terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Jaguarão, vetado por ser negro no Botafogo, goleador do Bangu

UM QUEBRA CABEÇA PARA NOSSA MEMÓRIA

Time do Bangu em 1931. Primeiro à direita, Cirilo Campelo, o Jaguarão.

Time do Bangu antes da partida contra o Vasco, em São Januário, no dia 7 de junho de 1931. Da esquerda para a direita aparecem: Santana, Zé Maria, Buza, Ladislau, Domingos da Guia, Dininho, Médio, Eduardo Moura e Jaguarão. Abaixados: Zezé, Sá Pinto e a mascote Manô.

Em 13/05/1987, Zero Hora (p.49) publicou entrevista concedida a Cláudio Dienstmann, pelo historiador Carlos Lopes dos Santos, sob o título “História do Negro no Futebol Gaúcho”, da qual me permito reproduzir a abordagem final da referida matéria: - “Mas quando Luiz Carvalho, grande centro-avante do Grêmio, foi para o Rio de Janeiro e jogou no Botafogo, ele fez questão de levar um jogador negro, o Jaguarão, ponteiro-esquerdo, criado no Palmeiras, da várzea de Porto Alegre. Só que o Botafogo não aceitou o Jaguarão, porque era preto e ele foi parar no Bangu. No primeiro jogo entre os dois clubes, o Botafogo com Luiz Carvalho, tomou 5x0 do Bangu – três golos do Jaguarão. Era um tipo Tesourinha, mais forte”.

Transcrevo ainda do livro “Nós é que somos banguenses”, de Carlos Molinari, as seguintes passagens: - “Curiosa a história do ponta-esquerda Cirilo Campelo, apelidado pelo nome de sua cidade natal: Jaguarão. Chegou ao Rio na vã tentativa de jogar pelo Botafogo, mas foi proibido de treinar em General Severiano por ser negro! Lá foi aconselhado a procurar o Bangu, pois segundo um diretor botafoguense o "seu tom de pele seria ideal no time dos Mulatinhos Rosados". Veio para a Rua Ferrer, treinou e ficou. No Campeonato Carioca marcou somente dois gols, sendo que um deles justamente em cima do Botafogo.” ... “Mudanças significativas ocorreram na equipe de futebol do Bangu em 1932. A principal delas foi a saída de três titulares absolutos: o goleiro Zezé foi defender o Olaria, o atacante Jaguarão iria parar no Engenho de Dentro e Domingos da Guia. O zagueiro havia exibido sua classe suprema de tal forma que foi impossível para o Bangu mantê-lo após tantas insistências dos outros clubes - ele iria para o Vasco”.

Desse livro, também copiei uma foto do Bangu, (clique aqui para ver)  onde aparece esse conterrâneo.

Desde então tenho me perguntado se alguém na época sabia que um conterrâneo brilhava no time dos “mulatinhos rosados”, figurando ao lado dos irmãos Da Guia, Domingos (o Divino Mestre) e Ladislau, este maior artilheiro da história da tradicional agremiação, com 223 golos? Como diria o grande Érico Veríssimo, “eta, mundo velho sem porteira”, por aonde vão se espalhando os nossos “jaguarões”?

José Alberto de Souza
poetadasaguasdoces.blogspot.com.br


Da Série alguns Apontamentos sobre o futebol Jaguarense e o Gauchão, por José Alberto de Souza

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