quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Aldyr Garcia Schlee recebe o título de Professor Emérito da UFPel



Aldyr Garcia Schlee recebe do reitor da UFPel, professor Cesar Borges, 
o diploma de Professor Emérito da Universidade Federal de Pelotas. 
À direita,  o prefeito Claudio Martins, de Jaguarão. Foto Pacheco José

Solenidade também homenageia Clayr Rochefort  com a Medalha do Mérito Universitário

Nesta quinta-feira (6), no auditório daFaculdade de Direito, Aldyr Garcia Schlee recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Federal de Pelotas, honraria máxima conferida pela universidade aos docentes já aposentados que se destacaram no exercício da atividade acadêmica.

A Sessão Solene também teve o objetivo de outorgar a Medalha do Mérito Universitário ao jornalista Clayr Lobo Rochefort, falecido em 22 de janeiro de 2012. A homenagem, post mortem, foi recebida pela viúva, também jornalista Ira de Rochefort.

Durante a solenidade o jornalista Clayton Rocha saudou a viúva de Clayr Lobo Rochefort em homenagem a contribuição de grande valia à Universidade. Em seu discurso, Clayton Rocha contou um pouco sobre a história de vida do jornalista com quem trabalhou. “É uma honra estar aqui para homenagear duas figuras importantes na construção da história da UFPel”, disse. Ira de Rochefort agradeceu a honraria em nome da família Diário Popular.

A saudação oficial para o professor Aldyr Garcia Schlee foi feita pelo professor Pedro Moacyr Peres da Silveira. Em sua fala, o professor destacou vários aspectos da personalidade de Schlee enquanto professor. “Não estamos homenageando o autor, o desenhista, mas sim o professor. Aldyr pode ser o maior literato desta aldeia, mas hoje possivelmente o maior professor desta casa”, disse.

Aldyr Schlee agradeceu a Faculdade de Direito que acolheu e aceitou um “professor rebelde”, como se auto-intitulou. O professor destacou alguns pontos da sua trajetória na UFPel e de sua amizade com o jornalista Clayr Lobo Rochefort. “Se tem algo que me orgulha é ter conquistado a amizade e a confiança de cada aluno”, finalizou.

O reitor Cesar Borges encerrou a sessão solene declarando a importância de terminar sua gestão com uma solenidade para homenagear amigos. “Aldyr Schlee é uma brilhante aula de amizade, solidariedade e amor ao ser humano”, completou.

Aldyr Garcia Schlee

Doutor em Ciências Humanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1977), Schlee possui graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1959). É ex-professor da Universidade Católica de Pelotas, da Universidade do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de Pelotas, onde foi pró-reitor de Extensão e Cultura (1989-1992). Atuou até 2005 como professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Escritor premiado nacionalmente, tem larga experiência de pesquisa e produção literárias na área de Letras, com ênfase em Literatura Gaúcha (sul-rio-grandense e platina), Schlee é autor de livros de ficção, bem como de ensaios críticos, com participação em antologias, colaboração em revistas especializadas e atuação em palestras e mesas redondas.

Sua trajetória na carreira docente na UFPel remonta à criação da Universidade, em 1969, como auxiliar de ensino (1969-1976), na regência efetiva de Direito Internacional Público, regência eventual de Direito Internacional Privado, regência da Cadeira de Sociologia – atendendo aos cursos de Direito, Agronomia, Ciências Domésticas, Engenharia Agrícola e Nutrição e, a partir de 1974, ao curso de Arquitetura e Urbanismo, com a disciplina Sociologia Geral e Urbana. Regente de Metodologia da Pesquisa Social, atendendo o curso de Ciências Domésticas. Cedido ao Instituto de Letras e Artes, desde 1975, atendendo o Curso de Licenciatura em Desenho e Plástica com a disciplina Sociologia da Arte.

Aprovado em concurso para Professor Assistente, com média 9,7, Schlee atuou de 1976 a 1978. Passa para a categoria de Professor Adjunto, em que atuou no período de 1978 a 1988, na Faculdade de Direito (Direito Internacional Público), no Instituto de Ciências Humanas (Sociologia, Ciência Política). A partir de 1989, passa a exercer atividades administrativas, como pró-reitor de Cultura e Extensão da UFPel. Aposenta-se em dezembro de 1992.

Seus projetos de pesquisa contemplam: Literatura sem limites, Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense, Formação da Literatura Sul-Rio-Grandense, Projetos Integrados Formação da Literatura Sul-Rio-Grandense e Banco de Textos Raros. As áreas de atuação de Aldyr Garcia Schlee incluem Linguística, Letras e Artes; Ciências Humanas (Sociologia), Ciências Sociais Aplicadas (Direito, Comunicação – Jornalismo e Editoração).

Schlee tem cerca de 20 livros publicados/organizados ou edições, dezenas de capítulos publicados e textos publicados em jornais e revistas, e um sem número de outras produções bibliográficas e artísticas/culturais.

Fonte: http://ccs.ufpel.edu.br

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Prêmio Açorianos de Literatura de 2012





Milton Ribeiro, coeditor do site, recebeu o prêmio em nome do Sul21 
 Foto: Ramiro Furquim/Sul21
A cerimônia de entrega dos troféus do Prêmio Açorianos de Literatura de 2012 aconteceu nesta segunda-feira (10) no Teatro Renascença, em Porto Alegre. O evento, que premia as obras mais representativas da produção literária gaúcha, teve como maior vencedorAfrontar Fronteiras, de Donaldo Schüler, escolhido como livro do ano. O jornal digital Sul21 recebeu o troféu de destaque do ano por sua contribuição na divulgação e no entendimento da literatura em mídia digital.

A cerimônia teve a jornalista Tânia Carvalho como mestre de cerimônias e os músicos Claudio Levitan e Duda Guedes como animadores. Durante a noite, a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre premiou profissionais envolvidos com o livro em 10 categorias (Narrativa Longa, Conto, Poesia, Crônica, Ensaio de Literatura de Humanidades, Especial, Capa, Projeto Gráfico, Infantil e Infanto-juvenil), além do Livro do Ano, Destaques do Ano e do Açorianos de Criação Literária. (veja abaixo a lista dos vencedores)

DESTAQUES DO ANO: 
Jornal digital Sul21
Fronteiras do Pensamento

CAPA: 
- Juliana Dischke, por A Primeira Vez que Eu Vi Meu Pai (Editora Artes e Ofícios)

PROJETO GRÁFICO: 
João Carlos Camargo Guimarães, por A Primeira Vez que Eu Vi Meu Pai (Editora Artes e Ofícios)

INFANTIL: 

Maria Teresa e o Javali, de Luís Dill (Editora Scipione)

CRÔNICA: 
Borralheiro: Minha viagem pela Casa, de Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)

CONTO: 
Enquanto Água, de Altair Martins (Editora Record)

POESIA: 
A Chama Azul, de Maria Carpi (Editora Age)

NARRATIVA LONGA: 
Neptuno, de Leticia Wierzchowski (Editora Record)

ENSAIO DE LITERATURA E LIVRO DO ANO: 
Afrontar Fronteiras, de Donaldo Schüler (Editora Movimento)

ESPECIAL: 
O Tempo e o Rio Grande nas Imagens do Arquivo Histórico do RS, organização de Rejane Penna (Instituto Estadual do Livro)

AÇORIANOS DE CRIAÇÃO LITERÁRIA:
Entrechos ou Valas do Silêncio, de Guto Leite

Fonte: http://www.sul21.com.br 

JAGUARÃO - A Cidade. (parte I)


Extraído da coluna Jaguarão: ontem, hoje... de Cleomar Ferreira do Jornal Fronteira Meridional, edição do dia 28/11/12.


Antiga rua General Deodoro, hoje promovida a  Marechal Deodoro

Por ocasião do “Centenário da Proclamação da República – 1822/1922”, o jornalista Pedro Lacombe, proprietário do jornal “O Commércio”, que circulou entre os anos de 1895 e 1911, fez uma coletânea de notícias relacionadas com nossa cidade, bem como propaganda impressa nos jornais locais das casas comerciais existentes na época. Esta obra chama-se “Jaguarão no Centenário da Independência da Pátria”.

Trata-se de uma raridade, cujo proprietário, demonstrando muito apreço por esta “obra”, como não poderia deixar de ser, emprestou-me por um breve período, do qual tentarei extrair de suas páginas algumas noticias que circularam nos primeiros anos da década de “vinte”, mais precisamente por volta de 1923. Nesta edição, apresento um texto que dá uma idéia sobre o que era nossa cidade nesta época.

“A cidade de Jaguarão, colocada à margem esquerda do rio do mesmo nome e que serve de divisa natural com a República Oriental do Uruguai, teve início, ao lado desse curso d’água, em 1801. Formando-se daí a antiga “Rua da Praia”, depois chamada de “Conde d’Eu”, e hoje “20 de Setembro”, continuando sua edificação até a antiga “Rua das Trincheiras”, hoje, “Gen. Barroso”, limite entre as denominadas “cidade velha e nova”, e onde se encontram a “Pharmácia Graciliano, o Cinema Ponto Chic e a Funilaria de Tristão Pinto da Silva”.

Da rua “General Barroso” até a rua “Nova Humaitá”, estende-se um vasto planalto, muito bem arejado por todos os lados. Ao norte desta rua, começam duas notáveis elevações de terreno, mais ou menos para a mesma direção, formando os cerros da Pólvora, onde existe o Hospital Militar, e o cerro onde está o Cemitério das Irmandades.

Desses planaltos, tanto a Oeste como de Leste, as águas escoam facilmente para o Rio Jaguarão, sendo a cidade a mais bem drenada  do Estado, não se encontrando nem águas empossadas, mesmo ante a mais torrencial chuva.

A cidade ocupa uma extensa área, sendo as ruas principais, perpendiculares ao rio, banhando o sol, com extrema franqueza, as fachadas de seus magníficos prédios, de manhã e a tarde.

As ruas mais antigas tem 10 metros de largura, com passeios de Lages e de mosaicos, de 2 metros, havendo ainda 3 avenidas, sendo 2 com 2 filas de arvores (plátanos e catalpas do Japão), formando cada avenida, 3 passeios, sendo a central mais larga, e por onde podem transitar 2 e até 3 veículos, afora os lados, margeando os passeios e outra com uma plantação central.

Todas as ruas são calçadas, algumas à pedra, outras com meio “macadam” (tipo de pavimento onde era empregado o uso de pedras, diferente dos paralelepípedos), nelas vendo-se excelentes e confortáveis prédios de moradia.

A praça principal é a “13 de Maio”, com lindos passeios de mosaicos aos lados e dois centrais em forma de cruz, com árvores recentemente remodeladas.


Praça 13 de Maio, hoje Alcides Marques. Rua General Osório com calçamento tipo "macadam"

Nesse aprazível local, ficam os clubes Harmonia, Jaguarense, Instrução e Recreio. A Igreja Matriz, Mesa de Rendas Estadual, Susini Hotel, Telégrapho Nacional, Maçonaria, residências de Mario Pereira Bretanha, Hermenegildo Correa, Zeferino Lopes de Moura, Dr. Alcides Pinto, Conceição Olegário de Mattos, Gabriel Gonçalves da Silva, Maria Faustina Gonçalves, José Luiz Terra, etc.

Na antiga Praça da Marinha, hoje Paisandú no porto, ficam a Usina Elétrica e o excelente Mercado de alvenaria, onde figuram a carne vinda do matadouro e frutas nas inúmeras bancas dos hortaleiros.  Possui na sua zona urbana 36 ruas assim denominadas: Fernandes Vieira, Lima Barros, Uruguaiana, Julio de Castilhos, XV de Novembro, 27 de Janeiro, Gen. Osório, Gen. Deodoro (sim, à época não era “marechal”), Andradas, Gen. Câmara, Riachuelo, Curuzú, Caxias, Bento Martins, Amazonas, Curupaiti, Liberdade, 20 de Setembro, Gen. Marques, Carlos Barbosa, 19 de Fevereiro (depois Centenário), Andrade Neves, Gen. Barroso, Gen. Delphin, 03 de Novembro, Gen. Menna Barreto, Aquidaban, 24 de Maio, 7 de Abril, Venâncio Aires, Independência, Da Paz, Humaitá, Cristóvão Colombo, Floriano Peixoto. Nos subúrbios existem 83 casas, sendo um total de 1563 residências na cidade.  O número de prédios é de 1960, incluindo 278 na zona “suburbana”, não havendo nenhum desocupado.

. . . Continua na próxima edição.

Abraço a todos. Boa leitura.

(fonte: Do livro – Jaguarão no Centenário  da Independência da Pátria – Apontamentos para uma monografia de Jaguarão.)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

El misterioso Pibe Carlitos

Carlos Gardel. Foto: José María Silva 
/ Archivo General de la Nación

O Jornal Argentino Página 12 publicou recentemente um artigo de Raúl Kollmann sobre o passado de Carlos Gardel e possíveis passagens pela polícia como estelionatário praticando pequenos golpes como "el cuento del tío". 

Aproveitando que hoje teremos uma Palestra na Unipampa com a apresentação do livro "Gardel es uruguayo", por parte do Diretor Geral de Cultura do Departamento de Tacuarembó, Dr Carlos Arezo Posada, extraímos do citado artigo,  alguns pontos sobre a identidade de Gardel, e que esperamos devam  ser refutados hoje à noite pelo Dr Arezo, principalmente no que tange à pretensa falsidade da declaração de ter nascido em Tacuarembó, Uruguay. 


El prontuario

Torre explica que para una figura estelar como Gardel, el prontuario de estafador era fuego puro. Más en aquella época. Tal vez por eso, la identidad del cantante es una mentira permanente.

- En 1904 es Carlos Gardez, nacido en Toulouse, hijo únicamente de Berta Gardez. Es muy probable que el policía que hizo el expediente se haya equivocado poniendo una zeta en lugar de la ese, que era el verdadero apellido de Berta.

- En 1915 es Carlos Gardel, hijo de Carlos Gardel (una persona inexistente) y Berta Gardel (también inexistente, es Gardés), nacido en La Plata, una clara mentira.

- El 8 de octubre de 1923 necesitó sacar pasaporte para su gira al exterior. El coleccionista Hamlet Peluso aportó el original, incluyendo la huella digital. Para conseguir ese pasaporte, Gardel se presentó en el consulado uruguayo y dijo que era nacido en Tacuarembó en 1887, hijo de Carlos y Berta Gardel.

- En 1933, Gardel redacta su testamento, donde dice textualmente “soy francés, nacido en Toulouse el 11 de diciembre de 1890 y soy hijo de Berthe Gardés. Hago constar expresamente que mi verdadero nombre y apellido son Carlos Romualdo Gardel”.
“Tanto cambio de identidad –dice Torre– me hace pensar en lo mucho que pesó aquel prontuario de estafador.”



Toulouse

Más allá de otros elementos existentes, hay detalles que surgen de la gestión de los propios documentos que dejan rastros sobre el nacimiento de Gardel.

- En 1904 es la madre quien lo identifica porque se trataba de una fuga del hogar.

- En 1915, cuando dice que nació en La Plata, el jefe de la Policía de la capital bonaerense era Cristino Benavides y es quien le sale de testigo para sacar la cédula. Pero, además, da como domicilio Calle 2 número 20-13, justito frente a la Jefatura de la Policía. Todo es obviamente falso.

- En 1923, cuando saca el pasaporte, el único elemento que le aporta al consulado oriental para decir que nació en Tacuarembó son dos testigos uruguayos.

- En 1933, en su testamento ratifica que nació en Toulouse, Francia.

Se ha dicho que la falsedad en la identificación de Gardel se origina en que, al haber nacido en Francia, era desertor, porque debió combatir en la Primera Guerra Mundial. Quienes investigaron el tema sostienen que los países europeos convocaban a incorporarse a las filas a todos sus ciudadanos, pero que no hubo persecución de quienes estaban fuera de sus países. “No tenga dudas de que los cambios de identidad de Gardel tienen que ver con sus antecedentes en el delito –insiste Torres–. Cambiaba una letra, lugar de nacimiento, para que no surgiera que era el mismo que figuraba como El Pibe Carlitos, estafador por medio del cuento del tío.”


   

sábado, 8 de dezembro de 2012

A dura rotina de um jornaleiro



A Cândido Rodrigues, engraxate e jornaleiro

Naquele sábado, eu corria que nem um louco para aprontar o jornal. A impressão andava péssima, o mecânico custava a acertar o nível do rolo na chapa. Eu ainda tentava compor alguma matéria na tipografia. O pó, na caixa dos tipos, entranhava-se em minhas narinas e eu espirrava a toda hora, mal conseguindo respirar. Meus dedos estavam encardidos com a tinta preta, não podiam coçar o nariz nem espantar as moscas. E a caspa, no cabelo, comichava minha cabeça. Ali perto, debruçado na bancada, avental todo lambuzado, a careca brilhando sob o quebra-luz que pendia do teto, o velho Arcanjo resmungava por se encontrar atrasado na montagem da chapa.

Odores fortes de tintas e suores sobrepairavam no ar. Alguém entrou na oficina me procurando. Sobrancelhas e bigode cerrados e negros, um porte respeitável não fosse a boca desdentada, vestia uma camiseta de lã desbotada, calça xadrez, cordão amarrando a cintura, chinelos de dedos: era seu Cândido, o engraxate da praça, que se dispunha a distribuir o jornal em troca de algum a mais, reforçando a féria do dia.

Logo o prelo fazia trepidar o prédio inteiro, o rolo girando envolto no papel enquanto a chapa deslizava e voltava à posição inicial, depois de largar a folha maculada no aparador. Dobrávamos os jornais, acomodando-os dentro das bolsas. Era a primeira vez que seu Cândido fazia esse tipo de serviço. Competia-me indicar as casas em que devia proceder a entrega. Lá fora, raios e trovões, uma chuva torrencial. Era nossa obrigação atender os assinantes, apesar da precariedade dos guarda-chuvas como abrigo.

A sensação de desconforto se acentuava à medida que progredíamos nessa tarefa, ansiosos por trocar a roupa ensopada, beber um café quente, esquentar o corpo. Eu cantava o número de cada casa, seu Cândido passava o jornal amolecido pela umidade na soleira das portas e respondia com o nome do bicho. Ele tinha a sua ilusão de acertar e se despedir dos biscates. Era simplório, mas possuía um senso de humor incomum. Assim, eu ficava observando aquela criatura que parecia se derreter, gotas pingando do rosto vincado pelas rugas de um envelhecimento precoce, que nem o capuz do impermeável amarelo conseguia esconder.

Ruas encharcadas, o barro grudando nos pés pesados que chacoalhavam em lâminas de água. Sapos, grilos, um rádio tocando, a madrugada tinha seus ruídos. Alguma luz por detrás de um postigo encostado numa janela qualquer, por certo, um notívago assuntando entre paredes, no calor das cobertas.

- “Mil duzentos, cinquenta e cinco” - dizia eu apontando para o armazém do Armando Costa e me imaginava chegando mais cedo: a venda logo fecharia e o dono, aguardando o jornal, chamar-nos-ia para dentro, ofereceria mortadela fatiada e pedaços de pão. O apetite voraz, a saliva se esgotando na boca, o picante de uma pimenta inesperada, o copo de vinho para não engasgar, uma vontade danada de ficar por ali, sentado nos sacos de batata, esperando a chuva passar...  

- Gato” - berrava seu Cândido, à porta do armazém em que havia deixado o jornal, arrancando-me daquelas cismas.

José Alberto de Souza
poetadasaguasdoces.blogspot.com.br


Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 28/11/2012


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MÚSICA AO VIVO NO SARAU BPP



Nuno Moura na edição de final de ano


No estilo violão e voz , Nuno Moura é o convidado para a parte de música ao vivo da última edição do ano do Sarau Poético-Musical da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) , na noite de 11 de dezembro. Na definição do próprio convidado , o repertório preparado é de pura MPB e passa por autores como Chico Buarque , Jackson do Pandeiro e Luis Gonzaga. Entrada franca , como é regra em eventos da BPP, e inicio às 19:30 horas. A XXVIII edição do Sarau BPP tem como autor destacado o poeta alagoano Lêdo Ivo. Como sempre ocorre no projeto criado em maio de 2010 , a música é apresentada de forma intercalada com os blocos de poemas recitados por autores da cidade e região.

Confira programação e convidados:
O QUE - XXVIII edição  do Projeto  Sarau Poético-Musical BPP.

QUANDO E ONDE: 11 de dezembro  de 2012, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.

MÚSICA AO VIVO
Nuno Moura
Com participação de Lyber Bermudez ( percussão)

POETAS - AUTORES CONVIDADOS
Álvaro Barcellos
Angélica Freitas
Deisi Moura
Sérgio Christino

Poeta Sérgio Christino entre os autores convidados

AUTOR EM DESTAQUE
Lêdo Ivo

CONVERSA SOBRE O AUTOR DESTACADO
Pedro Moacyr Perez da Silveira.

Parceiros Institucionais
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Curso de Relações Internacionais / UFPel
Faculdade de Educação / UFPel
Centro de Letras e Comunicação/ UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM

Realização
Bibliotheca Pública Pelotense

Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Elegia a um crente: no ser humano!



Ah...! meu ateu convicto...
Aprecio sempre sua 
Coerência vívida, verdadeira vida verificada
Em todos os tempos.

Ninguém é mais uno pós Nyemeyer,

Contudo, todos sempre serão,
Soturnos e notívagos lembrantes ao
Dele recordarem sua
Sinceridade.

Fecundantes rasgões
De verdade traçadas
Mundanamente, o 
Fizeram o ícone brazil (também com "s")
Mundo àfora.

Ainda que se discorde
Dos seus mais convictos
Conjuntos de coerências
Estéticas (e as brasílias eternas)
O SER COMUNISTA que sempre
Foi com suas mais que metafóricas

Construções.
Este terno HOMO SAPIENS
Literalmente,
Viverá Ad infinitum
Pois pertence à HISTÓRIA HUMANA.

Isto para todos e todas nós,
Pois, como disse também um outro
Poeta levado ainda jovem:
"O tempo não pára..."
Ele não se evaporou

Foi apenas descansar no Òrun
E lá, os tambores hão de tocar
Sempre os corações de nosso Planeta,
Pulsando-os como numa nova
Vida.

Este Comunista, lá no Òrun (ou Céu, ou Nova Morada
Ou a denominação que a cada um melhor convier)
Foi juntar-se aos grandes Heróis
No panteão que lhes é resguardado.
Oscar em si já é o prêmio
Dado à humanidade

É em si, reconhecimento.

Todos e todas Òrisàs,
Todas as crenças,
Convicções ideológicas,
Humanistas e até os criacionistas

Bem como a NATUREZA (Áyé), inclusive
Tal qual estudou Darwin,
Reverenciarão para o topo da HISTÓRIA
Que sempre reafirmará sua passagem
Entre nós...

Confirmando que a construção
Do COMUNISMO é possível.
Pois sempre
Nele acreditou e defendia,
Com todas as controvérsias
E contradições.

Os deuses e deusas das 
Sabedorias creio, o conclamaram
Para outras construções,
Ato contínuo, a ARQUITETURA que 
Hoje Òsalà

Designou-o exercer:

Aperfeiçoar a obra
Principal do Arquiteto Maior do Universo
Até logo, Poeta do Traço!
Elder Costa Santos
06/12/12 Brasilia

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...