sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Hygino Corrêa Durão, empresário do Império em nossa região

O Sobrado construído por H. Corrêa Durão para residencia e negócios e que depois
 passou à propriedade do Barão Tavares Leite

Em coluna anterior, sob o título “Sobrado do Barão ou dos Durão?” abordamos as origens do conhecido e imponente prédio da Rua XV de Novembro. Não era nosso objetivo contestar a propriedade do Sobrado, que por longo tempo foi do Barão Gabriel Tavares Leite, mas sim de incorporar outro protagonista, não menos importante, à história do edifício e de sua construção. Falamos de Hygino Corrêa Durão, assim  como Tavares Leite, também oriundo de Portugal.

Hygino casou-se em 1850 com Antonina dos Cantos, natural de Jaguarão, onde ocorreu a cerimonia de casamento. Nascida por volta de 1820, filha de Fabiano Cantos, provavelmente militar da Divisão de Voluntários Reais, unidade criada em 1815 para atuar na retomada da Banda Oriental sob o comando do General Carlos Fredrico Lecor, e de Anna de Toledo, de possível origem argentina, já que seu genro, o Hygino, desempenhou por longo tempo o cargo de Cônsul da Província do Prata na cidade de Rio Grande.

A hipótese formulada por Alberto Durão Coelho, descendente de Hygino Durão, a partir de pesquisas efetuadas na Loja Maçonica de Jaguarão,  é de sua gente ter vindo parar em Jaguarão em razão de contatos com Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. Crê ele, que a Loja de Jaguarão deve ter sido a de iniciação do próprio Mauá, embora este tenha saído ainda criança da sua Arroio Grande. Eram membros da Confraria, o Liddelll de Castro e João Frick, o futuro sócio de Hygino e futuro genro de Mauá.

Em Rio Grande, Hygino Corrêa Durão esteve envolvido na construção do primeiro cais, em 1869. Atuou tanto na implantação da Companhia Hidráulica Pelotense como na Rio Grandense. A Ponte sobre o Rio Piratini, conhecida como Ponte do Império, contratada por Durão, foi entregue ao trânsito em novembro de 1870. Além disso, também apresentou proposta ao governo provincial para a execução de pontes sobre os rios Camaquã e Arroio Grande. Além disso, identificou-se um projeto de entroncamento entre a estrada de ferro Rio Grande-Bagé e a linha de Porto Alegre- Uruguaiana, que foi mandado executar por Hygino Durão, sob a direção dos engenheiros A. Primrose, Carlos Morsing e do chefe de escritório, João Frick.

Caixa dágua Pelotas
Os Jornais de Pelotas da década de 1870 noticiavam os trabalhos de Durão na Hidráulica Pelotense, ressaltando a construção da gigantesca e admirável obra do depósito de água, a Caixa dágua da Praça Piratinino de Almeida, e que recentemente foi restaurada pelo IPHAN. Abolicionista, o empresário Durão comemorou a inauguração em 1874 da Hidráulica Pelotense, libertando três escravos na presença das autoridades representativas do conservadorismo e do regressismo, em uma monarquia que não achava caminho para realizar a dignidade do homem.

No dia 14 de março de 1874, um decreto imperial concedia a Corrêa Durão permissão pra explorar carvão de pedra e outros minerais no território situado entre as pontas dos rios Santa Maria e Jaguarão. Hygino veio a falecer precocemente em 1876, quando em pleno andamento das explorações de jazidas de carvão mineral, construção da estrada de ferro e outras. Sua viúva, Antonina, morreu em 12 de fevereiro de 1889 no Rio de Janeiro.

Precisaríamos de muito espaço para escrever mais sobre este fascinante personagem, construtor do Sobrado do Barão e seu primeiro morador. Creio que sua trajetória de empreendimentos e realizações engrandece ainda mais a importância desta edificação no acervo do Patrimônio histórico de nossa cidade. A boa noticia é de que obtive informações de que o Sobrado dos Durão e do Barão, terá projeto de restauro contratado em breve.     

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 27/08/2014


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