segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jaguarão terá uma escola técnica do Instituto Federal Sul-rio-grandense


Dos cerca de 40 novos polos aprovados pelo Governo Federal, este será o único criado no Estado


O Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, autorizou, em Brasília, a criação de um polo presencial do IFSul em Jaguarão. Dos cerca de 40 novos polos aprovados pelo Governo Federal, este será o único criado no Estado.


Com a decisão, a escola passará a ser a segunda do instituto na região de fronteira com o Uruguai. De acordo com o reitor Antônio Carlos Barum Brod, a aprovação é resultado de um trabalho que vem sendo realizado nos últimos anos, fruto da política de relações internacionais desenvolvida pela instituição.  "Mais uma vez o IFSul está sendo reconhecido pelo seu trabalho", observa o reitor, recordando que o instituto inovou  e teve sucesso ao implantar há dois anos o campus avançado de Santana do Livramento - primeiro da América Latina a oferecer cursos binacionais, fato que pesou a favor da instituição.

"Essa inovação se deu através da execução de projetos de qualificação profissional desenvolvidos em parceria entre o IFSul e o Conselho de Educação Técnico Profissional da Universidade do Trabalho do Uruguai (CETP-UTU)", observa a titular da Assessoria de Assuntos Internacionais, Lia Pachalski, referindo-se aos primeiros cursos binacionais.

Jaguarão está localizado numa microrregião ainda não atendida pela Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. É um município estratégico para o programa de escolas binacionais e para articulação entre os ministérios da Educação e da Integração Nacional. De acordo com Brod, esses foram os argumentos defendidos junto ao Ministério da Educação e determinantes para a decisão da implantação do polo.

"Autoestima elevada, carreira promissora e perspectivas de um futuro melhor através da educação. Com essa escola em Jaguarão, os ganhos são imensuráveis e vão fazer a diferença no desenvolvimento desta importante região de fronteira, a exemplo de Santana do Livramento", destaca o dirigente.

O polo presencial funciona como um campus, porém com características diferenciadas. São escolas de menor porte, planejadas para receber dez docentes e seis técnico-administrativos. A unidade em Jaguarão vai atender áreas prioritárias, oferecendo cursos técnicos de nível médio.

O próximo passo agora é avaliar quais cursos serão ofertados, o que acontecerá após análise detalhada das principais demandas da região, levando em consideração os projetos já desenvolvidos pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), nas áreas de Mecânica Industrial e Restauro do Patrimônio Edificado.

Os recursos a serem investidos serão definidos a partir das necessidades decorrentes da implantação.

O espaço

Em relação à infraestrutura, em acordos anteriores ficou acertado que a prefeitura de Jaguarão oferecerá o espaço para o funcionamento da escola. Várias áreas já foram disponibilizadas para que possam ser avaliadas pelo instituto. A previsão é de que a implantação ocorra até o fim deste ano.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Ao Basílio Conceição



Num Tempo escasso de aventuras
Pássaro cativo, voastes
Proclamando a pampa livre
Ébria e louca
Conquistada verso a verso
Nos trovões de Ana Luz

Num tempo escasso de amores
Só tu soubestes como amar
Torto
Transgredindo normas
Vertendo acordes
Bob Dylan de bombacha,
Gaita de boca e violão.

Violastes, Basílio
Concebestes,
Vagastes!
Andas por aí
Na Groenlândia ou em qualquer lugar
Feito a sombra do bem vindo
Trazendo a luz em tuas mãos


Jorge Passos


Nascido e criado em Arroio Grande, cidade que amou com paixão ( o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões) e que sempre esteve presente em suas composições, Basílio dedicou-se desde cedo à bebida, aos amigos, à farra, às mulheres (as fáceis e as difíceis), à música, (a menos fácil). Não necessariamente nessa ordem. Em suma, dedicou-se à boemia, à boemia produtiva, a fazer música.

Além disso, era bancário, profissão que exercia com certo zelo, digamos o zelo possível , tendo em vista as ocupações descritas anteriormente e um pouco conflitivas com este oficio convencional. Certo dia tomou uma decisão que mudaria o seu destino. Escreveu num pedaço de papel uma frase endereçada ao gerente e que deixou encima de sua mesa de trabalho. A frase dizia: O pássaro voou. E nunca mais apareceu no banco.

Gênio, irreverente , imprevisível, indomável, maldito.

O poeta e escritor Pedro Bittencourt Jr, também seu parceiro em algumas composições, conta que se tratavam mutuamente por diabo. Gostava muito de rock. Para se ter uma ideia, sua filha leva o nome de Janis Joplin Conceição.

Eu o conheci pessoalmente num festival em Arroio Grande lá pelos anos 80, uma roda de viola dentro de um barracão de lona. Relembro vagamente, pois também nos dedicávamos um pouco à bebida. Depois tocamos juntos alguma vez quando aparecia seguidamente no Bar Americando em Pelotas. Depois foi a Projeção com a vitória no Musicanto de Santa Rosa em 1984 e um trabalho cada vez mais criativo e fecundo.

Em 1990, Basílio morreu prematuramente num acidente automobilístico na estrada Pelotas- Rio Grande, justamente quando preparava o lançamento do seu primeiro LP.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sonho em déjà-vu


Para Kenya 
Planando no teu sonho tu me viste,
fotografando a História numa esquina!
Ao cruzares por mim, sei que sorriste,
mas, fiel ao manifesto e à doutrina!
Pintava o sol, com cor de tangerina,
aquele espaço quase subversivo!
Saídos dessa cena bizantina,
fomos curtir um show educativo!
“A dúvida que tens, talvez eu tenha,”
falar-te-ia agora, sussurrando,
mas, me perdi em teu sono, e sem a senha,
numa várzea sem luz me vi vagando!

Dario Garcia
Jaguarão, 24 de agosto de 2012 


Mapa para o melhor Carnaval do Sul do Brasil


domingo, 6 de janeiro de 2013

Hoje é o dia de Santos Reis


É folclore, manifestação espontânea do povo, andanças tradicionais e animadas que começam mais ou menos em 30 de dezembro e terminam a 6 de janeiro que é o Dia dos Reis. Grupos de músicos com seus regionais mais ou menos treinados cruzam a cidade em várias direções, pacatos, os Reis sempre trabalham à base de pouca "acatape" e muita simpatia, nunca se viu um Reis no xadrez da polícia até mesmo as delegacias de nossa capital dão licença para os tiradores de Reis. Meu pai adorava os reis, quando se ouviam os primeiros acordes dos instrumentos musicais em nossa porta o poeta de Solimões acordava, às vezes à meia noite, e entrava em diálogo com um dos populares dos Reis. Certa ocasião na rua do Trilho de Ferro, onde morávamos chegou um grupo, como era cedo ainda, nove horas, os tiradores, chefiados pelo músico Vicentinho tocaram apenas, o que não satisfez, o Quintinho em respostar perguntou:

– Por que não cantam? heim mestre?

– Seu doutor é porque a porta está aberta. Nós só canta quando ela está fechada.

Sem perder um minuto meu pai que era homem de repente fechou as portas, apagou a luz da entrada, eles também não se fizeram de rogados. Os seis homens começaram a cantar os primeiros versos que nunca me esqueci:

Aqui estou em vossa porta
em figura de raposa (repete três vezes)

Os outros três respondiam também três vezes o último verso para formar a quadra:

Eu não venho pedir nada
Mas o dar é grande coisa (repete três vezes)
Esta casa está bem feita
Por dentro por fora não
Por dentro cravos e rosas
Por fora manjericão!

Se procuro repetir os versos, que são popular, e conhecidíssimos, é pelo prazer de reviver aqui nestas linhas e incentivar as nossas tradições populares.

O senhor dono da casa
Abra a porta e acenda a luz (repete uma vez)
Pelo amor de Jesus
O sol entra pela porta o luar pela janela (repete três vezes)
O luar pela janela (repete três vezes)
Eu quero a resposta
E não saio daqui sem ela (repete três vezes)

A música não varia nunca, creio que o leitor deve conhecê-la muito bem, em caso contrário pode passar ao seu companheiro que se for cearense de Fortaleza vai recordar as noites inesquecíveis de janeiro. Ainda me lembro quando meu pai tirou do bolso de seu colete, que estava na grade de uma cadeira, uma cédula de dez tostões e deu aos seis homens que vibravam de alegria vendo tanto dinheiro! (Bons tempos).
Deitei-me pensando seriamente, não nos Reis, mas na porta e repetia na cama:
Esse meu pai é um esbanjador, dá dez tostões de uma vez a seis músicos que tocaram só meia hora...! e lá no fim da rua últimos acordes me embalavam novamente o sono:

Aqui estou em vossa porta
Em figura de raposa...
Em figura de raposa...
Em figura de raposa...

Os folguedos continuam noite a dentro. Carolino dos Reis, chefe de um grupo destes músicos populares empunha sua flauta de bambu e com toda faceirice de mulato 100% fecha os olhos e sopra uma música que se podia chamar melodia – saudade, nos transportando aos mesmo reis de janeiro do ano passado e a saudação vem com o pandeiro em surdina:

Deus vos salve casa santa
Onde Deus fez a morada
Onde mora o cálix bento
E a hóstia consagrada
Esta casa está bem feita
Por dentro por fora não
Por dentro cravos e rosas
Por fora manjericão!

O dono ou a dona da casa atendam, dão suas ofertas que tanto pode ser uma galinha como uma penca de bananas, em bodegas já se sabe: é bolacha ou aguardente e as vezes um pedaço de queijo. Aí os tiradores fazem a louvação aos donos da casa:

Meu senhor dono da casa
Faz favor que a porta abra
Que eu não sou como cabrito
Que mama dois numa cabra

Havia no Jacarecanga um tirador de Reis que exercia suas atividades desde menino quando apenas acompanhava o seu tio que era chefe de grupo, festeiro dos melhores foi crescendo ficando conhecido como tirador de Reis, nascido Enoc Maranhão seu nome foi mudado para Enoc dos Reis era por outra razão motivo da troça, era por justiça que os companheiros repetiam – "Esse Enoc é mesmo dos Reis"...

Mais quadrinhas colhidas do Enoc

São José e Santa Maria
Se foram para Belém
Foram tirar os seus Reis
Para nós tirar também
O sol entra pela porta
O luar pela janela
Estou esperando a resposta
E não saio daqui sem ela.

E assim a serenata dos Reis percorre as ruas de Fortaleza, dando a todos uma nota de tradição, bom gosto, simplicidade acima de tudo de autêntica e de espontânea manifestação popular. Daqui o meu apelo: recebam os Reis de acordo com o seu merecimentos, e salvemos alguma coisa das tradições que ainda existem na nossa Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

(Cunha, Plautus. "Cantiga de Reis". O Estado. Fortaleza, 06 de janeiro de 1961)





sábado, 5 de janeiro de 2013

Campos Elíseos


Passando a Ilha de Atlântida, lá perto das cachoeiras douradas pelo sol brando de primavera, está Campos Elísios. Uma terra nascida para os aventureiros e dignitários filhos das luzes, frequentada por estes para o deleite duma sombra fresca de figueiras centenárias. Lá nesta terra não se fala dos medos, das mortes, das mentes infestadas de corrupção e distantes da prática do amor fraterno. As crianças dormem no colo de seus pais amorosos. Os velhos contam histórias na roda de chimarrão. Os adultos trabalham seis horas por dia somente naquilo que os fazem perceber a alegria de viver e servir o próximo. 

Como é bom andar pelas ruas de Campos Elísios! Suas alamedas cravejadas de árvores frutíferas de todas as espécies encontradas na natureza. Calçadas largas onde os passantes encontram bancos limpos com prateleiras dos livros mais importantes, do tempo em que Ana Boéssio ensinava a Poética com todo o brilho e avidez da boa educação, tempo dos literatos ocupados pela evolução da alma humana, ao ponto de morrerem felizes diante das penas úmidas de encantamento literário.
 
Nesta cidade limpa e organizada, Pasárgada é piada! Ninguém quer ir embora não! Tudo prospera! Tudo se partilha! Tudo se renova e cresce para nunca mais desaparecer. Curioso é ver o trânsito desta cidadela: os carros feitos de algodão movidos a ar quente vindouro de traz das cachoeiras douradas perfumam de aroma de chuva todas as ruas por onde passam. Ninguém corre! Todos se comunicam no tempo certo, na hora certa.

Religiões, partidos, disputas eleitorais... Ah não! Foram abolidas! Em Campos Elísios Deus mora na praça e janta todos os dias com seus moradores! Os dirigentes da cidade são todos os vizinhos de Deus! Amam e são amados. Ninguém precisa “desocupar-se” para poder “ocupar-se do bem comum”.

Para chegar a Campos Elísios, é preciso sonhar! Pegue o primeiro trem da felicidade de fazer o bem sem querer recompensas e chegarás a ela! Deslumbra-te! Aproveita! Pois farás a maior experiência humana possível e já não será utopia aquilo que verás com teus próprios olhos curiosos. 



Magnus Patrón Sória


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Blavino do [Re]Versos

Desnudo -  pintura -Jacqueline Palavecino - UY

Raio X

Olha

Aqueles olhos
Impetuosos miram além

E por serem apenas testemunhas
São tão belos, profundos, intensos à noite
Como a imensidão do céu da tua boca, sem luar

Fingindo não se importar diante da tragédia humana

Sorriem brilhantes como gigantes lábios carnudos
Aqueles olhos atentos, sedentos, desnudos
Ultraje perfeito da vida surreal

Despertam a curiosidade
Cheios de vontade

Olham.

Daniel Moreira

Pág. 76 do livro [Re]Versos

*Blavino (forma poética ideada pelos poetas Juliana Ruas Blasina e Volmar Camargo Junior. Este repro-duz a imagem de um triângulo ou pirâmide, apresen-tando uma estrutura estrófica 1-2-3-1-3-2-1. O pri-meiro verso está formado por uma única palavra e os seguintes vão aumentando progressivamente o seu número de sílabas, até alcançar a estrofe de verso único central, que é a linha poética de maior medida. Na segunda metade do poema, a medida das linhas decresce progressivamente até o último verso, que também está constituído por uma única palavra.)




Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...