quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jaguarenses levam a maioria dos prêmios no Festival Nacional da Moenda da Canção de Santo Antônio da Patrulha

Martim César e Zebeto Correia, grandes  vencedores com "Aprendizagem"

Por Elis Vasconcellos

O festival terminou na madrugada do dia 16 de agosto e premiou a música Aprendizagem, de Martim César e Zebeto Correia, representando Jaguarão e Belo Horizonte-MG, como a grande vencedora, melhor letra e melhor melodia do festival. A música As mãos de um mago, de Martim César e Alessandro Gonçalves, representando Jaguarão, obteve o terceiro lugar, fazendo assim com que a cidade de Jaguarão tivesse duas músicas premiadas nesse que é um dos maiores festivais do Brasil, atualmente, tanto em número de inscrições, como em participações de outros estados do país.

A milonga-tango “As Mãos de um Mago”, com letra de Martim César, música de Alessandro Gonçalves e arranjo do também jaguarense Fábio Costa, foi interpretada por Chico Saratt e é uma homenagem a um dos grandes nomes do cenário artístico do Rio Grande do Sul: o uruguaio Carlitos Magallanes, que reside há 40 anos no nosso estado e se notabilizou como um dos mais importantes instrumentistas de tangos e milongas em terras brasileiras, bem como solista da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e como músico premiado em quase todos os festivais do sul do país.

"As Mãos de um Mago", interpretada por Chico Saratt, foi terceira colocada 


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Juca Ferreira defende política cultural para as fronteiras

Uma política cultural para as fronteiras e medidas para lançar um edital específico para pontos de cultura de fronteira. Estas foram algumas propostas anunciadas no último sábado (30) pelo ministro Juca Ferreira, em Jaguarão (RS), na divisa do Brasil com o Uruguai, onde participou de uma roda de conversa chamada Diálogo da Fronteira, com artistas, gestores, produtores e fazedores de cultura locais. A ministra da Educação e Cultura do Uruguai, Maria Julia Muñoz, também participou do debate.

Ministros Juca Ferreira e Maria Julia Muñoz ressaltaram
                importância de políticas culturais para a fronteira -Foto Lia de Paula    
       

O ministro defendeu a construção, na fronteira, de um território de "amizade, parceria, vivência cultural e integração com países irmãos". O anúncio do possível lançamento do edital para pontos de cultura nas divisas já em 2016 arrancou aplausos dos participantes da roda de conversa.

"Pretendo construir uma política cultural para fronteira e Jaguarão é um ícone, um ponto de partida para isso", afirmou. "É preciso ser uma política que dê conta da diversidade presente nessas regiões e que, ao mesmo tempo, estimule a integração e as parcerias. Pensem no Ministério como um parceiro para apoiar esse processo que vocês já vivem", destacou.

A proposta recebeu apoio da ministra da Educação e Cultura do Uruguai. "Vamos estar sempre atentos a fomentar a cultura de fronteira. Ela nos une entranhavelmente. Nossos povos têm sonhos em comum", afirmou Maria Julia Muñoz.

Pontos de Cultura


Pontos de Cultura são entidades culturais ou coletivos culturais que, por desenvolver ações de impacto sociocultural em suas comunidades, são certificados pelo Ministério da Cultura, recebendo dele apoio institucional e financeiro. O Plano Nacional de Cultura - PNC (Lei 12.343/2010) estabelece em seu Plano de Metas o fomento de 15 mil Pontos de Cultura até 2020.

Em Jaguarão, o ministro ressaltou a importância dos Pontos de Cultura para o fomento da cultura de base comunitária no país. "Historicamente, as comunidades acharam uma forma de qualificar seu ambiente e superar a ausência do Estado. Muitas vezes, em um ambiente degradado e submetido à violência, as pessoas produzem um ambiente mágico que só a arte e a cultura são capazes de fazer", comentou.

Ferreira enfatizou, ainda, que os Pontos de Cultura são "parte insubstituível" da Cultura brasileira, presentes em todo o país, desde a periferia até as comunidades indígenas. "É preciso reconhecer o direito do povo brasileiro de ter apoio do Estado para que se desenvolva. Nós vamos trabalhar para ampliar essa experiência", frisou.

Outras demandas


Ao longo do evento, participantes puderam expor seus pontos de vista e fazer demandas. Luta contra a intolerância religiosa, maior acesso à cultura, investimentos para o setor do audiovisual da região e a cultura vista como vetor de integração e de desenvolvimento regional foram alguns dos temas tratados.

Outro pedido de destaque foi a necessidade de descentralização na distribuição de recursos para a área cultural. Em relação a esse aspecto, mais uma vez, o ministro foi enfático ao defender a reforma da Lei Rouanet.

"A lei Rouanet representa 80% do dinheiro que o governo tem para aplicar na cultura. É mal aplicado porque, em última instância, quem define o uso é o departamento de marketing da empresa. E a empresa se associa a quem pode dar retorno de imagem a ela, então, a restrição é imensa", lamentou.

Além de Juca Ferreira e da ministra da Educação e da Cultura do Uruguai, estiveram presentes à roda de conversa o prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, e o diretor do departamento de Relações internacionais do MinC, Gustavo Pacheco, entre outros.

O Diálogos da Fronteira foi um dos compromissos cumpridos pela comitiva do Ministério da Cultural em Jaguarão ao longo do último sábado (30). Ao longo do dia, o ministro visitou espaços culturais e participou de cerimônia de celebração do reconhecimento da Ponte Barão de Mauá como primeiro bem binacional reconhecido como Patrimônio Cultural pelos países do Mercosul.

Fonte: Cecília CoelhoMinC

Ministro Juca Ferreira caminhou pela Ponte Mauá
Cerimônia de descerramento de Placa na Ponte Mauá, Patrimônio Cultural do Mercosul


 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Voluntários da Pátria de Jaguarão

Voluntário desconhecido pousa
 para foto em estúdio
Por Jorge Passos

Damião; pardo; desta Província; 20; Sr. Ramão Francisco de Lemos; data da concessão 08-07-1867; data registro 09-07-1867 (Livro 3, p. 33r). Descrição: A carta foi concedida “para que sirva como substituto de meu filho João Nepuceno de Lemos, pelo tempo de 9 anos, em um dos corpos de 1ª Linha do Exército que lhe for designado conforme é concedido por Lei”. O referido senhor pediu a seu filho João Nepuceno Lemos que a assinasse a rogo. 

Esta é uma das Cartas de alforria que consta dos Documentos da Escravidão, pesquisa com Catálogo Seletivo De Cartas De Liberdade realizada no Acervo dos Tabelionatos de municípios do interior do Rio Grande do Sul pela APERS , na parte que se relaciona ao município de Jaguarão. Como se vê, trata-se de concessão de liberdade ao cativo com a condição deste, substituir o filho do Senhor como voluntário na Guerra do Paraguai.

“La Guerra Grande” ou “Guerra Maldita” como ficou conhecido o maior conflito ocorrido na história da América do Sul cumpriu em 2014, 150 anos. Conforme o historiador Mário Maestri, a guerra do Paraguai, apesar da sua importância, é semi-desconhecida no Brasil e pouco abordada pela nossa historiografia tradicional. Em artigo publicado recentemente, o Professor da UPF afirma que “o conflito foi deflagrado pela invasão do Uruguai pelo Império do Brasil, sem declaração de guerra, em outubro de 1864, para manter direitos semi-coloniais impostos quando de invasão anterior, em 1851! Agressão exigida pelos estancieiros sulinos, general Netto à cabeça, que mantinham a escravidão no norte do Uruguai que dominavam, apesar de abolida naquele país em 1842-46!” . Jaguarão foi diretamente atingida por esses acontecimentos no 27 de janeiro de 1865, quando da invasão dos blancos à nossa cidade, evento que nos rendeu o epíteto de heroica.

No Brasil, depois de um inicio de entusiasmo popular, criou-se o Corpo de Voluntários da Pátria, para canalizar o sentimento patriótico dos que desejavam lutar pelo País. Porém, logo escassearam os alistamentos e o recrutamento começou a ser forçado. A substituição do recrutado ou designado para a guerra, por um escravo, era uma das maneiras de fugir do sangrento conflito. Os nossos antepassados jaguarenses não hesitaram em recorrer a esse privilégio. Afinal, segundo o escritor Joaquim Manoel de Macedo, líder da facção avançada do Partido Liberal, "os brasileiros não se alistavam voluntariamente por acreditarem que só os pobres lutavam".

Fazendo justiça aos homens de Jaguarão que , provavelmente com sua morte nos campos de batalha lutando pelo Brasil, conquistaram a liberdade, coletei no catálogo acima citado os nomes dos escravos que publico a seguir, ressaltados em negrito, com os respectivos senhores e ou parentes destes, substituídos. Como gaúchos que somos e por exaltar nossas façanhas servindo de modelo a toda Terra, nada mais justo que permitir à comunidade negra de nossa cidade, o reconhecimento a seus antepassados, aos que realmente foram para a frente de combate , os nossos Voluntários da Pátria.

Faustino José Gonçalves ; Sr. Honório José Gonçalves 
Damásio Francisco de Brum ; Sr. Manoel Francisco de Brum 
Jacinto Leodoro; Sr. Evaristo José Gonçalves, em lugar do filho Evaristo José Gonçalves Júnior 
Benedito José Nobre ; Sr. Ismael José Nobre
Paulo Inácio Rodrigues; Sra. Justa Dias Rodrigues, substituindo seu filho Lino Inácio Rodrigues
Tomás de Melo em lugar de Manoel Cândido de Melo, filho do Senhor 
José Maria Dias ; Sra. Maria Inácia Rodrigues Dias, em lugar do filho Manoel Inácio Dias
Lucas Caetano dos Santos; Sr. Manoel Corcino dos Santos 
Paulo Corrêa da Silva ; Sr. João Jacinto Corrêa da Silva 
Eleutério Porto ; Sr. Joaquim Teixeira Porto, substituindo o filho Manoel Joaquim Porto
Adão Cunha; Sr. Basílio Evaristo, em lugar do enteado Fortunato Antônio da Cunha
Estevão ; Sr. Tomás de Farias Santos, no lugar do sobrinho Luís Gidião de Farias
Narciso; Sra. Maria Dias Terra, em lugar do filho Felício Francisco Terra
Marcelino; Sra. Joaquina Maria da Conceição, em lugar de Antônio Vieira de Freitas
Manoel; Sr. Jacinto Corrêa de Araújo
Benedito; Sr. Clarimundo Álvaro de Melo, em lugar do filho Loregildo Pereira de Melo
Damião; Sr. Ramão Francisco de Lemos, substituindo o filho João Nepuceno de Lemos
Elias ;Sr. Angelino Dutra da Silveira, em lugar do filho Leandro Dutra da Silveira
Inácio; Sr. Antônio Joaquim Lima
[sem nome] ;Sr. Joaquim Soares de Souza.


Os escravos quando da libertação ou alforria, geralmente adotavam o sobrenome dos seus antigos senhores. Não adicionei à lista, os escravos da Freguesia de São João Batista do Herval e da Freguesia de Nossa Senhora das Graças de Arroio Grande que, à época, pertenciam a Jaguarão. Para se ter uma ideia da importância do escravagismo por aqui, Jaguarão em 1859 tinha 5.056 escravos, só perdendo em número, para a capital , Porto Alegre, que dispunha de 8.417 escravos.


Retirado de "Comprando e vendendo escravos na fronteira" de Jônatas Caratti

CLIQUE AQUI    Para consultar a íntegra da Pesquisa sobre as Cartas de liberdade do RS 


Imagens da Guerra do Paraguai

Guarda Pessoal de Caxias. Todos negros. Quem pode afirmar que não  há algum 
escravo liberto de Jaguarão nesta foto?



Quem era designado como voluntário e não dispunha de escravo para ir no seu lugar, ou 600 mil réis para pagar pela dispensa,  vivia drama satirizado na charge abaixo.  A honra e a coragem cediam lugar ao medo.


Patriotismo Escravocrata



O prejuízo dos Fazendeiros na Guerra


- Imagens colhidas no Site da Universidade Federal do ParanáSetor de Ciências Humanas, Letras e Artes- Departamento de História - História do Brasil II (HH061) Professor responsável: Luiz Geraldo Silva. 

A legislação da guerra, ainda, permitiu um a outra forma de enviar para as fileiras do Exercito escravos: o substituto. Pela lei n° 1220. de 20 de julho de 1864, ainda em vigor durante a guerra, se permitia aos recrutados e voluntários a isenção militar por substituição de indivíduos idôneos para o mesmo serviço, faculdade que igualmente foi concedida aos guardas nacionais tanto pelo artigo 126 da Lei n. 602 de 19 de setembro de 1850. como pelo Decreto n° 3513 de 12 de setembro de 1865 - OS [IN] VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA NA GUERRA DO PARAGUAI - dissertação de Marcelo Santos Rodrigues da UFBA.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

13 de Maio: A Revolução Abolicionista

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Por Mário Maestri *

Em 13 de maio, a Abolição celebrou 123 anos. O Brasil foi uma das primeiras nações americanas a instituir e a última a abolir a escravidão. Dos 511 anos de história do Brasil, mais de 350 passaram-se sob o látego negreiro. A Abolição já foi celebrada com vigor e alegria. Hoje, conhece verdadeira desqualificação. Sua negação é obra sobretudo do movimento negro organizado que com razão lembra a miséria atual de grande parte do povo negro. Essa visão bem intencionada consolida interpretações caricaturais do 13 de Maio que escamoteiam a essência da gloriosa revolução abolicionista de 1888.
Celebrar o 13 de Maio não significa reafirmar os mitos da emancipação do negro em 1888 ou de Isabel como Redentora. Significa recuperar a importância da superação da escravidão e da participação dos trabalhadores escravizados naquelas jornadas revolucionárias. O povo negro pobre sempre intuiu a importância de 1888. Esse sentimento profundo não nascia da propaganda das classes dominantes, mas da memória popular sobre acontecimento magno para os subalternizados.

Não há sentido em antepor o 20 de Novembro, celebração da confederação dos quilombos de Palmares, ao 13 de Maio, fim da escravidão. Apesar de saga luminar, Palmares jamais propôs – e não podia ter proposto – a destruição da escravidão como um todo. E foi derrotado. A revolução abolicionista, movimento nacional, foi vitoriosa ao superar para sempre o escravismo. Desconhecer o seu sentido revolucionário é menosprezar a essência escravista do passado e o caráter singular da gênese do Brasil.

Estudos clássicos como Os últimos anos da escravatura no Brasil, de Robert Conrad, apresentam a Abolição, em seu tempo conjuntural, como produto do abandono maciço pelos cativos das fazendas cafeicultoras, sobretudo paulistas, nos meses finais de cativeiro. Um movimento que se impôs sob uma tensão extrema, que ceifou a vida de não poucos cativos e abolicionistas consequentes.

O fim do cativeiro deveu-se à massa escravizada, aliada aos abolicionistas radicalizados. Em 13 de maio, a herdeira imperial apenas sancionou lei aprovada pelo Parlamento dos proprietários, lavrando o atestado de óbito de instituição terminal. Nos 66 anos anteriores, os Braganças haviam defendido o cativeiro, com dentes e unhas.

Em um sentido estrutural, foi sobretudo a oposição permanente do cativo ao trabalho feitorizado que construiu as condições que levaram, mais tarde, à destruição da escravidão. Uma oposição que impôs limites insuperáveis ao desenvolvimento tecnológico da produção, determinando gastos de vigilância e coerção que terminaram abrindo espaço para formas de produção superiores.

Em 1888, pôs-se fim ao modo de produção escravista colonial que ordenara o Brasil por mais de 300 anos. É um anacronismo negar essa realidade devido às condições econômicas, passadas ou atuais, da população negra. Os limites da Abolição eram objetivos. No final da escravidão, a classe servil era categoria em declínio que lutava essencialmente pelos direitos cidadãos, reivindicação que uniu trabalhadores escravizados rurais e urbanos. Em 13 de maio, setecentos mil cativos e ventre-livres obtiveram a liberdade civil.

O programa abolicionista de modernização e democratização do país continha a distribuição de terras entre os ex-cativos e os pobres. O movimento abolicionista foi desorganizado pelo golpe republicano de novembro de 1889, que entregou o poder às classes proprietárias regionais.

Com o 13 de maio, superavam-se as diferenças entre trabalhadores livres e escravizados, iniciando-se a história da classe operária como a compreendemos hoje. A revolução abolicionista foi o primeiro grande movimento de massas do Brasil e constitui, até agora, a única revolução social indiscutivelmente vitoriosa no país.

* Mário Maestri, 62, é professor do Curso de História e do PPGH da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net

Artigo Publicado em 15/05/2011 no  http://www.diarioliberdade.org


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Pensando o Nu na História da Arte com o Professor Dr. Clóvis da Rolt


Dentro da Programação da II Semana da diversidade Sexual de Jaguarão, acontece neste sábado, 18 de abril, as 16 h, no auditório do Círculo Operário, a Atividade "Pensando a Produção Cultural" com o Tema "Ocultamentos e Revelações: Pensando o Nu na História da Arte" com o Palestrante, Professor Dr. da Unipampa, Clóvis da Rolt e com mediação da Me. Marina Reidel. 

Clóvis da Rolt  é docente na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Jaguarão-RS. Possui graduação em Licenciatura Plena em Artes Plásticas (Universidade de Caxias do Sul), Especialização em Ética e Filosofia Política (Universidade de Caxias do Sul), Mestrado em Ciências Sociais (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e Doutorado em Ciências Sociais (Universidade do Vale do Rio dos Sinos). Realizou período de estudos de doutorado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Granada (Espanha), mediante bolsa do Programa de Formação Permanente da Fundación Carolina e Junta de Andaluzia. Atua no campo das Artes Visuais e da Antropologia com especial interesse nos seguintes temas: história e teoria das artes visuais, antropologia cultural, processos identitários no âmbito da pós-modernidade, imaginário e hermenêutica.

O Evento é organizado pelo PET Produção e Política Cultural da Universidade Federal do Pampa e Instituto Conex com o apoio do Círculo Operário de Jaguarão.   





domingo, 22 de março de 2015

PEDRA SÓ - Poema de José Inácio Vieira de Melo




Às cinco horas da tarde,
no céu da Pedra Só,
um cavalo emerge das nuvens
e uiva para a lua.
Às cinco horas em ponto,
na fazenda Pedra Só,
a lua é o olho do dragão.

E a moça de Jorge de Lima
é enorme, enorme,
e engole a lua
e vai ficando
menor, menor.

Mas continua caindo
num desembesto sem fim
até virar Alice.

E logo ali, um alce.
E logo ali,
o galo de Abraão Batista
numa briga feroz
com o boi do Patativa.

Às cinco em ponto da tarde,
no reino da Pedra Só,
Federico Garcia Lorca
montado num corcel de algodão
crava seu punhal de prata
nos olhos da escuridão.


JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO

PEDRA SÓ - Poema de José Inácio Vieira de Melo, do livro "Pedra Só" (Escrituras Editora, 2012). Recitado por José Inácio Vieira de Melo. Ilustrações de Juraci Dórea. Músicas: JIVM, Uakti, Oliveira de Panelas & Téo Azevedo, Quinteto Armorial, Zabé da Loca. Edição de audio: Vandex. Edição de vídeo: Ricardo Bertol. Direção: Gabriel Gomes e José Inácio Vieira de Melo.

sábado, 21 de março de 2015

Alguns são todos, ou todos são alguns?

Trabalhar com a lógica as vezes nos traz algumas informações bem legais. Num conjunto de 15 cães, 3 são ferozes e maldosos (faz de conta que um cão tem esta característica). Posso dizer que todo o conjunto é feroz e maldoso? Não, seria uma sacanagem com os 12, que inclusive são maioria. E se dizer que todos não são ferozes e maldosos? Também seria sacanagem com os demais de fora, além de acobertar os ferozes e maldosos. A lógica é clara (e usamos em vários conhecimentos, muito comum na matemática). "Alguns não são todos, e todos não são alguns". Quando damos aulas aos alunos do Ensino Fundamental e Médio, é comum, às vezes, colegas comentarem sobre determinada turma, em função de alguns alunos "bagunceiros". Tipo, "aquela turma não dá pra trabalhar", "é horrível". Pronto, transformamos o "alguns no todo". E isto é ruim pra quem? Para aquela maioria que não era "horrível" como se propagava com este discurso, mas pagava o pato. 
O objetivo aqui não é tratar de como os professores devem agir numa situação destas, mas demonstrar como, por falta de uma compreensão elementar de lógica, sacaneia-se muitas pessoas de bem. O senso comum, apesar de ser por onde devemos começar uma análise, é provido de vários preconceitos (conceitos prévios, não provados, portanto não verdadeiros). E também por operações lógicas desatentas. Uma delas é justamente esta: Confundir Alguns com Todos, e Todos com alguns.

Hoje, e de muitos anos, pois já abordava isto lá pelos idos de 1989, no campo da política, há grupos de pessoas alicerçadas por grupos de Mídia (TV, Rádio, Jornal), que alimentam esta terrível argumentação totalmente desprovida de lógica. Vejamos: quando algumas pessoas (políticos) se corrompem, e como é possível corromper individualmente, não há necessidade do todo, no caso os partidos. Estes apenas tem suas Comissões de Ética para tratar do assunto e suas propostas e bandeiras, que é onde as pessoas poderiam e deveriam estabelecer os debates, defendendo ou combatendo (ideias) de um lado ou outro.
Assim, se uma agremiação tiver milhares de membros, e 5 ou 8 forem corrompidos ou corruptores, eu posso dizer que "Alguns são todos". Da mesma forma não. Assim, apenas estaremos sacaneando os corretos, e ainda ajudando os corruptos a se esconderem no meio de todos. Por isso não gosto destas generalizações, que a própria lógica demonstra, não resolvem o problema. Neste caso, teríamos que verificar onde estão as situações mais propícias para a corrupção. Uma delas está bem clara. Financiamento privado por grandes grupos econômicos a candidatos, que eleitos, estão sujeitos a defenderem os interesses destes grupos (até aí, ainda não se configura exatamente a corrupção, mas a opção de lado). Mas em determinado momento em que estas empresas tem interesses em licitações por exemplo, aí sim, percebemos como funciona o causo. E uma vez investigados nomes que, por ventura, possam estar envolvidos, e uma vez comprovados, será que podemos concluir que "Todos são Alguns". 
Esta noção do senso comum, muito apreciada e difundida justamente por grupos econômicos que operam com a corrupção, ajuda em muito a manter os corruptos quase a salvo, no meio de todo o conjunto. Enquanto não aprendermos a dar nome aos bois, de todos os lados, e evitar generalizar para todo o conjunto, também se estará ajudando os corruptos. O importante na política é debater os projetos, sem preconceitos ou lógicas falsas. Defender isto ou combater isto, por conta disso e disso. Pressionar o governo tal para encaminhar tal projeto. De outra forma, ajudar-se-á a manter a situação como está. Em muitas manifestações pairou o senso comum principalmente através da Rede Globo, já que a Reforma Política praticamente não foi apresentada como tema fundamental, porém a ideia de que "Alguns são todos", sim, é o que mais percebi, e pior, de um lado só. Além da falsa lógica que ajuda a corrupção, ainda tem a parcialidade. 


Carlos José  de A. Machado
 
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 18/03/2015 
 

Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

  Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...