sábado, 17 de agosto de 2013

O que acontece quando morremos?

Para o neurocirurgião norte-americano Alexander Eben a morte era simplesmente o fim de tudo. Como estudioso dos fenômenos mentais, ele sempre tinha uma explicação para os pacientes que descreviam suas viagens fora do corpo, ao voltar de um coma. Até que no dia 10 de novembro de 2008, aos 54 anos, ao ser atacado por uma meningite bacteriana, ele próprio entrou em coma e enfrentou essa mesma experiência. A partir de então sua vida mudou para sempre e passou a testemunhar, com toda a convicção, que existe sim, vida após a morte. Sua incrível história foi tema do programa Fantástico, da TV Globo, em 24/03/2013 e relatada em livro, traduzido agora para nossa língua, com o título de “Uma Prova do Céu”.

É um caso parecido com o que aconteceu há mais tempo, em 1943, com outro médico americano, George Ritchie, quando era soldado do exército estacionado no Texas, à espera de uma transferência para estudar Medicina na Faculdade de Virginia. Antes de embarcar, porém, ele contraiu uma pneumonia que veio a provocar o seu suposto óbito. O médico militar responsável, ao fazer exame de praxe, não detectou “uma só evidência de respiração ou impulso cardíaco” e atestou sua morte. Entretanto, pouco depois, quando o corpo era encaminhado ao necrotério, uma enfermeira desconfiou ter notado um leve movimento no peito de Ritchie. Para comprovar, chamou o médico de plantão e este, com toda a urgência, providenciou uma injeção de adrenalina que levou o paciente a respirar e o seu coração a bater novamente. Ritchie retornou então para a vida, com uma das mais impressionantes experiências de quase morte, conhecidas pela abreviatura EQM. Tudo o que aconteceu enquanto sua consciência estava separada do corpo é detalhado no livro “Voltar do Amanhã”, de sua autoria, traduzido para nove idiomas, inclusive o Português, em várias edições, todas esgotadas.

Entretanto, quem popularizou o termo EQM - Experiência de Quase Morte - foi o psiquiatra norte-americano Raymond Moody Jr, com seu livro Vida Após a Vida, publicado pela primeira vez em 1975, onde são investigados mais de cem casos de pessoas que experimentaram a morte clínica e ao voltar contaram o que lhes aconteceu. Embora tais assuntos tenham tradicionalmente permanecido no âmbito filosófico, nos últimos anos, em razão dos avanços da medicina e da moderna tecnologia, os médicos vem conseguindo reviver aproximadamente 10-15% das pessoas clinicamente consideradas mortas. Esse período de reversão da morte leva apenas alguns segundos ou minutos, mas para os pacientes pode representar horas ou dias, pois entram numa dimensão de tempo diferente da usual, chamada de Tempo Kairós. A causa e o significado destas experiências ainda não são totalmente compreendidos, porém cinco recentes estudos científicos independentes, realizados no Reino Unido, na Holanda e nos EUA, confirmaram que cerca de 10-20% dos sobreviventes de parada cardíaca relatam a continuação da consciência, em lúcidos e bem estruturados processos de pensamento.


"Descartar as características extraordinárias dessas experiências e os desafios conceituais associados a elas apenas porque não se ajustam ao atual paradigma em ciência, certamente não é o melhor caminho para uma abordagem científica. Precisamos aceitar o universo como ele é, e não impor aquilo que acreditamos que ele é ou pensamos que ele deveria ser. Nossas teorias precisam lidar com os fatos em sua totalidade, e não com uma seleção de fatos conveniente que se ajuste a nossa visão de mundo e a nosso sistema de crenças. Até que a ciência ocidental moderna seja capaz de oferecer explicações plausíveis para todas as observações referentes às experiências espirituais e memórias de vidas passadas, os conceitos encontrados na literatura mística devem ser encarados como superiores à abordagem atual da maioria dos cientistas ocidentais que ou não conhecem os fatos ou preferem ignorá-los."Stanislav Grof, no seu livro A Aventura da Autodescoberta, pág. 114, Summus Editorial, São Paulo, 1997.

Pedro Fagundes Azevedo
Psicólogo Transpessoal

Publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional em 07/08/2013


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