Acontece no dia 4 de junho as 20 horas, na Biblioteca Pública Pelotense, o Lançamento do CD Singular, trabalho conjunto de Paulo Timm, Gilberto Isquierdo e Maurício Raupp Martins. A entrada é franca.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Ex-goleiro da Seleção Gaúcha completa 97 anos no próximo dia 24 de maio
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Seleção Gaúcha |
Alcides Carlos de Moraes nasceu em Jaguarão, no dia 24 de
maio de 1916. Começou jogando, aos 12 anos como “filhote”, de centro-avante no
Esporte Clube Cruzeiro do Sul, de sua cidade natal. Em 1936, jogou no Clube
Atlético Bancário, de Pelotas. No ano seguinte, estreava no Esporte Clube
Pelotas, no qual foi campeão em 1939 (triunfo de 3x1 sobre o Brasil). Chegou a
ser pretendido pelo Botafogo, do Rio de Janeiro, sem avançar nas negociações
pela necessidade de abandonar o futebol devido a um emprego que lhe ofereceram
de Fiel de Armazém, quando da inauguração do Porto de Pelotas em 1940. Como não
emplacou nesse cargo, também perdeu aquela oportunidade de atuar no futebol
carioca.
Legenda viva do futebol gaúcho,
entre 1940 e 1941, Alcides Moraes deixou marcante passagem como goleiro titular
do selecionado do Rio Grande do Sul. Defesas arrojadas e incrível senso de
colocação foram evidentes qualidades que levaram esse craque do interior a ser
convocado para aquela seleção, onde pontificavam nomes como Tesourinha, Rui,
Massinha, Foguinho, Carlitos, Noronha, Alvim, Dario, Vaz, Tavares e o treinador
Telêmaco Frazão de Lima. “Quanto ao Massinha fomos moleque em Jaguarão” – assim
ele se refere ao conterrâneo e acirrado rival em vários clássicos Bra-Pel.
Também foi Diretor de Futebol do E. C. Pelotas em 1945, sagrando-se bicampeão
citadino (na final com o Brasil, de virada por 2x1), campeão do interior e vice
do Estado.
Era um excelente cobrador de faltas,
numa época em que os arqueiros não se arriscavam muito fora da sua área. No dia
30 de março de 1941 realizava-se um Bra-Pel, válido pelo Torneio Início, que
terminou empatado em 0x0, com a decisão indo para os pênaltis. Ramon, pelo
Brasil, fez quatro golos e Alcides defendeu o quinto pênalti. Na sua vez, o
Pelotas desperdiçou a primeira cobrança e então Alcides pediu para bater e
marcou os outros quatro, empatando a série que na época não era alternada como
agora. Na decisão de três pênaltis para cada lado, mais uma vez esbanjando
categoria, esse nosso conterrâneo não perdoou com três acertos e ainda defendeu
os dois pênaltis do Brasil, garantindo para o Pelotas o título daquele Torneio.
Alcides Moraes certamente deveria ser o Rogério Ceni daqueles tempos.
Encerrou a carreira esportiva em
abril de 1942 para assumir suas funções na Secretaria da Fazenda do Rio Grande
do Sul. Transferido para São Luiz Gonzaga em 1943, chegou a jogar de atacante
no Ipiranga, daquela cidade. Como passatempo, dedicou-se aos campos de golfe e
ao tênis. Casou-se, em Pelotas no dia 23 de junho de 1944, com Dª. Alda
Oliveira de Moraes (de quem enviuvou em 2008), tendo dois filhos desse
matrimônio, Luiz Fernando e José Carlos, o primeiro deles advogado e aposentado
como procurador do Ministério da Fazenda, e o segundo médico e professor
titular de patologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Este, com 25
anos em 03/12/1972, foi vítima de um assalto que o deixou paraplégico, quando
fazia residência médica na capital fluminense. Com licença especial, o casal
foi ao Rio para acompanhar a reabilitação desse filho e como esta demorasse,
Alcides teve de voltar para reassumir o cargo no Estado.
José Carlos Oliveira de Moraes ainda
é jogador de basquete em cadeira de rodas, tendo participado das paraolimpíadas
de 1986, em Atlanta nos Estados Unidos, e com Celso Lima, introduziu o tênis
para cadeirantes no Brasil, em que se disputa anualmente um torneio de caráter
nacional. E Alcides, aposentando-se em junho de 1976, retornou definitivamente
ao Rio de Janeiro, onde se mantém exilado do nosso frio, apenas vindo a Pelotas
na temporada de veraneio, sempre marcando religiosamente seu ponto no
tradicional Café Aquarius. Cativando a todos com seu carisma, sua simpatia e
memória privilegiada.
José Alberto de Souza
Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 22/05/2013
CLIQUE AQUI para ler entrevista concedida por Alcides de Moraes ao José Alberto de Souza
13 de Maio, uma data para não esquecer
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Praça Central de Jaguarão já teve o nome de 13 de Maio |
Mais um 13 de maio, data
marcante da superação do escravismo que vigorou por mais de 350 anos na
história do Brasil, passou relegada ao esquecimento. Segundo o Professor e
historiador Mário Maestri, dedicado à pesquisa da história do negro no Brasil,
o Movimento Negro equivoca-se ao colaborar com conspiração do silencio sobre o
13 de maio e deveria desdobrar-se na sua celebração e na discussão do seu
significado histórico, destruindo as visões apologéticas sobre ele.
Conforme Maestri, não há
sentido em antepor Palmares a 1888. Por mais heroica que tenha sido, a epopeia
palmarina jamais propôs, e historicamente não poderia ter proposto, a
destruição da instituição servil como um todo. Palmares resistiu por quase um
século, determinou a história do Brasil, mas foi derrotado. A revolução
abolicionista foi vitoriosa e pôs fim ao escravismo, ainda que tardiamente. Desconhecer
o sentido revolucionário da Abolição é olvidar a essência escravista de dois
terços de passado brasileiro e o caráter singular da gênese do Brasil
contemporâneo, através da destruição do escravismo. Tal desconhecimento ignora
a contradição essencial que regeu por mais de trezentos anos o passado
brasileiro - escravizadores contra escravizados... Com
o 13 de Maio, superava-se a distinção entre trabalhadores livres e
escravizados, iniciando-se a história da classe operária brasileira como a
compreendemos hoje.
A revolução abolicionista foi o primeiro grande
movimento de massas moderno, promovido, sobretudo pelos trabalhadores
escravizados, em aliança com libertos, trabalhadores livres, segmentos médios e
alguns poucos proprietários. Até agora, constituiu a única revolução social
vitoriosa do Brasil, diz Mário Maestri.
Em Jaguarão houve expressivo movimento
abolicionista em jornais e clubes que pregavam a libertação dos escravos.
Inclusive, a nossa Praça Central, antes de ter seu nome infelizmente alterado
para o atual, denominava-se Praça 13 de Maio, em homenagem a esta data que não
deve ser esquecida.
Jorge Passos
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 15/05/2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
SARAU BPP 28 MAIO / EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO
Juntamente com os parceiros institucionais e apoiadores , a Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) convida para a edição de aniversário ( três anos ) do Projeto Sarau Poético-Musical BPP , no próximo 28 DE MAIO, a partir das 19:30 horas - conforme programação abaixo
O QUE - XXX edição do Projeto Sarau Poético-Musical BPP.
QUANDO E ONDE: 28 de maio de 2013, no salão térreo da BPP. Entrada franca. Inicio às 19:30 horas.
MÚSICA AO VIVO
Maria Conceição
POETAS - AUTORES CONVIDADOS
Daniel Moreira
Diko Keiber
Marcela Bueno
Rosanir Fernandes
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Maria Conceição volta ao Sarau BPP na edição de aniversário do projeto. |
AUTORA EM DESTAQUE
Elisa Lucinda
CONVERSA SOBRE A AUTORA DESTACADA
Ediane Oliveira
Parceiros Institucionais
Confraria dos Poetas de Jaguarão
Curso de Relações Internacionais / UFPel
Faculdade de Educação / UFPel
Centro de Letras e Comunicação/ UFPel
Instituto Estadual de Educação Assis Brasil
RádioCOM.104.5FM
Realização
Bibliotheca Pública Pelotense
Coordenação Projeto Sarau Poético BPP
Daniela Pires de Castro
Getulio Matos
Mara Agripina Ferreira
Pedro Moacyr Perez da Silveira
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Cantor e compositor francés Georges Moustaki falece aos 79 años
El
cantautor francés de origen griego Georges Moustaki falleció
hoy en Niza, en la costa mediterránea de Francia, a los 79 años de
edad, según ha informado su familia.
El
cantante, nacido en Alejandría, había dejado los escenarios con un
último concierto en Barcelona en enero de 2009. El cantautor no pudo
finalizar el espectáculo, lo que puso de manifiesto su frágil
estado de salud debido a enfermedad pulmonar crónica.
Su
nombre de pila era Youssef Mustacchi, pero lo cambió por el de
Georges en honor a su maestro, Georges Brassens. Muchos recuerdan que
alcanzó popularidad gracias a Edith Piaf, de la que fue
amante.
"He
tenido una vida apasionante. Espero que lo sea hasta el final",
declaró en 2011 el cantante, cuando explicó a la prensa que tenía
una enfermedad pulmonar incurable que le hacía "definitivamente
incapaz de cantar".
Contemporáneo
de una generación de artistas que dieron a conocer la chanson
française, como su maestro Georges Brassens, Jacques Brel o Serges
Gainsbourg, Moustaki compuso letras de canciones para melodías que
interpretaron Edith Piaf, Yves Montand, Barbara o Serge Reggiani.
El seductor
y revolucionario poeta y músico se hizo mundialmente conocido a
finales de los años sesenta y principios de los setenta con temas
como Milord, que hizo célebre la garganta de Edith Piaf, Lefacteur, La mer m'a donné, Ma solitude o Le temps de vivre.
Moustaki
nació el 3 de mayo de 1934. Su padre, el librero Nassim, hablaba
cinco idiomas. Su madre, Sarah, seis. A orillas del Mediterráneo,
Moustaki se educó en la escuela francesa, en cuyos pasillos
escuchaba el árabe, el griego, el italiano, el turco, el armenio, el
maltés el francés y el inglés, lengua oficial de Egipto bajo
mandato británico.
A
pesar de su vida errante, con una referencia fija en la Île
Saint-Louis, en París, pero salpicada de latitudes y países,
Moustaki nunca se despegó de aquella ciudad en la nació y en la que
descubrió la pasión por los libros que atiborraban las estanterías
de su padre, por el teatro, el cine o la música. "La Alejandría
de mi infancia era el mundo en pequeño, con todas las razas y
todas las religiones. Soy raramente extranjero en alguna parte porque
siempre encuentro una referencia a Alejandría en los idiomas que
escuché allí, los olores o los colores", decía.
Tras
pasar un verano en París, sus padres le dejaron mudarse a la capital
francesa en 1951, cuando tenía 17 años. Su madre le envió una
guitarra, pero el futuro músico aún se ganaba la vida con pequeños
trabajos, como el de vendedor de libros de poesía de puerta a puerta
o periodista ocasional. En París conoció a Georges Brassens, que
después se convertiría en su maestro, y le animó a seguir
escribiendo versos y a lanzarse a cantar. En sus inicios musicales,
Moustaki cantaba entre las mesas de los restaurantes en busca de una
propina o incluso como pianista de ambiente del cabaré Rose Noire de
Bruselas.
Fonte: http://www.publico.es
terça-feira, 21 de maio de 2013
Antonio Cândido indica 10 livros para conhecer o Brasil
Por Antonio Candido.*
Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.
Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.
Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora.
São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.
Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.
Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: D. João VI no Brasil (1909) eO movimento da Independência (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).
Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: Um estadista do Império(1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: Do Império à República(1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da História geral da civilização brasileira, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II.
A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras.
Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.
No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc.
* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000
Antonio Candido é sociólogo, crítico literário e ensaísta.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Jaguarão: Dois prédios que marcaram diferentes épocas

Naquela foto, também postada na Confraria dos Poetas de Jaguarão, as
camisetas do “time de futebol” pertenciam ao Granada que fez
história no futebol varzeano lá pelos idos de 1954, composto por
craques como Paulo Sabbado, Sicco, Pedro Bittencourt, Clóvis
Amâncio, Portinho, a fina nata do Café do Comércio. E para
combater esses incautos, amarrei uma partida sem dispor de nenhuma
equipe, saindo em louca disparada para conseguir local, bola,
camisetas, meias e chuteiras, gentilmente cedidas pelo E. C. Cruzeiro
do Sul, além de madrinha e árbitro para a contenda. Agora, para
formar o plantel, vali-me dos préstimos do amigo Eulálio Delmar
Faria que me apresentou ao cabo Mulita, a quem passei o encargo da
arregimentar os elementos necessários, soldados de Rio Grande
servindo no Quartel local.
Daí
que a coisa evoluiu para a fundação do Esporte Clube Tuiuti,
presidido por mim e secretariado pelo riograndino Antônio Ledur
Dias. Então eram comuns as “peladas” entre Grêmio Esportivo
Jaguarense, treinado por Dair “Zazá” Nunes, e América Futebol
Clube, de Heponino Costa, a que se vieram juntar Estrela do Sul, do
estivador Torto, e Internacional, do Carlinhos Rodrigues, hoje fiscal
da Fréderes. Toda essa gente reunida no barraco de Heponino resolveu
criar a Liga Jaguarense de Futebol Varzeano, chegando a elaborar o
calendário dos jogos que não passou da primeira rodada por
desavenças nas batalhas campais. Mesmo assim, ainda continuei
teimando com o Tuiuti até chegar no dia de nossa formatura no
Ginásio, quando Eulálio e eu tivemos de abandonar uma das pelejas,
já atrasados para a cerimônia.
Vieram
1955 e o início do ano letivo, tive de embarcar num daqueles
“gaiolões” da Fréderes, gélida madrugada, com destino a Porto
Alegre para cursar o científico no Colégio Estadual Júlio de
Castilhos, junto estava meu tio e pai de criação Cantalício Resem
para as despedidas. Ali encontramos o Sr. Alcides Pereira da Silva,
genitor do colega “Pitita” que rumava para o Colégio Cruzeiro do
Sul, de onde faria trampolim à Faculdade de Medicina da UFRGS, a fim
de exercer sua nobre profissão na terra natal como o conceituado e
saudoso Dr. Mário Conceição Pereira da Silva. Refresco assim a
memória para situar naquele ano o local desse embarque que ocorreu
na antiga Rodoviária situada ao lado do Café do Comércio.
Tantas
digressões só para explicar a origem daquela fotografia de
irreverentes fólios, mas que mexeram um bocado em meu subconsciente
na tentativa de buscar local e ano daquele carnaval, lembrando-me das
obras de construção da nova Rodoviária provavelmente concluídas
em fins de 1956. As camisetas do Granada me remeteram àquelas
partidas de futebol na várzea em 1954, seguindo-se minha ida em 1955
para a Capital. Chamou-me atenção o fato de que até esses anos não
cheguei a verificar nenhuma outra nova construção no trecho da 27
situado entre a Avenida Odilo Marques Gonçalves até a beira do rio
Jaguarão. E a foto que ilustra este texto deve representar um
importante marco divisório entre a antiga e a moderna cidade.
José Alberto de Souza
Publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 08/05/2013
sábado, 18 de maio de 2013
Mensagem de um poeta gripado
Estava eu mais que pronto
A embarcar-me nesta
aventura
Da poesia no bar em
maio
Quando um vírus abjeto,
furtivo
Intrometeu-se no meu
projeto
Levando-me quase ao
desmaio
Foi um violento
combate
Com esse enviado do
mal
Não me adiantaram a
rima
Sonetos, verso, ou bailado
Travei a formidável esgrima
À Coristina D, Multigripe
E Chá de anis estrelado
Minha amada em febre
alta
Também sofreu do
ataque
Mas uma verdade eu
lhes digo:
Nosso amor em sua
estrutura
Não sofreu nenhum
achaque
E abraçados, eu com ela, ela
comigo
Desfrutamos da
calentura!
A noite no Madre Mia
Será excelsa, de
glória
E pra encurtar minha
história
E o fim deste dilema
Lhes digo, com muita
pena:
Melhor ficar em casa
A espirrar em meio
ao poema!
Jorge Passos
quinta-feira, 16 de maio de 2013
14ª Edição do Poesia no Bar no Madre Mia
“
Essas palavras que
escrevo me protegem da completa loucura.”
[Bukowski ]
[Bukowski ]
Uma
noite poética e livre, carregada de música e poesia acontece no
próximo sábado (18), na 14ª edição do Poesia no Bar, a partir
das 19h. O local escolhido, digno da ousadia artística e da
culinária latina foi o Madre Mia. Os poetas, das cidades de Pelotas,
Rio Grande, Jaguarão e Porto Alegre, tomados pelas mais diversas
influências e personalidades estarão apresentando suas poesias e de
autores consagrados. Uma noite para sentir e respirar literatura, de
todas as formas.
Nesta 14ª edição, o Poesia no Bar abre com
a visceralidade insana, louca e fascinante de Bukowski em uma
performance da autora Ju Blasina, de Rio Grande. Blocos com poesias
de diversos autores locais e convidados farão parte da noite que
conta com a poesia viva, profunda e inquietante do poeta Martim
César, de Jaguarão. O mais recente grupo focado em arte e
literatura Mandinga estará lançando sua revista virtual expressa em
arte escrita e visual com artistas de Pelotas e região.
Nascido
em Pelotas/RS, no inverno de 2010, o Projeto Poesia no Bar possui o
objetivo de levar literatura, através da distribuição de
marca-páginas com poemas de novos poetas, participando como
organizador e apoiador de eventos e ações literárias, que expandam
e fortaleçam a poesia. Com inserções em várias manifestações
artístico-culturais como evento oficial, o Poesia No Bar já esteve
presente em atividades como: Cult Bazar, Cult festival, 2° Festival
Manuel Padeiro de Cinema e Animação, 10° Aniversário da Rádio
Com 104,5 FM, 3ª Feira Binacional do Livro de Jaguarão/RS, Semana
do Audiovisual de Jaguarão/RS – SEDA 2012, Sarau do Radiola e
edições em Rio Grande e Jaguarão.
Com entrada franca, o
evento ainda distribuirá marca-páginas com poesias de 30 autores,
representantes de várias regiões do País e abrirá espaço para o
público mostrar sua poesia e vivenciar mais um momento marcante na
cena cultural que vem crescendo a cada dia em Pelotas e
região.
Autores confirmados:
Alvaro Barcellos
Daniel Moreira
Duda Keiber
Ediane Oliveira
Gabriel Borges da Silva
Giliard Barbosa (RG)
Ju Blasina (RG)
Israel Mendes (POA)
Jorge Braga
Jorge Passos (Jaguarão)
Marcio Ezequiel
Marília Kosby
Martím César (Jaguarão)
Rogério Nascente
Sérgio Christino
Valder Valeirão
Vinícius Kusma
Serviço
O que: 14ª edição do Poesia no Bar
Onde: Madre Mia (Santa Cruz, 2200)
Quando: Sábado, 18 de Maio, às 19h, entrada franca.
O que: 14ª edição do Poesia no Bar
Onde: Madre Mia (Santa Cruz, 2200)
Quando: Sábado, 18 de Maio, às 19h, entrada franca.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
13 de maio: A única revolução social do Brasil
Mário Maestri (*)

A Abolição já foi data magna, festivamente relembrada.
Nos últimos anos, tem sido fortemente questionada e objeto de verdadeira
conspiração de silêncio. Paradoxalmente, a operação recebe o apoio do movimento
negro brasileiro que, ao contrário, deveria desdobrar-se na celebração do 13 de
Maio e na discussão de seu significado histórico, destruindo as interpretações
apologéticas sobre ele.
O caráter cordial, transigente e pacífico do
brasileiro já foi um dos grandes mitos nacionais. A abolição da escravatura foi
apresentada como prova dessa pretensa realidade. No exterior, o fim da
instituição motivara lutas fratricidas. A guerra de Secessão causou quinhentas
mil vítimas nos USA. No Haiti, em 1804, a destruição da ordem negreira exigiu a
mais violentas guerra social das Américas.
No Brasil, a transição teria-se efetuado sem
violências devido a instituições sensíveis ao progresso dos tempos, a líderes
esclarecidos e à humanitária alma popular. Neste cenário de paz e concórdia,
brilharia a figura de Isabel - a Redentora. Apiedada com o sofrimento dos
negros e despreocupada com a sorte do trono, assinou com pena de ouro o diploma
que pôs fim ao cativeiro.
Em 13 de maio de 1888, começaria a construção de
sociedade fraterna e desprovida de barreiras intransponíveis. As desigualdades
existentes deveriam-se a deficiências não essenciais da civilização brasileira,
enraizada em uma concórdia estrutural entre ricos e pobres, brancos e negros.
Ao menos, era o que se dizia.
Pátria incruenta
Acontecimentos pátrios de impar importância, a
Independência, a República e a abolição teriam como denominador comum o caráter
essencialmente pacífico da civilização brasileira. Apresentava-se igualmente a
essência patriarcal da ordem escravista como corolário da natureza magnânima do
brasileiro, que quebrantava qualquer confronto de raça, credo e classe.
Com a queda da ditadura militar, em 1985, a crescente
organização popular e o surgimento de entidades negras combativas criaram as
condições para desnudar a triste realidade subjacente ao discurso da democracia
racial e da fraternidade brasileiras. As narrativas laudatórias sobre a
abolição, sobre a escravidão e sobre o caráter democrático nacional
trincavam-se contra a triste realidade contemporânea.
Em fins dos anos setenta, diante dos olhos mais
míopes, desnudava-se situação onde o povo negro constituía a parcela mais
sofrida de uma população crescentemente explorada. Revelava-se mesmo para os
que se negavam a ver sociedade singularmente violenta onde a pele escura
dificultava a conquista do trabalho e facilitava o acesso à prisão, se não ao
necrotério.
Desde os anos sessenta, as descrições fantasiosas
sobre o passado do Brasil foram refutadas por cientistas sociais como Florestan
Fernandes, Octávio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, etc. que empreenderam
análises mais objetivas sobretudo dos séculos 19 e 20. Porém, em geral, esses
autores negaram significado histórico do 13 de Maio. Apontavam a inusitada
violência do escravismo brasileiro mas definiam a sua superação como um
"negócio de brancos", onde os cativos, principais interessados, não
teriam tido papel significativo ou ganhos substanciais.
Em fins dos anos setenta, o movimento negro retomou
acriticamente essa tese, com o objetivo de melhor denunciar a situação da
população afro-descendente. Para desqualificar a Abolição, ressaltou-se que se
efetuara sem indenização pecuniária ou fundiária. Que o movimento abolicionista
buscava, libertando os cativos, criar mão-de-obra barata. Que após a Abolição,
as condições de existência das massas negras teriam talvez piorado, tese
defendida, por Gilberto Freyre, sobretudo em Sobrados e mucambos,
de 1936.
Para melhor criticar os mitos da emancipação do povo
negro em 1888 e da ação magnânima da Regente Imperial, o movimento negro propôs
a abominação do 13 de Maio e a celebração do 20 de Novembro como dia nacional
da consciência negra no Brasil. Naquela data, em 1695, morria Zumbi, o último
chefe da confederação dos quilombos de Palmares.
Encobrindo o passado
Apesar de bem-intencionadas, essas leituras
consolidaram as interpretações do 13 de Maio dos ideólogos das classes
proprietárias, que procuravam escamotear o sentido de sucessos nascidos do
esforço das massas escravizadas aliadas aos setores abolicionistas
radicalizados. Assentavam assim a última pedra na construção do esquecimento do
mais importante acontecimento histórico brasileiro - a revolução abolicionista
de 1887-8.
O movimento negro organizado esquecia que celebrar a
Abolição não significa reafirmar os mitos da emancipação social do povo negro
em 1888 e de Isabel como promotora da emancipação. Ignoram que comemorar o fim
da escravidão significa recuperar a importância daquela superação, através de
frente política pluri-classistas e do protagonismo dos cativos no passado.
Em forma alienada e imperfeita, as comunidades negras
sempre intuíram a importância histórica de 1888. Apenas nos últimos anos essa
consciência diluiu-se devido ao proselitismo anti-Abolição, verdadeira invenção
da tradição que resulta em grave perda da memória histórica pelas classes
trabalhadoras e oprimidas, em geral, e afro-descendentes, em particular.
Foi o profundo impacto da Libertação na consciência e
na vida dos cativos e libertos que levou o povo negro a rememorar, com tanto
carinho, por um século, o 13 de Maio, e festejar, imerecidamente, com devoção,
Isabel, herdeira da casa de Bragança, grande responsável pela manutenção do
cativeiro quase até o século 20.
Em inícios de 1980, Mariano Pereira dos Santos,
ex-cativo centenário, apesar de ter vivido como homem livre na profunda
miséria, afirmava comovido, semanas antes de morrer, que após a
"Libertação", o povo negro vivera "na glória". Maria
Benedita da Rocha, uma outra ex-cativa, também centenária, referiu-se,
arrebatada ao anúncio do fim do cativeiro na sua fazenda. Através do Brasil,
nas cidades e campos, em 13 de maio de 1888, os tambores e atabaques ressoaram
poderosos ferindo em derradeira vendeta os tímpanos dos negreiros derrotados.
O dia da libertação
A visão do 13 de Maio, pelo povo negro, como concessão
da Redentora, constitui cristalização alienada na memória popular, determinada
pela ideologia dominante, de acontecimento de profundo sentido histórico para
os cativos e para a nacionalidade brasileira. Ou seja, o resultado de operação
de diluição da memória do protagonismo dos trabalhadores escravizados naqueles
sucessos.
Não há sentido em antepor Palmares a 1888. Por mais
heróica que tenha sido, a epopéia palmarina jamais propôs, e historicamente não
poderia ter proposto, a destruição da instituição servil como um todo. Palmares
resistiu por quase um século, determinou a história do Brasil, mas foi
derrotado. A revolução abolicionista foi vitoriosa e pôs fim ao escravismo,
ainda que tardiamente.
Desconhecer o sentido revolucionário da Abolição é
olvidar a essência escravista de dois terços de passado brasileiro e o caráter
singular da gênese do Brasil contemporâneo, através da destruição do
escravismo. Tal desconhecimento ignora a contradição essencial que regeu por
mais de trezentos anos o passado brasileiro - escravizadores contra
escravizados.
Nos anos cinqüenta, autores como Clóvis Moura e
Benjamin Péret produziram importantes leituras sobre o agir dos trabalhadores
escravizados no Brasil. Nos anos sessenta, Emília Viotti da Costa, Stanley
Stein, etc. avançaram significativamente o conhecimento essencial da
escravidão. Nas duas décadas seguintes, foram produzidos numerosos trabalhos
sobre a sociedade, economia e as formassui-generis de resistência
do cativo, destacando-se entre eles a apresentação do escravismo colonial como
modo-de-produção historicamente novo, por Jacob Gorender, em O
escravismo colonial.
Nesses anos, estudos como o clássico Os
últimos anos da escravidão no Brasil, de Robert Conrad, apresentaram a
Abolição, em seu tempo conjuntural, como o resultado da insurreição incruenta
dos cativos cafeicultores que, nos últimos meses do cativeiro, abandonaram
maciçamente as fazendas, reivindicando relações contratuais de trabalho. Tais
estudos desvelaram parcialmente a extrema tensão política e social sob a qual o
movimento abolicionista radicalizado alcançou a vitória, em 1888, em estreita
ligação com a massa escravizada, principal protagonista dessas jornadas.
Instituição terminal
Em 13 de maio de 1888, a herdeira imperial nada mais
fez do que, após o projeto abolicionista ter sido aprovado no parlamento,
sancionar a Lei Áurea, assinando o atestado de óbito de instituição agônica
devido a sua desorganização pela fuga dos cativos. Durante todo o Primeiro e o
Segundo Reinados, os Braganças haviam defendido com unhas e dentes a
escravidão, conscientes da aliança que os unia umbilicalmente aos escravistas.
Nos últimos meses da escravidão, os mais renitentes
negreiros reconheciam já a inevitabilidade do fim da instituição. Defendendo
até o último momento o cativeiro, pretendiam apenas criar as melhores condições
para reivindicar indenização pela propriedade libertada. Foi devido a essa
pretensão que o ministro republicano Rui Barbosa ordenou a queima dos registros
de posse de cativos pois, sem prova legal, não havia possibilidade de
indenização.
Foi igualmente a ação estrutural das massas
escravizadas, durante os três séculos de cativeiro, que construiu as condições
que ensejaram, mais tarde, a destruição da servidão. Sobretudo a rejeição
permanente do cativo ao trabalho feitorizado impôs limites insuperáveis ao
desenvolvimento tecnológico da produção escravista, determinando altos gastos
de coerção e vigilância que abriram espaços para formas de produção
historicamente superiores.
Em 1888, a revolução abolicionista destruiu o modo de
produção escravista colonial que, por mais de três séculos, ordenara a
sociedade no Brasil. Negar esta realidade devido às condições econômicas,
passadas ou atuais, da população negra, é compreender a história com visões
simplistas e, sobretudo, não históricas. Os limites da Abolição eram objetivos.
Nos últimos anos da escravidão, o cativo era categoria social em declínio que
lutava sobretudo pelos direitos cidadãos mínimos. Foi a reivindicação da liberdade
civil que uniu a luta dos cativos rurais à dos cativos urbanos, então pouco
representativos.
Apenas a liberdade
Não procede a proposta que a abolição não teve
conteúdo porque os cativos não foram indenizados. A estrutura latifundiária da
produção, a pouca difusão de hortas servis e a liberdade civil como
reivindicação central já dificultavam movimento pela distribuição de terras,
que exigiria a união de cativos, caboclos, posseiros, colonos sem terra, etc.,
praticamente impossível de ser então concretizada, devido sobretudo ao baixo
nível de consciência e organização e à elevada heterogeneidade e dispersão
geográfica das classes trabalhadoras rurais. Porém, tal medida foi defendida
por setores do movimento abolicionista.
Na limitação das conquistas econômicas obtidas quando
da abolição pesou a verdadeira contra-revolução republicana, oligárquica e
federalista de 15 de novembro de 1889, que pôs fim ao movimento abolicionista
como projeto reformista nacional. Os limites históricos da Abolição não devem minimizar
a importância da conquista dos direitos políticos e civis mínimos por
setecentos mil "escravos" e "ventre-livres". Com o 13 de
Maio, superava-se a distinção entre trabalhadores livres e escravizados,
iniciando-se a história da classe operária brasileira como a compreendemos
hoje.
Nos anos 90, a derrota histórica do mundo trabalho e a
euforia neoliberal que apenas hoje perde ímpeto determinaram os destinos gerais
da historiografia. No Brasil como alhures, em tempos de Nova História,
os holofotes da mídia, o interesse das editoras, o bon ton historiográfico
passaram a recomendar estudos monográficos, intimistas, biográficos e exóticos,
tranqüilizadores das consciências e pacificadores dos espíritos. De ciência que
procurava compreender e libertar, a história evoluiu à arte de entreter e
apaziguar.
Nesse contexto, decaiu o interesse e os incentivos,
diretos e indiretos, para a pesquisa sobre a história das classes
subalternizadas e para os estudos analíticos sobre o passado. Apequenaram-se os
estudos sobre as classes trabalhadoras urbanas, o movimento camponês, os
fenômenos essenciais da sociedade humana. Diminuíram as pesquisas sobre a
escravidão, que foram dominadas novamente pelas teses da escravidão benigna e
consensual, defendidas com singular inteligência e cabotinismo por Gilberto
Freyre a partir dos anos 1930.
A história é processo objetivo e complexo, apenas em
geral ascendente, onde as conquistas sociais de ontem, parciais e
contraditórias, possibilitam conquistas mais substanciais no presente, como
podem, igualmente, dar lugar a recuos históricos, que ensejam, necessariamente,
o obscurecimento da compreensão do presente e do passado.
A revolução abolicionista foi o primeiro grande
movimento de massas moderno, promovido sobretudo pelos trabalhadores
escravizados, em aliança com libertos, trabalhadores livres, segmentos médios e
alguns poucos proprietários. Até agora, constituiu a única revolução social
vitoriosa do Brasil. Resgatando seu sentido e desvelando sua história,
prosseguiremos mais facilmente no sentido apontado pelos trabalhadores
escravizados que ousaram abandonar as senzalas para pôr fim à ordem negreira,
no não tão longínquo ano de 1888.
(*) Mário Maestri, 56, é professor do
PPGH da UPF. É autor, entre outros, de Depoimentos de escravos
brasileiros. [São Paulo: Ícone,
1988]. E-mail: maestri@via-rs.net
Fonte: http://www.lainsignia.org
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