicada no Diário Oficial do Estado em 10 de agosto, objetiva o aprofundamento do processo de democratização das informações acerca dos editais, com a realização de um maior número de oficinas de capacitação de grupos culturais. A meta é que, até o final do período de inscrições, sejam realizadas cerca de 75 oficinas, em todas as 28 regiões do estado definidas pelos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (COREDEs). Até o momento, já foram realizadas 26 oficinas.

Os editais são produto do convênio firmado com o Ministério da Cultura (MinC), a partir da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, dentro dos programas Cultura Viva e Mais Cultura. O total de recursos investidos neste convênio chega a R$ 18,13 milhões, contemplando grupos culturais da sociedade civil, sem fins lucrativos, com pelo menos 3 anos de atividades e 3 anos de CNPJ.

No total, serão selecionados 160 projetos culturais. Destes, 100 serão reservados para iniciativas de entidades oriundas de municípios com até 10 mil habitantes, que receberão R$ 60 mil para os próximos três anos (edital SEDAC nº 10 / 2012). Nas cidades com mais de 10 mil habitantes, serão selecionadas 60 propostas para receber R$ 180 mil, em três anos (edital SEDAC nº 11 / 2012). Os editais preveem a seleção de, pelo menos, 6 Pontos de Cultura em cidades de fronteira com Uruguai e Argentina, bem como 16 Pontos de Cultura em Territórios de Paz, no âmbito do programa RS na PAZ.

Ambos os editais estão disponíveis no link www.cultura.rs.gov.br/v2/2012/06/editais-do-rede-rs-de-pontos-de-cultura e no site do programa Cultura Viva / MinC


Com a ampliação do prazo, as inscrições poderão ser feitas até às 18h do dia 11 de outubro de 2012.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Políticas públicas no País da diversidade cultural


Visita da Ministra Ana de Hollanda selou investimentos na região


Ao completar nosso primeiro ano à frente da Representação Regional Sul do Ministério da Cultura, consideramos importante relatar o trabalho de implementação das políticas públicas promovidas. Desde o início, estabelecemos que era preciso ampliar nossa atuação junto aos vários segmentos culturais, assim como dar continuidade aos projetos e programas em andamento. No Rio Grande do Sul demos prioridade ao diálogo e à parceria com a Secretaria da Cultura/Sedac, simbolizados na participação da Secretaria de Articulação Institucional e RRSul/MinC na Conferência Estadual de Cultura, realizada na cidade de Santa Maria. Na ocasião, foi assinado o Acordo de Cooperação Federativa do Sistema Nacional de Cultura, resultando em um convênio de repasse de orçamento - o Mais Cultura RS - para os quatro anos de governo, no valor de R$ 18,925 milhões, com contrapartida local, envolvendo 500 Pontos de Cultura. Naquele momento foram conhecidos outros investimentos no patrimônio cultural destinados a diversas cidades do Estado, como com os municípios de Pelotas e Jaguarão e mais onze prefeituras signatárias do PAC das Cidades Históricas, que, em dezembro, pela primeira vez em sua história, receberam a visita de um ministro da Cultura.


A participação na organização da II Conferência Nacional de Cultura, em nome do Instituto Brasileiro de Museus, nos permitiu perceber a dimensão do trabalho empreendido, desde 2009, pela Secretaria de Articulação Institucional em todos os estados do Brasil, para estabelecer o Sistema Nacional de Cultura em estados e municípios. Estivemos em mais de 50 municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, enfatizando noções e conceitos de políticas públicas defendidas pelo Ministério da Cultura, bem como ouvindo, orientando e capacitando pessoas interessadas na gestão e no fazer cultural. Dessa jornada, resultou a adesão de 20,2% no RS, 17,4% em SC e 10% no PR ao Sistema Nacional de Cultura, baseado na criação de órgãos gestores de cultura, conselhos de políticas culturais democráticos, modalidades de financiamento com fundos próprios para a cultura, sistemas de informações, planos decenais e programas de formação na gestão cultural.

Margarete Moraes
Representante da RRSul/MinC

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ministra Ana de Hollanda visita as cidades gaúchas de Pelotas e Jaguarão nesta quarta-feira


Na agenda da ministra em Jaguarão, visita às obras na Enfermaria


A Ministra Ana de Hollanda participa, amanhã (14) e quinta-feira (15), de dois importantes eventos, ligados diretamente à conservação do patrimônio histórico brasileiro: a entrega da obra de restauração da Caixa d’Água de Pelotas e o tombamento de vários imóveis em Jaguarão, onde apresenta os projetos culturais do Ministério da Cultura na cidade. Dois eventos que atestam a riqueza dos sítios arquitetônicos não apenas do Rio Grande do Sul, mas do País.

A Caixa chegou ao Brasil e foi montada em 1875, vinda da Escócia, comprada pela Companhia Hydráulica Pelotense. Representa raro exemplar de construção metálica, instalado na Praça Piratinino de Almeida, coração de Pelotas. A restauração, contratada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi de grande complexidade.

Antes, porém, a ministra visita as obras de reconstrução da Casa nº 8, na Praça Coronel Pedro Osório. Erguida pelo arquiteto José Izalla Merotti, em 1878, para servir à família do Conselheiro Maciel – o Barão de Cacequi –, abrigou o quartel general do 9º Regimento de Infantaria, em Pelotas, entre 1955 e 1973.
Tombado pelo Iphan e adquirido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o imóvel abrigará o Museu do Doce e o Museu da Arqueologia. Atualmente já conta com um cinema de arte.

Em Jaguarão, Ana de Hollanda participa do maior tombamento do Sul do País, de quase 700 imóveis. A jornada começa no Cine Regente, onde ela apresenta os projetos culturais do Governo Federal na cidade.

A ministra visita as obras nas ruínas da Antiga Enfermaria, futuro Centro de Interpretação do Pampa, obra que compõe o PAC das Cidades Históricas. Em seguida, vai ao Teatro Esperança, cuja restauração foi realizada pelo Iphan. Fecha a estada em Jaguarão na Ponte Mauá – que liga a cidade a Rio Branco (Uruguai) –, que será reconhecida como o primeiro patrimônio cultural do Mercosul.

Fonte:  http://www.cultura.gov.br Ascom/MinC

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fronteira: Contrabandeando cultura

Cooperação Brasil-Uruguai

MinC assina protocolo para desenvolvimento de políticas culturais entre os dois países
Durante visita oficial ao Uruguai, a presidenta da República, Dilma Rousseff, assinou com o presidente uruguaio José Mujica, na tarde desta segunda-feira, 30 de maio, 16 termos de cooperação bilateral, incluindo a área da Cultura. Na ocasião, foi firmado um Protocolo de Intenções entre os ministérios da Cultura do Brasil e da Educação e Cultura do Uruguai visando ao desenvolvimento de ações conjuntas no âmbito cultural.

O Protocolo, assinado entre a ministra Ana de Hollanda e o ministro da Educação e Cultura do Uruguai, Ricardo Ehrlich prevê o fomento de projetos  para o intercâmbio de políticas públicas já adotadas por ambos os países, como os Pontos de Cultura, no caso brasileiro, além das usinas e fábricas culturais uruguaias. Outro ponto que integra o documento é a questão do intercâmbio de experiências sobre programas de inserção e transformação social pela Cultura, a partir, por exemplo, do desenvolvimento dos programas Cultura Viva e Mais Cultura, realizados pelo MinC.
As atividades a serem implementadas vão fazer parte de um Plano de Trabalho que será, a partir de agora, definido entre os países, sempre de comum acordo, tendo em vista as prioridades estabelecidas pelas áreas a que dizem respeito. Os aportes financeiros para a realização das tarefas previstas nos itens do protocolo também serão ainda definidos. O acordo celebrado em Montevidéu começa a vigorar na data de sua assinatura e a sua vigência será de três anos, prorrogável automaticamente por períodos de igual duração.
Manifestações culturais
O Protocolo abrange uma série de ações, dentre elas, as de cooperação, intercâmbio e divulgação mútua das experiências e manifestações culturais brasileiras e uruguaias; de promoção da cidadania e da proteção do patrimônio cultural material e imaterial; além de ações de fortalecimento das atividades da cultura, levando-se em conta a diversidade cultural, étnica e linguística.
O tema relacionado à língua e à literatura consta no documento. A ideia é promover o encontro de escritores brasileiros e uruguaios na fronteira, com a participação de editores, distribuidores e representantes dos sistemas de bibliotecas dos dois países. Outra ação é incentivar a tradução de autores brasileiros e africanos de Língua Portuguesa para o espanhol.
A questão das culturas afrodescendentes também está incluída no protocolo. Os dois países deverão estimular atividades que valorizem as práticas culturais de matriz africana e também promover a construção de um ambiente de interação e discussão favorável à elaboração de políticas públicas e ações no campo da cultura afro.
Outros itens do documento referem-se ao estímulo da cooperação entre museus, ao intercâmbio de experiências nos diversos segmentos do audiovisual, ao fortalecimento institucional, por meio de ações direcionadas ao setor cultural de ambos os países, ao Livro e à Leitura, além de outros. A partir de agora, será elaborado o Plano de Trabalho das atividades que serão colocadas em prática.
Em 2010 teve início o diálogo entre os dois países com o objetivo de promover e apoiar diversas iniciativas culturais conjuntas na região da fronteira Brasil-Uruguai. Em julho do mesmo ano, a Carta da Fronteira reuniu as demandas apresentadas pelas lideranças municipais, após encontro ocorrido em Santana do Livramento.
(Texto: Glaucia Lira, Ascom/MinC)
(Foto: Roberto Stuckert filho/PR)
Parabéns à Secult Jaguarão e à Unipampa que vem atuando intensamente na integração cultural na fronteira. A Formação do Grupo Fronteras Culturales, A Feira Binacional do Livro em Jaguarão com a presença do MEC Uruguaio e da Casa de los escritores del Uruguay.  

domingo, 27 de março de 2011

A opinião de Caetano Veloso sobre o Caso Bethânia

Reproduzimos do blog do Murilo, Perca tempo. 


Bethânia 
CAETANO VELOSO


O GLOBO - 27/03/11


Não concebo por que o cara que aparece no YouTube ameaçando explodir o Ministério da Cultura com dinamite não é punido. O que há afinal? Será que consideram a corja que se "expressa" na internet uma tribo indígena? Inimputável? E cadê a Abin, a PF, o MP? O MinC não é protegido contra ameaças? Podem dizer que espero punição porque o idiota xinga minha irmã. Pode ser. Mas o que me move é da natureza do que me fez reagir à ridícula campanha contra Chico ter ganho o prêmio de Livro do Ano. Aliás, a "Veja" (não, Reinaldo, não danço com você nem morta!) aderiu ao linchamento de Bethânia com a mesma gana. E olha que o André Petry, quando tentou me convencer a dar uma entrevista às páginas amarelas da revista marrom, me assegurou que os então novos diretores da publicação tinham decidido que esta não faria mais "jornalismo com o fígado" (era essa a autoimagem de seus colegas lá dentro). Exigi responder por escrito e com direito a rever o texto final. Petry aceitou (e me disse que seus novos chefes tinham aceito). Terminei não dando entrevista nenhuma, pois a revista (achando um modo de me dizer um "não" que Petry não me dissera - e mostrando que queria continuar a "fazer jornalismo com o fígado") logo publicou ofensa contra Zé Miguel, usando palavras minhas.
A histeria contra Chico me levou a ler o romance de Edney Silvestre (que teria sido injustiçado pela premiação de "Leite derramado"). Silvestre é simpático, mas, sinceramente, o livro não tem condições sequer de se comparar a qualquer dos romances de Chico: vi o quão suspeita era a gritaria, até nesse pormenor. Igualmente suspeito é o modo como "Folha", "Veja" e uma horda de internautas fingem ver o caso do blog de Bethânia. O que me vem à mente, em ambas as situações, é a desaforada frase obra-prima de Nietzsche: "É preciso defender os fortes contra os fracos." Bethânia e Chico não foram alvejados por sua inépcia, mas por sua capacidade criativa.
A "Folha" disparou, maliciosamente, o caso. E o tratou com mais malícia do que se esperaria de um jornal que - embora seu dono e editor tenha dito à revista "Imprensa", faz décadas, que seu modelo era a "Veja" - se vende como isento e aberto ao debate em nome do esclarecimento geral. A "Veja" logo pôs que Bethânia tinha ganho R$1,3 milhão quando sabe-se que a equipe que a aconselhou a estender à internet o trabalho que vem fazendo apenas conseguiu aprovação do MinC para tentar captar, tendo esse valor como teto. Os editores da revista e do jornal sabem que estão enganando os leitores. E estimulando os internautas a darem vazão à mescla de rancor, ignorância e vontade de aparecer que domina grande parte dos que vivem grudados à rede. Rede, aliás, que Bethânia mal conhece, não tendo o hábito de navegar na web, nem sequer sentindo-se atraída por ela.
Os planos de Bethânia incluíam chegar a escolas públicas e dizer poemas em favelas e periferias das cidades brasileiras. Aceitou o convite feito por Hermano como uma ampliação desse trabalho. De repente vemos o Ricardo Noblat correr em auxílio de Mônica Bergamo, sua íntima parceira extracurricular de longa data. Também tenho fígado. Certos jornalistas precisam sentir na pele os danos que causam com suas leviandades. Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto "máfia do dendê", expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um "Verdade tropical"). Pensam o quê? Que eu vou ser discreto e sóbrio? Não. Comigo não, violão.
O projeto que envolve o nome de Bethânia (que consistiria numa série de 365 filmes curtos com ela declamando muito do que há de bom na poesia de língua portuguesa, dirigidos por Andrucha Waddington), recebeu permissão para captar menos do que os futuros projetos de Marisa Monte, Zizi Possi, Erasmo Carlos ou Maria Rita. Isso para só falar de nomes conhecidos. Há muitos que desconheço e que podem captar altíssimo. O filho do Noblat, da banda Trampa, conseguiu R$954 mil. No audiovisual há muitos outros que foram liberados para captar mais. Aqui o link: http://www.cultura. gov. br/site/wp-content/up loads/2011/02/Resultado-CNIC-184%C2%AA.pdf. Por que escolher Bethânia para bode expiatório? Por que, dentre todos os nossos colegas (autorizados ou não a captar o que quer que seja), ninguém levanta a voz para defendê-la veementemente? Não há coragem? Não há capacidade de indignação? Será que no Brasil só há arremedo de indignação udenista? Maria Bethânia tem sido honrada em sua vida pública. Não há nada que justifique a apressada acusação de interesses escusos lançada contra ela. Só o misto de ressentimento, demagogia e racismo contra baianos (medo da Bahia?) explica a afoiteza. Houve o artigo claro de Hermano Vianna aqui neste espaço. Houve a reportagem equilibrada de Mauro Ventura. Todos sabem que Bethânia não levou R$1,3 milhão. Todos sabem que ela tampouco tem a função de propor reformas à Lei Rouanet. A discussão necessária sobre esse assunto deve seguir. Para isso, é preciso começar por não querer destruir, como o Brasil ainda está viciado em fazer, os criadores que mais contribuem para o seu crescimento. Se pensavam que eu ia calar sobre isso, se enganaram redondamente. Nunca pedi nada a ninguém. Como disse Dona Ivone Lara (em canção feita para Bethânia e seus irmãos baianos): "Foram me chamar, eu estou aqui, o que é que há?"

Caetano Veloso 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O ACESSO À CULTURA COMO DIREITO

Arte: Pintura em tela - Zé Darci


Ministra pede agilidade a deputados para aprovar Vale Cultura

Brasília – A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, afirmou hoje (27/1) que já entrou em contato com parlamentares da Câmara dos Deputados para pedir mais agilidade na tramitação do projeto de lei que cria o Vale Cultura. A expectativa, segundo ela, é que o benefício seja aprovado ainda neste primeiro semestre.

O PL 5.798/09, que institui o Vale Cultura, prevê o pagamento de um valor mensal de R$ 50 em cartão magnético a trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos. O valor poderá ser usado para a compra de livros, CDs e DVDs, ou para assistir a filmes, peças de teatro e espetáculos de dança.

“Acho que não há nenhum questionamento sobre a importância [do projeto de lei] e de disponibilizar logo para o trabalhador esse direito de ter acesso à cultura”, disse, após participar de entrevista a emissoras de rádio, durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços.

Segundo Ana Hollanda, a cultura ainda é vista como um segmento “meio abstrato”, mas tem uma função muito objetiva de lidar com o cidadão. “Se a gente não trabalhar, a cultura estará perdendo uma grande oportunidade de se inserir no dia a dia do trabalhador.”

Fonte:   Agência Brasil

             Publicação: 27/01/2011
             http://www.correiobraziliense.com.br/ 

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...