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sábado, 19 de maio de 2012

III Canto do Jaguar - Nei Lisboa - Telhados de Paris


Show de Nei Lisboa no III Canto do Jaguar - Jaguarão- RS - Março de 2010
Telhados De Paris (Nei Lisboa)
Venta
Ali se vê
Onde o arvoredo inventa um ballet
Enquanto invento aqui pra mim
Um silêncio sem fim
Deixando a rima assim
Sem mágoas, sem nada
Só uma janela em cruz
E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que o engano fez aqui
Mas tem no outono uma luz
Que acaricia essa dureza cor de giz
Que mora ao lado e mais parece outro país
Que me estranha mas não sabe se é feliz
E não entende quando eu grito


O tempo se foi
Há tempos que eu já desisti
Dos planos daquele assalto
E de versos retos, corretos
O resto da paixão, reguei
Vai servir pra nós
O doce da loucura é teu, é meu
Pra usar à sós
Eu tenho os olhos doidos, doidos, já vi
Meus olhos doidos, doidos, são doidos por ti

sábado, 28 de janeiro de 2012

Coluna do Juremir: Nei e o Fórum

Nei Lisboa no III Canto do Jaguar - Jaguarão - 2010 

Fomos ver Nei Lisboa no Teatro Renascença. Já faz parte das características de Porto Alegre como o calorão de janeiro e fevereiro, o friozão de agosto, as flautas entre colorados e gremistas, as brigas do Cpers com os governos e o muro do Guaíba. Nei Lisboa é dez. Como os vinhos gaúchos, está cada vez melhor, embora bom mesmo é um bom vinho francês. Está cada vez melhor por ser o mesmo. Tem humor, ironia, sofisticação e simplicidade. Não é para poucos. Ver Nei Lisboa em tempos de Fórum Social Temático, cria do Fórum Social Mundial, faz pensar no slogan do FSM, só que como pergunta levemente modificada: um outro mundo musical é realmente possível?

Ao contrário do que alguns pensam, sou chinelo. Gosto de tudo, até do que não gosto, depende do dia. Gostar não me impede de criticar. A maior bobagem para mim é a frase "respeita o gosto dos outros". Desrespeitar é proibir, chamar a Polícia, sair atirando. Criticar é do jogo. Vejo no funk, no pagode e até no sertanejo universitário expressões de vitalidade. Gente querendo viver intensa e facilmente. Talvez facilmente demais. Há em Michel Teló esse vitalismo da carne, essa pulsão do corpo, esse apelo aos instintos do qual quase ninguém escapa. Mas isso poderia acontecer de outra maneira? Todo gosto é relativo? É lícito pensar na existência de gostos mais ou menos apurados? É preconceituoso pensar em levar o fã de Michel Teló a gostar de Nei Lisboa? Ou, como diz aquela letra altamente poética que chegou a andar na boca de muita gente não faz muito, "cada um no seu quadrado?".

Nei Lisboa é o D''Alessandro da música do Rio Grande do Sul. E D''Alessandro é o melhor jogador do Inter desde Falcão e Carpegiani. Nei fez a escolha do verdadeiro artista: a qualidade acima da grana e da fama. Poderia estar rico se tivesse aderido à ascensão da chinelagem. Oportunidades não lhe faltaram. Poderia, por exemplo, ter feito músicas melosas para folhetins de televisão. Há algum tempo, um compositor admitiu que alguém precisa fazer o "serviço sujo". Por que jogador de futebol não faz gol e pede música de Nei Lisboa? Essa é pergunta muita séria? Ela pode ser refeita assim: como é formado o nosso imaginário musical? Chato? Pensar é chato, perguntar é chato, responder é muito mais chato. Críticos existem para chatear os outros com suas questões chatas. Todo crítico é mala. Eu sou mala. Mala e chinelo. Só que mala e chinelo com surtos questionadores. Pior não há.

Quando ouço Nei Lisboa, penso: é possível fazer música popular e inteligente. Mas daria para usar embaixo do edredom no "BBB12"? Tenho a impressão que não. Aí Nei Lisboa é um fracasso. Não atingiu esse nível de criatividade. Não é fácil fazer música capaz de cair no gosto dos participantes do programa mais vagabundo da história da televisão brasileira. Até a revista Oia, sempre tão populista, admitiu que se trata de um caso de escola de baixaria. Por isso, fui ver o show do Nei Lisboa. Para me limpar. Sair purificado. Uma mala nova.


Juremir Machado da Silva 
juremir@correiodopovo.com.br

Coluna publicada no Correio do Povo em 27/01/2012 - 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

III Canto do Jaguar - Nei Lisboa - Relógios de Sol -.wmv


Enquanto aguardamos a realização do IV Canto do Jaguar, vamos curtindo e rememorando os melhores momentos do Festival  de 2010 .


Relógios de Sol (Nei Lisboa)

Troco teu leite e mel
Por meu suor e algumas rugas
Me ajudas a sonhar
Te salvo de dragões
Troco um lugar no céu
Por vadiar nas tuas grutas
Me pregas uns botões
Eu trato de vender

Relógios de sol
E copos de chuva
Punhados de azul
Receitas de ajuda
Uns quadros de Deus
Fatias de fruta-pão

Troco caçar leões
Por remendares meia
Me inventas um troféu
Eu trato de vencer
Solto meu barco ao léu
Das tuas velas prenhas
Me diz onde chegar
Eu vivo de aceitar

Retalhos de sol
Caminhos de seda
Tecidos no chão
Das fibras da tua mão

Troco um desejo teu
Por um silêncio à luz da lua
Me enfeitas vendavais
Eu quero iluminar
Um par de lampiões
Em troca de aventura
Me dizes que será
Eu faço o que puder

Relógios de sol
Receitas de chuva
Uns versos de Deus
Uns quadros de frutas
Pedaços de chão 
Das linhas da tua mão 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Porque eso es la vida

Nei Lisboa, Martim César, José Carbajal, Yo (Canto do Jaguar, 2010)


Borracho pero con flores , vengo.

Y vino, vino a Jaguarão, El Sabalero se hizo presente no Canto do Jaguar em março de 2010, num show que ficará na história, pois pela primeira e, por fatalidade do destino, última vez, fez uma apresentação no Brasil. Emocionante, sencilla, cativante quando desceu do palco e caminhou no meio do público cantando la Chiquillada.

Um poeta e cronista do cotidiano, das coisas simples. Simples, como era ele. Recordo quando a banda chegou na pousada onde reservamos a estadia...o pessoal foi escolhendo os quartos e quando ele chegou, o produtor perguntou se ele queria ficar na suite principal e ele, muy tranquilo disse, no, me quedo acá mismo, num colchonete que havia no chão.
Depois do show, no jantar de confraternização, chegou na mesa onde estava concentrado o seu pessoal e foi dizendo , nada de quedarnos charlando entre nosotros, mezclense con la gente, tenemos de integrarnos!

Fez questão de tirar essa foto com Nei Lisboa, tinha intenções de conhecer mais o Brasil. E nós de mostrá-lo ao Brasil. Sua obra o fará.


LA MUERTE - JOSE CARBAJAL


"Me enrosco en tus ancas fuertes
y en tus ternuras mi negra
me gusta vivir la vida
entregándome a la suerte
pa' no tener tanto miedo
cuando me abrace la muerte".

"La muerte andaba rondando
quién sabe dónde andará
no me dejes alegría
no te vayas vida mía
que esta puta vieja y fría
nos tumba sin avisar". (La muerte) José Carbajal



Jorge Passos


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

NEI LISBOA EM TURNÊ NACIONAL


Nei Lisboa começa Turnê Vapor da Estação


Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...