terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Histórias do meu Barbeiro

Sábado, ante que a chuva me pegasse , passei de bike pela nova Santos Dumont. Avança o asfaltamento. Deve estar concluído ainda nesta semana. Certamente a Comunidade do Bairro Germano está contente com este verdadeiro presente de natal. Também os moradores da Gustavo Guimarães e da XV de Novembro pós BR 116. É uma das maiores obras de pavimentação que já vi realizadas em nossa cidade. Pois não envolveu apenas a colocação do asfalto, mas também a drenagem total das ruas e a confecção de calçadas em todo o trajeto. Como diz o gaúcho, de luxo!

Falando em gaúcho, esta história me foi contada pelo meu barbeiro, o Formiga. De vez enquanto faz algum bico de segurança em baile, festa, trio elétrico. Mas já está um pouco afastado dessa nobre ocupação. A idade vai chegando, a gente cansa de se incomodar diz ele. Mas, dia desses, mais precisamente durante a Semana Farroupilha, foi convidado para trabalhar num fandango da Chama Crioula . Vai ser barbada disseram. Ganhas uns bons trocos sem te incomodar. Olha, mas que barbada que nada. Chegando lá, foi meia hora e a lambança já tava comendo sem parar. Entre um entrevero e outro, me sai o chefe com um índio que media uns dois metros agarrado pelo pescoço e me grita, pega ele pelos pés porque não para de espernear! Fui agarrar o gauchão pelas patas e só senti a espora me rasgando o blusão novo de ponta a ponta. Prejuízo total, lamenta o Formiga.

E no Salão dele, além do bom e barato corte, sempre tem desses causos divertidos. Quando eu morava em Brasília, volta e meia pegava um avião pra cortar o cabelo aqui. E as amizades do meu barbeiro? Gosto dos apelidos: O Cabeça de Louça, o Rudi Camotim, que é o mesmo “Mulher de Quarenta” e outros tantos parceiros pitorescos. O Rudi Camotim ganhou o apelido de Mulher de Quarenta porque foi tricampeão do show de calouros num bar ali na Rua do Cordão cantando esse sucesso do Rei Roberto. Depois, foi proibido de competir com essa música. Não tinha graça. Até agora, ainda não conseguiu se achar com o violeiro que o acompanha numa tão boa pra repetir o feito. Não sabe bem se a questão é de tema ou de afinação.

Do Cabeça de Louça, tem a história de um baile lá pela Pindorama. Convidou o Formiga. Chegaram lá, e o nosso amigo reconheceu o lugar. De dia, borracharia, de noite, inferninho. Mas o local era de classe. Só gente boa, cerveja gelada. Só não achava o banheiro. Onde é que fica, perguntou o Formiga. Tás vendo aquela porta de geladeira Frigider? Entra por ali. Lugar de classe esse que o Cabeça de Louça leva a gente.


E a do amigo pedreiro, que chegou mostrando a jaqueta nova comprada na Joínha, vermelha com cavalo amarelinho nas costas? Vou estrear ela no baile do Instrução hoje. Vamos Formiga? Chegando lá, já na entrada, me conta o Formiga , olhei no corredor e vi um cara de jaqueta verde e um cavalo amarelinho nas costas. Fomos tomar uma ceva no balcão e vi mais uma. Essa era marron, mas o cavalo era amarelinho e também tava nas costas. No salão, de longe, de reolho, num relance, me pareceu ver mais uma meia dúzia de cavalos amarelos troteando ao som da música. Olhei pro meu amigo e disse, pô, ta fazendo sucesso essa tua jaqueta da Joínha! Rapaz, o loco ficou tão brabo que foi no banheiro e voltou com a jaqueta amarrada na cintura. Amanhã ela vai pro cimento!

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 23/12/2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Lançamento do CD do Grupo Vocal Asas da Liberdade marca 15 anos de história

Fotos: Fernanda Cassel

Uma noite alegre, emocionante e que ficará guardada na memória e no coração de quem esteve presente.  Assim foi o ato de lançamento do CD “Do Sonho à Realidade”, dos integrantes do Centro de Atenção Psicossocial Sítio Renascer que compõe o Grupo Vocal Asas da Liberdade. Sob a coordenação do músico e arteterapeuta Gilberto Isquierdo, o grupo está em atividade desde agosto de 1999 e trabalha com a música como um instrumento terapêutico de auto- expressão, descoberta e de reabilitação dos usuários com e na comunidade.

            A abertura do ato, realizado na terça-feira (16) na Biblioteca Pública, foi feita pelo coordenador Gilberto, que além de destacar os 15 anos de trajetória do grupo fez uma apresentação musical em homenagem ao momento. Na sequência o prefeito Cláudio Martins, o vice Lisandro Lenz e o secretário de Saúde, Celso Caetano, realizaram seus discursos, oportunidade em que foram feitas referências às diversas pessoas que trabalharam na construção e na qualificação do CAPS Sítio Renascer e nas diversas ações de atendimento e acolhimento para familiares e pessoas com transtornos mentais. Ainda durante as falas das autoridades foi destacada a importância do trabalho de toda a equipe do CAPS em especial a dedicação de Gilberto Isquierdo que comanda o Grupo Vocal Asas da Liberdade e que idealizou o grande momento do lançamento deste CD. 

            O público presente acompanhou também a apresentação de um documentário sobre o grupo, produzido por Jaguarão Vídeos, de Analva e Jorge Passos. Em um material de extrema sensibilidade, o público pôde ter uma noção mais precisa de como o CAPS Sítio Renascer contribui com a qualidade de vida de tantas pessoas que possuem transtornos mentais e o quanto ele é importante também para os familiares, que em depoimento contam as transformações positivas que o CAPS proporciona para o ambiente familiar e para a autoestima dos usuários.

Depois da exibição do vídeo as grandes estrelas da noite subiram ao palco e realizaram a apresentação de diversas canções, entre elas, composições dos próprios integrantes do Grupo Vocal. Ao final da apresentação o Grupo recebeu muitos aplausos e cumprimentos, o que gerou muita emoção e alegria para os integrantes do CAPS Sítio Renascer, que vibraram pela concretização deste momento tão sonhado.

O evento foi encerrado com um coquetel de confraternização.

(Fernanda Cassel para Assessoria de Imprensa Prefeitura de Jaguarão)

Confira abaixo o documentário completo:
Grupo Vocal Asas da Liberdade - Se o Mundo me Pudesse Ouvir  
Produzido por Jaguarão Vídeos 




Fonte:  http://nandacassel.blogspot.com.br/

IPVA com desconto

Desconto no IPVA para pagamento até  02 de janeiro.
Quem não gosta de um bom desconto? 

Reproduzo informações do site do  Jornal do Comércio do RS sobre as condições para obtenção desse benefício.

Os proprietários de veículos que quiserem aproveitar o 13º salário para pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) 2015 podem começar a fazê-lo a partir de hoje, 17 de dezembro. Além de antecipar o cumprimento de uma obrigação do ano que vem, os motoristas irão gozar de descontos que variam entre 9,7% e 27,27%, anunciou a Receita Estadual. O contribuinte que deseja consultar o total em descontos do IPVA pode obter as informações através do hotsite ipva.rs.gov.br  e do aplicativo para smartphone da Nota Fiscal Gaúcha (NFG Móvel).

Quem pagar o IPVA até o dia 2 de janeiro obterá desconto mínimo de 3% concedido pela Receita Estadual, somados ao valor da Unidade de Padrão Fiscal (UPF) de 2014, cuja atualização terá 6,7% de acréscimo. Os condutores que não tiverem recebido multa em dois anos recebem o desconto do Bom Motorista e podem ter dedução de até 15% - para quem não foi multado há um ano, o índice é de 10%.

O Desconto do Bom Cidadão, por sua vez, dará aos proprietários de veículos que acumularam 100 notas fiscais no programa NFG mais 5% de desconto, válidos para pagamentos antecipados ou não, e 2% para quem tiver acumulado até 99 notas.

A partir do primeiro dia útil de janeiro, o pagamento antecipado do imposto poderá ser feito até março com descontos no parcelamento, sendo que o proprietário do veículo precisa pagar a primeira parcela até 31 de janeiro – as duas subsequentes serão em fevereiro e março. Os descontos são de 3% para a primeira parcela, 2% para a segunda e 1% para a terceira. Proprietários que não optarem pelo pagamento antecipado terão seus vencimentos entre abril e julho, conforme a placa do veículo.


A expectativa de arrecadação com o IPVA 2015 é de R$ 2,38 bilhões, sendo que 40% do valor pago pelo contribuinte fica com o Estado e os outros 40% com o munícipio onde o veículo foi emplacado e 20% são destinados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O governo do Estado pretende arrecadar R$ 690 milhões até 2 de janeiro.

Neste ano, apenas os motoristas que realizaram pagamento antecipado nos últimos três anos ou que adquiriram um veículo em 2014 irão receber a correspondência de cobrança do IPVA. A expectativa, diz o subsecretário da Receita Estadual Ricardo Neves Pereira, “é que 2,3 milhões de cartas deixem de ser enviadas, o que trará uma economia de R$ 7 milhões para o Estado”.

Jorge Passos

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 17/12/2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

Uma viagem panorâmica por Jaguarão

Um passeio aéreo por uma das cidades mais lindas do Brasil, tombada como patrimônio histórico pelo IPHAN


 

Por meio de uma câmera instalado num drone, a Fly Camera Pelotas realizou um vídeo panorâmico sobre a cidade. A sensação é de estar sobrevoando Jaguarão como se o espectador estivesse num avião. Pode-se ver as obras em estágio avançado do Centro de interpretação do Pampa (antigas ruínas da Enfermaria) logo no inicio do voo.  Faça essa viagem!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Grupo Vocal Asas da Liberdade - Se o Mundo me Pudesse Ouvir - Documentário Completo


Documentário sobre o Grupo Vocal Asas da Liberdade, formado por usuários do Sítio Renascer - CAPS Jaguarão ,  comemorando os 15 anos do Grupo e o lançamento do CD "Do sonho à realidade". 

O documentário conta um pouco da história do Grupo, de seus integrantes, e do próprio Sítio Renascer. 

O Projeto de lançamento do CD e do Documentário é de autoria do arte terapeuta Gilberto Isquierdo, coordenador do Grupo Vocal e contou com o apoio da Secretaria de Saúde de Jaguarão e Prefeitura Municipal.

A Produção é da Jaguarão Vídeos.

Mensagem ao “Arcanjo”Rafael Pinto


Batias bem o componedor na caixa dos tipos ao compasso duma melodia surgindo em tua cabeça, enquanto apareciam caracteres de todos os lados.

Mal sabias que, naquela dança animada, a cultura vinha aos borbotões, as palavras e linhas do texto se transformando em nascente pensamento.

Mesmo assim não te descuravas daqueles difíceis significados e interagias pelo ritmo de tua inspiração, em contraponto às rebuscadas frases.

Tuas mãos esculpiam uma harmonia perfeita da forma com o conteúdo, os dedos encardidos de artífice compondo a mais limpa das obras gráficas.

Eras Mestre em corrigir a ortografia nos descuidados originais e eu aquele Aprendiz a quem fazias sem querer pegar gosto pelo idioma pátrio.

Quando cochilavas à beira da bancada, oxalá teus sonhos pudessem alcançar a evolução da prensa de Gutenberg até a atual Era da Informática.

E assim me tornaste um escriba sem maiores pretensões do que jogar com as letrinhas como costumava fazer antigamente nos tipos de antimônio.

Depois de publicada esta “Ode à Tipografia” no blogue do Poeta das Águas Doces, de São Paulo, Luiz Augusto Dutra Resem me chama atenção pela coincidência do dia da postagem, 04 de dezembro, e aponta que, nessa data, em 1937, exatamente há 77 anos, seu avô Cantalício Resem fundava o jornal “A Folha”. Então, o tipógrafo Rafael Pinto já exercia suas atividades em “A Miscelânea” e praticamente me viu nascer, já que sua esposa Dª. Ismaela chegou a ser minha babá, quando passei a ser integrante da família Resem. Um anônimo colaborador da nossa imprensa, de inestimáveis serviços prestados à coletividade, cujo reconhecimento merece ser estendido a todos seus descendentes.

José Alberto de Souza

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 10/12/2014


domingo, 14 de dezembro de 2014

Festa do Interior

Foto Prefeitura de Jaguarão Digital
  
Que noite a de domingo! Depois de um dia nublado e ventoso prenunciando temporal, o entardecer trouxe a calmaria. A chuvarada passou por cima, como faz tantas vezes por aqui. Dizem que a topografia da nossa cidade a protege. Fazia muito calor. Da janela entreaberta olhei para as árvores do canteiro central e nenhuma folha se movia. Também não se movia o ataque do Imortal Tricolor na Fonte Nova. O zagueiro do Grêmio havia sido expulso e logo em seguida o Bahia marcou um gol de falta. Melancólico final de campeonato, só amenizado pela goleada no grenal. Desliguei a TV. Chega de sofrimento. Convidei minha esposa para darmos uma caminhada pelo centro. A cidade fervilhava.

O clima apetecia o saboreio de um sorvete, foi o que fizemos. Enquanto nos deliciávamos com o gelado, olhei para a porta envidraçada da confeitaria e comentei que a 27 de Janeiro estava com cara de “18 de Julio”, a avenida central de Montevideo. Com as devidas proporções, parece mesmo, concordou ela. -Olha, o que mudou esta cidade de uns dez anos pra cá é incrível. Recordo quando vinha dar aula por aqui, era um marasmo total, completou. 
 
No Largo das Bandeiras, que eu gostaria de chamar de Largo Mestre Vado, pois ali é o espaço dedicado às manifestações populares e à arte, estava acontecendo a terceira noite da IV Feira Binacional do Livro. Sucesso total. O povo tomou conta de todos os lugares. Aqui uma nota. Merecida homenagem ao escritor jaguarense Eduardo Alvares de Souza Soares agraciado com o patronato da Feira. Seus livros sobre a Igreja Matriz, Ponte Internacional Mauá, Olhares sobre Jaguarão, Coletânea de crônicas na antiga Folha, sobre o Poeta Lobo da Costa, além de vários artigos nos Cadernos Jaguarenses, são de valor inestimável para a história de nossa cidade e o resgate de seu patrimônio cultural. 
 
A nossa Feira voltou para alegria de todos. Ela tem características peculiares. Engloba no mesmo espaço, o livro, a música e a gastronomia. Elementos inseparáveis. Une o popular e o erudito. 
 
Quase meia noite e a festa continuava. Resolvemos voltar para casa. Observamos que o movimento não era concentrado somente na praça central. Em toda a avenida principal o trânsito de automóveis e pessoas caminhando, continuava. Na Comendador Azevedo, os trailers estavam repletos. Gente que “gosta mais de ouvir o silêncio e prefere mais o sossego do que o juntamento”, como diria minha avó, pensei. Não importa. Estavam fazendo parte da paisagem dessa noite de domingo numa Jaguarão que vibra. E que noite de domingo!

Jorge Passos

Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 03/12/2014

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...