terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ao Luti, para quando for grande menino



Num belo domingo

Teu pai me ligou

Disse que vinhas

Feliz me deixou.


O tempo passou

A barriga cresceu

Mamãe pesadona

Logo se mudou.


O dia chegou

Tuas coisas apanhou

No quarto fiquei

Ali esperei


Passado um tempinho

Que bonitinho!

Pela TV o chorinho

Do meu menininho!


Então aguardei

Tu apareceres

Mamãe e papai alegres

E eu chorei, chorei!


Viestes pra casa

Pequenino que só!

Cabelo comprido,

Bochechas de pão de ló!


Mamavas, mamavas

Igual bezerrinho

Comias papinhas

Cheiravas frutinhas


Aí foste crescendo

Cabelo loirinho

Falavas palavras

De letras trocadas


Cantas e danças de jeito engraçado

Pulas no sofá até se cansar

Pedes um bom, queres mamar

E dormes atirado, quase cai do sofá...


Andas de bici, pura faceirice!

Rolas na areia, contas histórias

Paras a plateia, és inteligente,

Sabes que um dia podes ser Presidente?


Chegastes na escola

Todo pomposo

Conquistastes corações

Pois és muito amoroso!


Leãozinho por natureza

És forte, impávido

Um colosso!

Dizes coisas sem nenhuma estranheza!


Bem educado

Pedes desculpa

Também quando embirras

Está tudo acabado!


Corres atrás do Pepito.

Teu amigo late-late,

Mas nunca dispensa

Um gostoso chocolate!


Da Pepa tinhas medo

Ela late, morde e lambe

Agora que estas grandinho

Choras, se ela não faz agradinho...


Com o vovô aprendestes a nadar

Com os tios a pescar...

Com o papai a teclar

Com a mamãe a rezar.


Teus primos-amigos

Chamas de irmãos

Sempre pedes ao Papai do Céu

Graças, bênçãos e proteção.


Sei que Ele te atendes

Porque pedes de coração!

Menino lindo em oração,

A vovó te ama muitão!


És meu anjinho na terra

Quero-te sempre muito feliz!

Daqui, de lá, de qualquer lugar

Sempre estaremos a te olhar!


Com todo amor da vovó – dia 12/10/2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"TERRA DEU TERRA COME" NO CINECLUBE JAGUARÃO


"Terra Deu, Terra Come é extraordinário"
Eduardo Coutinho
"Terra Deu, Terra Come é uma trapaça maravilhosa"
João Moreira Salles
"Terra Deu, Terra Come elabora linguagem sofisticada, estabelecendo um novo patamar para o cinema que procura desvendar os mistérios do mundo"
Eduardo Escorel

Terra Deu, Terra Come é um filme cheio de encantos e encantamentos. Pedro de Alexina, 81 anos, comanda como mestre de cerimonias o funeral de João Batista, morto aos 120 anos. Documentário, memória e ficção se misturam para tecer uma história fantástica que retrata um canto metafísico do sertão mineiro. É preciso ver para crer.

Direção e Produção: Rodrigo Siqueira



Estréia nos cineclubes e espaços alternativos simultânea com o circuito comercial graças à parceria entre Conselho Nacional de Cineclubes e Ministério da Cultura.
Em Jaguarão o filme será exibido nesta quinta feira, dia 14 de outubro às 19 horas no auditório da Casa de Cultura com entrada franca.

Veja mais sobre o filme: http://terradeuterracome.com.br/

domingo, 10 de outubro de 2010

O Samba da Palestina

Carnaval da primavera - Fotos J. Passos
C



Há samba em Jaguarão


No balé do Mestre Derli


Conduzindo com magia


a cadencia da Palestina!






PAR DE DOIS



Casar não é um verbo irregular,

Pode ser transitivo ou intransitivo,

E depende de como o conjugamos

Na nossa relação com o amor.


Se for intransitivo será apenas

Festejar, convidar os amigos,

Comemorar em grande estilo:

Prazeres efêmeros, furtivos.


Quando o casamento é transitivo

Buscamos além da exterioridade,

Nos lançamos numa busca de nós,

Pelo que nos une ao outro.


É uma experiência de descoberta a cada dia,

É aceitar as nossas mudanças

E as mudanças de quem amamos.

É conhecer todos os dias um novo amor.


É cultivar o companheirismo,

Viver muitos sentimentos e conflitos.

É ter paciência para encontrar razões

Que a própria razão desconhece.


Assim casar só pode ser transitivo,

Para transitar na descoberta diária,

Na razão e na paixão encontrar sentido,

Se alimentar do amor renovado, redimido.



Fábio de Oliveira


sábado, 9 de outubro de 2010

A Pele do Cordão

Foto J. Passos



Estendia-se a pele da noite; mesmo que sua densidade não tivesse ainda o vezado calor dum John Coltrane, fosse apenas a melodia clara e penetrante de um solo silvado. O desafio de atravessar o espaço pedalando uma bicicleta naquele entardecer com a música no corpo. O recorte de uma minissaia, as pernas.


Os da Rua do Cordão engolem: Curvas lusque-fusques, tacões. As mães raiva/ciúme/inveja e medo: Bicheira, uma tipa. Os pais cofiavam o bigode recolhendo o queixo e a barriga, pubianamente gaviões. Negrinha sem ser negra. Era da Rua, não do Outro. Para este Outro ali, no Cordão e na Zona, só havia elementos. Que naquela hora entardeciam na querência com o mesmo galdir que os demais. Um tipo que assobiasse, na esquina, de mãos no bolso, com a cabeça um pouco inclinada, de modo a sair o sopro mais alto –fantasiando um pássaro-, visse Negrinha, por certo assobiaria mais alto e, no intervalo do fraseado, cuspiria o viscoso da saliva para apurar o gorjeio e pugnaria pelo acasalamento. Limparia o bico dos sapatos na perna da calça, ou golpearia o pavimento com a ponta do pé.



O dela era passar – água de esgoto a céu aberto, promessa de absconsa atividade vênero-vegetal. Para os Outros, naquele entardecer, seria a transeunte de Baudelaire. E ainda ali, na Rua do Cordão, este passar era de academia de samba, um passar mágico, um acontecer colorido e cheio de sedução.





Sérgio Christino

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Senegal - Ismael Lo - L Amour a Tous Les Droits

Para Analva, mon amour!



O amor tem todos os direitos.

Tanto que há um olhar que sobressai

teus olhos,

Um sorriso que te fala e convida

como pode.

Tanto que há um sopro que aflora,

Um gesto que te toca e sua

ausência que retarda,



O amor tem todos os direitos e nós

todas as obrigações (deveres).

Tanto que há um convite que se ouve,

Uma sobra de atenção e alguém na

multidão,

Tanto que pode ainda se ofender,

nada dizer a respeito, manter-se reservado.

O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações (deveres).


O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações (deveres).


Tanto que se pode ainda aguentar um pouco,

Fazer-se passar por outro,

Servir de ombro (amparo) para dois,

Tanto que se pode iluminar uma terra

que não é mais pedaço de inferno.


O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações (deveres).

O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações (deveres).

Tanto que há um olhar que sobressai

teus olhos,

Um sorriso que te fala e chama

como pode.

Tanto que há um sopro que aflora,

Um gesto que te toca e sua ausência

que retarda.

O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações (deveres).

O amor tem todos os direitos e nós,

todas as obrigações!!!!



Tradução de Saulo Borges de Andrade em 26/06/2004.

(expressões idiomáticas são regionais como se fossem dialetos ou gírias... Torna-se difícil uma tradução livre convincente, pelo menos dá para entender!!! Saulo. )


Manifesto pelo Progresso!

Restauração da Esperança- Foto Fábio Oliveira



Muito cuidado, minha gente!

Com a eleição que se avizinha

Tem sorro cuidando galinha

E botando banca de inocente

Se são da turma incompetente

Do governo FHC

Por que agora vêm dizer

Que farão um governo diferente?


Pra todos então vai uma dica:

Eles já comandaram a nação

E nunca lembraram Jaguarão

Nem mesmo sabem onde é que fica

Fizeram do Brasil uma titica

Deram para os banqueiros nossos cobres

Deixaram o pobre ainda mais pobre

E a parcela rica ainda mais rica!


Depois, um brasileiro de verdade

O nosso Lula, um operário

Veio e resgatou nosso salário

E contemplou também nossa cidade

Trouxe até uma universidade

Que está aí para quem queira

E agora os jovens da fronteira

Também podem ter sua faculdade!


E eu lhes pergunto: quem é o Serra?

Quem é mesmo esse chorão?

Parece um cordeiro mamão

Que se bota à noite numa encerra

Sempre na TV... berra que berra

Falando sempre em baixaria

Diz que tudo faz... e quem diria?

Não fez um tim-tim por nossa terra!


E até a ponte vai sair, tenham certeza

Porque o Lula e a Dilma são do povo

E o Teatro outra vez vai ficar novo

E há tanta gente que vai saindo da pobreza

Mas é claro, que isso não quer a realeza

Os que sempre comandaram a cidade

Que votam no Serra pois na sua falsidade

Pensam voltar a aumentar sua riqueza!


Um grande museu vai surgir na Enfermaria

O Mercado vai ser todo restaurado

É emprego que vai ter pra todo lado

Um novo tempo na fronteira principia

Só quem não quer é a mesma burguesia

Que hoje tem no Serra a salvação

Os mesmos que venderam a nação,

O que era nosso!... por valor de ninharia!


FHC e Serra é o passado incompetente

Nós vamos com Lula e Paim por onde for

Com o Tarso que será governador

Com essa gente que é igual à nossa gente

Vamos fazer um país dignamente

Com emprego, com justiça e igualdade

E com quem sabe que aqui existe uma cidade

Que é do povo e da Dilma presidente!


Payador da fronteira (João do Bote)


Universidade Federal do Pampa - Jaguarão

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...