quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Letras e versos de Fronteira na BPP

Paulo Timm participa de evento que lança nova obra de Aldyr Garcia Schlee


O intérprete ,  músico-compositor  e instrumentista Paulo Timm é o convidado para a parte de música ao vivo do evento daBibliotheca Pública Pelotense  que, na noite da próxima sexta ( 23), marca o lançamento nacional de Contos da Vida Dificil , novo livro de Aldyr Garcia Schlee. Ao estilo violão e voz , serão  apresentadas  canções baseadas em contos do escritor jaguarense.  Timm é o autor da melodia   dos dois temas ( ver letras ao final) compostos em parceria com os poetas-letristas Martim César Gonçalves e Alvaro Barcelos. Programação com entrada franca e inicio às 19 horas , no salão nobre da Bibliotheca.

O trabalho do também jaguarense Paulo Timm tem quatro registros em CDs - sempre em conjunto com músicos e letristas que acompanham sua trajetória iniciada em 1995. O mais recente - o álbum Singular, lançado na Bibliotheca,no inicio de junho -  é uma parceria com Gilberto Isquierdo e Mauricio Raupp Martins.A canção A Viúva de Quinteros - letra de Martim César e música de Paulo Timm - tem como tema o conto do mesmo nome publicado no primeiro livro de Schlee, Contos de Sempre, premiado na Bienal Nestlé de Literatura Brasileira de 1982. Já a letra de Alvaro Barcelos - Nas Tramas do Mago - também musicada por Timm , apresenta uma colagem dos personagens e do universo de fronteira da obra de Schlee.

O encontro que tem Paulo Timm como convidado especial para a parte musical é uma realização da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) e da Edições Ardotempo , responsável pela publicação de Contos da Vida Dificil e de outros oito títulos de Aldyr Schlee. Cinco exemplares de cada uma destas obras serão doados pela editora ao acervo da BPP. Evento com apoio da Livraria Mundial.

Confira programação e convidados:

O QUE -  Conversa sobre Livros  , edição especial,  com Aldyr Garcia Schlee.
Conversa com o autor - apresentação de obra inédita e relançamento de obras esgotadas.

QUANDO E ONDE  23 de agosto  de 2013, no salão nobre da Bibliotheca Pública Pelotense. Entrada franca. Inicio às 19 horas.

QUEMAldyr Garcia Schlee - Convidado especial
Regina Ungaretti - Diretora do Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo
Alfredo Aquino - Editor / diretor Edições ARDOTEMPO.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL / MÚSICA AO VIVO`
Paulo Timm - interpreta canções baseadas na obra de Schlee

REALIZAÇÃO 
Bibliotheca Pública Pelotense e EDIÇÕES ARDOTEMPO

APOIO
Livraria Mundial

          A viúva de Quinteros  
Letra: Martim César (Baseada no texto de Aldyr Schlee) / Música: Paulo Timm

                   Ninguém sabe o paradeiro
                   Da viúva de Quinteros
                   Que se foi sem deixar rastros
                   Que partiu pra nunca mais...

                   Restou um rancho deserto
                   Olhando pra o campo aberto
                   E já esquecido por Deus
                   E mil causos na memória
                   Que tentam contar a história
                   Como de fato ocorreu

                   Mas ao certo ninguém sabe
                   Qual seu fim ninguém responde
                   Se morreu, cadê o corpo?
                   Se partiu, se foi pra onde?
                  
                   Viu seu marido e seu filho
                   Partirem na leva um dia...
                   Mas por que não retornaram
                   Se tantos sobreviveram?
                   Onde estão os prisioneiros
                   Da batalha de Quinteros?

                   As mulheres que ficaram
                   Não tinham lenço ou bandeira
                   Mas muito mais que seus homens
                   De muitas mortes morreram
        
                   Na ponta rubra da lança
                   Uma tesoura de esquila
                   Adorna o peito sangrado
                   De outro Blanco assassinado
                   E junto ao corpo estendido
                   Sempre um lenço colorado...

                   O mesmo lenço encarnado
                   Que se extraviou em Quinteros
                   E que reclama em silêncio
                   A morte dos prisioneiros

                   Morreram muitos depois
                   E todos de igual maneira
                   E viram um lenço rubro
                   Ao lado da esquiladeira
                   E – sempre - em seus enterros
                   A mesma mulher de negro

NAS TRAMAS DO MAGO

(letra|: Álvaro Barcelos / Música: Paulo Timm)


“Circulo entre as histórias, ambientes, personagens.                                                    
Revisito os lugares, experimento viagens.                                                         
E me toma pela mão, o amigo, o mestre, o mago.                                               
E atravessamos fronteiras e paisagens desses pagos.                                              
No ardor e no vaivém que compõem suas tramas,                                                
cruzam heróis e vilões, homem, mulher, fomes, camas...”                                        

Don Sejanes nos acena,
Tropeçando em sua sina
E na esteira do horizonte
Tristemente vai Braulina.
Nas lonjuras mais distantes,
No pampa do esquecimento,
A viúva de Quinteros
É um fantasma em seu tormento.

No silêncio das paragens

Vai Tamara de olhar gris.
E o papa desde Melo
Vai percorrendo o país.

Por aqui, cada rincão
É uma colagem do mundo,
Onde cabem prostitutas,
Estancieiros e vagabundos.
Cabem guerras e denúncias,
Adagas e covardias,
Banqueiros e senadores,
Amores, melancolias.
E os guris com bergamotas
Nos beirais dessas estradas
Já nem pensam no vazio
Dessas planuras do nada.

Ao longe cruzam os loucos,

Os errantes, os caudilhos

Soam apitos de trens
Que já andam noutros trilhos.
Eis que então me indica o mestre
Que chega ao fim o passeio
Por Rio Branco, Jaguarão
Lugares de onde ele veio

Volta o mestre e anuncia

- Retornemos com as Bandeiras.
Semeia sonhos nas almas

Feito um mago entre as fronteiras!





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