segunda-feira, 20 de maio de 2013

Jaguarão: Dois prédios que marcaram diferentes épocas


Quando enviei aquela foto para ilustrar a primeira Das Minhas Reminiscências, o confrade Jorge Luiz Passos me questionou acerca de uma construção que aparecia atrás dos “carnavalescos”. Na ocasião não cheguei a esclarecer aquela dúvida, porém, remexendo no meu baú de achados e perdidos, encontrei um retrato da antiga agência do Banco do Estado do Rio Grande do Sul e do atual prédio da Rodoviária, em fase de acabamento, ocupando o espaço onde funcionou a Confeitaria São José. Até aquela época, a nossa 27 de Janeiro tinha se mantido “imexível”, apenas sofrendo alterações posteriores com o incêndio do Café do Comércio que deu lugar ao “Caixão” Econômico Federal e mais ainda com a infeliz demolição daquele tradicional prédio do Banrisul.

Naquela foto, também postada na Confraria dos Poetas de Jaguarão, as camisetas do “time de futebol” pertenciam ao Granada que fez história no futebol varzeano lá pelos idos de 1954, composto por craques como Paulo Sabbado, Sicco, Pedro Bittencourt, Clóvis Amâncio, Portinho, a fina nata do Café do Comércio. E para combater esses incautos, amarrei uma partida sem dispor de nenhuma equipe, saindo em louca disparada para conseguir local, bola, camisetas, meias e chuteiras, gentilmente cedidas pelo E. C. Cruzeiro do Sul, além de madrinha e árbitro para a contenda. Agora, para formar o plantel, vali-me dos préstimos do amigo Eulálio Delmar Faria que me apresentou ao cabo Mulita, a quem passei o encargo da arregimentar os elementos necessários, soldados de Rio Grande servindo no Quartel local.

Daí que a coisa evoluiu para a fundação do Esporte Clube Tuiuti, presidido por mim e secretariado pelo riograndino Antônio Ledur Dias. Então eram comuns as “peladas” entre Grêmio Esportivo Jaguarense, treinado por Dair “Zazá” Nunes, e América Futebol Clube, de Heponino Costa, a que se vieram juntar Estrela do Sul, do estivador Torto, e Internacional, do Carlinhos Rodrigues, hoje fiscal da Fréderes. Toda essa gente reunida no barraco de Heponino resolveu criar a Liga Jaguarense de Futebol Varzeano, chegando a elaborar o calendário dos jogos que não passou da primeira rodada por desavenças nas batalhas campais. Mesmo assim, ainda continuei teimando com o Tuiuti até chegar no dia de nossa formatura no Ginásio, quando Eulálio e eu tivemos de abandonar uma das pelejas, já atrasados para a cerimônia.

Vieram 1955 e o início do ano letivo, tive de embarcar num daqueles “gaiolões” da Fréderes, gélida madrugada, com destino a Porto Alegre para cursar o científico no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, junto estava meu tio e pai de criação Cantalício Resem para as despedidas. Ali encontramos o Sr. Alcides Pereira da Silva, genitor do colega “Pitita” que rumava para o Colégio Cruzeiro do Sul, de onde faria trampolim à Faculdade de Medicina da UFRGS, a fim de exercer sua nobre profissão na terra natal como o conceituado e saudoso Dr. Mário Conceição Pereira da Silva. Refresco assim a memória para situar naquele ano o local desse embarque que ocorreu na antiga Rodoviária situada ao lado do Café do Comércio.

Tantas digressões só para explicar a origem daquela fotografia de irreverentes fólios, mas que mexeram um bocado em meu subconsciente na tentativa de buscar local e ano daquele carnaval, lembrando-me das obras de construção da nova Rodoviária provavelmente concluídas em fins de 1956. As camisetas do Granada me remeteram àquelas partidas de futebol na várzea em 1954, seguindo-se minha ida em 1955 para a Capital. Chamou-me atenção o fato de que até esses anos não cheguei a verificar nenhuma outra nova construção no trecho da 27 situado entre a Avenida Odilo Marques Gonçalves até a beira do rio Jaguarão. E a foto que ilustra este texto deve representar um importante marco divisório entre a antiga e a moderna cidade.


José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em  08/05/2013
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